ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 1-23 – PARTE – I

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As Parábolas de Jesus – Parte 1

Vemos aqui Jesus pregando, e podemos observar:

1.Quando Cristo pregou esse sermão: foi no mesmo dia em que havia pregado o sermão do capítulo anterior isto mostra como Ele estava bem-disposto em fazer o bem, e em realizar a obra daquele que o havia enviado. Jesus era a favor que se pregasse do começo ao fim do dia, e pelo seu exemplo esta prática foi recomendada à sua igreja. Nós devemos semear a nossa semente pela manhã e também à tarde (Eclesiastes 11.6). Um sermão à tarde, bem ouvido, estará longe de repor o sermão da manhã; ele irá, na verdade, fixá-lo, e segurar o prego em um lugar firme. Apesar de Jesus ter sido, pela manhã, capciosamente contestado pelos seus inimigos, perturbado e interrompido pelos seus amigos, Ele ainda perseverou com seu trabalho; e não verificamos ter Ele encontrado tais desencorajamentos na parte final do dia. Aqueles que com coragem e zelo vencem dificuldades no nome do Senhor, vão notar que elas não tendem a voltar como eles temem. Resista-lhes e elas desaparecerão.

2.A quem Ele pregava: ajuntava-se muita gente ao redor dele, e eram os ouvintes. Não vemos nenhum dos escribas ou fariseus presentes. Estes estavam dispostos a ouvi-lo quando Ele pregava na sinagoga (cap. 12.9,14), mas acreditavam ser algo abaixo deles ouvir um sermão à beira-mar, apesar do próprio Cristo ser o pregador. E verdadeiramente Ele preferia a ausência à companhia deles, pois quando eles estavam ausentes, Ele podia seguir calmamente e sem ser contraditado. Às vezes, há mais poder do Evangelho quando existe o mínimo de sua pompa: os pobres recebiam o Evangelho. Quando Cristo ia à praia, multidões rapidamente se ajuntavam ao seu redor. Onde o rei está, ali está a corte; onde Cristo está, ali está a igreja, mesmo que seja na praia. Aqueles que se beneficiam das palavras devem estar dispostos a segui-la em todos os lugares – quando a arca mudar, mude-se também, seguindo-a. Os fariseus haviam estado em ação, com calúnias e sugestões baixas, para evitar que as pessoas seguissem a Cristo, mas elas o seguiam tanto quanto antes. Cristo será glorificado apesar de toda a oposição; Ele será seguido.

1 – Onde Ele pregou esse sermão.

(1) Seu ponto de encontro era a praia. Ele saiu de dentro de casa (porque não havia espaço para a audiência), indo para o ar livre. Era uma pena, mas tal pregador devia ter tido o local mais espaçoso, suntuoso e conveniente para pregar que pudesse ser concebido, como um dos teatros romanos; mas Ele estava agora no seu estado de humilhação; e nisso, como em outras coisas. Ele se negava as honras que lhe eram devidas; nem uma casa própria para morar Ele tinha, assim como não tinha um templo próprio onde pudesse pregar. Com isso, Ele nos ensina – através das circunstâncias exteriores de adoração – a não invejar aquilo que é majestoso, mas aproveitar o melhor possível das facilidades que Deus, na sua providência, nos distribuiu. Quando Cristo nasceu, Ele estava apertado em um estábulo, e agora vemo-lo em uma praia, na areia, onde todas as pessoas podiam vir a Ele livremente. Ele, que a era a própria verdade, não buscava santuários, como os mistérios pagãos faziam. ”A suprema Sabedoria altissonantemente clama de fora” (Provérbio 1.20; João 13.20).

(2) Seu púlpito era um barco; não como o púlpito de Esdras, que havia sido feito para esse propósito (Neemias 8.4), mas convertido para esse uso, por falta de outro melhor. Não havia lugar impróprio para esse pregador, cuja presença dignificava e consagrava qualquer lugar. Aqueles que pregam a Cristo não devem se envergonhar, apesar de terem locais simples e inconvenientes para pregar. Alguns observam que as pessoas estavam em pé, em solo seco e firme, enquanto o pregador estava na água, com algum risco. Os ministros estão mais expostos aos perigos. Vemos que havia aqui uma verdadeira tribuna, o barco-púlpito.

