GESTÃO E CARREIRA

Tuas ideias n]ao correspondem aos fatos

SUAS IDEIAS NÃO CORRESPONDEM AOS FATOS?

A dificuldade em ler corretamente o cenário e ficar preso no autoengano pode prejudicar sua trajetória profissional. Aprenda como se proteger desse problema.

“Mentir para os outros é exceção. A principal mentira é aquela que contamos para nós mesmos!” A frase é do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e está nas pequenas distorções da realidade que aparecem em todos os momentos desde adiantar o relógio para acordar mais cedo até adiar por mais um dia o começo de uma dieta ou o término de um relacionamento. Mas viver “negando as aparências e disfarçando as evidências”, como diz a música sertaneja, pode ser muito danoso para a vida profissional. É o que mostra o resultado de uma pesquisa da consultoria Leadership IQ, feita durante quatro anos com 1085 conselheiros de 286 empresas, que descobriu que23% dos CEOs demitidos perderam o emprego por que negavam a realidade. Esses executivos sentiam dificuldade em perceber os fatores negativos das companhias que lideravam, o que prejudicava a tomada de decisões. Alguns deles, segundo os pesquisadores, também omitiam os acontecimentos ruins.

Esse comportamento está associado ao autoengano, quando nos forçamos a fechar os olhos para o que está acontecendo ao nosso redor ou quando mentimos para nós mesmos. ” O enganador embarca nas próprias mentiras, deixa se levar por elas de modo gradual e crescente e, enfim, passa a acreditar nelas com toda a inocência e boa-fé deste mundo”, escreveu o economista Eduardo Giannetti no livro Autoengano (Companhia das Letras, 256 páginas). Não se trata de um ato deliberado. Uma pessoa que está passando por isso fica cega. E ninguém está livre de enfrentar a situação.

EVITAR A DOR

O erro em ler o cenário acontece porque queremos fugir da dor que um problema ou um rompimento vai causar. É um mecanismo de defesa: ignoramos os sinais do que vai acontecer se as consequências forem negativas. Mas nem todo mundo faz isso da mesma forma. Segundo Roberto Ayimer, professor na Fundação Dom Cabral e consultor de desenvolvimento humano, do Rio de Janeiro, as pessoas reagem normalmente de três maneiras: com a negação dos fatos desagradáveis, que consiste em esconder de si mesmo a realidade; com a minimização, que diminui o problema achando que é algo passageiro; e com a projeção do mal, ou seja, a transferência de responsabilidades para outras pessoas, passando a culpa do problema ao chefe, aos colegas ou até ao mercado.

Flavia Gamonar, de 33anos, acreditou que o problema que estava vivendo não fosse tão ruim assim. Especializada em marketing, a paulista trabalhou como gerente da área numa empresa de tecnologia – e tinha uma trajetória em ascensão. Mas, quando a companhia foi comprada, a sobreposição de funções apareceu. “Vi pessoas novas chegando e fazendo meu trabalho. De repente, o CEO parou de responder aos meus e-mails e eu mudava de chefe toda semana. Apesar de todos os indícios, acreditava que nada ameaçaria meu emprego”, diz Flávia. Ela ignorou até os sinais do próprio corpo: acordou um dia sem a capacidade de interpretar textos por causa do estresse e ficou afastada durante dez dias. Duas semanas depois de retornar ao trabalho, recebeu uma carta, uma medalha e um crachá de cor diferente: tinha acabado de completar quatro anos de companhia A felicidade pelo reconhecimento mal durou 24 horas: no dia seguinte, foi demitida. “Sentia o clima pesado, sabia que tinha algo errado, mas preferi esconder de mim mesma. Fiquei chocada com o desligamento”, afirma Flavia. Desempregada, seu comportamento não mudou rapidamente. “Acreditava que apareceria uma vaga do céu. Mandava um ou outro currículo para alguém e achava que tinha feito a minha parte. Demorei seis meses para entender que dependia de mim”, diz. Ela acionou contatos, começou a escrever sobre o assunto nas redes sociais e conseguiu se recolocar. “Quando voltei a trabalhar, entendi que uma nova demissão poderia vir e que era necessário fazer a leitura do ambiente e ter um plano B”, afirma. Os textos que postava em suas redes começaram a fazer tanto sucesso que, de plano B, viraram plano A. Hoje, Flavia tem o segundo perfil mais seguido do Brasil no LinkedIn, com 700000 inscrições, e dedica-se ao doutorado em mídia e tecnologia e à carreira de docente na ESPM.

