ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 10: 1- 4

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Os Apóstolos São Enviados

Nestes versículos, temos:

I – Quem foram aqueles que Cristo ordenou para ser seus apóstolos ou embaixadores; eram seus discípulos (v. 1). Ele os tinha chamado, havia algum tempo, para que fossem discípulos, seus seguidores imediatos e ajudantes constantes, e naquela ocasião Ele lhes disse que eles deveriam ser pescadores de homens, promessa que Ele agora cumpria. Cristo normalmente concede honras e graças em estágios; a luz de ambas, como a luz da manhã, brilha cada vez mais. Durante todo o tempo, Cristo manteve esses doze:

1.Em uma situação de experiência. Embora conheça o ser humano, e soubesse desde o início o que havia neles (João 6.70), ainda assim Ele usou este método para dar um exemplo à sua igreja. Observe que sendo o ministério uma grande responsabilidade, era conveniente que os homens fossem testados durante algum tempo, antes que ele lhes fosse confiado. “E também estes sejam primeiro provados” (1 Timóteo 3.10). Portanto, “a ninguém imponhas precipitadamente as mãos” (1 Timóteo 5.22), mas deixai que esta pessoa seja, primeiramente, observada como um candidato em experiência, porque os pecados de alguns homens vão adiante, e outros os seguem.

2.Em uma condição de preparação. Todo o tempo Jesus esteve preparando-os para esta grande obra. Observe que aqueles que Cristo designa e chama para qualquer ser viço, Ele primeiramente, de certa maneira, os prepara e qualifica para tanto. Ele os preparou:

(1) Levando-os para estar com Ele. Observe que o melhor preparativo para a obra do ministério é o conhecimento e a comunhão com Jesus Cristo. Aqueles que o servem devem estar com Ele (João 12.26). Paulo teve Cristo revelado, não somente para ele, mas nele, antes que fosse pregá-lo entre os gentios (Gálatas 1.16). Pelos atos vivos de fé e pela prática frequente de orações e meditações, esta comunhão com Cristo deve ser mantida e preservada, e essa é uma qualificação essencial para a obra do ministério.

(2) Ensinando-os. Eles estavam com Ele como alunos, e Ele os ensinava em particular, além do benefício que eles obtinham com a sua pregação pública. Ele lhes abriu as Escrituras e ampliou sua compreensão para entenderem as Escrituras. Foi-lhes permitido conhecer os mistérios do Reino dos céus e para eles estes mistérios foram esclarecidos. Aqueles que são designados para ser professores devem, antes, ser aprendizes; eles de­ vem receber, antes que possam dar; eles devem ser capazes de ensinar outros (2 Timóteo 2.2). As verdades do Evangelho devem ser entregues a eles, antes que sejam encarregados de ser ministros do Evangelho. Dar a autoridade de ensinar a homens que não têm capacidade para isto não é nada mais que uma zombaria a Deus e à igreja; é mandar mensagens pelas mãos de um tolo (Provérbios 26.6). Cristo ensinou os seus discípulos antes de enviá-los (cap. 5.2), e depois, quando ampliou a missão deles, deu-lhes instruções mais amplas (At 1.3).

II – Qual foi a comissão que Ele lhes deu.

1.Ele os chamou para que viessem até Ele (v. 1). Ele os tinha chamado antes, para que o seguissem; agora Ele os chama para que venham até Ele, admitindo-os a uma familiaridade maior, e não mais os conservando a uma certa distância, de onde eles tinham observado até então. Aqueles que se humilharem, serão exaltados. Dizia-se que os sacerdotes, sob a lei, aproximavam-se de Deus mais que as outras pessoas; a mesma coisa pode ser dita sobre os ministros do Evangelho; eles são chamados a se aproximarem de Cristo, o que, assim como é uma honra, também deve lhes provocar um certo respeito e temor. Lembremo-nos de que Cristo será santificado naqueles que se aproximam dele. Percebe-se que quando os discípulos iam receber instruções, eles se aproximavam de Jesus por sua própria vontade (cap. 5.1). Mas agora que eles seriam ordenados, Ele os chamou. Convém aos discípulos de Cristo que se predisponham mais a aprender do que a ensinar. No sentido da nossa própria ignorância, devemos procurar oportunidades de sermos ensinados, e da mesma maneira nós devemos esperar por um chamado, um chamado claro, antes de assumir a responsabilidade de ensinar aos outros; pois nenhum homem deve apropriar-se dessa honra.

