ALIMENTO DIÁRIO

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MATEUS 5:27-32

Continuação do Sermão da Montanha

Aqui temos uma explicação do sétimo mandamento, que nos é dada pela mesma mão que fez a lei, e que, portanto, era a mais adequada para ser a intérprete do mandamento: é o mandamento contra a impureza, que adequadamente segue o anterior; que coloca uma restrição às paixões pecaminosas. Isto com relação aos desejos pecaminosos, que precisam sempre est ar sob o controle tanto da razão quanto da consciência, e que, se tolerados, são igualmente perniciosos.

 I – O mandamento é apresentado aqui (v. 27): “Não cometerás adultério”, o que inclui uma proibição de todos os outros atos de impureza, e o desejo deles; mas os fariseus, em suas interpretações deste mandamento, tornaram a sua abrangência limitada somente ao ato do adultério, sugerindo que se o pecado somente fosse considerado no coração, e não passasse disso, Deus não o ouviria, não o consideraria (Salmos 66.18), e, portanto, eles pensavam que isto era suficiente para que pudessem dizer que não eram adúlteros (Lucas 18.11).

II – Aqui está explicada a severidade, em três aspectos, que agora podem parecer novos e estranhos àqueles que sempre foram governados pela tradição dos anciãos e que assumiam o que eles ensinavam como sendo palavras de oráculo.

1.Aprendemos que existe o adultério no coração, os pensamentos e tendências adúlteros, que nunca dão origem ao ato do adultério ou da fornicação; e talvez a impureza que eles causam à alma, que aqui está tão claramente declarada, não estivesse incluída no sétimo mandamento, mas tinha sentido e objetivo em muitas das profanações cerimoniais sujeitas à lei, pelas quais eles deviam lavar as roupas e a sua carne na água. Qualquer pessoa que olhasse para uma mulher (não somente a esposa de outro homem, como alguns interpretam, mas qualquer mulher) para cobiçá-la, teria come tido adultério com ela em seu coração (v. 28). Este mandamento proíbe não apenas os atos de fornicação e adultério, mas:

(1) Todos os apetites impuros, toda a cobiça do objeto proibido. Este é o início do pecado, a concepção da concupiscência (Tiago 1.15); é um mal passo em direção ao pecado. E onde se aprova e se lida com a cobiça, e o desejo devasso é tratado pela língua como algo doce, ali está a comissão do pecado, até onde o coração pode tê-la – não faltando nada – a não ser uma oportunidade conveniente par a o próprio pecado. Adultera mens est A mente é corrupta, Ovídio. A cobiça é frustrada ou influenciada pela consciência: influenciada, se ela não diz nada sobre o pecado; frustrada, se ela não comanda o que diz.

(2) Todas as abordagens deste caso. Alimentar os olhos com a visão do fruto proibido; não apenas procurando este fim, que eu possa cobiçar, mas olhando até que eu cobice realmente, ou procurando gratificar a cobiça, onde nenhuma satisfação adicional possa ser obtida. Os olhos são, ao mesmo tempo, a entrada e a saída de uma grande quantidade de pecados deste tipo, como testemunham a mulher que tentou José (Genesis 39.7), a mulher que se entregou a Sansão (Juízes 16.1), e a amante de Davi (2 Samuel 11.2). Há olhos cheios de adultério que não cessam de pecar (2 Pedro 2.14). Que necessidade temos nós, portanto, como o santo Jó, de fazer um concerto com os nossos olhos, de fazer este acordo com eles, para que tenham o prazer de contemplar a luz do sol e as obras de Deus, com a condição de que nunca se fixem ou residam sobre qualquer coisa que possa provocar imaginações ou desejos impuros. E, sob esta penalidade, pelo que eles fizessem, precisariam sofrer com lágrimas penitentes! (Jó 31.1). Para que temos a pálpebra sobre os olhos, a não ser para restringir os olhares corruptos e para evitar as impressões que possam nos contaminar? Aqui também se proíbe o uso de qualquer outro dos nossos sentidos para provocar a cobiça. Se os olhares sedutores são frutos proibidos, muito mais o são as palavras impuras e os galanteios devassos, combustível e o fole deste fogo infernal. Estes preceitos são limites sobre a lei da pureza do coração (v. 8). E se olhar é cobiçai aqueles que se vestem e se enfeitam, se exibem, com o desejo de serem vistos e desejados (como Jezabel, que pintou o rosto, enfeitou a cabeça, e olhou pela janela) não são menos culpados. Os homens pecam, mas os demônios tentam ao pecado.

