PSICOLOGIA ANALÍTICA

SONHAR PARA RESOLVER PROBLEMAS

Sonhar para resolver problemas

É possível “escolher” as imagens oníricas que desejamos acessar quando dormimos? Focar a questão que queremos solucionar antes de dormir pode ajudar.

Sabe aquele ditado que diz “nada como um dia após o outro com uma noite no meio”? Pois é. O rebaixamento dos mecanismos de censura e da racionalidade que predomina quando dormimos – e sonhamos – pode ser fundamental para nos permitir ver a realidade de outros ângulos e encontrar soluções para questões que nos incomodam. Exames de imagem mostram que regiões cerebrais que normalmente restringem nosso pensamento ao que é familiar são menos ativadas quando sonhamos – ou seja, nos permitem experimentar soluções “absurdas”, que se estivéssemos acordados sequer nos permitiríamos cogitar. Usando uma metáfora, é possível dizer que resolver um quebra-cabeça da forma “errada” leva a insights surpreendentes. Um número significativo de voluntários que participaram de experimentos nessa área relatou ter conseguido visualizar soluções em sonho após uma semana de exercícios desenvolvidos com esse propósito. Um desses estudos foi coordenado pelo psicólogo holandês Ap Dijksterhuis, na Universidade Radboud.

Segundo ele, sonhar intencionalmente com determinado problema – processo chamado de incubação – aumenta as chances de vislumbrarmos pistas para resolvê-lo. O termo “incubação” foi tomado por empréstimo de antigas práticas gregas executadas no templo de Esculápio (ou Asclépio), onde, em sonho, os doentes buscavam curar suas enfermidades. A psicologia comportamental sugere que podemos pro- curar interferir nesse processo de forma consciente seguindo alguns passos simples, que se baseiam na hipótese de que o ritual e a concentração ajudam a estabelecer o foco de atenção, ao mesmo tempo em que a mente está livre de repressões e mais apta a encontrar respostas.

Um deles é, na hora de dormir, escrever resumidamente a questão que queremos resolver, de preferência numa frase curta, e manter papel e caneta ao lado da cama para anotar o sonho quando acordar. Depois disso, a pessoa pode se imaginar sonhando com a situação que deseja resolver, acordando e anotando tudo num papel. Já deitado, vale pensar no problema e evocar uma imagem concreta, uma cena e em repetir para si mesmo que quer sonhar com essa questão. Ao despertar, é importante permanecer imóvel por alguns segundos antes de se levantar e tentar se lembrar do que sonhou, recapitulando ao máximo os detalhes do sonho, para em seguida fazer anotações, registrando primeiro as palavras-chave e depois acrescentando detalhes. Muitas vezes, o sonho com a situação que incomoda não aparece logo na primeira noite, é preciso repetir os procedimentos – e insistir algumas noites.

  UMA PAUSA PARA TER BOAS IDEIAS

A ideia de que soluções para assuntos que nos incomodam podem aparecer durante momentos de relaxamento, como quando estamos adormecidos, encontra respaldo num fato já conhecido por pesquisadores que se dedicam ao estudo da criatividade: afastar-se mentalmente do problema ajuda a baixar expectativas, autocensura e favorece o surgimento de boas ideias. Faz sentido, portanto, que o estágio do sono conhecido como REM (movimento rápido dos olhos), ou fase de sonhos, possa ajudar a estabelecer associação entre percepções aparentemente remotas. Essas conexões são capazes de ajudar a solucionar enigmas que nos perturbam antes de adormecermos.

Benefícios semelhantes podem surgir durante a vigília, ao deixarmos a mente vagar ou nos distrairmos deliberadamente. Em um experimento, o psicólogo Ap Dijksterhuis e seus colegas propuseram a um grupo que inventassem novos nomes para produtos. Os voluntários que tiveram a tarefa dividida em duas etapas e intercalada com outra diferente criaram nomes mais originais que os que trabalharam com o problema de forma contínua. Em estudos posteriores, a equipe de Dijksterhuis demonstrou que o processamento inconsciente poderia produzir respostas para problemas complexos, que exigem acesso ao conhecimento armazenado. Estes resultados sugerem que, se estiver se debatendo com um problema difícil, vale a pena fazer uma pausa e se ocupar com outra coisa.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.