ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 12: 38-45

20180104_191605

Os Fariseus Pedem um Sinal

É provável que esses fariseus com quem Cristo se deparou na ocasião desse sermão não fossem os mesmos que o criticaram (v. 24), e não acreditaram nos sinais que Ele fez; mas outro grupo deles, que viram que não havia razão para desacreditá-los, mas não se contentariam com eles, nem admitiriam a sua evidência, a menos que Ele lhes desse mais provas de acordo com a exigência deles. Aqui está:

 

I – A saudação deles para com Ele (v. 38). Eles o saudaram com o título de “Mestre”, fingindo ter respeito por Ele, quando, na verdade, pretendiam maltratá-lo; pois nem todos eram servos de Cristo para chamá-lo de Mestre. A solicitação deles foi: “Quiséramos ver da tua parte algum sinal”. Era muito razoável que eles vissem um sinal, e que o Senhor Jesus pudesse, através dos milagres provar a sua missão divina (veja Êxodo 4.8-9). Ele veio para anular um modelo de religião que estava baseado em milagres, e, consequentemente, era necessário que Ele produzisse as mesmas referências; mas era extremamente irracional exigir um sinal agora, quando Ele já tinha dado tantos sinais que provavam copiosamente que Ele tinha sido enviado por Deus. Observe que é natural para o homem arrogante exigir de Deus, e fazer disso uma desculpa para não aceitá-lo; mas a ofensa de um homem nunca será a sua defesa.

 II – A resposta de Jesus para esta saudação, esta exigência insolente:

1.Ele condena a exigência, classificando-a como a linguagem de uma geração má e adúltera (v. 39). Ele impõe a acusação não somente sobre os escribas e fariseus, mas sobre toda a nação dos judeus; todos eles eram semelhantes aos seus líderes, eram uma descendência e sucessão de malfeitores. Eles, na verdade, eram uma geração má, pois não somente se obstinaram contra a convicção dos milagres de Cristo, como também se uniram para maltratá-lo e desprezar os seus milagres. Eles eram uma geração adúltera:

(1) Como uma descendência adúltera, estavam tão miseravelmente degenerados quanto à fé e a obediência de seus antepassados, que Abraão e Israel não os reconheceriam. Veja Isaias 57.3. Ou:

(2) Como uma esposa adúltera, eles se afastaram daquele Deus, com quem, por concerto, eles tinham se casado. Eles não eram culpados por se prostituírem pela idolatria, como tinham feito antes pela servidão, mas eram culpados pela infidelidade e por toda iniquidade que também é prostituição. Eles não procuraram deuses de sua própria criação, mas procuraram por sinais de sua própria invenção, e isto era adultério.

2.Jesus se recusa a dar-lhes qualquer outro sinal além dos que já havia apresentado, exceto o do profeta Jonas. Observe que embora Cristo esteja sempre pronto para ouvir e atender às orações e aos desejos verdadeiros, ainda assim Ele não satisfará luxúrias pervertidas e caprichos. Aqueles que pedem errado, pedem, mas não recebem. Os sinais foram concedidos para aqueles que os desejavam para a confirmação de sua fé, como Abraão e Gideão; mas foram negados para aqueles que os exigiam como desculpa para a sua incredulidade.

Com muita justiça, Cristo disse que Eles nunca presenciariam outro milagre; mas veja a bondade maravilhosa do Senhor:

(1) Eles terão os mesmos sinais ainda repetidos, para seu benefício adicional e para a sua convicção ainda mais ampla.

(2) Eles terão um tipo de sinal diferente de todos esses, que é a ressurreição de Cristo pelo seu próprio poder, aqui chamado de sinal do profeta Jonas – isto ainda estava reservado para a convicção deles, e seria uma grande prova de que Cristo era o Messias; por isso Ele foi declarado como o “Filho de Deus em poder” (Romanos 1.4). Este foi um sinal que superou todos os outros, completando-os e coroando-os. Se por acaso ainda não crerem nestes sinais, crerão neste (Êxodo 4.9), e se isto não os convencer, nada o fará. Mas ainda assim os judeus, em sua incredulidade, tentaram encontrar uma evasiva para evitar maiores constrangi­ mentos, quando disseram: “Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram”; pois ninguém é tão irremediavelmente cego quanto aqueles que estão de­ terminados a não ver.

Agora, quanto ao sinal do profeta Jonas, Jesus esclarece aqui (v. 40): “Como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra”. E após este período, Ele saiu dali.

[1] O sepulcro era, para Cristo, o que o ventre da baleia era para Jonas. Ali Cristo ficou, como um resgate pelas vidas prestes a serem perdidas numa tempestade; lá Jonas ficou, como no ventre do inferno (Jonas 2.2), e pareceu ser banido da visão de Deus.

[2] Ele permaneceu no sepulcro exatamente o mesmo período que Jonas permaneceu no ventre da baleia, três dias e três noites; não três dias e noites inteiros. É provável que Jonas não tenha permanecido tanto tempo no ventre da baleia, mas parte dos três dias normais. Jesus foi sepultado na tarde do sexto dia da semana, e ressuscitou na manhã do primeiro dia; esta era uma maneira de falar muito comum (veja 1 Reis 20.29; Efésios 4.16; 5.1; Lucas 2.21). O mesmo período de tempo em que Jonas foi um prisioneiro por seus pecados, Cristo foi um prisioneiro pelos nossos.