2.Ele lhes deu poder, autoridade no seu nome, para convocar os homens à obediência, e para a confirmação daquela autoridade que também coloca os demônios sob sujeição. Toda a autoridade legítima deriva de Jesus Cristo. Todo o poder é dado a Ele, sem limites, e os poderes subordinados são ordenados por Ele. Ele coloca sobre os seus ministros um pouco da sua honra, assim como Moisés colocou um pouco da sua honra sobre Josué. Note que é uma prova inegável da plenitude do poder que Cristo usava como Mediador o fato de que Ele pudesse distribuir o seu poder àqueles a quem Ele usava, e os capacitasse a realizar, em seu nome, os mesmos milagres que Ele realizava. Ele lhes deu poder sobre os espíritos imundos, e sobre todos os tipos de enfermidades. Observe que o desígnio do Evangelho é vencer o mal e curar o mundo. Estes pregadores foram enviados, destituídos de todas as vantagens externas que os pudessem recomendar: Eles não tinham riqueza, nem aprendizado, nem títulos honoríficos, e eram muito poucos; portanto, era essencial que eles tivessem algum poder extraordinário que os colocasse acima dos escribas.

(1). Ele lhes deu poder contra os espíritos imundos, para expulsá-los. Observe que o poder entregue aos ministros de Cristo está diretamente apontado contra o diabo e o seu reino. O diabo, sendo um espírito imundo, trabalha tanto em erros doutrinários (Apocalipse 16.13) como em concupiscências (2 Pedro 2.10); e, nos dois casos, os ministros têm uma acusação contra ele. Cristo lhes deu o poder de expulsá-lo dos corpos das pessoas; mas isto deveria significar a destruição do reino espiritual do diabo, como também de todas as suas obras; para este propósito, o Filho de Deus se manifestou.

(2). Ele lhes deu poder para curar todos os tipos de enfermidades. Ele os autorizou a realizar milagres para a confirmação da sua doutrina, para provar que ela era de Deus; e eles deviam realizar milagres úteis para exemplificá-la, para provar que ela não apenas era confiável, mas digna de toda a aceitação; que o desígnio do Evangelho é curar e salvar. Os milagres de Moisés eram, muitos deles, para a destruição. Os milagres que Cristo realizou, e designou aos seus apóstolos que realizassem, eram todos para a edificação, e evidenciavam que Ele era não apenas o grande Professor e Governante, mas também o grande Redentor do mundo. Observe que a ênfase é colocada sobre a extensão do seu poder, sobre toda enfermidade, e todo mal, sem a exceção nem mesmo daqueles que são reconhecidamente incuráveis, e com a censura dos médicos. Na graça do Evangelho, existe um a pomada para cada ferida, um remédio para cada doença. Não existe doença espiritual tão maligna, tão inveterada, mas existe suficiência de poder em Cristo para a sua cura. Que ninguém, portanto, diga que não existe esperança, ou que a brecha é tão grande quanto o mar a ponto de não poder ser curada.

III – O número e os nomes daqueles que foram comissionados. Eles foram feitos apóstolos, isto

é, mensageiros. Anjo e apóstolo, as duas palavras significam a mesma coisa, alguém enviado em uma missão, um embaixador. Todos os ministros fiéis são enviados por Cristo, mas aqueles que foram primeira e imediatamente enviados por Ele, são eminentemente chamados de apóstolos; os primeiros-ministros de estado no seu reino. Mas isto foi apenas a parte inicial do seu trabalho; quando Cristo ascendeu aos céus é que Ele deu alguns para apóstolos (Efésios 4.11). O próprio Cristo é chamado de apóstolo (Hebreus 3.1), pois foi enviado pelo Pai, e também os enviou (João 2.21). Os profetas eram chamados de mensageiros de Deus.

1.Eles eram doze, uma referência ao número de tribos de Israel, e aos filhos de Jacó, que eram os patriarcas dessas tribos. A Igreja do Evangelho é o Israel de Deus; os judeus foram os primeiros convidados a entrar nela; os apóstolos foram os pais espirituais, para gerar uma semente para Cristo. O Israel que segue a carne deve ser rejeitado pela sua infidelidade; estes doze, portanto, são nomeados para ser os pais de outra nação de Israel. Estes doze, pela sua doutrina, deverão julgar as doze tribos de Israel (Lucas 22.30). Eles eram as doze estrelas que constavam da coroa da igreja (Apocalipse 12.1), os doze fundamentos da nova Jerusalém (Apocalipse 21.12,14), caracterizados pelas doze pedras preciosas no peitoral de Arão, os doze pães na mesa dos pães da proposição, as doze fontes de água em Elim. Este era aquele famoso tribunal (e para torná-lo um grande tribunal, Paulo foi acrescentado a ele) que foi nomeado para analisar a situação entre o Rei dos reis e toda a humanidade. E, neste capítulo, os membros deste tribunal recebem a responsabilidade que lhes é dada por aquele a quem todo o julgamento foi confiado.