2.Tais olhares e tais galanteios são tão perigosos e destrutivos para a alma, que é melhor perder o olho e mão que assim pecam do que abrir caminho ao pecado e perecer eternamente nele. Isto nos é ensinado aqui (vv 29,30). A natureza corrupta logo objetaria contra a proibição do adultério no coração, dizendo que ela é algo impossível de se controlar: “São palavras duras, que pode suportá-las? A carne e o sangue não podem evitar olhar com prazer para uma mulher bonita, e é impossível se abster de cobiçar e flertar com algo assim”. Des culpas como estas dificilmente serão vencidas pela razão, e, portanto, devem ser atacadas com os terrores do Senhor; e é assim que são atacadas aqui.

(1) Aqui é descrita uma operação severa para a prevenção desses desejos carnais. Se o teu olho direito te escandalizar ou ofender outra pessoa, com olhares devassos a coisas proibidas; se a tua mão direita te escandalizar, ou ofender outra pessoa com flertes devassos; se for realmente impossível, como se diz, controlar olho e a mão, e eles estiverem tão acostumados a estes procedimentos pecaminosos, a ponto de não poder evitá-los; se não existir outra maneira de restringi-los (que, bendito seja Deus, por meio da sua graça, existe), melhor para nós arrancar o olho e cortar a mão (ainda que sejam o olho direito e a mão direita, os mais digno de honra e os mais úteis) do que tolerar que eles pequem para a ruína da alma. E se isto tiver que ser contido- diante desta ideia, a natureza estremece – devemos no determinar ainda mais a controlar o corpo e a conter estas coisas. Viver uma vida de mortificação e de autonegação; manter constante vigilância sobre os nossos próprios corações; suprimir o surgimento de qualquer desejo e corrupção ali; evitar as oportunidades de pecados, resistir aos seus estímulos e recusar a companhia daqueles que são uma armadilha par a nós, ainda que sejam muito agradáveis; ficar afastados do caminho do mal e reduzir o uso das coisas lícitas, quando descobrirmos que são tentações para nós; buscar a Deus, buscar a sua graça; confiar diariamente na sua graça, e desta maneira andar no Espírito, para não satisfazermos os desejos da carne – isto será tão eficiente quanto cortar a mão direita ou arrancar o olho direito; e talvez igualmente eficiente em oposição à carne e ao sangue; esta é a destruição do velho homem.

(2) Um argumento estarrecedor é usado para reforçar esta prescrição (v. 29), e é repetido nas mesmas palavras (v.30), porque nos negamos a ouvir o que é reto (Isaias 30.10). E melhor para nós que um dos nossos membros pereça, ainda que seja um olho ou uma mão, que se poupado pode trazer o pior, do que todo o nosso corpo ser lançado no inferno. Observe:

[1] Não é inconveniente que um ministro do Evangelho pregue sobre o inferno e a condenação. Não. Ele precisa fazê-lo, pois o próprio Cristo o fez; e nós seremos infiéis ao que nos foi confiado, se não advertirmos sobre a ira futura.

[2] Existem alguns pecados dos quais precisamos ser salvos pelo medo, particularmente os desejos carnais, que são animais tão selvagens que não podem ser detidos, a não ser pelo medo; não podemos ser afastados de uma árvore proibida, a não ser por um querubim com uma espada flamejante.

[3] Quando somos tentados a pensar que é muito difícil negar a nós mesmos e crucificar os desejos carnais, devemos considerar quão mais difícil é estar para sempre no lago que arde com fogo e enxofre. Estas pessoas não sabem o que é o inferno, ou não acreditam em sua existência, e preferem se arriscar à ruína eterna nestas chamas a negarem a si mesmas o prazer de um desejo bruto e vil.

[4] No inferno haverá tormentos para o corpo. Todo o corpo será lançado no inferno, e haverá tormentos para todas as suas partes, de modo que se cuidarmos do nosso corpo, nós o possuiremos em santificação e honra, e não na paixão da concupiscência.

[5] Mesmo aquelas imposições que são mais desagradáveis para a carne e o sangue são boas para nós; e o nosso Mestre não exige nada de nós, exceto o que Ele sabe que é par a o nosso bem.

