GESTÃO E CARREIRA

PROFISSÕES EM DECOLAGEM

Em plena expansão, o uso de drones pelas empresas impulsiona o surgimento de carreiras novas e promissoras.

Profissões em decolagem

A venda de drones em todo o mundo deverá chegar a 3 milhões de unidades neste ano, um aumento de 39% em comparação a 2016. Além disso, segundo a consultoria americana Gartner, esse mercado movimentará 6 bilhões de dólares, reflexo do otimismo em relação ao uso desses dispositivos. Não é só. Em um relatório intitulado Drones Go To Work, a consultoria The Boston Consulting Group (BCG) estima que até 2050 a frota de drones industriais na Europa e nos Estados Unidos passará de 1 milhão de unidades e gerará 50 bilhões de dólares por ano em receitas de produtos e serviços. Nas próximas duas décadas, as empresas colocarão esses equipamentos para trabalhar em monitoramento de plantas industriais, rastreamento de remessas, detecção de fungos na agricultura e entregas de pacotes para consumidores. O que não deve faltar, no futuro, é emprego para quem apostar no segmento.

”As aplicações do drone são inúmeras e envolvem diversos tipos de trabalhador”, diz Emerson Granemann, idealizador da feira Drone Show, maior evento do segmento no Brasil. Multidisciplinar, as possibilidades profissionais desse mercado são vastas. Há demanda por pilotos, observadores, programadores e desenvolvedores de software, além de analistas de sistemas e especialistas em inteligência embarcada, robótica e mecatrônica. Na área de mapeamento geográfico, engenheiros cartográficos, geógrafos e engenheiros agrimensores com conhecimento técnico em drones são cada vez mais requisitados. Já no agronegócio o destaque serão os agrônomos especializados.

Por ser um mercado de trabalho embrionário, especialistas dizem que não existem ainda parâmetros de remuneração para essas carreiras. O salário mensal de um piloto de drone está, hoje, na casa dos 4 500 reais. Para quem atua como autônomo – é comum profissionais da área trabalharem sob demanda, a diária varia de 400 a 900 reais, dependendo da complexidade da atividade. É consenso também que a maior parte das profissões relacionadas a drones ainda está por surgir. Gerald Van Hoy, analista de pesquisa da Gartner, de Oregon, nos Estados Unidos, diz que o setor está bem longe da maturidade. Para ele, coisas que hoje são inspecionadas por humanos serão, em breve, verificadas por drones. “Esses aparelhos fazem um trabalho mais eficiente à medida que coletam dados via dispositivo e chegam a lugares pouco acessíveis.” Nesse cenário, as áreas profissionais com maior chance de prosperar são as ligadas ao desenvolvimento de software e à inteligência analítica. No fim do dia, o que conta são os dados coletados pelo drone. os quais terão de ser analisados por um ser humano.

 LABORATÓRIO DE TESTES

Há oito anos na GTP, empresa brasileira de engenharia focada em automação industrial, o matemático Mateus Tormin, de 35 anos, de São Paulo, acaba de ser promovido de engenheiro de sistemas a diretor de desenvolvimento para levar adiante os projetos da companhia envolvendo drones. A promoção é um reconhecimento pelo trabalho realizado nos últimos três anos no desenvolvimento de sistemas embarcados. “Tive de estudar para entender como o equipamento se comporta no ar e quais são as maiores dificuldades, principalmente indoor, o foco da GTP.” Mateus não fez cursos específicos e diz que o maior desafio foi compreender como funcionavam os drones quando ainda eram novidade. “No começo, foi difícil encontrar informação”, afirma, lembrando que sua principal fonte de reconhecimento na época eram os fóruns na internet.

A GTP vem desenvolvendo e aperfeiçoando um sistema próprio de navegação para veículos aéreos não tripulados – ela presta serviços de contagem e balanço de estoque com a ajuda de drones. Ao todo, a empresa investiu 1,5 milhão de dólares. Atualmente, há uma equipe de seis pessoas voltada exclusivamente para o desenvolvimento de soluções com esses equipamentos. O chefe do time fica baseado na Califórnia, nos Estados Unidos, onde está fazendo um pós-doutorado em drones bancado pela companhia. ”Esse é um mercado novo. Antes de disponibilizar o produto aos clientes, ficamos dois anos e meio em desenvolvimento. Isso requer capital e equipe dedicada. Hoje, temos um laboratório somente para fazer testes”, diz Luiz Gonzaga de Araújo Filho, diretor e sócio-fundadorda GTP.

