ALIMENTO DIÁRIO

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MATEUS 7: 21-29

 O Sermão da Montanha

Temos aqui a conclusão desse longo e excelente sermão cujo escopo foi mostrar a indispensável necessidade da obediência aos mandamentos de Cristo. Ele tinha o propósito de cravar suas palavras, par a que elas pudessem se firmar num lugar seguro. Ele falava aos discípulos, que se sentavam aos seus pés todas as vezes que pregava, e o seguiam para qualquer lugar onde fosse. Se Ele buscava receber os louvores dos homens, somente isso teria sido suficiente. Mas a religião que Ele veio estabelecer vem com poder, e não apenas em palavras (1 Coríntios 4.20, versão RA); portanto, algo mais se fazia necessário.

I – Ele mostra, através de uma clara exposição de razões, que uma visível profissão de fé, embora seja digna de nota, não basta para nos levar ao céu, a não ser acompanhada por uma correspondente conduta (vv. 21-23). Todo julgamento pertence ao Senhor Jesus, as chaves foram colocadas em suas mãos. Ele tem o poder de prescrever novos termos de vida ou morte e de julgar os homens de acordo com eles. Essa é uma solene declaração que está em conformidade com esse poder. Portanto, observe que:

  1. A lei de Cristo foi estabelecida (v. 21). “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor, entrarão no reino dos céus”, no reino da graça e da glória. Esta é uma resposta ao Salmo 15.1. “Quem habitará no teu tabernáculo?” A igreja militante. E quem morará no teu santo monte? A igreja triunfante. Cristo está mostrando aqui:

(1) Que não basta dizer as palavras “Senhor, Senhor” para ter Cristo como nosso Mestre, ou para se dirigir a Ele professando nossa religião. Nas orações a Deus e nas conversas com os homens, devemos invocar o Senhor Jesus Cristo. Quando dizemos “Senhor, Senhor”, estamos dizendo bem, pois é isso que Ele é (João 13.13). Mas será que imaginamos que isso é suficiente para nos levar ao céu, que essa expressão de formalidade deveria ser recompensada ou que Ele sabe e exige que o coração esteja presente nas demonstrações essenciais? Os cumprimentos entre os homens são uma demonstração de civilidade, retribuída com outros cumprimentos, e nunca são expressos como se fossem serviços reais. E o que dizer destes em relação a Cristo? Pode haver uma aparente impertinência na oração “Senhor, Senhor”, mas se as impressões interiores não forem acompanhadas pelas correspondentes expressões exteriores, nossas palavras serão como o metal que soa ou como o sino que tine. Isso não nos deve impedir de dizer “Senhor, Senhor”, de orar, e de sermos sinceros nas nossas orações, de professar o nome de Cristo, com toda clareza; porém jamais devemos expressar alguma forma de piedade sem o poder de Deus.

(2) Que será necessário – par a nossa felicidade – fazer a vontade de Cristo, que, na verdade, é a vontade do Pai celestial. A vontade de Deus, como Pai de Cristo, é a verdade que está no Evangelho, onde Ele é conhecido como Pai do nosso Senhor Jesus Cristo e, através dele, o nosso Pai. Esta é a vontade de Deus: que creiamos em Cristo, nos arrependamos dos nossos pecados, vivamos uma vida santa e amemos uns aos outros. Essa é a sua vontade: a nossa santificação. Se não obedecermos à vontade de Deus, estaremos zombando de Cristo ao chamá-lo de Senhor, da mesma forma como fizeram aqueles que o vestiram com um manto suntuoso e disseram: “Salve, Rei dos Judeus”. Dizer e fazer são duas coisas que muitas vezes estão separadas nas palavras dos homens: existe aquele que diz: “Eu vou, senhor”, porém jamais dá sequer um passo na direção prometida (cap. 21.30). Mas Deus reuniu essas duas coisas no seu mandamento, e nenhum homem poderá separá-las se quiser entrar no Reino dos céus.