3.Que os homens se divorciassem de suas esposas quando não gostassem delas, ou por qualquer outro motivo que não fosse o adultério, por mais tolerado e praticado que fosse este motivo entre os judeus, era uma violação do sétimo mandamento, pois abria uma porta para o adultério (vv. 31, 32). Observe aqui:

(1) Como ficava o assunto agora, com relação ao divórcio. Foi dito (Ele aqui não diz como antes: “Foi dito aos antigos”, porque este não era um preceito, como eram aqueles. Embora os fariseus estivessem inclinados a compreendê-lo assim, cap. 19.7, esta era somente uma permissão): “Qualquer que deixar sua mulher; que lhe dê carta de desquite”. Em outras palavras, que o homem não pense em fazê-lo somente em palavras, quando estiver aborrecido, mas que o faça deliberadamente, por um instrumento legal por escrito, confirmado por testemunhas; se ele dissolver a ligação matrimonial, que ele o faça solenemente. Assim a lei tinha evitado divórcios intempestivos e apressados, e talvez no início, quando a escrita não era tão comum entre os judeus, tivesse tornado raros os divórcios. Mas com o passar do tempo, o divórcio acabou ficando muito comum, e esta orientação de como fazê-lo, quando houvesse justa causa para ele, se transformou em uma permissão para ele, com qualquer causa (cap.19.3).

(2) Corno esta questão foi corrigida pelo nosso Salvador. Ele reduziu o ritual do casamento à sua instituição primitiva: eles serão uma única carne, não facilmente separável, e, portanto, o divórcio não deve ser permitido, exceto em caso de adultério, que rompe o pacto de casamento. Aquele que repudia a sua esposa com qualquer outra desculpa faz com que ela cometa adultério, e também o faz aquele que se casa com a repudiada. Observe que aqueles que levam os outros à tentação do pecado, ou os deixam na tentação, ou ainda os expõem a ela, se tornam também culpados do pecado, que lhes será imputado. Esta é uma forma de ter a sua parte com os adúlteros (Salmos 50.18).

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A dinamica da felicidade

A DINÂMICA DA FELICIDADE

Afinal, quem é feliz? Por que algumas pessoas são mais felizes que outras? Qual a relação entre a riqueza material e a felicidade? Quais características, traços, atributos e circunstâncias marcam as vidas felizes?

O que faz um homem ou uma mulher feliz tem sido objeto de atenção desde os tempos mais antigos e as respostas têm variado desde o materialismo, que busca a felicidade nas condições externas, até o espiritualismo, que a firma que a felicidade é o resultado de uma atitude mental. Se Aristóteles, em seu tempo, já havia notado que os seres humanos valorizavam um grande número de coisas como a saúde, fama e aquisição de bens materiais, porque acreditavam que estas os tornariam felizes, nós na contemporaneidade, também valorizamos a felicidade pelo bem-estar que ela nos proporciona. Assim, felicidade é o único objetivo intrínseco que as pessoas procuram para o seu próprio bem. ou seja, é a linha de base para todos os desejos.

 ANTECEDENTES FILOSÓFICOS

Não foi somente Aristóteles que abordou a felicidade. Outros filósofos, como John Locke e Jeremy Bentham, por exemplo também o fizeram e entendiam que uma boa sociedade é aquela que permite uma maior quota de felicidade para um maior número de pessoas.

Em particular, Locke estava consciente da futilidade de se buscar a felicidade sem qualificações e argumentou que era necessário buscá-la com prudência, isto é, as pessoas não deveriam confundir a felicidade imaginária com a felicidade real. Parece que Locke se inspirou no filósofo grego Epícuro, que há 2300 anos enfatizou claramente que, para gozar uma vida feliz, devemos desenvolver a autodisciplina. O materialismo de Epícuro era solidamente baseado na habilidade de procrastinar a gratificação de modo que, para ele, a felicidade poderia, algumas vezes, ser adiada caso a convivência momentânea com a dor servisse, de algum modo, para evitar uma dor maior.

Todavia, está não é a imagem que muitas pessoas têm atualmente do Epicurismo. A visão popular é que o prazer e o conforto material devem ser sempre alcançados, quaisquer que sejam, e que eles, sozinhos, melhorarão a qualidade de vida das pessoas. Com o avanço tecnológico promovendo a longevidade, parece plenamente justificada a esperança de que as recompensas materiais possam trazer uma melhor qualidade de vida. Entretanto, o século XXI está deixando claro que a solução não é tão simples assim. Ainda que os habitantes das nações industrializadas mais ricas estejam vivendo períodos de riqueza sem precedentes, os mesmos não dão indício de estarem mais satisfeitos com sua vida do que estavam antes. Ou seja, a melhoria de vida não equivaleu a uma maior felicidade.