2.Os seus nomes são aqui registrados, e isto é feito para a honra deles. Até nisto eles tinham mais razões para se alegrar, porque os seus nomes estavam escritos nos céus (Lucas 10.20), enquanto os nomes dos arrogantes e poderosos da terra são enterrados na poeira. Observe:

(1).Dos doze apóstolos, há alguns sobre os quais as Escrituras não nos informam nada além dos seus nomes, como Bartolomeu e Simão, o zelote; e ainda assim eles foram servos fiéis a Cristo e à sua igreja. Observe que nem todos os bons ministros de Deus são igualmente famosos, nem os seus atos são comemorados da mesma maneira.

(2). Eles são nomeados em pares; pois no início assim foram enviados, porque dois é melhor que um; um serviria ao outro, e juntos serviriam melhor a Cristo e às almas; o que um deles esquecesse, o outro lembraria, e da boca de duas testemunhas todas as palavras se estabeleceriam. Três dos pares eram compostos de irmãos: Pedro e André, Tiago e João, e o outro Tiago e Lebeu. Observe que a amizade e o companheirismo devem ser mantidos nas relações, e devem ser úteis à religião. É algo excelente quando irmãos de sangue são irmãos pela graça, e estes dois laços fortalecem cada um deles.

(3). Pedro é nomeado em primeiro lugar, porque ele foi o primeiro a ser chamado ou porque ele era o mais entusiasmado deles, e em todas as ocasiões ele se fazia a voz dos demais, e além disso ele seria o apóstolo da circuncisão. Mas isso não lhe deu nenhum poder sobre os demais apóstolos, nem existe a menor marca de que qualquer supremacia lhe tenha sido dada, ou mesmo reivindicada por ele, neste grupo sagrado.

(4). Mateus, o escritor deste Evangelho, aqui se une a Tomé (v. 3), mas em dois aspectos existe uma diferença entre este relato e os de Marcos e Lucas (Marcos 3.18; Lucas 6.15), onde Mateus é citado em primeiro lugar; nesta ordem, ele parece ter sido ordenado antes de Tomé; mas aqui, na sua própria lista, Tomé é nomeado em primeiro lugar. Observe que é muito apropriado que os discípulos de Cristo desejem, uns aos outros, que estejam em honra. Nos livros de Marcos e Lucas, ele é chamado somente de Mateus; aqui, de Mateus, o publicano, o cobrador de impostos, que foi chamado daquele emprego Infame para ser um apóstolo. Bom é que aqueles que são promovidos à honra com Cristo, olhem para a rocha de onde foram cortados; frequentemente para se lembrarem do que eram antes que Cristo os chamasse, para que dessa maneira possam se conservar humildes, e para que a graça divina possa ser glorificada cada vez mais. Mateus, o apóstolo, era Mateus, o publicano.

(5). Em algumas versões em inglês, Simão é chamado de “o cananeu”, um homem de Caná da Galileia, onde provavelmente nasceu; aqui ele é chamado de Simão, “o zelote”, que alguns interpretam como sendo o significado de “cananeu”.

(6). Judas Iscariotes é sempre citado por último, e com aquela marca negra sobre o seu nome, “aquele que o traiu”; o que dá a entender que, desde o início, Cristo sabia quão infeliz aquele homem era, e também que tinha um demônio, e que provaria ser um traidor; ainda assim, Cristo o recebeu entre os apóstolos, para que não fosse uma surpresa e um desencorajamento para a sua igreja se, em alguma ocasião, os escândalos mais desprezíveis acontecessem nas melhores sociedades. Estas manchas têm estado nas nossas festas de caridade; joio em meio ao trigo, lobos junto às ovelhas; mas se aproxima o dia da descoberta e da separação, quando os hipócritas serão desmascarados e lançados fora. Nem o apostolado, nem os demais apóstolos, foram piores por Judas ter sido um dos doze, enquanto a sua maldade estava oculta.

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GESTÃO E CARREIRA

A ESCOLA DO AMANHÃ

A escola do amanhã

Bilíngues, tecnológicas e atentas ao desenvolvimento socioemocional, as novas escolas de elite do ensino básico querem formar líderes cosmopolitas e sensíveis – e cobram caro por isso.

No lugar de provas individuais, projetos coletivos. Em vez de aulas de inglês duas vezes por semana, imersão total na língua estrangeira. Sai o professor como detentor único do conhecimento, entra o aluno como protagonista do aprendizado. Enquanto a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não é implementada e a reforma no ensino médio demora a sair do papel, a rede privada de educação básica faz sua própria revolução no ensino. Mais especificamente, as escolas no topo da pirâmide de preços.

Até outro dia, quando se falava em escola de elite, subentendia-se um colégio tradicional, com no mínimo seis décadas de história, onde haviam estudado integrantes de famílias ricas, pais e avós dos alunos atuais. Esse conceito mudou com a entrada de novos players no mercado, que já chegam com aura (e mensalidade) de instituições de primeiríssima linha e a ambição de for- mar os líderes de amanhã.