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DEMANDA LOCAL

A expectativa é que cada vez mais empresas apostem em drones. Isso porque, em maio, foi dado o passo que faltava para impulsionar o mercado brasileiro: a aprovação, pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do regulamento para utilização de aeronaves não tripuladas no país. “A norma viabiliza a utilização comercial de drones e é um divisor de águas no mercado. Em três meses já é possível verificar um aquecimento”, diz Felipe Calixto, diretor e fundador do Instituto de Tecnologia Aeronáutica Remotamente Controlada com unidades em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro; Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; e Bauru, no interior de São Paulo. O instituto oferece cursos de capacitação em drones desde 2014. Para ter uma ideia do aumento da procura, em 2015 e 2016, somados, foram 300 alunos nos cursos de pilotagem e montagem, programação e manutenção. De janeiro a junho deste ano, já foram l00. Segundo Felipe, 90% dos estudantes pretendem atuar profissionalmente ou empreender e 80% têm nível superior. A maioria – de 70% a 80% – opta pelo curso de pilotagem, cuja carga horária é de 70 horas, no valor de 1890 reais. O curso de montagem, manutenção e programação tem 40 horas e custo de 1 490 reais. “Tenho observado, após a regulamentação, que as empresas começam a buscar profissionais de drones ou, então, a treinar os próprios funcionários.”

Os drones têm despertado a atenção das empresas para, por exemplo, substituir trabalhos com certo grau de periculosidade. Na AES Tietê, uma das maiores companhias privadas de geração de energia do país, a chegada do Q-boat (drone subaquático usado para fazer medições da profundidade e da afluência dos rios) aumentou consideravelmente a produtividade. Antes de ser usado, era necessária uma equipe de três pessoas embarcadas para cruzar o rio e inserir o molinete na água em pontos diversos. O trabalho era demorado e levava até 3 horas. Com o drone, bastam duas pessoas na margem, e o serviço dura de 20 a 45 minutos. A empresa tem hoje quatro funcionários capacitados a manejar dois drones aéreos, um Q-boat e outro modelo subaquático – e mais quatro em treinamento. “Nossa ideia é que os cerca de 30 técnicos de campo sejam treinados para operar drones”, diz Anderson de Oliveira, diretor de operações da AES Tietê.

O engenheiro civil Paulo Roberto Rosa Silva, de 45 anos, é um dos que foram treinados. Ele começou a pilotar drones em 2014, quando a AES Tietê adquiriu o Ebee (drone aéreo usado para identificar áreas com ocupações irregulares e desmatamentos). Para isso, fez os cursos teórico e prático oferecidos pela empresa com carga horária total de 24 horas. “O drone é uma ferramenta que veio para incorporar produtividade, segurança e qualidade à realização de diversas atividades. Ter conhecimento das possibilidades de uso do aparelho significa estar atualizado para o mercado de trabalho”, afirma Paulo Roberto.

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CHANCE DE EMPREENDER  

Aquecido, o segmento oferece possibilidades também para quem deseja empreender. De acordo com a MundoGeo, empresa especializada em drones e geotecnologia, o Brasil tem hoje 700 empresas atuando nesse nicho. ”A maioria delas tem menos de três anos de vida e emprega até três profissionais”, diz Emerson Granemann, CEO da MundoGeo e idealizador da DroneShow, feira de negócios referência no país.

A Dron Drones Tecnologies, de Fortaleza, é um caso típico de sucesso. Começou a operar em 2015, com um investimento de 150 000 reais, oferecendo serviços de imagens aéreas a agências de propaganda. Logo vislumbrou novas oportunidades – a Região Nordeste é o maior polo de geração de energia eólica do Brasil, por exemplo. “Depois de estudar o setor, abrimos vertentes para a inspeção em parques eólicos, subestações de energia, estações petrolíferas de óleo e gás, entre outras. Já fomos acionados até para inspecionar uma área com incêndio”, diz Márcio Régis Galvão, um dos sócios.

Deu certo. A empresa passou de um faturamento de 25 000 reais, em 2015, quando trabalhava com imagens aéreas de eventos, para 458 000 reais, em 2016. A expectativa para 2018 é crescer 35%.

A alta demanda levou a outra sócia, Suyan Campos, de 26 anos, que antes só cuidava da parte financeira, a fazer um curso de pilotagem. “No começo, eu não sabia nada. Mas fui me especializando. Para aprender de verdade. no entanto, eu precisei praticar’, diz Suyan, que hoje dá treinamento a outros profissionais Depois de identificar um apagão de indivíduos qualificados, a formação virou um dos braços do negócio da Dron Drones Tecnologies. “As profissões de piloto e observador de drone são muito novas. Quando vamos contratar, saímos com a pessoa para analisar o nível de pilotagem e damos um curso de capacitação para nivelar os profissionais”, afirma a empreendedora. Em estágio inicial, o setor realmente carece de gente especializada. Uma boa notícia para quem tem interesse na área e disposição para se qualificar.

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Fonte: Revista Você S.A – Edição 234

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.