  1. O argumento dos hipócritas contra o rigor dessa lei oferece outras coisas no lugar da obediência (v. 22). Esse argumento deve se referir àquele dia, àquele grande dia, quando cada homem irá comparecer exibindo todas as suas cores, quando o segredo dos corações irá se manifestar e, entre outras, irão aparecer as secretas pretensões com as quais os pecadores dão suporte às suas vãs esperanças. Cristo conhece a força da causa deles, que, na realidade, não passa de uma fraqueza. O que eles agora abrigam no seu seio será revelado para impedir o julgamento e suspender o seu destino, mas isso será em vão, pois irão apresentar seu argumento com grande impropriedade. “Senhor, Senhor” e, a esse respeito, irão apelar a Cristo com grande confiança. Senhor, não sabes:

(1) “Não profetizamos nós em teu no­ me?” Pode ser que sim. Balaão e Caifás foram dominados pela profecia e, contra a sua vontade, Saul se encontrou entre os profetas. No entanto, isso não bastou para salvá-los. Eles profetizaram no nome do Senhor, mas Ele não os havia enviado. Fizeram uso do seu nome apenas para servir a uma circunstância. Veja bem, o homem pode ser um pregador, pode ter os dons do ministério e até um chamado externo para exercê-lo; pode até ser bem-sucedido nisso e, ao mesmo tempo, ser um homem vil; pode ajudar os outros a ir para o céu e, no entanto, estar desqualificado e ficar fora dele.

(2) “Em teu nome, não expulsamos demónios?” Isso também pode acontecer. Judas expulsou os demônios, no entanto, era filho da perdição. Orígenes diz que em seu tempo o nome de Cristo era tão prevalecente para expulsar os demônios que, às vezes, esse nome também ajudava, mesmo quando era pronunciado por cristãos indignos. Um homem pode expulsar o demônio de outros homens e ainda ter, ou ser, o próprio demônio.

(3) “Em teu nome, não fizemos muitas maravilhas?” Pode haver alguma fé nos milagres, onde não existe nenhuma fé para a justificação; nenhuma fé que opera através do amor e da obediência. Os dons de línguas e de cura podem recomendar os homens ao mundo, mas somente a verdadeira piedade e santidade serão aceitas por Deus. A graça e o amor são a maneira mais eficiente de remover montanhas, ou de falar as línguas dos homens e dos anjos (1 Coríntios 13.1,2). A graça irá levar o homem para o céu mesmo sem milagres; porém os milagres nunca irão levar o homem para o céu sem a ajuda da graça. Observe que aqueles que confiam e colocam os seus corações na prática dessas obras, veem muitas maravilhas. Simão, o mágico, ficou atônito com os milagres (Atos 8.13), portanto daria qualquer quantia para ter o poder de fazer o mesmo. Veja que eles não tinham muitas boas obras para pleitear, nem podiam fingir que tinham feito muitas obras de piedade ou de caridade. Qualquer uma destas teria sido melhor para sua avaliação do que muitas e maravilhosas obras, que de nada serviriam enquanto persistissem na desobediência. Atualmente, os milagres continuam a acontecer. Mas será que o coração humano ainda encontra o encorajamento em esperanças infundadas, com seus vãos esteios? Aqueles que são descritos nesse versículo pensam que vão para o céu porque têm tido uma boa reputação entre os mestres da religião, observam o jejum, dão esmolas e têm sido promovidos na igreja, como se isso fosse suficiente para reparar seu permanente orgulho, mundanismo, sensualidade e a falta de amor a Deus e ao próximo. Betel é a sua confiança (Jeremias 48.13), eles se ensoberbecem no monte santo de Deus (Sofonias 3.11), e se vangloriam de ser o templo do Senhor (Jeremias 7.4). Devemos prestar atenção nos seus privilégios e performances externos para não nos enganarmos e não perecermos eternamente, como ocorre com as multidões, que seguram uma mentira em sua mão direita.

