ALIMENTO DIÁRIO

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MATEUS 8: 18-22

A Resposta de Cristo a um Escriba e a outro Homem

Aqui vemos:

I – A passagem de Cristo para o outro lado do mar de Tiberíades e a ordem dada a seus discípulos, cujos barcos o acompanharam, para que estivessem prontos (v. 18). A influência do Sol da Justiça não se restringiria a um único lugar, mas se espalharia por todo o país. Ele deve cuidar de fazer o bem; as necessidades das almas o chamavam: “Passa… e ajuda-nos” (Atos 16.9). Ele se retirava quando se via rodeado por grandes multidões. Embora o pedido do escriba desse a impressão de que eles o quisessem ali. Ele sabia que havia outros tão desejosos de tê-lo consigo, e que estes deveriam ter a sua parte. Para Jesus, ser aceito e útil em um lugar não era uma objeção, mas a razão para partir para outro. Dessa maneira, Ele testava as multidões que o cercavam, se o entusiasmo delas faria com que o seguissem e o acompanhassem quando a sua pregação se deslocasse para mais longe. Muitos ficariam contentes por tal ajuda, se pudessem tê-lo por perto, e não poupariam esforços para o seguirem até o outro lado. Desse modo, Cristo separava aqueles que eram menos zelosos, e os perfeitos se manifestavam.

II – A conversa de Cristo com dois homens que, com a sua passagem para o outro lado, relutavam em ficar para trás, e tinham em mente segui-lo, não como outros, que eram seguidores à distância. Eles queriam se envolver profundamente com o discipulado, o que a maioria tinha vergonha de fazer, pois isso transmitia um aspecto de rigor do qual eles poderiam não gostar, nem aceitar. Este é um relato sobre dois homens que pareciam desejosos de entrar em comunhão, embora não agissem corretamente. Aqui são mencionados exemplos dos obstáculos que impedem muitos de se aproximarem de Cristo, e de se dedicarem a Ele. E também um alerta para nós, para começarmos a seguir a Cristo, não deixando de colocar esse alicerce, para que a nossa casa espiritual possa estar firme.

Aqui temos Cristo cuidando de dois temperamentos diferentes, um rápido e ansioso, outro lento e pesado; e suas instruções são adequadas a cada um deles e preparadas para o nosso uso.

1.Aqui temos alguém que é rápido demais em prometer; e este era um certo escriba (v.19), um estudioso, um homem culto, um daqueles que estudavam e explicavam a lei; descobrimos nos Evangelhos que, geralmente, não eram homens de bom caráter; eram habitualmente associados com os fariseus, como inimigos de Cristo e de sua doutrina. “Onde está o escriba? (1 Coríntios 1.20). Os escribas raramente seguiam a Cristo; porém aqui estava um que era bastante promissor para o discipulado, um “Saul entre os profetas”. Observe:

2.Como ele expressou sua precipitação: “Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei”. Não conheço ninguém que pudesse ter dito melhor. A sua declaração sobre a sua dedicação a Cristo foi: [1] Muito ansiosa, e parece ser de sua tendência equilibrada. Ele não foi chamado por Cristo, nem encorajado por qualquer dos discípulos; mas por iniciativa própria, ele confessa ser um seguidor próximo de Cristo; ele não é um homem pressionado, mas um voluntário.

[2] Muito decidida. Ele parece ter tomado uma decisão quanto a este assunto. Ele não diz: “Eu tenho intenção de te seguir”, mas: “Estou decidido, eu o farei”.

[3] Ilimitada e sem reservas: “Aonde quer que fores, eu te seguirei”; não apenas ao outro lado do país, mas até as regiões mais remotas do mundo. Devemos pensar em nós mesmos como pessoas tão seguras de si como este homem; e ainda assim parece, pela resposta de Cristo, que esta resolução foi precipitada, e suas finalidades, vulgares e materiais. Ou ele não refletiu, ou não considerou o que dever ia ser considerado. Ele viu os milagres que Cristo realizou e esperava que Ele estabelecesse um reino terreno, e desejava se candidatar imediatamente a Ele. Note que existem muitas resoluções relativas à religião, produzidas por alguma angústia repentina de condenação, e tomadas sem a devida consideração; no final, elas fracassam e não resultam em nada. O que cedo amadurece, cedo apodrece.