A PSICOLOGIA POSITIVA

Apesar do reconhecimento de que a felicidade é um objetivo fundamental da vida, tem havido um progresso muito lento no entendimento do que consiste a felicidade e quais os fatores que a caracterizam. A psicologia, por exemplo, tendo redescoberto esse tópico recentemente, tem procurado tratá-lo nos domínios da Psicologia Positiva ou Psicologia do Funcionamento Ótimo. De fato, desde a criação do primeiro laboratório de Psicologia Experimental, por Wundt, em 1879, a Psicologia, como Ciência, tem focalizado mais a doença do que a saúde, mais o medo do que a coragem, mais a agressão do que o amor.

Embora seja plenamente compreensível que muito da atenção dos psicólogos se dirija com maior ênfase para a compreensão do sofrimento humano, vislumbra-se, no início deste milênio, uma Psicologia mais preocupada com a investigação científica do bem-estar subjetivo. E, para isto, duas questões têm sido formuladas: quão felizes são as pessoas? E quais são as pessoas felizes e que características, traços e circunstâncias marcam a vida dessas pessoas?

DINHEIRO VERSUS FELICIDADE

Dados epidemiológicos e levantamentos estatísticos sobre patologias sociais, obtido nos Estados Unidos, servem de evidências indiretas para mostrar que atualmente, as pessoas não são mais felizes do que os seus antepassados. De fato, os dados mostram que duplicaram ou mesmo triplicaram os crimes violentos, os colapsos familiares e os sintomas, sinais psicossomáticos desde a última metade do século passado. Se o bem-estar material conduz a felicidade, por que nem a solução capitalista nem a socialista parecem funcionar? Por que uma grande multidão, vivendo sob a abundância capitalista, está se tornando crescente entre viciados em drogas para dormir, para se animar, para se manter em forma/elegância e para escapar do tédio e da depressão? Porque os suicídios e a solidão são problemas crônicos na Suécia, que tem aplicado os melhores princípios socialistas para fornecer segurança material aos seus habitantes?

Evidências diretas sobre a relação ambígua entre bem-estar material e bem-estar subjetivo se originam dos estudos sobre felicidade que os psicólogos, finalmente, empreenderam, após um longo período de atraso em que a pesquisa sobre felicidade era considerada muito elementar e sem rigor para ser empreendida experimentalmente.

Certamente é verdade que estes estudos são baseados somente em levantamentos envolvendo registros verbais e em escalas que podem ter diferentes significados dependendo da cultura e da linguagem nas quais são escritas. Não obstante, até o presente momento, estes trabalhos representam o estado de uma arte que, inevitavelmente, se tornará mais precisa com o decorrer do tempo.

Estes estudos mostraram que comparações entre nações indicam uma correlação razoável entre a riqueza de um país, como mensurada pelo seu Produto Interno Bruto (PIB), e a felicidade avaliada pelos registros verbais de seus habitantes. Os habitantes da Alemanha e do Japão, por exemplo, nações com um PIB duas vezes maior que o PIB da Irlanda, registraram, todavia, níveis menores de felicidade. Comparações dentro dos países mostraram relações muito mais fracas entre o bem-estar material e o bem-estar subjetivo. Por exemplo, em um estudo no qual foram analisados alguns dos indivíduos mais ricos dos Estados Unidos constatou-se que os níveis de felicidade deles se situavam ligeiramente acima dos indivíduos com um rendimento mediano.

Em outro estudo foi analisado um grupo de ganhadores na loteria e dele se concluiu que, apesar deste aumento repentino na riqueza, o nível de felicidade não foi diferente daquele das pessoas injuriadas por traumas, tais como cegueira ou paraplegia. Outro estudo envolvendo um escalonamento nacional, realizado nos Estados Unidos, também mostrou que o fato de se ter mais dinheiro para gastar não necessariamente conduz a um nível maior de bem-estar subjetivo. Os dados mostram que embora os valores dos rendimentos pessoais, ajustados depois dos descontos do imposto de renda, tenham praticamente dobrado entre os anos de 1960 e1990, a porcentagem de pessoas se auto relatando muito felizes permaneceu praticamente inalterada, por volta de 30%. Logo, apesar da evidência de que a relação entre riqueza material e felicidade é, na melhor das hipóteses, fraca, muitas pessoas se apegam à noção de que os seus problemas seriam facilmente resolvidos se elas tivessem unicamente mais dinheiro.