4.O quê e como o Senhor Jesus pregava.

(1) Ele “falou-lhe de muitas coisas”. É provável que muito mais do que está registrado aqui, mas todas coisas excelentes e necessárias, coisa s que pertencem à nossa paz, coisas a respeito do Reino dos céus: elas não eram irrelevâncias, mas sim de importância eterna. Cabe a nós dar a mais sincera atenção quando Cristo tem tantas coisas a nos dizer, de modo a não perdemos nada.

(2) Ele falou por parábolas. Uma parábola, às vezes, significa qualquer ditado sábio e importante que seja instrutivo; mas aqui nos Evangelhos geralmente significa uma similitude ou comparação contínua, pela qual coisas espirituais ou divinas são descritas com uma linguagem emprestada das coisas da vida cotidiana. Era uma maneira muito usada de ensinar, não só pelos rabinos judeus, mas pelos árabes, e por outros homens sábios do Oriente; e era considerada muito proveitosa, em grande parte devido ao fato de ser agradável. O nosso Salvador a usava muito, e com isso condescendia com a capacidade das pessoas, e se dirigia a elas em sua própria linguagem. Há muito tempo Deus usava símiles através dos seus servos, os profetas (Oseias 12.10), e, às vezes, com pouco proveito; agora Ele usa símiles através de seu Filho, pois certamente eles reverenciarão aquele que fala do céu, e de coisas divinas, mas as reveste com expressões emprestadas de coisas terrenas. Veja João 3.12. Observe:

 I – Nós temos aqui a razão geral pela qual Cristo ensinou por parábolas. Os discípulos estavam um pouco surpresos com isso, pois até aquele momento, em suas pregações, Jesus não as havia usado muito, e por isso perguntam: “Por que lhes falas por parábolas?” Porque eles estavam verdadeiramente desejosos que as pessoas ouvissem e compreendessem. Eles não dizem: Por que falas a nós? (eles sabiam como ter as parábolas explicadas), mas a eles. Note que nós devemos estar preocupados com a edificação de outros, e com a nossa, pela palavra pregada; e devemos ser fortes para que possamos “suportar as fraquezas dos fracos”.

Cristo responde amplamente a essa questão (vv. 11-17). Ele lhes diz que pregava por parábolas, para que assim as coisas de Deus fossem expostas de uma maneira fácil e clara para aqueles que eram propositadamente ignorantes; e dessa forma o Evangelho seria “cheiro de vida” para alguns, e de morte, para outros. Uma parábola, com o a coluna de nuvem e fogo, volta um lado escuro para os egípcios, o qual os confunde, mas um lado claro para os israelitas, que os conforta, e assim atende a um duplo propósito. A mesma luz dirige o olhar de alguns, mas ofusca os olhos de outros. Note que:

1.Essa razão é exposta (v. 11): “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado”. Ou seja:

(l].  Os discípulos tinham conhecimento, mas as pessoas não. Vocês já sabem algo desses mistérios, e não precisam ser instruídos dessa maneira familiar; mas as pessoas estão desprovidas de conhecimento, são como bebês, e devem ser ensinadas como tais, através de símiles claras, sendo ainda incapazes de receber instruções de qualquer outra maneira: pois apesar de terem olhos, elas não sabem como usá-los. Ou:

(2) Os discípulos estavam bem familiarizados com o conhecimento dos mistérios do Evangelho, e analisariam as parábolas, e por elas seriam levados a um conhecimento mais íntimo desses mistérios. Mas os ouvintes carnais, que só contavam com o que podiam ouvir, e não se dariam ao trabalho de pesquisar mais, nunca seriam mais sábios, e assim sofreriam merecidamente por seu enfraquecimento. Uma parábola é como uma casca que protege o bom fruto para os diligentes, mas o guarda dos preguiçosos. Note que existem mistérios no Reino dos céus, e “sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade”: a encarnação de Cristo, expiação, intercessão, nossa justificação e santificação pela união com Cristo, e, de fato, toda a questão da redenção, da primeira à última, são mistérios que nunca poderiam ter sido descobertos senão pela revelação divina (1 Coríntios 15.51). Eles foram nessa ocasião revelados, em parte, aos discípulos, e não seriam completamente descobertos até que o véu fosse rasgado. Mas o mistério da verdade do Evangelho não deve desencorajar, e sim estimular, a nossa busca dele, e os nossos estudos a seu respeito.