  1. A rejeição desse argumento por ser frívolo. Aquele que é o Legislador (v. 21) está aqui como Juiz e, de acordo com essa lei (v.23), irá publicamente anular esse argumento. Irá comunicar a eles, com toda solenidade possível, a sentença emitida pelo Juiz: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. Observe:

(1) A razão e os fundamentos que Ele usa para rejeitá-los, e aos seus argumentos, se resume no fato de praticarem a iniquidade. Observe que é possível a um homem adquirir um nome notável como pessoa piedosa, e ainda assim ser um praticante de iniquidades. Aqueles que agem assim irão receber uma condenação maior. Quaisquer esconderijos secretos do pecado, guardados sob o manto de uma evidente profissão de fé, são a ruina dos homens. Anulam as pretensões dos hipócritas. Viver deliberadamente em pecado anula as pretensões dos homens, por mais capciosas que sejam.

(2) A maneira como esse argumento é expresso: “Nunca vos conheci”. “Nunca me pertencestes como servos, nem mesmo quando profetizáveis em meu nome, quando estáveis no auge da vossa profissão de fé, e éreis elogiados”. Isso indica que, se alguma vez o Senhor os tivesse conhecido, como Ele conhece aqueles que são seus, se os tivesse possuído e amado como se fossem seus, Ele os teria conhecido e possuído e amado até o fim. Mas Ele nunca os reconheceu, pois sempre soube que eram hipócritas e tinham o coração corrompido, como aconteceu com Judas. Portanto, Ele diz: “Apartai-vos de mim”. Será que Cristo precisava de tais convidados? Quando Cristo veio em carne e osso, Ele chamou a si os pecadores ao arrependimento (cap. 9.13), e quando voltar novamente, coroado de glória, irá afastar de si os pecadores. Aqueles que não forem até Ele para serem salvos deverão partir para serem condenados. Afastar-se de Cristo será o verdadeiro inferno do inferno, será a razão fundamental da miséria de ser condenado, de ter sido desprovido de toda esperança dos benefícios da mediação de Cristo. Ele não irá aceitar nem trazer a si no grande dia aqueles que, a seu serviço, não vão além de uma simples profissão de fé. Veja a que ponto um homem pode cair das alturas da esperança ao abismo da desgraça. Como pode ir para o inferno através das portas do céu! Essas deveriam ser palavras de alerta a todos os cristãos. Se um pregador que expulsa os demônios e realiza milagres for rejeitado por Cristo porque praticou iniquidades, o que será dele, e o que seria de nós, caso isso acontecesse conosco? Se agirmos assim, isto certamente acontecerá conosco. No tribunal de Deus, uma profissão de fé nunca irá defender homem algum da prática e do vício do pecado, portanto todo aquele que pronuncia o nome de Cristo deve abandonar toda iniquidade.

II – Ele mostra, através de uma parábola, que apenas ouvir essas palavras de Cristo não nos fará felizes, se não tomarmos a decisão de praticá-las, e que, se ouvirmos e praticarmos, seremos abençoados pelas nossas obras (vv. 24-27).

  1. Aqueles que ouviram as palavras de Cristo foram divididos em dois grupos; o grupo daqueles que ouvem e praticam o que ouviram, e o grupo daqueles que ouviram, mas não praticam. Cristo pregava para uma multidão mista, por tanto separou um grupo do outro, da mesma forma como irá fazer no grande dia, quando todas as nações estarão reunidas perante Ele. Cristo ainda fala do céu através da sua Palavra e do seu precioso Espírito; Ele fala através dos ministros e das providências aos dois tipos de pessoas que o ouvem.

(1) Aqueles que escutam suas palavras e as praticam: Bendito seja Deus porque eles existem, embora, comparativamente falando, ainda sejam muito poucos. Ouvir Cristo não significa apenas prestar atenção às suas palavras, mas obedecê-lo. Repare bem que é muito importante que todos nós pratiquemos as palavras de Cristo. É um sinal de misericórdia poder ouvir suas palavras. Bem-aventurados aqueles que ouvem (cap. 13 .16,17). Porém, se não praticarmos o que ouvimos, receberemos essa graça em vão. Praticar as palavras de Cristo é se abster conscientemente, dos pecados que Ele proíbe, e executar os deveres que Ele exige. Nossos pensamentos e sentimentos, nossas palavras e atos, a disposição da nossa mente e o curso da nossa vida devem estar em sintonia com o Evangelho de Cristo, e essa é a obrigação que Ele exige de nós. Todas as palavras de Cristo, não só as leis que Ele promulgou, mas também as verdades que revelou, devem ser praticadas por nós. Elas representam um exemplo, não só para os nossos olhos, mas também para os nossos pés, e foram destinadas não só a esclarecer nossos julgamentos, mas também a transformar o nosso coração e a nossa vida. Não podemos realmente acreditar nas palavras de Cristo se não agirmos de uma forma que corresponda a elas. Observe que não basta ouvir as palavras de Cristo, compreendê-las e lembrar-se delas, ouvir, comentar, repetir ou discutir essas palavras; mas ouvi-las e praticá-las. “Faze isso e viverás”. Aqueles que ouvem e praticam são abençoados (Lucas 11.28; João 13.17) e se tornam parentes de Cristo (cap. 12.50).