1.Como Cristo testou sua presteza – se era sincera ou não (v. 20). Ele o fez saber que o Filho do Homem, a quem ele estava tão ansioso para seguir “não tem onde reclinar a cabeça” (v. 20). Neste ponto, a partir desta descrição da profunda pobreza de Cristo, observamos:

[1] Que é inerentemente estranho que o Filho de Deus, quando veio a este mundo, se colocasse em uma condição tão ruim, a ponto de não ter a conveniência de um lugar fixo para descansar, coisa que as mais humildes criaturas possuem. Uma vez que Ele decidiu adotar para si a nossa natureza, era de se esperar que Ele a adotasse em suas melhores condições sociais e circunstanciais; mas não, Ele a adota no seu pior aspecto. Veja aqui, em primeiro lugar, quão bem providas estão as criaturas inferiores: ”As raposas têm covis”; embora elas não sejam úteis, mas prejudiciais ao homem, ainda assim Deus lhes proporciona covis nos quais se refugiam: o homem se esforça para destrui-las, mas por essa razão elas são protegidas; seus covis são seus castelos. As aves do céu, embora não se cuidem, são cuidadas, e ” têm ninhos” (Salmos 104.17); ninhos no campo; algumas delas, ninhos nas casas; nos altares de Deus (SaImos 8 4.3). Em segundo lugar, quão pobres eram as provisões do Senhor Jesus. O fato de os animais terem provisões tão boas pode nos encorajar, e caso não tenhamos o necessário, o fato de nosso Mestre ter passado por isso antes de nós pode nos confortar. Note que o nosso Senhor Jesus, quando esteve neste mundo, submeteu-se às degradações e agonias da extrema pobreza. Por nossa causa, Ele se tornou pobre, muito pobre. Ele não tinha uma cidade, não tinha um lugar de repouso, nem uma casa sua, para reclinar a cabeça, nem seu próprio travesseiro sobre o qual apoiar sua cabeça. Ele e seus discípulos viviam da caridade de pessoas bem-intencionadas, que contribuíam para a sua subsistência (Lucas 8.2,3). Cristo se submetia a isto, não apenas para que pudesse, de todas as formas, se humilhar e cumprir as Escrituras, que falavam dele como pobre e necessitado, mas também para que pudesse nos mostrar a futilidade das riquezas do mundo, olhando para elas com um desprezo santo, para que Ele possa comprar para nós coisas melhores, e assim nos tornar ricos (2 Coríntios 8.9).

[2] É estranho que tal afirmação tenha sido feita nesta ocasião. Quando um escriba se ofereceu para seguir a Cristo, seria de se pensar que Ele o teria encorajado e dito: “Venha, e eu cuidarei de você”. Um escriba poderia lhe dar mais crédito e lhe prestar mais serviços do que doze pescadores. Mas Cristo viu o seu coração e respondeu aos seus pensamentos, e nesse ponto nos ensina como devemos nos chegar a Deus. Em primeiro lugar, a decisão do escriba parece ter sido repentina; e Cristo deseja que, se assumirmos uma profissão religiosa, nos sentemos e consideremos os custos (Lucas 14.28), para que o façamos com inteligência e reflexão, e que escolhamos o caminho da piedade, não porque não conheçamos outro, mas por não conhecermos um caminho melhor. Não é bom para a fé pegar os homens de surpresa, antes que eles estejam conscientes. Aqueles que assumem uma profissão religiosa angustiados a descartarão devido ao primeiro aborrecimento; permita, então, que gastem algum tempo, e eles decidirão o quanto antes; deixemos que aqueles que seguirão a Cristo conheçam o lado mais difícil desta decisão, e que estejam dispostos a viver em condições desfavoráveis. Em segundo lugar, a sua resolução parece ter se baseado em um avarento princípio material. Ele viu a abundância de curas realizadas por Cristo, e concluiu que Ele  recebia altos honorários, e assim logo juntaria muitos bens. Portanto, ele o seguiria na esperança de enriquecer junto com Ele; mas Cristo corrige seu erro e lhe diz que estava tão distante de ficar rico que não possuía sequer um lugar para reclinar a cabeça; e se aquele homem o seguisse, não poderia esperar ter uma condição melhor que a do próprio Senhor. Note que Cristo não aceitará como um de seus seguidores alguém que aspire benefícios materiais ou planeje alcançar, por meio da sua fé, algo que não seja o céu. Temos razão para acreditar que este escriba, depois disso, tenha se retirado triste, ficando desapontado com uma negociação da qual ele pensava tirar proveito – Ele não seguiria a Cristo, a menos que pudesse alcançar alguma vantagem material através do Salvador.

2.Aqui está outro que demora muito para atender o chamado. A demora na execução é tão má, por um lado, quanto a precipitação nas decisões o é, por outro. Quando pensamos e depois decidimos, jamais devemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje. Este candidato ao ministério já era um dos discípulos de Cristo (v. 21), um seguidor à distância. Clemente de Alexandria nos conta, a partir de uma antiga tradição, que este era Filipe. Ele parece ser mais qualificado e disposto do que o anterior, pois não era tão confiante e presunçoso. Um caráter arrojado, ansioso e excessivamente entusiasmado pode não ser, necessariamente, o mais promissor quando se trata de fé; às vezes, os últimos são os primeiros, e os primeiros, os últimos. Agora observe aqui:

(1).A desculpa dada por este discípulo para adiar a decisão de seguir a Cristo de imediato (v. 21): “Senhor, permite-me que, primeiramente, vá sepultar meu pai”. Em outras palavras: “Antes que me torne teu seguidor fiel e permanente, permita-me que realize esse último ato de respeito ao meu pai; e, por enquanto, permita que seja suficiente que eu seja um ouvinte ocasional teu, quando dispuser de algum tempo”. Alguns pensam que seu pai estava doente ou mor rendo, ou morto; outros pensam que era apenas idoso e que, em um curso natural, não viveria por muito mais tempo; e que, sendo as­ sim, este discípulo desejava partir para cuidar dele em sua enfermidade, sua morte e seu funeral, e depois serviria a Cristo. Isto parecia um pedido razoável, porém ainda assim não foi apropriado. Ele não teve o zelo que devia ter pelo reino e por isso fez esse pedido, pois parecia um pedido plausível. Note que a uma mente relutante, nunca faltam desculpas. A falta de tempo livre vem da falta de disposição. Nós temos a tendência de supor que isso vinha de um verdadeiro afeto filial e respeito por seu pai, porém ainda assim a preferência deveria ter sido dada a Cristo. Note que muitos são impedidos e obstruídos de ter uma devoção sincera, por se preocuparem em excesso com suas famílias e parentes; essas coisas legítimas arruínam a todos nós, e nosso dever para com Deus é negligenciado e postergado, sob o pretexto de pagarmos nossas dívidas para com o mundo; neste ponto, portanto, temos a necessidade de dobrar a nossa guarda.

(2).A reprovação dessa desculpa por Cristo (v. 22). Jesus lhe disse: “Segue-me”; e, sem dúvida, esta palavra estava envolta pelo poder do Senhor, como ocorreu no caso de outros, e ele realmente seguiu a Cristo e permaneceu fiel a Ele, como Rute a Noemi, enquanto o escriba, nos versículos anteriores, como Orfa, o abandonou. Este disse: “Eu te seguirei”; a este Cristo disse: “Segue-me”. Comparando-os um ao outro, fica sugerido que somos levados a Cristo pela força do chamado que Ele nos faz, e não pelas promessas que fazemos a Ele: “Pois isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece”. Ele chama a quem quiser (Romanos 9.16). E, ainda mais, note que embora vasos escolhidos possam dar desculpas, e atrasar a sua adesão aos chamados divinos por muito tempo, mesmo assim Cristo responderá, detalhadamente, às suas desculpas, subjugará suas relutâncias, e os trará a seus pés. Quando Cristo chama, Ele domina e torna o chamado efetivo (1 Samuel 3.1O). A desculpa desse discípulo é posta de lado como inadequada: “Deixa aos mortos sepultar os seus mortos”. É uma expressão proverbial: “Deixe que um morto enterre a outro; mais exatamente, deixe-os insepultos, em vez de negligenciar a obra de Cristo. Deixe que os espiritualmente mortos enterrem os fisicamente mortos; deixe que os trabalhos terrenos fiquem para as pessoas terrenas; não se sobrecarreguem com eles. Enterrar os mortos, especialmente um pai, é urna boa obra, mas não é o seu trabalho neste momento; ele pode, muito bem, ser feito por outros que não sejam qualificados e chamados como vocês para a obra de Cristo; vocês têm outra coisa a fazer, e não devem adiá-la”. Note que a devoção a Deus deve ter preferência em relação à devoção aos pais, embora essa seja uma parte importante e indispensável da religião. Os nazireus, de acordo com a lei, não deveriam lamentar por seus próprios pais, pois eles eram “separados para o Senhor” (Números 6.6-8); nem devia o sumo sacerdote se contaminar com os mortos, nem mesmo por causa de seus pais (Levíticos 21.11,12). E Cristo requer que aqueles que quiserem segui-lo aborreçam “a seu pai, e mãe” (Lucas 14.26); ame-os menos do que a Deus. Nós devemos, comparativamente, desconsiderar os nossos parentes mais próximos quando eles entram em competição com Cristo, com aquilo que fazemos por Ele, ou com os sofrimentos que enfrentamos por amor a Ele.

GESTÃO E CARREIRA

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O Grupo de Pesquisa em Computação Afetiva, do MIT, trabalha para que relógios deem conta do estresse do cotidiano.

Imagine-se, além de mostrar as horas, seu relógio de pulso oferecer uma “previsão meteorológica” do seu humor para os próximos dias. Imagine se esse relógio informar que seu nível de tensão subirá 40% no dia seguinte. De posse dessa informação, você decidirá deitar mais cedo e ter uma boa noite de sono? Ou marcará um café da manhã com aquele amigo divertido, que sempre faz você dar risada e relaxar?