[1] O conhecimento dos mistérios do Reino dos céus é, de graça, dado aos discípulos de Cristo, para se familiarizarem com esses mistérios. O conhecimento é o primeiro presente de Deus, e é um presente que distingue (Provérbio 2.6); ele foi dado aos apóstolos, por que eles eram os seguidores e apoiadores constantes de Cristo. Note que quanto mais próximo nos chegamos a Cristo, e quanto mais conversamos com Ele, tanto mais nos familiarizamos com os mistérios do Evangelho.

[2] Ele é dado a todos os verdadeiros crentes, que têm um conhecimento experimental dos mistérios do Evangelho, e esse é, sem dúvida, o melhor conhecimento – um princípio de graça no coração, é o que faz com que os homens tenham uma rápida compreensão do temor ao Senhor, e da fé em Cr isto, e do significado das parábolas. Pela falta dessa bênção, Nicodemos, um mestre em Israel, falava do novo nascimento como um homem cego fala das cores.

[3) Há aqueles para os quais esse conhecimento não é dado: “O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu” (João 3.27). Devemos nos lembrar de que Deus não é devedor a homem algum; a graça pertence somente a Ele. E Ele a dá ou a retém como lhe convém (Romanos 11.35); esta questão deve ser decidida pela soberania de Deus, como já vimos anteriormente (cap. 11.25,26).

2.Essa razão é melhor ilustrada pela regra que Deus observa ao distribuir seus dons. Ele os dá àqueles que os aperfeiçoam, mas os tira daqueles que os enterram. É uma regra entre os homens preferir confiar seu dinheiro àqueles que aumentam seus bens através de seu trabalho, do que àqueles que os diminuem pela sua preguiça.

(1). Aqui vemos a promessa àquele que tem a verdadeira graça, de acordo com a escolha da graça, e que usa aquilo que tem; ele terá maior abundância. Os favores de Deus são a garantia de mais favores; Ele construirá onde Ele colocar os alicerces. Os discípulos de Cristo usavam o conhecimento que tinham agora, e teriam maior abundância quando recebessem o Espírito (Atos 2). Aqueles que têm a verdade da graça, terão o aumento da graça, chegando a uma abundância de glória (Provérbio 4.18). José – Ele acrescentará (Genesis 30.24).

(2). Aqui há uma ameaça àqueles que não desejam a graça, que não fazem bom uso dos dons e talentos que têm: não têm raiz, não têm princípios sólidos; têm, mas não usam o que possuem; destes, será tirado aquilo que têm ou parece que têm. Suas folhas murcharão, seus dons decairão; os meios de graça que têm, e dos quais não fazem uso, lhes serão tirados. Deus tirará os seus talentos das mãos daqueles que correm o risco de sucumbir rapidamente.

3.Essa razão é explicada, em particular, com referência aos dois tipos de pessoas com quem Cristo entrou em contato.

(1) Alguns eram intencionalmente ignorantes; e esses se divertiam com as parábolas (v. 13): “Porque eles, vendo, não veem”. Eles cerraram seus olhos à clara luz das pregações mais óbvias de Cristo, e assim foram agora deixados no escuro. Ao verem a pessoa de Cristo, eles não viam sua glória, não viam diferença entre Ele e outro homem qualquer. Vendo seus milagres, e ouvindo a suas pregações, eles não viam; não ouviam com qualquer preocupação ou dedicação; eles não compreendiam nem a Cristo nem os seus milagres. Observe que:

[1) Existem muitos que veem a luz do Evangelho, ouvem o som do Evangelho, mas nunca permitem que o Evangelho alcance os seus corações, nem abrem os seus corações para ele.

[2) É justo da parte de Deus retirar a luz daqueles que cerram os seus olhos a ela. E aqueles que preferem ser ignorantes, que sejam. Ao lidar dessa maneira com eles, o Senhor Deus aumenta a sua graça para com os seus discípulos, distinguindo-os.