Algumas questões se impõem quando discutimos esse novo modelo de escola. Líderes de que tipo? De que amanhã falamos? Vale a pena pais gastarem por mês até R$ 8 mil com escola para crianças e adolescentes, na esperança que isso os beneficie décadas à frente? Se está difícil arriscar palpites para o próximo ano, que dizer do cenário que meninas e meninos de hoje encontrarão quando adultos? As instituições de ensino Eleva, Concept e Avenues, representantes da mais recente geração de grifes da área, acreditam ter boas respostas. Apostam em formar cidadãos globais, criativos e com pensamento crítico aguçado. Cidadãos que entendam questões contemporâneas complexas, possam ingressar em qual- quer universidade no mundo e estejam bem colocados para disputar a direção de organizações multinacionais – ou criar seus próprios projetos de impacto.

A abundância de informação e a difusão de conhecimentos técnicos mudaram diretrizes. Desenvolver habilidades socioemocionais ganhou mais peso no currículo do que memorizar dados. A tecnologia se torna apoio fundamental na formação de vanguarda – foi-se o tempo em que eletrônicos eram vistos como elementos de distração e prontamente confiscados pelo professor. Agora, o aluno deve ser um criador, não um mero consumidor de serviços e aparatos digitais. Programação é mais uma linguagem ensinada nas escolas bilíngues.

A filosofia faça-você-mesmo ganha forma em laboratórios com impressoras 3D e cortadoras a laser. Os estudantes são desafiados a resolver problemas em aulas de design thinking e se envolver em projetos transdisciplinares. “Essas escolas trazem a ideia do aluno como autor, realizador de projetos, e não restrito a decorar e dar respostas corretas”, diz Miguel Thompson, diretor-executivo do Instituto Singularidades, centro de formação de professores em São Paulo. “Focam em um estudante investigativo, que saiba resolver problemas, com contextualização em diferentes disciplinas interligadas e que saiba trabalhar em grupo. São habilidades adequa- das às necessidades do século 21”, completa.

Há uma corrida global para descobrir como ensinar essas habilidades. Em setembro, a WeWork, maior empresa de coworking do mundo, pretende abrir sua versão de escola do futuro, a WeGrow, em Nova York. Além de estudar temas relacionados a tecnologia e artes, as crianças aprenderão meditação e ioga. Poderão interagir com os pais no meio do dia. Quando professo- res detectarem aptidões, poderão indicar alunos como aprendizes dos profissionais da comunidade WeWork, para que eles interajam logo cedo com problemas reais. A metodologia, o formato bilíngue e o corpo docente pesaram na decisão do médico Ricardo Ishi de matricular os filhos Arthur, de 5 anos, e Pedro, de 7 anos, na Concept de Ribeirão Preto (SP). “A proposta de estimular os alunos a buscar conhecimento e trabalhar com assuntos do interesse deles para aguçar a curiosidade nos encantou.” Ele conta que a adaptação não foi fácil. “Vinha a dúvida: será que eles estão aprendendo? É um baita investimento”, diz Ishi. No segundo semestre, os pais notaram mudanças nos meninos: aumento da curiosidade e outra forma de raciocinar. Gostaram. Mas se manterão atentos. “Na educação dos filhos, a gente tem de fazer avaliação constante”, afirma Ishi.

NOVAS E CRATIVAS

A educação básica, que vem sendo bancada por grupos poderosos, tem se revelado um investimento rentável. Esse mercado movimenta cerca de R$ 67 bilhões por ano, valor que ultrapassa a renda líquida do ensino superior, de R$ 55 bilhões, de acordo com a empresa de consultoria Hoper. Poucos se- tores resistem à crise tão bem: numa pesquisa realizada pelo SPC sobre o impacto do desemprego nas famílias,

divulgada no ano passado, a opção de mudar os filhos para uma escola mais barata ou pública aparecia no fim da lista de cortes no orçamento, citada por 7% dos entrevistados. Se não tiver grandes percalços no caminho, uma empresa que investe no ensino básico conquista clientes fiéis por períodos de 12 anos ou mais.

A Concept, que inaugurou suas primeiras unidades no ano passado em Salvador (BA) e Ribeirão Preto (SP), é a aposta mais vistosa do Grupo SEB Educacional, o maior do segmento k-12 (do jardim de infância ao ensino médio). No primeiro dia de aula, os alunos encontraram as escolas caracterizadas como o saguão de embarque de um aeroporto e receberam “passa- portes” para carimbar na entrada. “A metodologia da Concept fala do protagonismo do aluno. Quisemos fazer uma analogia para mostrar que ele estava entrando numa experiência em que o ponto de partida era ele mesmo”, explica Thamila Zaher, diretora-executiva do grupo SEB e filha do dono, Chaim Zaher.