Esse relógio é o sonho de Rosalind Picard, engenheira de computação, fundadora e diretora do Affective Computing Research Group (Grupo de Pesquisa em Computação Afetiva), que funciona no Media Lab do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Rosalind e sua equipe estudam formas de prever tensão e ansiedade. Batizada de Empática, a startup criada por ela vende sensores vestíveis — os famosos wearables — que identificam e interpretam sinais psicológicos emitidos pelo estresse. O principal pro- duto da Empática é o Embrace, um relógio inteligente, de design moderno, dotado de um sensor médico avançado e algoritmos de aprendizado de máquinas. Criado originalmente para portadores de epilepsia, o aparelho usa a atividade elétrica da pele do usuário para rastrear crises. No início de fevereiro, o Embrace tornou-se o primeiro smartwatch a ganhar o selo de dispositivo médico da FDA (a Agência de Alimentos e Drogas, braço do governo americano que regula os dois setores e também equipamentos de saúde). Um ensaio clínico comparou a eficácia do relógio com a de três neurologistas. Num acompanhamento de 135 pacientes ao longo de 272 dias, o Embrace identificou as crises dos participantes em 100% das ocasiões. Embora o aparelho tenha cravado um importante marco, a empresa quer ampliar sua atuação para outras condições neurológicas, como autismo e depressão. A Empática pretende, um dia, ajudar também pessoas sem nenhum problema importante de saúde a enfrentar o estresse do cotidiano. CEO e um dos fundadores da companhia, Matteo Lai usa as ondas do mar como metáforas para explicar o desafio enfrentado pela Empática. Quem estuda ondas começa pelos tsunamis, e só depois compreende o funcionamento de movimentos menores e sutis. O tsunami escolhido pela empresa foi a epilepsia. Agora, a ideia é prever ondas menores, como depressão e autismo. Quando comparadas à intensidade de uma crise epilética, as mudanças fisiológicas ocorridas no corpo de alguém estressado parecem discretas marolas.

Embora seja mais difícil identificar ansiedade e tensão do que um surto, a previsão dessas situações obedece a uma lógica inversa. Há muito mais informação disponível sobre o estresse, e é possível usar também outras fontes de dados além do corpo — tais como a intensidade e a frequência do uso do celular. Em agosto do ano passado, Rosalind e um grupo de integrantes do laboratório publicaram um estudo sobre a aplicação do aprendizado de máquinas na previsão do humor de estudantes universitários. Os resultados alcançaram uma precisão que variou de 78% a 86%. As pesquisas sobre previsões, porém, não estão maduras o bastante para ser aplicadas ao Embrace. Para a diretora do laboratório, o trabalho só será útil aos usuários do relógio se vier acompanhado de sugestões para melhorar o humor — encontrar amigos, caminhar, dormir cedo. Por isso, embora a tecnologia de previsões esteja avançando, a ideia é postergar a aplicação da “previsão meteorológica” de humores aos aparelhos vestíveis até o momento em que seja possível oferecer, também, maneiras de ajudar o consumidor a se sentir melhor. Ainda que o Embrace tenha sido certificado pela FDA como um dispositivo capaz de identificar crises, antecipar esses surtos — ou qualquer episódio relacionado a estresse, como os ataques que às vezes acometem autistas — é bem mais complicado. Mesmo assim, o desafio está na mira da Empática.

“A personalização permite acumular dados específicos sobre cada pessoa, alimentados por um relógio ou celular”, explica Rosalind. “Com o tempo, esse conhecimento científico vai ajudar cada indivíduo a entender os próprios padrões, e não a média de um grupo de pessoas — porque algumas podem ser um ponto fora da curva. Não será possível dizer com 100% de certeza: ‘você vai ter uma crise de tal tipo, em tal horário’. Mas poderemos dizer que, amanhã, a probabilidade é mais alta. E isso talvez ajude a pessoa a ter um dia melhor.” A capacidade dos algoritmos de aprender sobre os hábitos e padrões de seres humanos específicos significa trazer informações verdadeiramente personalizadas. Isso só é possível graças ao aprendizado das máquinas (via algoritmos) e a volumes gigantescos de dados. Lai explica que prever crises é especialmente complicado, já que elas não são acontecimentos costumeiros do dia a dia. Por isso, é preciso mais tempo até que o algoritmo aprenda quais fatores causam surtos numa pessoa — pois esses fatores variam de um indivíduo para o outro. A despeito dessas dificuldades, existe um tremendo potencial na ideia de que as máquinas podem ajudar portadores de epilepsia a entender melhor os gatilhos que disparam seus ataques, e fazer com que eles saibam quando estão mais suscetíveis.