Nisto se cumpririam as Escrituras (vv. 14,15). Esta é uma citação de Isaías 6.9,10. O profeta messiânico que falou mais claramente da graça do Evangelho previu o desprezo a ele, e a consequência de tal desprezo. São citadas não menos que seis vezes no Novo Testamento que, nos tempos do Evangelho, o julgamento espiritual seria muito comum. Isto faz menos ruído, mas é uma situação mais terrível. Aquilo que foi dito dos pecadores no tempo de Isaías foi cumprido no tempo de Cristo, e está se cumprindo todos os dias; pois enquanto o perverso coração do homem se mantém no mesmo pecado, a justa mão de Deus inflige a mesma punição. Vemos isso aqui:

Em primeiro lugar, temos uma descrição da cegueira e dureza propositais dos pecadores, que é o pecado de que são culpados: “O coração deste povo está endurecido”, ou seja, está engrossado; isto denota tanto sensualidade como insensatez (SaImos 119.70). Sentindo-se seguro sob a Palavra e a vara de Deus, um escarnecedor como Jesurum engordou e se engrossou (Deuteronômio 32.15). E quando o coração está assim pesado, não é de surpreender que os ouvidos ouçam mal; eles não ouvem nada dos gemidos do Espírito; os altos clamores da Palavra. Apesar de a Palavra estar próxima deles, eles não a levam em consideração, nem são afetados em nada por ela: eles têm seus ouvidos tapados (SaImos 58.4,5). E por estarem decididos a ser ignorantes, eles bloqueiam ambos os sentidos do aprendizado; pois também fecharam os seus olhos, decididos de que não veriam a luz vir ao mundo, quando o Filho da Justiça se manifestou, mas cerraram as suas janelas, pois “amaram mais as trevas do que a luz” (João 3.19; 2 Pedro 3.5).

Em segundo lugar, temos a descrição dessa cegueira dos sentidos, que é a sua justa punição. “Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis”. Quaisquer meios de graça que tenham não lhes serão proveitosos, de modo nenhum. Embora prossigam recebendo misericórdias por causa de outros, quando entram em juízo, a bênção lhes é negada. A condição mais triste que um homem pode ter desse lado do inferno é estar sob as ordenanças mais vivas com um coração morto, estúpido e insensível, perdendo a oportunidade de ser tocado pelo Senhor nosso Deus. Ouvir a Palavra de Deus, e ver as suas providências, e ainda não entender nem perceber a sua vontade, é o maior pecado e a maior condenação que pode haver. Observe que é o trabalho de Deus dar um coração compreensivo, e Ele, muitas vezes, em um julgamento justo, o nega àqueles a quem Ele deu ouvidos que ouvem, e olhos que veem, em vão. Assim, Deus escolhe as ilusões dos pecadores (Isaias 66.4), e os entrega à sua grande ruína, ao abandoná-los aos desejos dos seus próprios corações (Salmos 81.11,12), deixando-os sós (Oseias 4.17). “O meu espírito não permanecerá para sempre no homem” (Genesis 6.3, versão TE).

Em terceiro lugar, o doloroso efeito e a causa da cegueira e dureza propositais: “Para que não veja com os olhos”. Eles não verão porque não se voltarão ao Senhor; e Ele mesmo diz que eles não verão, porque não se voltarão: “Para que não… compreenda com o coração, e se converta, e eu o cure”.

Note que:

1.Ouvir; ver e compreender são atitudes necessárias à conversão; pois Deus, ao agir conforme a sua graça, lida com homens como homens, como agentes racionais. Ele atrai o homem, muda o seu coração, abrindo-lhe os olhos, e o converte do poder de Satanás a Deus, ao convertê-lo primeiro das trevas à luz (Atos 26.18).

2.Todos aqueles que estão verdadeiramente convertidos a Deus, serão certamente curados por Ele. “Se eles se converterem, eu os curarei, eu os salvarei”. Assim, se os pecadores perecem, que isto não seja imputado a Deus, mas a eles mesmos. Eles tolamente esperam ser curados, sem se converterem.