Neste mês, a Concept paulistana se juntará às outras 39 escolas do grupo, que responde pelas redes Pueri Domus e Dom Bosco, entre outras, além de ter comprado 95% da operação brasileira da rede canadense Maple Bear em 2017. Até 2020, o grupo planeja abrir uma Concept no Rio de Janeiro e outra no Vale do Silício, na Califórnia. “Nossos alunos vão ter acesso a conexões muito importantes e parcerias internacionais”, diz Thamila.

Na unidade de São Paulo, a Concept investiu R$ 75 milhões. A escola se instalou no prédio onde o colégio Sacre Coeur funcionou por quase 60 anos, no bairro nobre dos Jardins. Como a construção é tombada, a fachada permanecerá a mesma, assim como as árvores do terreno de 18 mil m2. Por dentro, não há mais vestígios da instituição católica. Paredes retráteis permitem que se redesenhe o espaço de acordo com a atividade do dia, que pode incluir um experimento com tinta invisível ou um desafio envolvendo programação. A anuidade é dividida em 12 parcelas de R$ 7,5 mil para todas as séries. De período integral, como suas concorrentes diretas, a Concept misturou metodologias de várias partes do mundo para criar a sua própria: “Na Suíça, fomos buscar a multiculturalidade; em Cingapura, vimos a customização do ensino; na Finlândia, aprendemos sobre competências e habilidades e como potencializar o aprendizado de cada aluno”, enumera a diretora-executiva do grupo.

Inspirações vindas de vários países também dão o tom ao ensino na Escola Eleva, no Rio de Janeiro. Ela responde à holding Eleva Educação, por sua vez controlada pelo fundo Gera Venture Capital (cujos investimentos na área somam 88 escolas com 44,6 mil alunos). Um dos principais investidores do Gera Venture é o empresário Jorge Paulo Lemann – que participou meses atrás de um descontraído bate-papo em sala de aula, respondendo a perguntas de alunos de 14 anos.

A escola foi inaugurada no ano passado em Bota- fogo, com 350 alunos. Em 2018, começa as aulas com 1.033 alunos – e uma fila de espera com praticamente o mesmo número de interessados, conta Márcio Cohen, diretor do conselho pedagógico. A mensalidade varia de R$ 4 mil a R$ 5 mil. Dos matriculados, Cohen calcula que de 10% a 15% tenham bolsa. “A meta é chegar a 20% de bolsistas”, conta ele. A medida, explica, é uma forma de fazer com que a valorização da diversidade cultural não fique só no discurso.

Mesmo a mais cara das representantes da nova geração de escolas garante que vai prezar a diversidade e quer criar líderes com consciência social. “Tirar esses garotos da bolha é uma parte importante de nossa missão”, diz Alan Greenberg, cofundador da Avenues, que inicia seu ano letivo em agosto (a escola segue o calendário do Hemisfério Norte), cercada de expectativas.

O valor da mensalidade para 2018/2019 será divulgado só em março, mas, para não deixar os pais no escuro, o site da escola dá como base os valores que seriam cobrados no ano letivo de 2017/2018: 13 parcelas de R$ 8,35 mil, mais uma taxa anual de R$ 7,8 mil, referente a tecnologia e serviços. Alimentação e excursões que fazem parte do currículo estão incluídas nesses valores, mas é preciso colocar na conta as viagens internacionais: os alunos da Avenues nova-iorquina, inaugurada em 2012, foram estudar mudanças climáticas na Nova Zelândia e a cultura do Marrocos in loco, por exemplo. Aqui, já há planos para roteiros na China e em Portugal. O campus de São Paulo, que teve investimento de R$ 300 milhões, ocupa 30 mil m2 no bairro nobre Cidade Jardim e tem capacidade para 2 mil estudantes. A capital paulista é a primeira de uma série de metrópoles, além de Nova York, onde a Avenues pretende fincar bandeira. “Somos parte de algo muito maior. Estamos construindo um sistema global de escolas”, diz Greenberg. A possibilidade de passar um período em outros campi do mundo é um dos grandes atrativos do colégio – não só para os alunos, mas também para os docentes. Durante a seleção, a empresa recebeu cerca de 3 mil currículos de professores, entre brasileiros e estrangeiros. Desses, aproximadamente mil foram chamados para entrevista, e 55 integraram a equipe.