(2) Existem outros que ouvem as palavras de Cristo, mas não as praticam. Sua religião está apoiada numa simples audição e não vai além disso. Assim como crianças raquíticas, sua cabeça está repleta de noções vazias e de opiniões indigestas, enquanto suas juntas são fracas, pesadas e lânguidas. Elas não podem se movimentar; nem se importam em praticar nenhum dever útil. Ouvem as palavras de Deus, como se quisessem conhecer os seus caminhos, como se fossem pessoas justas, mas não estão dispostas a colocarem-nas em prática (Ezequiel 33.30,31; Isaias 58.2). Dessa forma, elas estão se enganando, como Mica, que acreditava ser feliz, por ter um levita como seu sacerdote, embora não tivesse o Senhor como o seu Deus. A semente foi lançada, mas nunca brotou. Eles veem as suas manchas no espelho da palavra, mas preferem ignorá-las (Tiago 1.22,24). Dessa forma, colocam um engodo sobre suas próprias almas, pois é certo que se o que ouvimos não trouxer nossa obediência, isso irá agravar a nossa desobediência. Aqueles que apenas ouvem as palavras de Cristo, mas não as praticam, é como se estivessem sentados a meio caminho do céu sem nunca chegar ao fim da jornada. É como se fossem meio-irmãos de Cristo; e as nossas leis não lhes dão direito a herança.

  1. Esses dois tipos de ouvintes foram aqui representados, com seu verdadeiro caráter e com a situação do seu caso, através de uma comparação entre dois construtores. Aquele que era prudente construiu a sua casa sobre uma rocha, e ela resistiu a uma tempestade. O outro, que era insensato, construiu a sua casa na areia, e ela desmoronou.

Agora:

(1) O escopo geral dessa parábola é ensinar que a única maneira de assegurar a nossa alma em relação à eternidade é ouvir e praticar as palavras do Senhor Jesus, as palavras contidas no Sermão da Montanha, que é totalmente prático. Algumas delas podem parecer difíceis para o homem, mas mesmo assim devem ser praticadas. Dessa forma, estaremos entesourando um bom fundamento para o futuro (1 Timóteo 6.19). Elas representam uma boa ligação, conforme alguns entendem, que foi feita por Deus e que garante uma salvação baseada nos termos do Evangelho. O fruto da nossa própria invenção não será uma ligação que traz salvação, nem será capaz de satisfazer as nossas próprias fantasias. Aqueles que, como Maria, se sentam aos pés de Cristo para ouvir as suas palavras, em completa sujeição, asseguram para si mesmos a “boa parte”. “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”.

(2) Algumas partes peculiares dessas palavras nos ensinam diversas e boas lições.

[l] Cada um de nós tem uma casa para construir, e essa casa representa a nossa esperança em relação ao céu. Deve ser nosso principal e constante cuidado fazer com que nosso chamado e eleição fiquem garantidos, assim como nossa salvação. Devemos assegurar um título para a felicidade celestial, e depois obter uma confortável prova disso. Ter certeza de que, mesmo se falharmos, ainda assim seremos recebidos na habitação eterna. Muitos nunca se importam com isso; é o que está mais longe do seu pensamento. Eles estão construindo para esse mundo, como se fossem permanecer aqui para sempre, e não se importam em construir algo em um outro mundo. Todos aqueles que assumem uma profissão de fé também desejam descobrir o que deverão fazer para ser salvos; eles precisam saber como poderão chegar finalmente ao céu, e precisam ter uma esperança bem fundada sobre este assunto, à medida que crescem na fé.