3.Ê justo da parte de Deus negar a sua graça àqueles que têm recusado, há muito tempo e frequentemente, as propostas da sua graça, e resistido ao poder dela. O Faraó, por um bom tempo, endureceu o seu próprio coração (Êxodo 8.15,32), e posteriormente o próprio Deus o endureceu (Êxodo 9.12; 10.20). Que temamos então, para que não pequemos contra a graça divina; pois se assim procedermos, ela se retirará da nossa vida.

(2) Outros foram efetivamente chamado s para ser discípulos de Cristo, e estavam realmente desejosos de ser ensinados por Ele; estes foram instruídos, e seu conhecimento grandemente aumentou por essas parábolas, especialmente quando elas foram explicadas; e por elas as coisas de Deus se tornaram mais claras e fáceis, mais inteligíveis e familiares, e mais propícias de se­ rem lembradas (vv. 16,17). “Os vossos olhos… veem, e os vossos ouvidos… ouvem”. Eles viram a glória de Deus na pessoa de Cristo; eles ouviram qual era o pensamento de Deus, pois estava expresso na doutrina de Cristo; eles viram muito, e estavam desejosos de ver mais, e assim estavam preparados para receber mais instruções – eles tiveram oportunidade para isso, por estarem constantemente na companhia de Cristo. E eles receberiam as suas preciosas instruções diariamente, e elas estariam acompanhadas pela graça. Agora Cristo fala dessa situação:

[1] Como uma bênção: “Bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem” – isso é uma felicidade, e é uma felicidade pela qual estais em dívida com os peculiares favores e bênçãos de Deus. Essa é uma bênção que foi prometida no Antigo Testamento – de que nos dias do Messias “os olhos dos que veem não olharão para trás” (Isaias 32.3). Os olhos do menor crente que já experimentou a graça de Cristo são mais bem-aventurados do que os dos maiores sábios, dos maiores mestres da filosofia experimental, que são estranhos a Deus; estes, como os deuses a quem eles servem, “têm olhos, mas não veem”. A verdadeira bênção envolve o entendimento correto e um adequado aperfeiçoamento na compreensão dos mistérios do reino de Deus. “O ouvido que ouve e o olho que vê” são obra de Deus naqueles que são santificados; eles são obra de sua graça (Provérbio 20.12), e são uma obra abençoada, que será realizada com poder, quando aqueles que hoje veem “por espelho, em enigma”, verão “face a face”. Foi para ilustrar essa bem-aventurança que Cristo falou tanto da miséria daqueles que são deixados na ignorância; eles têm olhos e não veem; mas “bem-aventurados os vossos olhos, porque veem”. O conhecimento de Cristo é um favor que distingue aqueles que o têm, e, por conta disso, eles estão sob grandes obrigações (veja João 14.22). Os apóstolos deveriam ensinar a outros, e assim eles mesmos seriam abençoados com as mais claras descobertas da verdade divina. Os “atalaias… olho a olho verão” (Isaias 52.8).

[2] Como uma bênção transcendente, desejada (mas não alcançada) por muitos profetas e justos (v. 17). Os santos do Antigo Testamento, que tinham alguns vislumbres, algumas ideias vagas, da luz do Evangelho, desejavam ardentemente maiores descobertas. Eles tinham tipos, sombras e profecias, mas queriam ver a Essência, o final glorioso daquelas coisas para as quais eles não poderiam olhar fixamente; o glorioso interior daquelas coisas dentro das quais eles não podiam olhar. Eles desejavam ver a grande Salvação, a Consolação de Israel, mas não a viram, pois o tempo certo ainda não havia chegado. Note, em primeiro lugar, que aqueles que sabem algo de Cristo, não podem deixar de ansiar por saber mais. Em segundo lugar, que as descobertas da graça divina são feitas, mesmo pelos profetas e justos, somente de acordo com o que lhes é dispensado. Apesar de eles serem os favoritos do céu, com os quais estava o segredo de Deus, mesmo assim eles não viram as coisas que desejavam ver, porque Deus havia determinado não trazê-las à luz ainda; e seus favores não anteciparão seus desígnios. Havia, naquela época, como ainda há, uma glória a ser revelada; algo reservado, de modo que eles, sem nós, não poderiam ser aperfeiçoados (Romanos 8.18; Hebreus 11.40). Em terceiro lugar, para estimular a nossa gratidão e apressar a diligência, é bom considerarmos de que meios dispomos. e que revelações nos foram feitas, agora, sob o Evangelho, acima das que tinham e dispunham aqueles que viviam sob a dispensação do Antigo Testamento, especialmente no que tange à revelação da expiação do pecado. Vejamos quais são as vantagens do Novo Testamento acima do Antigo (2 Coríntios 3.7ss.; Hebreus 12.18); e vivamos de modo que o nosso aperfeiçoamento esteja de acordo com as vantagens que temos na Nova Aliança.