Face a estes fatos, parece-nos que uma das mais importantes tarefas dos psicólogos será entender melhor a dinâmica da felicidade e imediatamente comunicar estes resultados a um grande público. Se uma das principais justificativas para a existência da Psicologia é ajudar a  reduzir o estresse e suportar o bem-estar psíquico, então os psicólogos deveriam tentar prevenir a desilusão que se origina quando as pessoas sentem que gastaram uma grande parte de sua vida se esforçando para alcançar objetivos que não podiam satisfazê-las completamente. Os psicólogos deveriam, então, ser hábeis em fornecer alternativas que, em longo prazo, conduzissem a uma vida mais recompensadora.

RAZÕES SOCIOCULTURAIS E PSICOLÓGICAS

Há, entre outras, quatro principais razões que explicam a falta de uma relação direta entre o bem-estar material e a felicidade. As duas primeiras são sócio culturais e as duas últimas, são de natureza mais psicológica. A primeira razão é o nível de aspiração ou o escalonamento das expectativas. Se uma pessoa se empenha em alcançar certo nível de riqueza pensando que isto a tomará mais feliz, logo verificará que, ao alcançar este nível, ela se tornará rapidamente habituada e que neste ponto ela almejará o nível seguinte de rendimento, propriedade ou boa saúde.

Assim, não é o tamanho objetivo da recompensa, mas sim sua diferença em relação ao nível de adaptação de uma dada pessoa que fornece o valor subjetivo.

A segunda razão está relacionada à primeira. Quando os recursos são desigualmente distribuídos, as pessoas avaliam suas posses e não pelo que elas de fato necessitam para viver em conforto, mas sim, em comparação com aquelas pessoas que têm mais. Deste modo, as pessoas relativamente abastadas sentem-se pobres em comparação àquelas muito ricas e são, por consequência, infelizes. Este fenômeno denominado de privação relativa, parece ser relativamente universal e bem robusto. Por sua vez, a terceira razão é que a riqueza material isoladamente, não é bastante paro fazer uma pessoa feliz. Outras condições, como por exemplo, ter uma vida familiar satisfatória, ter amigos íntimos e ter tempo para refletir e buscar diversos interesses têm sido relacionadas com a felicidade. Não há certamente qualquer razão intrínseca para que estes dois conjuntos de recompensas – a material e a sócio emocional – sejam mutuamente exclusivos. Na prática, todavia, é muito difícil reconciliar suas demandas conflitantes. Logo, as vantagens materiais nem sempre são prontamente traduzidas em benefícios sociais e emocionais.

A quarta razão é corroborada pelo fato de que, à medida que muito de nossa energia psíquica torna-se investida em objetivos materiais, é comum que a nossa sensibilidade para outras recompensas se atrofie. Amizade, arte, literatura, beleza natural, religião e filosofia tornam-se cada vez menos interessantes. O economista sueco Stephen Linder certa vez mencionou que, quando os rendimentos aumentam, e, por consequência, o valor do tempo de uma pessoa aumenta, torna-se cada vez menos ”racional” gastá-lo e m algo além de obter dinheiro ou gastá-lo com conspicuidade. O custo da resposta de brincar com uma criança, ler uma poesia ou atender a uma reunião familiar torna-se bastante alto e, assim, a pessoa para de fazer tais coisas, achando-as irracionais.

Eventualmente uma pessoa que responde apenas às recompensas materiais torna-se cega para qualquer outro tipo e perde” habilidade paro derivar a felicidade de outras fontes. Como quaisquer vícios, em geral as recompensas materiais, num primeiro momento, enriquecem a qualidade de vida e, talvez, devido a isso, tendamos a concluir que, quanto mais, melhor. Porém, a vida raramente é linear; em outros casos, o que é bom, em pequenas quantidades torna-se corriqueiro, e então, perigoso em doses maiores. A dependência dos objetivos materiais é bastante difícil de evitar, em parte, porque nossa cultura tem, progressivamente, eliminado alternativas que no passado foram usadas para dar significado e: propósito a nossa vida.