  • Existe uma rocha providenciada para nós, sobre a qual podemos construir essa casa essa rocha é Cristo. Jesus Cristo foi colocado como a sua fundação, e nenhuma outra fundação pode ser colocada (Isaias 28.16; 1 Coríntios 3.11). Ele é a nossa Esperança (1 Timóteo 1.1). Esse é o Cristo que está em nós. Devemos fundamentar a esperança que temos em relação ao céu sobre a plenitude do mérito de Cristo, do perdão dos pecados, do poder do seu Espírito, da santificação da nossa natureza e da prevalência da sua intercessão e da transmissão de tudo que é bom que Ele adquiriu para nós. Ele nos deu a conhecer tudo que existe nele para nos transformar segundo o Evangelho, e que é suficiente para retirar todas as nossas angústias e suprir todas as nossas necessidades, pois Ele é o Supremo Salvador. A Igreja foi edificada sobre essa rocha, assim como todo aquele que é crente. Ele é forte e tão imutável como essa Rocha, e podemos nos aventurar junto a Ele, pois não ficaremos envergonhados da nossa esperança.
  • Existem alguns remanescentes que ouvem e praticam as palavras de Cristo, que edificam as suas esperanças sobre essa Rocha. E ela passou a representar toda a sua sabedoria. Cristo é o único Caminho para o Pai, e a obediência à fé é o nosso único caminho para Cristo. Pois, para aqueles que obedecem a Ele, e somente a Ele, Ele se torna o Autor da eterna salvação. Aqueles que edificam sobre Cristo, que têm sinceramente aceitado a Ele como seu Príncipe e Salvador, têm como preocupação constante sujeitar-se a todas as regras da sua santa religião. Portanto, estes dependem inteiramente dele para obter a ajuda necessária diante de Deus, para que sejam aceitos. É necessário levar em conta aqui tudo que não seja pernicioso, para poder conquistar Cristo e ser encontrado nele. Construir sobre uma rocha exige muito cuidado e trabalho. Aqueles que desejam assegurar sua eleição e seu chamado devem agir com toda diligência. Eles são os construtores prudentes que começam a construir de forma a serem capazes de terminar (Lucas 14.30); portanto, precisam se estabelecer sobre a fundação mais sólida que existe.
  • Existem muitos que professam sua esperança de ir para o céu, mas desprezam essa Rocha e constroem suas esperanças sobre a areia. Isso não exige muito es­ forço, mas é o espelho da sua insensatez. Tudo que não está em Cristo é areia. Alguns constroem sua esperança na prosperidade da vida terrena, como se esta fosse um sinal do favor de Deus (Os 12.8). Outros edificam sobre a sua profissão exterior de fé, sobre os privilégios que gozam, as performances que executam nessa profissão de fé, e a reputação que adquiriram. Eles têm o nome de cristãos, receberam o batismo, vão à igreja, ouvem as palavras de Cristo, oferecem as suas orações e não fazem mal a ninguém. Contudo, é curioso observar que a morte de alguns deles pode ser considerada um alívio para outros! Essa é a luz do seu próprio fervor, sobre o qual caminham. É nesta vereda que eles se aventuram, com uma grande dose de segurança. Mas tudo isto não passa de areia, algo demasiadamente fraco para suportar a estrutura das suas esperanças celestiais.
  • Uma tempestade se aproxima, e ela testará os alicerces das nossas esperanças, e também toda obra do homem (1 Coríntios 3.13). Ela descobrirá a fundação (Habacuque 3.13). A chuva, a inundação e o vento irão se abater sobre a casa. Muitas vezes a provação está nesse mundo e, quando surgirem a tribulação e a perseguição por causa da palavra, veremos quem apenas ouviu a palavra, e quem, além de ouvi-la, a praticou. Então teremos ocasião de usar nossas esperanças. Elas serão experimentadas, sejam elas justas e bem fundamentadas ou não. Entretanto, quando chegarem a morte e o juízo, e chegar também a tempestade, pois não há nenhuma dúvida de que ela virá, as coisas ficarão tão calmas para nós como estão agora. Quando tudo o mais falhar, podemos ter certeza de que essas esperanças jamais falharão. Elas se transformarão em um gozo que durar á para sempre; um gozo eterno.
  • Aquelas esperanças que forem construídas sobre a Rocha de Cristo irão se sustentar, e também ao construtor, quando a tempestade chegar. Elas irão preservá-lo, tanto do abandono como de uma inquietude permanente. Sua profissão não irá definhar e o ânimo não lhe faltará. Elas serão sua força e seu cântico, como uma âncora da alma, segura e firme. Quando ele chegar para o último encontro, essas esperanças irão afastar o terror da morte e do sepulcro, irão levá-lo alegremente através do vale sombrio, serão aprovadas pelo Juiz, irão enfrentar o teste do grande dia e serão coroadas com eterna glória (2 Coríntios 1.12; 2 Timóteo 4.7,8). Bem-aventurado aquele servo a quem o Senhor encontrar absolutamente esperançoso, quando voltar.
  • Aquelas esperanças que são edificadas sobre um outro fundamento, e não sobre Cristo, certamente lhes faltarão em um dia de tempestade. Estas esperanças não produzirão um verdadeiro conforto e satisfação em meio às provações, não formarão uma muralha contra as tentações da apostasia na hora da perseguição, e na hora da morte e no dia do juízo final não terão qualquer valor. Onde estará a esperança do hipócrita quando Deus lhe arrancar a alma? (Jó 27.8). Ela será como uma teia de aranha, ou como a falta de esperança do espírito. Eles se apoiarão sobre a casa, e ela não se manterá firme (Jó 8.14,15). Ela desmoronará em meio à tempestade, quando o construtor mais precisará dela, esperando que represente um abrigo seguro para ele. Ela cairá quando for demasiadamente tarde para construir uma outra. Quando um pecador morre, suas expectativas morrem também. Quando se pensa que elas se transformarão em um gozo eterno, elas desmoronam e grande é a sua queda. O construtor fica muito desapontado e a vergonha pela perda é muito grande. Quanto mais elevadas forem as esperanças dos homens, depositadas em suas próprias invenções, maior será a sua queda. A ruína de todos aqueles que praticam uma profissão formal de fé que não esteja alicerçada em Cristo consistirá em ser uma testemunha da condenação de Cafarnaum.