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GESTÃO E CARREIRA

PARE DE TRABALHAR!

Pare de trabalhar

Fiquei algum tempo em bloqueio criativo com muita dificuldade para escrever e produzir. Ao me encontrar exaurida de forças, decidi

tirar alguns dias de férias em um lugar distante de casa, sozinha, onde eu pude me dedicar à alimentação balanceada, à saúde e a fazer exercícios físicos.

Me considero privilegiada por poder trabalhar em algo que amo muito e me sinto útil. É fascinante acompanhar o desempenho de empresas, auxiliando em seu crescimento. É muito gratificante ajudar pessoas a conhecerem suas competências e potenciais por meio dos treinamentos. É um trabalho que me realiza muito, porém eu perdi a mão. Como assim? Eu faço o que gosto e me extingui? Pois é. Essa pergunta me acompanhou nos 15 dias onde eu estava reaprendendo a viver de forma saudável e fazendo a conta do quanto eu fui displicente com a minha saúde. Em que momento me atropelei na minha própria rotina de trabalho de tal forma que afetou meus resultados.

Não é novidade dizer que 2017 foi um ano exigente. Juntei ouvir isso mil vezes, sentir isso outras 500 vezes e por alguns anos consecutivos chegar ao final do ano exausta. Fui eu para as férias, a então rainha da culpa, me achando a única nesta situação. Grande foi a minha surpresa quando encontrei várias outras pessoas na mesma situação em que eu estava, buscando o mesmo que eu.

Pessoas cansadas. apesar de terem produzido. Pessoas infelizes consigo mesmas. Pessoas que precisavam se reencontrar com elas, pois lá fora não tinham tempo para elas. Pessoas que racionalmente não tinham nada para reclamar sobre nada. Pessoas que estavam – como EU – com o corpo pedindo equilíbrio. Pessoas bem-sucedidas lá fora e ponto.

Refletindo sobre tudo isso, cheguei a uma conclusão triste. Veja bem: a palavra trabalho vem do latim tripalium, que é um instrumento de tortura comum em tempos remotos no velho mundo. Aqueles que não podiam pagar os impostos sofriam torturas realizadas com esse instrumento. Sendo então trabalhador aquele que era destituído de posses, precisando dedicar seu tempo a atividades difíceis ou então ser torturado com o tripalium.  Nos acostumamos a usar um verbete relacionado com tortura, dor e sofrimento para o que tem de mais importante na nossa vida que é a obra que vamos deixar como legado, o trabalho.

Aprendi pagando caro em moeda não financeira que me dedicar à alimentação, à saúde e a exercícios físicos é o que deve ser rotina. A hora extra, a noite adentro trabalhando, as mil viagens sem qualidade de sono e ficar sem tempo para comer de três em três horas… Ufa! Isso tem que ser exceção! Uma vez ou outra para alcançar um objetivo especifico. Aí faz sentido. aí é sustentável, aí dá prazer. Senão, assim como aconteceu comigo, a gente perde a mão e não há férias que curem o cansaço de fazer algo que não tem mais propósito para você.

Se o SEU trabalho é desculpa para uma vida desequilibrada, se o seu trabalho não está inspirando em você uma vontade imensa de acordar e ir realizar o que você acredita, o seu dom, o que você é bom, a sua missão. Epa!  Pode parar agora e colocar – sim, você pode colocar – significado no que você está fazendo. Só com significado o cotidiano tem sabor.