A epilepsia, continua Lai, é usada há anos como um caminho para descobrir os segredos do cérebro humano. Um exemplo: pacientes com epilepsia foram fundamentais para estudos sobre o funcionamento dos dois hemisférios cerebrais. Por extensão, os dados sobre epilepsia acumulados pelo Embrace podem ser aplicados a pessoas com autismo e depressão — e até mesmo a quem experimenta situações de estresse com grande frequência. Pouca gente compreende ou estuda a relação entre diferentes fatores do cotidiano, como sono e atividade física, e o impacto disso na sensação geral de bem-estar. “Não importa se estamos falando de dor, tensão ou depressão. De maneira geral, é difícil compreender ou explicar o que está acontecendo nessas situações”, afirma Rosalind. “Muita gente não entende muito bem o que acontece no próprio organismo. ‘Tudo bem, estou meio cansada ou irritadiça. É assim com todo mundo’, pensamos. ‘É o noticiário político, é esse tempo maluco.’ Em todas essas circunstâncias, o ambiente ao nosso redor oferece micro indícios do que pode acontecer. Mas eles são tão pequenos que a gente nem percebe. No entanto, se somarmos 100 mil micros indícios ocorridos nos últimos meses, a coisa pode chegar a um estado preocupante.” Um wearable pode dar às pessoas mais conhecimentos sobre os próprios padrões. Isso representa a possibilidade de ajustar aquilo que não vai bem. Quase nunca descrevemos nosso próprio humor de maneira precisa, explica Rosalind. Uma máquina capaz de acompanhar essas variações pode ser uma ferramenta para enfrentar o estresse, não importa a forma com que ele se apresenta. Aí o Embrace entra em cena. Ele é uma plataforma com a habilidade de registrar e extrair padrões de tudo o que acontece no cérebro. Um único e pequeno aparelhinho médico, que carregamos junto ao corpo, com a capacidade de entender e organizar todas essas in- formações. Isso se as pessoas toparem participar.

Rosalind é inflexível: a empresa nunca vai coletar ou usar dados pessoais para pesquisas sem a autorização expressa dos usuários do Embrace. “É fundamental sermos absolutamente respeitosos e tratar essas informações com o mais alto grau de sensibilidade e privacidade”, diz. Um aparelho que coleta dados pessoais pode organizá-los e ajudar quem sofre de um complicado distúrbio neurológico. Mas vivemos num mundo em que cidadãos estão   cada vez mais preocupados com a privacidade dos dados pessoais. Diante disso, teremos de decidir: estamos dispostos a oferecer ainda mais e mais informações particulares em troca de uma vida mais saudável?

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PSICOSSOMÁTICA PSICANALÍTICA

Aquém da mente para além do corpo

AQUÉM DA MENTE PARA ALÉM DO CORPO

Todos nós apresentamos marcas físicas e mentais resultantes de vínculos e experiências acumulados desde o início da vida. Vivências perturbadoras, conflitos, frustrações, perdas e traumas também deixam vestígios, causando carência ou empobrecimento de recursos emocionais, que se expressam por vias psíquicas e somáticas

 A organização pulsional marca a transcendência do humano da condição biológica para a condição de sujeito. Atravessada pelo desejo, ela é modulada, desde o nascimento, e talvez mesmo antes disso, pelas marcas das relações da criança com seu semelhante. São também essas relações que tecem em torno do corpo a trama entre as pulsões de vida e de morte, forjando a diversidade de formas e organizações que constituem a economia psicossomática, em suas infinidades de expressões normais e patológicas de dor e de prazer. Fluidez e rigidez, precariedade e consistência, organização e desorganização caracterizam a plasticidade da trama pulsional que pauta a clínica contemporânea, muitas vezes marcada por dinâmicas mais primitivas, aquém da linguagem e da representação.

Dinâmicas arcaicas, atuações e somatizações revelam pacientes refratários aos enquadres psicanalíticos e psicoterapêuticos clássicos. A clínica médica e a de outras especialidades da saúde também são desafiadas por essas dinâmicas na anamnese, no diagnóstico e nas mais diversas modalidades terapêuticas.

Tanto nas instituições de saúde como na clínica particular, profissionais são confrontados com dificuldades semelhantes, que se manifestam por meio de quadros que vão desde doenças orgânicas até distúrbios comportamentais, passando por manifestações borderlines, adicções, transtornos de caráter e alimentares e inúmeros outros. Muitos desses sintomas, doenças e pacientes revelam-se inacessíveis aos recursos em pregados para compreendê-los e tratá-los.

Em alguns casos, há dificuldades para se chegar a um diagnóstico, apesar de investigações exaustivas e consultas a vários especialistas, comprometendo a definição das estratégias terapêuticas. Em certos pacientes, a história da doença ou os prognósticos de um tratamento subitamente apresentam mudanças bruscas e surpreendentes. Dificuldades como essas, evoluções inesperadas e quadros clínicos inespecíficos são frequentemente caracterizados como “psicossomáticos”, “somatizações”, quadros “idiopáticos”, “funcionais”, “sem explicação médica”, entre outros.

Na clínica médica, a dificuldade em apreender e compreender a etiologia do adoecimento dos pacientes, apesar dos avançados recursos diagnósticos e terapêuticos, leva a atribuir o que lhes escapa a fatores ditos “emocionais”, “psicológicos” ou “psicogênicos”.