Muitos historiadores têm afirmado que as culturas passadas forneceram uma grande variedade de modelos atrativos para viver com sucesso. Uma pessoa pode ser valorizada e admirada pelo fato de ser um santo, um sábio, um bom escultor, um patriota ou um cidadão honesto. Nos dias do hoje a lógica de reduzir cada coisa a uma medida mensurável, tem feito do dinheiro uma métrica comum pela qual se avalia cada aspecto das ações humanas. Com isso, uma pessoa e suas realizações são, atualmente, valorizadas muito mais pelo preço que alcançam no mercado. Assim, não é surpreendente que um grande número de pessoas sinta que a única maneira de alcançar uma vida feliz é acumulando todos os bens materiais que podem caber em suas mãos. Aliás, muitos gostariam de ter só mãos em seu corpo. Importante novamente mencionar que não estamos sugerindo que as recompensas materiais de riqueza, saúde, conforto e fama sejam depreciativas da Felicidade. Estamos apenas afirmando que após um limiar mínimo – variável com a distribuição dos recursos numa dada sociedade – estas recompensas parecem ser irrelevantes.

 A PSICOLOGIA DA FELICIDADE

Sendo assim, uma alternativa ao enfoque materialista é a solução denominada psicológica. Este enfoque é baseado na premissa de que, se a felicidade é um estado mental, as pessoas poderiam ser hábeis em controla-la por meios cognitivos. Naturalmente, é possível também controlar a mente farmacologicamente. Cada cultura tem desenvolvido drogas que variam desde a heroína até o álcool num esforço para melhorar a qualidade da experiência por meios químicos diretos. Todavia, ao bem-estar quimicamente induzido, falta um ingrediente vital para a felicidade: o conhecimento de que alguém é responsável por tê-la realizado. Felicidade não é alguma coisa que acontece para as pessoas, mas sim alguma coisa que elas fazem acontecer. Esta é a diferença fundamental.

O enfoque psicológico da felicidade, portanto, considera exclusivamente os processos em que a consciência humana usa a sua habilidade de auto-organização, para realizar um estado interno positivo por meio de seus próprios esforços, sem depender de qualquer manipulação externa do sistema nervoso. Há várias maneiras de programar a mente para aumentar a felicidade ou pelo menos para evitar ser infeliz. Algumas religiões têm feito isso prometendo uma vida eterna de felicidades após a nossa existência terrena. Outras religiões têm desenvolvido técnicas complexas para controlar o fluxo de pensamentos e de sentimentos e, portanto, fornecer os meios para expulsar o conteúdo negativo da consciência. Algumas das disciplinas mais radicais e sofisticadas para o auto­controle da mente foram desenvolvidas na Índia, culminando com os ensinamentos budistas de 25 séculos atrás. independentemente da verdade de seu conteúdo, a fé, numa ordem sobrenatural parece enriquecer o bem-estar subjetivo.

De fato, levantamentos têm indicado que há uma baixa, mas consistente correlação entre religiosidade e felicidade. A Psicologia contemporânea tem desenvolvido várias soluções que compartilham destas premissas das tradições antigas, mas diferem, drasticamente, em conteúdo e detalhes. O que é comum nela, é a suposição de que técnicas cognitivas, atribuições, atitude e estilos perceptivos podem ajudar a mudar os efeitos das condições materiais na consciência ajudar a reestruturar os objetivos das pessoas e consequentemente, melhorar a qualidade da experiência.  Muitos estudiosos têm desenvolvido seus conceitos teóricos com suas próprias implicações preventivas e terapêuticas.

A EXPERIÊNCIA AUTOTÉLICA

Assim estabelecido, cumpre lembrar que uma das noções recentemente introduzida para explicar a felicidade é aquela denominada experiência autotélica ou de personalidade autotélica. O conceito descreve um tipo particular de experiência que é tão absorvente e prazerosa que ela se torna autotélica, isto é, valorosa por fazer algo para o seu próprio bem, mesmo que não tenha qualquer consequência externa. Atividades criativas, música, esportes, jogos e rituais religiosos são alguns exemplos típicos deste tipo de experiência. As pessoas autotélicas são aquelas que têm com frequência mais tipos de experiências, independente do que elas estejam fazendo.