Já o primeiro escalão da Avenues traz nomes pinça- dos de algumas das mais tradicionais escolas paulistanas, como a britânica St. Paul’s e a americana Graded. Cristine Conforti, chamada para ser Head of Brazilian Program (coordenadora do Programa Brasileiro), veio do Santa Cruz, onde trabalhou por 40 anos. “Meu papel na Avenues é fazer com que a cultura brasileira, a língua portuguesa, a literatura se distribuam, que escorram sobre esse projeto como chuva”, diz ela. Apesar do foco global, a Avenues quer cultivar nos alunos um orgulho do Brasil, diz o cofundador da escola. Mas será que essas crianças educadas para serem cidadãos sem fronteiras vão querer continuar no país depois de formadas? Greenberg acredita que sim: “Muitos irão sair para o mundo e vão voltar e mudar o Brasil”, diz ele.

 AS QUE SE REINVENTAM

A entrada de concorrentes novos e agressivos no ensino básico de alto padrão sacudiu o setor. Muitas novidades, porém, já faziam parte dos planos de colégios bem estabelecidos. Principalmente a ênfase no desenvolvimento das habilidades socioemocionais, incorporadas à Base Nacional Comum Curricular e que, espera-se, seja aplicada também no ensino público. “O que muitas escolas buscam oferecer agora é preparar o aluno para o mundo. Fazemos isso há 40 anos”, diz a diretora e fundadora do colégio paulistano Vértice, Walkiria Gattermayr Ribeiro.

No Colégio Santa Cruz, também em São Paulo, o currículo já inclui estudos do meio, programas de voluntariado e abordagem transdisciplinar de temas que refletem sobre sexualidade, diversidade cultural, sustentabilidade e ética, diz o diretor-geral, Fábio Aidar. Ele considera natural que surjam propostas pedagógicas que se apresentem com “a aura do novo”. “Nosso desafio atual é outro: revelar como nossos princípios fundadores são sólidos e consistentes, e manter um projeto pedagógico ágil, que dialogue com nosso tempo e vislumbre o futuro”, afirma.

Em algumas dessas escolas, o termo “tradicional” é visto com ressalvas. “Celebramos o passado, celebramos o legado, mas não somos escravos da tradição”, diz Louise Simpson, diretora da St. Paul’s School, cujo currículo inclui programação (ou coding) e se baseia em habilidades, não em conceitos.

Com forte vocação tecnológica, a Lumiar, criada pelo empresário Ricardo Semler há 15 anos, tem como metodologia a multietariedade, em que não há divisão por idade, apenas uma separação por ciclos, estimulando as crianças mais novas a aprender com as mais velhas. “Desperta a maturidade”, diz Felipe Rodrigues, CEO da Lumiar. Para Rodrigues, em breve não fará mais sentido escolher uma profissão ao sair do segundo grau: as pessoas terão múltiplas profissões. “Ou seja, se você preparar a criança para o vestibular, não estará preparando-a para o futuro, mas ficando no passado”, avalia. A vida pós-formatura das novas gerações continua uma incógnita, mas o caminho até lá, tudo indica, está ficando mais prazeroso.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A QUÍMICA SECRETA DA ATRAÇÃO

A química secreta da atração

Nervo que conecta o nariz (ou focinho) ao cérebro – resquício evolutivo descoberto durante pesquisas neuroanatômicas com roedores e mamíferos aquáticos – pode ajudar a entender o mecanismo físico do desejo.

 Além da beleza, da afinidade ou mesmo das atitudes, parece haver um componente misterioso que nos faz sentir sexualmente interessados em determinadas pessoas, sem sequer nos darmos conta do que mexe tanto com a libido. É o que cientistas chamam de atração sexual subliminar, uma reação desencadeada por um minúsculo nervo, que começou a ser estudado há pouco tempo. A “magia” é explicada pela ciência: os feromônios, mensageiros químicos inodoros, transmitem sinais ao cérebro por meio dele. A maioria dos nervos penetra no cérebro pela medula espinhal. Alguns, porém, tomam um atalho e entram diretamente no crânio, daí serem conhecidos como nervos cranianos. Hoje sabemos que eles são responsáveis pela recepção de sinais sensoriais e pela execução de movimentos de olhos, mandíbula, língua e rosto.

Em 1878, uma descoberta sacudiu o mundo da neuroanatomia. Estudando tubarões, o anatomista alemão Gustav Fritsch (1837-1927) foi o primeiro a constatar a presença de um nervo craniano bem delgado, localiza- do à frente dos outros, que foi chamado de nervo zero ou terminal. A repercussão foi quase nula. No século seguinte, porém, ele foi observado em quase todos os vertebrados e, em 1913, identificado em humanos. Foi quando se percebeu que, por ser tão discreto e delicado, o nervo não resistia aos procedimentos de dissecação. Mas qual seria a função desse filamento quase imperceptível? A primeira pista veio da forma como ele se conecta ao cérebro. À semelhança de seu congênere olfatório, o nervo zero parece ramificar-se próximo ao nariz. Para alguns pesquisadores, ele talvez seja apenas um ramo desviado do nervo olfatório, não constituindo uma entidade separada.