[3] Assim como Jonas se consolou no ventre da baleia com a certeza de que ainda “tornaria a ver o templo da… santidade” de Deus (Jonas 2.4), também diz-se expressamente que Cristo, quando permaneceu na sepultura, repousou em esperança, como alguém que recebe a certeza de não ver a corrupção (Atos 2.26,27).

[4] Como Jonas, no terceiro dia, foi liberado de sua prisão, e retornou à terra dos vivos novamente, vindo da congregação dos mortos (diz-se que as coisas mortas estão debaixo das águas, Jó 26.5), também Cristo, no terceiro dia, retornaria para a vida, e se levantaria do seu túmulo e difundir o Evangelho aos gentios.

3.Cristo aproveita esta ocasião para revelar o caráter e a triste condição da geração em que Ele viveu, uma geração que não poderia ser transformada, e, consequentemente, só poderia ser destruída; e mostrou-lhes o seu caráter, como Ele estaria no dia do julgamento, sob as revelações e sentenças finais daquele dia. Pessoas e coisas aparecem agora sob cores falsas; condições e caráter são passíveis de transformação aqui; portanto, se pudermos fazer uma avaliação correta, deveremos tomar nossas providências sobre o último julgamento; a verdadeira identidade das coisas e pessoas é aquilo que serão eternamente, e não aquilo que são hoje.

Aqui Cristo revela o povo judeu:

(1) Como uma geração que seria condenada pelos homens de Nínive, cujo arrependimento pela pregação de Jonas se ergueria no julgamento contra eles (v. 41). A ressurreição de Cristo será para eles o sinal do profeta Jonas – mas não terá sobre eles um efeito tão favorável, como o de Jonas teve sobre os ninivitas. Por Jonas, eles foram levados ao arrependimento que evitou a sua destruição; mas os judeus serão obstinados na descrença que deverá apressar a sua destruição; e no Dia do Juízo, o arrependimento dos ninivitas será mencionado como um agravamento do pecado, e, consequentemente, a condenação daqueles para quem Cristo pregou então, e daqueles a quem Cristo está pregando agora; por esta razão, Cristo é maior que Jonas.

[1] Jonas era apenas um homem, sujeito às mesmas paixões pecaminosas que nós; mas Cristo é o Filho de Deus.

[2] Jonas era um forasteiro em Nínive, ele veio entre os forasteiros que sofreram preconceito contra seu país; mas Cristo veio aos seus quando pregou aos judeus, e muito mais quando é pregado entre os cristãos professos, que são chamados pelo seu nome.

[3] Jonas pregou apenas um curto sermão, sem grandes solenidades, à medida que andava pelas ruas; Cristo renovou os seus chamados, sentou-se e ensinou, e ensinou nas sinagogas.

[4] Jonas pregou nada além de ira e ruína no prazo de 40 dias; não deu instruções, orientações ou incentivo para que se arrependessem; mas Cristo, além de nos avisar sobre o nosso perigo, mostrou do que devemos nos arrepender, e nos assegurou da aceitação que temos mediante o nosso arrependimento, porque é chegado o Reino dos céus.

[5] Jonas não realizou nenhum milagre para confirmar a sua doutrina, nem mostrou boa vontade para com os ninivitas; mas Cristo realizou muitos milagres, e todos eles milagres de misericórdia; ainda assim, os ninivitas se arrependeram através da pregação de Jonas, mas os judeus não foram transformados pela pregação de Cristo. Note que a bondade de alguns, que têm menos amparo e benefícios para suas almas, agravará a maldade daqueles que têm muito mais. Aqueles que no crepúsculo descobrem as coisas que pertencem à sua paz envergonharão aqueles que tateiam ao meio-dia.

(2) Como uma geração que seria condenada pela Rainha do Sul, a Rainha de Sabá (v. 42). Os ninivitas se envergonhariam deles por não se arrependerem, a Rainha de Sabá, por não crerem em Cristo. Ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; embora o povo não seja persuadido a vir e ouvir a sabedoria de Cristo, mesmo assim Ele é mais do que Salomão.

[l] A Rainha de Sabá não tinha convite para vir até Salomão, ou qualquer promessa de ser bem recebida; mas nós somos convidados por Cristo para nos sentarmos aos seus pés e ouvirmos suas palavras.

[2] Salomão era apenas um homem sábio, mas Cristo é sabedoria em si, “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria”.

[3] A Rainha de Sabá teve muitas dificuldades para chegar até Salomão: ela era uma mulher, inapta para fazer uma viagem longa e perigosa; era uma rainha, e o que seria do seu país na sua ausência? Nós não temos tais preocupações que nos impeçam.