APRENDER COM OS ERROS

Essa falha em ler a realidade não surge de uma hora para a outra – é uma crença que nós sedimentamos ao longo de nossas trajetórias. “Quando o ser humano tem sucesso na repetição de determinada atividade, ele passa a realizar aquele comportamento de forma automática, esperando um resultado especifico”, afirma Guy Cliquet, coordenador de pós-graduação lato sensu do Insper, de São Paulo. E se, no passado, a pessoa teve sorte deque tudo desse certo, apesar das más noticias, pode ser que, agora, acredite que basta ignorar os problemas para conquistar seus objetivos. Só que Isso é péssimo para a carreira – e para os negócios das companhias.  “A falha é parar de questionar suas decisões e escolher uma opção baseada apenas nas experiências anteriores. Tal atitude aumenta a chance de autoengano”, diz Guy. O importante é perceber que se está trilhando um caminho irreal e corrigir a rota.

Foi o que fez Eduardo Fregonesi, de 39anos, CEO da Synapcom, empresa de serviços de gestão de e-commerce, de São Paulo, que usou sua experiência de autoengano para se tornar um líder melhor. Durante sete anos, ele investiu numa marca de roupas. Apesar dos resultados negativos, colocava mais dinheiro, abria novas frentes do negócio, fazia reestruturações, acreditava numa mudança milagrosa de mercado. Mas as coisas não iam para a frente. Até que não havia mais nada a fazer a não ser encerrar as operações. “Essa situação fez com que eu aprendesse a separar a resiliência da teimosia. Eu era tão apegado ao negócio que fiquei cego para os fatos. Ser otimista e acreditar na empresa é muito bom, mas só quando os números comprovam essa percepção, diz Eduardo. “Aprendi que é preciso sempre estudar o cenário e me cercar de pessoas que saibam mais do que eu sobre determinadas áreas. Ninguém precisa fazer tudo, mas precisa saber escolher os profissionais certos.”

DE OLHO NOS SINAIS

Esse comportamento está associado até mesmo ao nível de engajamento que um profissional tem dentro de uma companhia. Quando o nível é baixo, o problema pode ser o fato de a pessoa desconfiar de tudo e todos. Mas, às vezes, o nível de confiança é perigosamente alto demais. Foi o caso de Léo Alves, de 40 anos. Coordenador de remuneração da Odebrecht durante oito anos, ele viu a companhia inundar as manchetes dos jornais com informações sobre o envolvimento da empreiteira em grandes esquemas de corrupção. Mas Léo não acreditava que aquilo fosse verdade – nem mesmo depois da prisão do presidente Marcelo Odebrecht em junho de 2015. Do episódio em que os funcionários se reuniram na frente da empresa usando uma camiseta com a frase “Somos todos Odebrecht”, ele só não participou porque estava viajando. Foi sua terapeuta que o alertou para o autoengano. Mas levou um tempo até o profissional reconhecer que estava mentindo para si mesmo. Apenas em agosto de 2016 Léo pedi demissão e passou a se dedicar a uma formação de coach. “É um processo doloroso. Quando você percebe que está racionalizando os fatos, se sente traído por si mesmo”, afirma.

Para não cair nessa armadilha, é importante ficar aberto aos sinais internos e externos. Conversar com pessoas da área e de fora dela, com históricos diferentes, é fundamental. Afinal, como escreveu Eduardo Giannetti, “o autoengano não é a ignorância simples de não saber e reconhecer que não sabe. Ele é a pretensão ilusória e infundada do autoconhecimento”. Contra esse veneno, só o questionamento constante e o conhecimento de si próprio podem servir de antídotos.

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AJUSTE DE FOCOS

As atitudes para passar a enxergar a realidade como ela é

DIVERSIFIQUE SUA REDE DE CONTATOS – Quanto mais visões diferentes, menos iscos de você se fechar em uma bolha e parar de enxergar o ambiente e o que acontece ao seu redor.

FIQUE ATENTO AOS FATOS – Pessoas que estão se auto enganando tendem a distorcer ou a inventar razões para legitimar seus pensamentos. Observe a situação como ela realmente é. A tendência de quem está nessa situação é racionalizar os problemas e os comportamentos equivocados.

LIDE COM OS PROBLEMAS IMEDIATAMENTE – Procrastinar decisões ou conversas difíceis porque elas são desagradáveis só aumentarão o problema e seus impactos.

CERQUE-SE DE CRÍTICOS – É muito comum, principalmente na liderança, que os profissionais busquem se rodear dos que concordam com sua forma de pensar. Quando não há ninguém questionando suas decisões, fica mais fácil cair no autoengano.

PENSE À LONGO PRAZO – Quem está num ciclo de autoengano tem tendência a olhar para o curto prazo e esperar mudanças milagrosas. Analise os fatos e pense em quais podem ser as consequências para o futuro se o cenário se mantiver exatamente assim.

 

Fonte: Revista Você S.A – Edição 238

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.