No campo da saúde mental, os profissionais, psicoterapeutas e psicanalistas em particular, são desafiados por formas bastante desorganizadas de expressão do sofrimento humano. Não apenas por manifestações corporais mais graves e distintas dos clássicos quadros histéricos, mas, também, por expressões onipotentes e indiferenciadas do narcisismo, manifestações exacerbadas do ego ideal e formações primitivas do superego, e muitas outras que evidenciam a carência ou a precariedade dos mecanismos do recalcamento, a impossibilidade do reconhecimento da castração e da alteridade, a ausência  de transicionalidade  que tornam o sujeito dependente e cativo do desejo do outro, impermeável à transferência e à interpretação.

Essas manifestações somáticas e psíquicas são frequentemente acompanhadas por expressões precárias de recursos psíquicos, fantasmáticos, oníricos e relacionais, denotando limitações dos recursos de ligação pulsional, dos afetos e representações, dinâmicas que favorecem descargas pelo comportamento e desorganizações somáticas, em casos extremos graves e mortíferas. Elas revelam uma complexidade que solicita uma compreensão mais profunda que a dos usos coloquiais e, algumas vezes, científicos do termo “psicossomática”, que reduzem essa concepção a sintomas e doenças orgânicas que seriam determinadas ou agravadas por fatores psíquicos.

 ORGANIZAÇÃO E DESORGANIZAÇÃO

Tanto doenças como manifestações típicas do desenvolvimento revelam a existência de uma continuidade funcional do que denominamos economia psicossomática. Algumas circunstâncias da vida humana são predominantemente marcadas por expressões e manifestações orgânicas (como fome, riso, choro, tremores, dores de cabeça, indigestão ou cardiopatias) e outras, por meio de funções mentais (como pensamentos, fantasias, sonhos e neuroses). Em ambas, articuladas em diferentes formas e proporções, estão implicados processos biológicos, fisiológicos, comportamentais e psíquicos constituindo uma mesma e única economia psicossomática do indivíduo.

Desde a concepção, durante a gestação, após nascimento e ao longo do desenvolvimento, observamos em cada pessoa movimentos e marcas de integração, organização e hierarquização de funções e vivências corporais, relacionais e psíquicas. Quando as pessoas enfrentam vivências perturbadoras de conflitos, frustrações, perdas (algumas vezes traumáticas), é possível constatar movimentos de sentido oposto, de desintegração, desorganização e precarização de funções e hierarquias estabelecidas. Esses movimentos se manifestam por meio da carência ou do empobrecimento de recursos representativos, relacionais e emocionais desenvolvidos ao longo da vida e revelam a continuidade evolutiva de diferentes dimensões da experiência de cada indivíduo, que se expressa, por vias somáticas, psíquicas e comportamentais, normais ou patológicas.

A natureza, a qualidade, a consistência e a fluidez dos recursos da economia psicossomática estruturam-se ao longo da história de cada um, a partir de fatores constitucionais, por meio das interações com o ambiente e com os outros. Na infância e no puerpério, principalmente, a mãe e todo aquele que cuida da criança tem uma função primordial na mediação e promoção desses processos.

O equilíbrio psicossomático é fruto da relação entre a qualidade, complexidade e consistência dos recursos desenvolvidos pelo indivíduo ao longo de sua vida e a natureza e intensidade de experiências pessoais, sociais e orgânicas que podem perturbá-lo.

Quando da existência de recursos mais organizados e complexos da economia psicossomática, de ordem representativa, afetiva e mental, a perturbação causada por uma vivência pode encontrar um equilíbrio por meio de manifestações psicopatológicas (neuroses, psicoses e outras). Quando os recursos mais organizados e evoluídos da economia psicossomática não foram suficientemente desenvolvidos ou quando se perdem em função da intensidade desorganizadora de uma experiência, um novo equilíbrio pode ser buscado, por meio de movimentos regressivos no sentido contra evolutivo do desenvolvimento, em patamares menos organizados e mais primitivos, por descargas pelo comportamento (transtornos alimentares, toxicomanias, descargas impulsivas e outros) ou no extremo, de desorganizações somáticas (dores, sintomas e doenças orgânicas, agudos ou crônicos). Apesar de capazes de colocar em risco a integridade funcional, anatômica e mesmo a vida da pessoa, é importante considerar que mesmo as formas mais desorganizadas e patológicas do fenômeno psicossomático são ainda tentativas de (re) equilibrar essa economia.

Assim, é possível compreender e tratar o adoecimento, em suas diferentes formas de expressão – psíquica, somática ou comportamental –, como um processo multifatorial que resulta de uma combinação de fatores internos, externos, pessoais, ambientais, familiares, de movimentos de desorganização interna da economia psicossomática, potencialidades somáticas constituídas por eventuais fragilidades ou predisposições somáticas a doenças específicas, rebaixa- mento do tônus vital, falhas transitórias ou crônicas nas relações com objetos privilegiados investidos pelo indivíduo. Esses processos podem ser potencializados por experiências de vida perturbadoras e traumáticas, e também por mudanças próprias a diferentes fases da vida como na infância (nascimento de irmãos, mudanças de escola), adolescência (mudanças corporais e questões de identidade), na passagem para a idade adulta (escolhas vocacionais, experiências profissionais, casamentos, separações e parentalidade), e o envelhecimento (mudanças corporais, aposentadoria, morte de pessoas próximas), perdas e outras situações que sobrecarregam os recursos da economia psicossomática.