UM CHEIRO DIFERENTE

O olfato é o mais antigo dos sentidos. Em- bora a precisão dessa capacidade humana seja insignificante perto da de outros mamíferos, não é nada desprezível: dispomos de 347 tipos de neurônios sensoriais no epitélio olfatório. Cada um deles detecta um odor diferente. Nosso repertório de odores resulta das possíveis combinações dessas centenas de receptores.

Os feromônios estão envolvidos na seleção de parceiros e na reprodução em pratica- mente todo o reino animal. Muitas espécies distinguem pelo faro sexo, posição social, território e status reprodutivo do potencial parceiro. Em seres humanos, esses processos são mais complexos, mas há indícios de que as pessoas troquem mensagens secretas e inconscientes por meio de feromônios. Há pelo menos duas diferenças entre os feromônios e as substâncias que estimulam o olfato humano. Para sentir um odor, é necessário que moléculas muito pequenas e voláteis flutuem por grandes distâncias.

Já os feromônios podem até ser moléculas grandes e pesadas, desde que o contato entre os indivíduos seja íntimo, como nos beijos. Além disso, muitos feromônios humanos são inodoros. Eles excitam terminações neurais que transmitem sinais diretamente para as regiões do cérebro responsáveis pelo controle da reprodução sexual, contornando o córtex cerebral. Essas substâncias parecem agir como um cupido invisível que dribla a consciência e coloca um brilho romântico nos olhos do apaixonado. Ao que tudo indica, as ligações do nervo zero ao cérebro permitem tal possibilidade.

O nervo conecta os receptores situados no nariz ao bulbo olfatório, um ponto de retransmissão neural, situado no cérebro, que classifica e processa as informações sensoriais captadas pelos receptores. Em seguida, os sinais são enviados ao córtex olfatório, onde é feito um processamento mais refinado para que então surja a percepção do odor.

No caso dos feromônios, a estrutura protagonista é o órgão vomeronasal, que se liga a um minúsculo bulbo olfatório “acessório”, localizado ao lado do principal. Dali em diante, os nervos se dirigem a áreas cerebrais associadas ao comportamento sexual (como a amígdala). Embora alguns cientistas afirmem que o órgão vomeronasal humano esteja ativo, para a maioria a estrutura é apenas um vestígio da evolução. Segundo eles, ela se forma durante a vida fetal e depois atrofia, tal como ocorre com as fendas branquiais. Logo, se os feromônios enviam sinais para o cérebro, não o fazem por meio dessa estrutura. Há fortes suspeitas, porém, de que o nervo zero esteja preenchendo essa lacuna.

EVIDÊNCIAS ANATÔMICAS

Assim como seu primo olfatório (nervo I), o nervo zero tem terminações na cavidade na- sal, porém, se projeta para áreas sexuais do cérebro: as pré-ópticas e os núcleos septais medial e lateral. Essas regiões estão ligadas a “funções básicas” da reprodução, como controle da liberação de hormônios sexuais, e outros impulsos irresistíveis, entre eles sede e fome. O núcleo septal pode agir sobre a amígdala, o hipocampo e o hipotálamo, mas também é influenciado por eles. Lesões no núcleo septal alteram o comportamento sexual, a alimentação, a ingestão de líquidos e as reações de raiva. Ao ligar o nariz aos centros reprodutores do cérebro, o nervo zero contorna o bulbo olfatório.

Lesões no nervo olfatório ou no órgão vomeronasal comprometem o acasalamento de roedores, o que sugere que essas estruturas estejam envolvidas na transmissão de mensagens de feromônios. Entretanto, nos últimos anos, pesquisadores descobriram que o nervo zero envia fibras ao órgão vomeronasal e que elas passam muitíssimo próximas às fibras do nervo olfatório. Resultado: os experimentos nos quais o nervo olfatório foi deliberadamente cortado devem ter causado também o rompimento do nervo zero.

Em 1987, a neurocientista Celeste Wirsig, então na Universidade Baylor, em Waco, Estados Unidos, removeu cuidadosamente o nervo zero de hamsters machos, deixando o nervo olfatório ileso. Os animais não conseguiram se acasalar, embora fossem tão hábeis para encontrar comida quanto seus colegas do grupo de controle. De maneira semelhante, neurocientistas já haviam observado, em 1980, que a estimulação elétrica do nervo olfatório poderia deflagrar respostas sexuais em peixes e outros animais. Esse comportamento sexual não poderia ser resultado da estimulação do nervo zero, uma vez que os dois estão muito perto um do outro?