E quando lhe disserem: ”Você não tem férias? Que dó!”.  E você responder normalmente: ”Que nada…”, dando a entender que VOCÊ vive “de férias”.  Aí você encontrou o seu propósito.

No sentido etimológico da palavra, esse é o aprendizado que compartilho aqui: pare de trabalhar hoje mesmo.

 

CECILIA BETTERO – é administradora e especializada em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. E-mail: celiliabetterconsultoria.com.br

PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMO A RESPIRAÇÃO AFETA OS SENTIMENTOS

O fato de inspirar ou expirar pela boca ou pelo nariz altera a maneira como as pessoas percebem os estímulos externos.

Como a respiração afeta os sentimentos

A forma como respiramos influi em nossas emoções e até na maneira como pensamos. Cientistas comprovaram, pela primeira vez, que o ritmo da entrada e saída de ar no corpo cria uma atividade elétrica no cérebro humano que acentua os julgamentos emocionais e até lembranças desconfortáveis. Esses efeitos se alteram se a pessoa está inspirando ou expirando – e se ela respira pelo nariz ou pela boca. No estudo, desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de North western, voluntários foram capazes de identificar uma expressão amedrontada mais rapidamente quando deparavam com o rosto enquanto inalavam do que quando exalavam. Os participantes tiveram mais facilidade em se lembrar de um objeto quando se deparavam com ele enquanto inspiravam do que quando expiravam. O efeito desaparecia se eles estivessem respirando pela boca.

“Uma das principais descobertas desse estudo é que existe uma grande diferença na atividade cerebral na amígdala e no hipocampo durante a inspiração em comparação com a expiração”, explicou a autora principal do estudo, Christina Zelano, professora assistente de neurologia da Escola de Medicina Feinberg da Universidade North western. “Quando você inspira, nós descobrimos que você está estimulando neurônios no córtex olfativo, amígdala e hipocampo, através de todo o seu sistema límbico.” O estudo foi publicado no periódico científico Journal of Neuroscience. O autor sênior é Jay Gottfried, professor de neurologia na Feinberg.

Os pesquisadores chegaram a essas conclusões ao acompanhar sete pacientes com epilepsia que estavam com cirurgias cerebrais marcadas. Uma semana antes dos procedimentos, um cirurgião implantou eletrodos no cérebro dos pacientes para identificar a origem das convulsões. Isso permitiu que os cientistas adquirissem dados eletrofisiológicos diretamente do cérebro dos pacientes. Os sinais elétricos registrados mostraram que a atividade cerebral flutuou durante a respiração. A atividade ocorre em áreas cerebrais nas quais emoções, memórias e cheiros são processados.

A descoberta levou os cientistas a se perguntar se as funções cognitivas tipicamente associadas com essas regiões do cérebro – especialmente o processamento do medo e da memória – poderiam ser afetadas também pela respiração. A amígdala está fortemente associada com o processamento emocional, em particular emoções relacionadas ao medo. Desse modo, os cientistas pediram a 60 pessoas, no ambiente do laboratório, que tomassem uma decisão rápida sobre expressões emotivas enquanto registravam a respiração deles.

Os voluntários receberam fotos de rostos com expressões de medo ou surpresa e tiveram de indicar rapidamente qual emoção cada rosto estava expressando. Quando encaravam as fotos durante a inspiração, os indivíduos as reconheciam como amedrontadas mais rapidamente do que quando faziam o mesmo durante a expiração. Isso não aconteceu com as expressões de surpresa. Esse efeito diminuiu quando os participantes realizaram a mesma tarefa enquanto respiravam pela boca. Portanto, o efeito é específico para estímulos de emoções de medo durante a respiração pelo nariz. Em um experimento que tinha como objetivo acessar a função da memória (ligada ao hipocampo), os mesmos participantes observaram fotos de objetos em uma tela de computador e foram instruídos a memorizá-las. Os pesquisadores descobriram que os participantes do experimento se lembraram melhor quando tinham encarado as imagens durante a inspiração.