 DESAFIOS TERAPÊUTICOS

A teoria e a clínica psicanalíticas há muito revelaram as articulações entre as funções corporais e mentais, bem como os desdobramentos patológicos das perturbações dessas articulações. Elas evidenciam diferentes aspectos das relações intrínsecas entre as bases anatômicas e fisiológicas do organismo e o funcionamento psíquico, destacando seu papel de mediador de experiências, processos e estímulos oriundos tanto do organismo como do mundo exterior.

No corpo originam-se e se articulam os instintos, as pulsões, a sexualidade, a libido, as funções psíquicas, assim como as marcas e consequências do encontro do sujeito com o outro humano e com o mundo, configurando, assim, as dimensões metapsicológicas do aparelho psíquico, do narcisismo, das relações de objeto e da economia psicossomática. É também a partir da cena corporal que são vividas as experiências de prazer e desprazer, fundando e delineando a possibilidade de subversão e transcendência do corpo anatômico para as vivências do corpo erógeno, passível, em certas circunstâncias, de desorganizar funções fisiológicas e orgânicas.

Apesar da riqueza dessas hipóteses referentes ao corpo, é curioso constatar que durante muito tempo prevaleceram na psicanálise as restrições inicialmente preconizadas por Freud para o tratamento de uma ampla gama de manifestações corporais.

Por um lado, pautada pela perspectiva do recalcamento e dos mecanismos psíquicos de defesa, a clínica freudiana desenvolveu recursos importantes para o trabalho de elaboração dos sentidos simbólicos e representativos dos sintomas e seus derivados de uma ampla gama de manifestações psicopatológicas, no campo das psiconeuroses (histeria, neurose obsessivas, fobias), psicoses e perversões. Porém, ao mesmo tempo, Freud evidenciou as dificuldades e, mesmo, a impossibilidade da utilização da técnica psicanalítica, tal como a preconizava, no tratamento das neuroses atuais (de angústia e traumática, neurastenia e hipocondria), bem como doenças orgânicas, nas quais a descarga pulsional se dá diretamente pelas vias corporais, com pouca ou nenhuma derivação ou elaboração mental da excitação, ou seja, dinâmicas “aquém do recalcamento”, distintas e mais primitivas que as dos mecanismos neuróticos.

Os quadros derivados da neurose atual, descritos por Freud e ainda mais frequentes na clínica contemporânea, são marcados pelo vazio, pelo desamparo, pela hiperadaptação à realidade, pela autodepreciarão, por comportamentos de risco e pela violência larvada ou explícita das anorexias, das adicções, das descargas impulsivas e da sintomatologia somática, entre outros. Eles são frequentemente refratários ao trabalho livre associativo e à atenção flutuante, dificilmente acessíveis ao trabalho de figuração, ao discurso e aos enquadres clássicos e regressivos de uma análise e de muitas psicoterapias. Nessas condições ficam também perturbadas, não apenas em processos analíticos, condições diagnósticas, condutas terapêuticas e a adesão aos tratamentos, clínicos, farmacológicos e de outras ordens. As contribuições do psicanalista Sándor Ferenczi foram fundamentais para a superação desses impasses terapêuticos. Reconhecendo o potencial teórico e clínico da psicanálise para compreender as relações entre o corpo e o psiquismo, mesmo em suas formas não representativas, ele preconizou mudanças na postura, na forma de observação e de escuta do analista, e também modificações no dispositivo clínico para lidar com traumatismos e dimensões mais primitivas, pré-verbais e corporais, do funcionamento dos pacientes com manifestações das neuroses atuais e doenças orgânicas e com dinâmicas a elas assemelhadas. Ao mesmo tempo, ele convidou os médicos a perceberem a importância das vivências psíquicas e da história de vida de seus pacientes, a serem somados aos recursos da medicina para melhor compreendê-los e tratá-los. Muitos dos pioneiros da psicossomática, como Groddeck, Franz Alexander, Ballint foram inspirados por essas concepções.

Graças a essa ampliação, e também ao interesse crescente da psicanálise pela compreensão do infantil, das primeiras vivências do bebê e suas relações com o ambiente, psicanalistas como D. Winnicott, P. Marty, L. Kreisler, Ch. Dejours, O. Kerneberg, J. McDougall, P. Fédida, A. Green, M. Aisenstein entre muitos outros, dedicaram-se à reflexão metapsicológica e ao desenvolvimento de recursos clínicos para o tratamento das manifestações primitivas e não representativas da linhagem das neuroses atuais, como transtornos alimentares, impulsivos, ansiosos, adicções e quadros borderlines.