Essa foi a suspeita dos neuroanatomistas R. Glenn Northcutt, da Universidade da Califórnia em San Diego, e Leo S. Demski, hoje no New College da Flórida. Eles também sabiam que, no caminho para o cérebro, algumas fibras do nervo zero faziam um desvio inesperado, enviando ramos às retinas. Northcutt e Demski conseguiram aplicar um estímulo elétrico leve no nervo zero de peixes-dourados bem onde ocorre essa ramificação, sem afetar o nervo olfatório. Resultado: os machos responderam instantaneamente com liberação de esperma.

RESQUÍCIO EVOLUTIVO

Outra indicação que aponta o papel sexual do nervo zero viria de minha própria pesquisa em uma criatura marinha. Em 1985, enquanto eu estudava o nervo zero de uma arraia-lixa, vi algo peculiar: muitas fibras estavam repletas do que pareciam ser minúsculas esferas negras. Uma análise química revelou que elas eram feitas de hormônios de natureza proteica altamente compacta- dos. Na ponta de algumas fibras observei a liberação dessas substâncias e sua absorção por minúsculos vasos sanguíneos, sugerindo que o nervo zero poderia ser um órgão neuroendócrino.

Quando Demski e eu soubemos que uma baleia-piloto havia acabado de morrer na Base Naval de San Diego, ficamos eufóricos com a oportunidade de examiná-la. Esse animal poderia colocar fim à discussão, provando se, afinal, o nervo zero é ou não autônomo e elucidando sua real função. Isso porque baleias e golfinhos são os únicos animais marinhos com um respiradouro no alto da cabeça. eles descendem de mamíferos aquáticos que respiravam por narinas localizadas na parte anterior a cabeça, as quais, ao longo de milhões de anos de evolução, migraram gradativamente para o alto. Nesse processo, perderam o nervo olfatório e, como consequência, o sentido do olfato. Se o nervo zero estivesse envolvido na olfação, ele provavelmente teria sido abandonado na troca evolutiva de narinas por respiradouro. Caso contrário, estaria presente na baleia, como suspeitávamos.

Com muito cuidado, Demski removeu as membranas da área em que esperávamos encontrar o par de nervos zero. E lá estavam eles: dois finos nervos brancos que se dirigiam ao respiradouro da baleia. A autópsia do animal provou que o nervo zero é uma entidade neural diferenciada, não apenas um fragmento do nervo olfatório. Sua função era preciosa demais para ser abandona- da pela evolução.

Em humanos, porém, o papel do nervo zero continua um mistério. Pesquisas recentes com camundongos constataram a presença de certos neurônios sensoriais não relacionados ao órgão vomeronasal que respondem à estimulação de feromônios. Quanto desse trabalho é dividido entre o nervo olfatório e o nervo zero ninguém sabe com certeza, mas é certo que este está associado ao comportamento reprodutivo e à liberação de hormônios sexuais, particular- mente do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), secretado pela hipófise.

Do ponto de vista embriológico, o nervo zero se desenvolve bem cedo, e vários estudos mostram que todos os neurônios que produzem GnRH usam o nervo zero fetal como eixo para migrar e descobrir seu lugar correto no cérebro. Se esse processo embrionário for interrompido, o resultado será a síndrome de Kallmann (que prejudica o olfato e impede o amadurecimento sexual, isto é, a puberdade). Provavelmente ele tem outras funções além das ligadas à reprodução – afinal, a maioria dos nervos cranianos transmite sinais sensoriais e motores. Muitas pesquisas ainda são necessárias para desvendarmos completamente seu papel no sistema nervoso. Mas pelo menos agora entendemos que a natureza criou um canal oculto de comunicação que garante a reprodução da espécie.

O PAPEL DAS PROTEÍNAS

A neurobióloga Linda Buck identificou uma família de proteínas receptoras em camundongos, especificamente na superfície de neurônios que detectam feromônios. Ao todo são 15 proteínas chamadas TAARs (do inglês, receptores associados a traços de tiamina), que respondem de forma seletiva a moléculas específicas (que contêm nitrogênio) da urina do camundongo. A concentração de uma delas é maior (tanto na urina do camundongo como na do ser humano) em condições de estresse associadas ao ritual de acasalamento.

Duas dessas TAARs são ativadas por componentes encontrados exclusivamente na urina de machos adultos, o que também sugere uma função sexual. Uma delas é capaz de acelerar o início da puberdade em fêmeas. Além disso, Buck descobriu ainda que os seres humanos têm genes para pelo menos seis TAARs identificadas em camundongos.

 

R. DOUGLAS FIELDS – é neurocientista, doutor em ciência cognitiva. Atualmente chefia a Seção de Desenvolvimento de Sistemas Nervosos nos Institutos Nacionais de Saúde, em Bethesda, Maryland.