“Isso significa que uma respiração rápida poderia conferir vantagens quando alguém está numa situação perigosa”, explica Zelano. “Se você está em um estado de pânico, o ritmo da sua respiração se torna mais rápido”, afirma. “Como resultado, você passará proporcionalmente mais tempo inalando do que em um estado calmo; assim, a resposta natural do nosso corpo ao medo em aumentar a frequência da respiração pode ter um impacto positivo no funcionamento do cérebro e resultar em uma resposta mais rápida a estímulos perigosos do ambiente.” Outro insight potencial da pesquisa diz respeito aos mecanismos básicos da meditação ou percepção da respiração. “Quando a pessoa inspira, em certa medida está sincronizando oscilações cerebrais por meio da rede límbica.”

MAIS COMPLEXO DO QUE PARECE

Seres humanos respiram automaticamente, em média, 12 vezes por minuto. O cérebro ajusta a cadência da inspiração e expiração às necessidades do corpo sem nenhum trabalho consciente, embora todos tenhamos a capacidade de prender deliberadamente a respiração por curtos períodos.

Essa habilidade é valiosa quando precisamos evitar que água ou poeira invadam nossos pulmões, estabilizar o tórax antes do esforço muscular e aumentar o fôlego para falarmos sem pausas. É surpreendente que, apesar de mantermos a respiração de forma tão natural, a ciência ainda não tenha a compreensão clara desse processo e de todos os seus efeitos no cérebro.

Quando falta oxigênio, o diafragma envia ao cérebro informações sobre a bioquímica do organismo. Inicialmente, esses sinais são interpretados apenas como leve desconforto; quando se tornam intoleráveis forçam o retorno da respiração para evitar a perda da consciência – e, muito antes de haver danos, mecanismos neurológicos entram em ação.

Mas o que determina o tempo durante o qual conseguimos reter a respiração?  Surpreendentemente, investigar esse problema não é tão fácil.

Embora todos os mamíferos tenham essa habilidade, não foi descoberta uma forma de persuadir animais de laboratório a prender a respiração voluntariamente por mais de alguns segundos. Consequentemente, a apneia voluntária só pode ser estudada em humanos. Se o cérebro deixar de receber oxigênio durante um período muito longo, há riscos imediatos de perda da consciência, dano cerebral e morte – perigos que tornariam vários experimentos antiéticos potencialmente esclarecedores. Na verdade, alguns estudos tomados como referências nas últimas décadas são impossíveis de serem reproduzidos por violarem as normas de segurança.

Em 1959 o fisiologista Hermann Rahn, da Faculdade de Medicina da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, usou uma combinação de métodos pouco comuns – como desaceleração do metabolismo, hiperventilação, preenchimento dos pulmões com oxigênio puro – para manter sua própria respiração suspensa por quase 14 minutos. Num experimento similar, Edward Schneider, pioneiro da pesquisa sobre retenção da respiração na Escola Técnica de Medicina Aeronáutica do Exército, em Mitchel Field, Nova York, anteriormente instalada na Universidade Wesleyan, descreveu o caso de uma pessoa que ficou sem respirar por 15 minutos e 13 segundos sob condições semelhantes na década de 30.

No entanto, estudos e experiência diária sugerem que a maioria de nós, depois de inflar os pulmões ao máximo, não consegue manter a respiração presa por mais de um minuto em média. O dióxido de carbono (gás residual exalado pelas células à medida que consomem alimentos e oxigênio) não se acumula em níveis tóxicos no sangue suficientemente rápido para explicar esse limite.

Teoricamente, seria possível absorver oxigênio suficiente para manter a respiração presa por cerca de quatro minutos, mas poucas pessoas conseguem fazer isso por um intervalo até mesmo próximo desse limite sem treinamento.

Curiosamente, dentro d’água é possível prender a respiração por períodos bem maiores. Esse aumento da capacidade decorre, em parte, da motivação de evitar que os pulmões se encham de água. Mergulhadores que prendem a respiração sentem-se compelidos a respirar muito antes de esgotarem seu oxigênio.

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Como a respiração afeta os sentimentos3

(Por Michael J. Parkes, doutor em fisiologia, da Faculdade de Ciências dos Esportes e Exercícios da Universidade de Birmingham, na Inglaterra).

 

Fonte: Revista Mente Cérebro – Edição 296