A partir de novas hipóteses e manejos clínicos, progressivamente consolidou-se a compreensão da plasticidade pulsional que permite vislumbrar e entender a continuidade funcional e as oscilações entre formas mais desorganizadas de manifestações da economia psicossomática (somáticos e comporta- mentais) e os quadros clássicos da psicopatologia (nos quais predominam expressões mentais). Fruto de diferentes níveis e formas de integração entre vivências corporais e o tecido psíquico, esses movimentos podem ser acompanhados nos processos terapêuticos por meio de suas manifestações transferenciais e contratransferências.

Em processos psicanalíticos ou psicoterapêuticos, é possível observar, entre diferentes pacientes e, ao longo do tempo, em um mesmo paciente, alterações da consistência, da intensidade e dos afetos transferenciais, moduladas pelo ritmo, conteúdo e coloração afetiva da associação livre, dos sonhos e de fantasias, reflexos das oscilações da economia psicossomática. As mudanças de padrões associativos, discursivos, afetivos e transferenciais são sinalizadores preciosos para identificar movimentos de organização e de desorganização dessa economia, indicando tanto avanços no trabalho terapêutico como alertando para riscos de descargas pelo comportamento e sintomatologia somática.

As dinâmicas mais primitivas, aquém do recalcamento e da resistência neurótica manifestam-se pelo empobrecimento da trama transferencial e pelo retraimento libidinal, algumas vezes extremo, “aquém do narcisismo”, confrontando o terapeuta com descargas pulsionais diretas sem mediação representativa. Nessas condições o espaço terapêutico precisa se constituir como espaço de continência, depositário de experiências corporais, perceptivas, sensoriais e motoras mais primitivas, para permitir que, por meio da relação terapêutica, elas possam adquirir densidade representativa através de um trabalho ativo de figuração, passível de elaboração e de transformação.

Por sua vez, a contratransferência é um importante recurso para a apreensão de vivências primitivas não representadas do paciente que, muitas vezes, mobilizam sensações corporais do terapeuta. Uma vez elaboradas pelo terapeuta e compartilhadas na relação, elas podem passar a ser representa- das pelo paciente. Na trama transferencial, mediadas pela função materna do terapeuta e pelo holding, a elaboração dessas formas de comunicação mais primitivas podem propiciar a reorganização narcísica e objetal do paciente, promovendo os recursos de ligação entre as pulsões de vida e de morte, necessários para lidar com conflitos e vivências traumáticas, bem como para estancar e reorganizar os movimentos desorganizadores da economia psicossomática.

Apesar das diferenças de enquadre e de contexto, movimentos semelhantes podem ser observados em processos terapêuticos com outros profissionais de saúde. Nas for- mas mais graves e manifestas das desorganizações psicossomáticas, são naturalmente necessárias intervenções e terapêuticas específicas, médicas e de outras áreas. A ampliação da observação e da escuta do médico desses processos pode aumentar a eficácia de suas estratégias diagnósticas e terapêuticas. A complexidade de tais desorganizações convida a reconhecer, para além de técnicas específicas, a importância da relação terapêutica com o profissional como instrumento adicional para a reorganização e o fortalecimento dos recursos da economia psicossomática do paciente, com vistas a promover o equilíbrio dessa economia em patamares mais organizados, diminuindo o risco à integridade funcional do paciente.

De forma semelhante, o trabalho terapêutico adjuvante em uma perspectiva interdisciplinar, com outras especialidades (fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, psicopedagogia, e outras, adequadas ao quadro do paciente) e atividades mediadoras complementares (artísticas, esportivas, sociais) podem também contribuir para tais objetivos. No contexto institucional, a compreensão dos movimentos da economia psicossomática é favorecida pela integração entre os diferentes profissionais que acompanham o paciente e pela atenção às transferências paralelas estabelecidas com cada um deles. O reconhecimento da equipe terapêutica como caixa de ressonância das vivências do paciente permite a identificação, a elaboração e a possível transformação dos processos de desorganização psicossomática.

Todas essas experiências revelam que nos processos naturais da vida, do desenvolvimento, da saúde e da doença, a com- preensão da plasticidade pulsional manifesta nas oscilações e diferentes expressões da economia psicossomática permite a ampliação dos horizontes não apenas clínicos, mas também educacionais, sociais e ambientais do humano.

 

 RUBENS MARCELO VOLICH – é psicanalista, doutor pela Universidade de Paris VII – Denis Diderot, professor do curso de especialização em psicossomática psicanalítica do Instituto Sedes Sapientiae. É autor, entre outros livros, de Psicossomática: de Hipócrates à Psicanálise (Casa do Psicólogo – Coleção Clínica Psicanalítica, 2000) e Co organizador e autor dos livros da série Psicossoma (Casa do Psicólogo).