III – Nos dois últimos versículos, tomamos conhecimento da impressão criada pelo discurso de Cristo nos seus ouvintes. Foi um excelente sermão, e é provável que Ele tenha falado muito mais, porém estas palavras não foram registradas. Sem dúvida, as palavras que saíram da sua boca, de cujos lábios se derramava a graça, contribuíram poderosamente para isso. Portanto:

  1. Eles ficaram admirados com a sua doutrina. Acredita-se que poucos tenham sido levados a segui-lo, mas naquele momento todos ficaram maravilhados. Veja bem: Será que é possível acreditar que as pessoas admirem um bom sermão e ainda assim permaneçam na ignorância e na incredulidade? Ficam admiradas, mas não se tornam santificadas?
  2. Talvez a razão disso seja que, apesar de ensinar com autoridade, Ele não era como os escribas. Os escribas pretendiam ter a mesma autoridade de qualquer um dos mestres, e eram apoiados por todas as vantagens externas que conseguiam. Porém, a sua pregação era pobre, vazia e insípida. Falavam como se não fossem mestres daquilo que pregavam, suas palavras não vinham de alguém que tivesse força ou vida, e repetiam as palavras como os alunos repetem as lições. Mas Cristo pronunciava o seu discurso da mesma maneira que um juiz pronuncia uma sentença. Ele realmente fazia seus discursos com um tom de autoridade. Suas lições eram leis, e a sua palavra era uma palavra de comando. Cristo, sobre a montanha, mostrava mais autoridade que os escribas na cadeira de Moisés. Dessa forma, quando Cristo ensina às almas através do seu Espirito, Ele ensina com autoridade. Ele disse: “Haja luz. E houve luz”.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.