[4] Ela não podia ter certeza de que valeria a pena ir tão longe nessa missão; a fama costuma adular os seres humanos, e talvez ela tivesse em seu país ou corte homens suficientemente sábios para instruí-la; ainda assim, tendo ouvido falar sobre a fama de Salomão, foi vê-lo; mas nós não vamos até Cristo com tais incertezas.

[5] Ela veio dos confins da terra, mas nós temos Cristo entre nós, e a sua palavra próxima de nós: “Eis que estou à porta e bato”.

[6] Aparentemente, a sabedoria pela qual a Rainha de Sabá veio de tão longe era somente filosofia e política; mas a sabedoria que se deve ter em Cristo é a sabedoria para a salvação.

[7] Ela só poderia ouvir a sabedoria de Salomão; ele não poderia dar sabedoria a ela; mas Cristo dá sabedoria para aqueles que vêm até Ele; mais ainda, Ele mesmo será a sabedoria de Deus para eles; de maneira que, com todos estes relatos, se nós não ouvirmos a sabedoria de Cristo, a audácia da Rainha de Sabá em vir e ouvir a sabedoria de Salomão se erguerá em julgamento contra nós e nos condenará; porque Jesus Cristo é mais e maior que Salomão.

(3) Como uma geração que resolveu continuar no domínio, e sob o poder, de Satanás, apesar de todos os métodos que foram usados para expulsá-lo e salvá-los. Eles são comparados a alguém de quem o diabo se foi, mas retorna com força multiplicada (vv. 43-45). O demônio é chamado aqui de espírito imundo, porque perdeu toda a sua pureza e promove todas as formas de impureza entre os homens, e se deleita com elas. Aqui:

[l] A parábola representa a possessão que o demônio faz dos corpos dos homens – Cristo havia recentemente expulsado um demônio, porém eles disseram que Ele tinha um demônio; isto mostrou o quanto eles estavam sob o poder de Satanás. Esta é mais uma prova de que Cristo não expulsou os demônios por ter um acordo com o diabo, porque se fosse assim, ele teria logo retornado; mas a expulsão dele por Cristo foi final, e de tal modo que barrava uma reentrada; nós o encontramos ordenando ao espírito imundo que saísse, e não entrasse novamente (Marcos 9.25). Provavelmente, algumas vezes, o demônio estava acostumado a zombar dessa maneira daqueles que eram possuídos; ele saía e retornava com mais fúria; por isso os intervalos lúcidos daqueles que estavam nessas condições eram comumente seguidos dos mais violentos ataques. Quando o demônio sai, ele fica inquieto, porque, como os ímpios, não repousa se não fizer mal (Provérbio 4.16); anda por lugares áridos, como alguém que está muito melancólico; busca repouso, e não o encontra, até retornar novamente. Quando Cristo baniu a legião de demônios do homem, eles imploraram para sair e entrar em uma manada de porcos, e já não foram para lugares áridos, mas para dentro do lago.

[2] A aplicação da parábola serve para representar o caso do corpo da religião judaica e a nação: ”Assim acontecerá também a esta geração má”, que agora resiste e finalmente rejeitará o evangelho de Cristo. O demônio, que, pelo trabalho de Cristo e dos seus discípulos, foi expulso de muitos judeus, procurou abrigar-se entre os pagãos, tendo saído daquelas pessoas e templos de onde os cristãos o expulsariam. Conforme o Dr. Whitby, pode ser que eles não tenham encontrando outro lugar, no mundo pagão, onde sentissem tal prazer, habitações agradáveis, para a sua satisfação, como aqui no coração dos judeus. Conforme o Dr. Hammond, Satanás deverá, portanto, entrar novamente neles, pois Cristo não encontrou acesso entre eles, e eles, por sua prodigiosa maldade e descrença obstinada, não estavam, de forma alguma, prontos para recebê-lo. E então sofreriam aqui uma possessão duradoura, e a condição desse povo provavelmente seria mais desesperadamente deplorável (conforme o Dr. Hammond) do que era antes que Cristo viesse a eles, ou mais do que teria sido se Satanás nunca tivesse sido expulso.

A comunidade dessa nação está aqui representada. Em primeiro lugar, como um povo apóstata. Depois do cativeiro na Babilônia, eles começaram a transformação, abandonaram os seus ídolos e apareceram com algum tipo de religião; mas logo se corromperam novamente; embora nunca tivessem reincidido na idolatria, caíram em todas as formas de irreligiosidade e profanação, pioraram cada vez mais, e adicionaram a todo o resto de sua maldade um desprezo intencional para com Cristo e o seu Evangelho. Em segundo lugar, como um povo marcado pela destruição. Uma nova comissão estava sendo enviada contra esta nação hipócrita, o povo da ira de Deus (como em Isaias 10.6), e sua destruição pelos romanos seria provavelmente maior do que qualquer outra, como os seus pecados tinham sido mais evidentes: foi então que “a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim” (1 Tessalonicenses 2.15,16). Que isto seja um aviso para todas as nações e igrejas, para que prestem atenção e não abandonem o seu primeiro amor, não deixem que se perca a excelente obra de transformação que começou entre eles, retornando para a maldade que pareciam ter abandonado; pois a última condição dessas pessoas será pior do que a primeira.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.