Muitos estudos têm sugerido que a felicidade depende de uma pessoa ser capaz de derivar experiências autotélicas a partir de qualquer coisa que ela faz. Em adição, os dados têm mostrado que este tipo de experiência não é limitada aos empenhos criativos. Ela também pode ser encontrada nos adolescentes que adoram, estudar, nos trabalhadores que apreciam os seus trabalhos e aos motoristas que adoram dirigir. Este tipo de experiência tem algumas características comuns. Primeiro, as pessoas reportam que conhecem muito claramente o que elas têm de fazer, passo a passo, em parte porque elas conhecem o que cada atividade exige e, em parte, porque elas estabelecem com clareza os objetivos de cada passo ou atividade. Segundo, as pessoas podem obter feedback imediato sobre o que estão fazendo. Novamente, pode ser porque as atividades fornecem informações sobre o desempenho ou porque as pessoas têm um padrão interno que torna possível conhecer se as ações realizadas alcançam aquele padrão internalizado. Finalmente, uma personalidade autotélica sente que suas habilidades para agir se emparelham às oportunidades para a ação. Se o desafio é muito maior para as habilidades de um a pessoa, provavelmente ela sentirá ansiedade ou angústia, se as habilidades são maiores que os desafios, a pessoa se sentirá entediada. Quando, porém, os desafios estão em perfeito equilíbrio com as habilidades, a pessoa se sentirá envolvida e encantada com a atividade e uma experiência genuinamente autotélica resultará

Em resumo, as pessoas autotélicas tendem a registrar mais frequentemente estados emocionais positivos. Sentem que sua vida é mais significativa e têm mais objetivos. Esse conceito de experiência autotélica nos ajuda a explicar as causas contraditórias, e algumas vezes conflitantes, do que nós usualmente denominamos de felicidade. Ele explica porque é possível alcançar estados de bem-estar subjetivos por meio de diferentes caminhos: as pessoas são felizes não por causa do “que” fazem, mas, por causa de “como” elas fazem. Devemos ter prazer num dado estado mental, para nos          beneficiarmos dele. Em outras palavras, o pré-requisito para a felicidade é a habilidade de estar completamente envolvido com a vida. Se as condições materiais são abundantes, tanto melhor, mas a falta de riqueza, ou de saúde, não pode impedir uma pessoa de ter experiências autotélicas. quaisquer que sejam as circunstâncias que ela tenha em mãos.

É necessário também encontrar satisfação na realização de atividades que são complexas e que o fornecem um potencial para o crescimento. durante toda a vida e que, também, permitem a emergência de novas oportunidades para a ação e a estimulação de novas habilidades. Quando experiências positivas derivam-se de atividades físicas, mentais ou de envolvimentos emocionais plenos oriundos do trabalho, dos esportes, dos hobbies, da meditação e das relações interpessoais, então as chances para uma vida complexa que levam à felicidade certamente aumentam. Devemos finalmente lembrar, tal como John Locke alertou, que as pessoas não devem confundir felicidade imaginária com a felicidade real e enfatizar, tal como Platão fez há 25 séculos, que a tarefa mais urgente de nossos educadores é ensinar os nossos jovens a encontrar prazer nas coisas certas. Felicidade é a harmonia entre o pensar, o dizer e o fazer. (Mahatma Gandhi).

 

GESTÃO E CARREIRA

Sem sair de casa

SEM SAIR DE CASA

Cursos à distância ajudam a desenvolver novas competências e a se atualizar no mercado. Há bons conteúdos gratuitos disponíveis na internet.

Quem quer aprender sem sair de casa e busca horários mais flexíveis para estudar pode apostar nos cursos de ensino a distância. Plataformas como Veduca, Miríada, Iped e Coursera oferecem uma infinidade de opções e colocam os interessados em contato com renomadas universidades do Brasil e do mundo, como as americanas Harvard e Stanford. E há, claro, alguns conteúdos que despontam como os mais populares nos últimos meses. “Na nossa plataforma, a Miríada, vemos uma grande busca por cursos relacionados aos segmentos de tecnologia, empreendedorismo, sustentabilidade e marketing”, diz Luís Cabanas, diretor-geral da Universia Brasil. Segundo consultores de RH, áreas como de gestão de pessoas, engenharia, energia e segmento financeiro devem ser as primeiras a retomar as contratações em 2017 e podem ser uma boa opção para quem busca se atualizar.

Como existem centenas de opções, é interessante fazer uma triagem na hora de escolher o curso. “É importante consulta r o conceito desses programas nas avaliações dos órgãos reguladores e a opinião de ex-alunos”, diz Luís. Apesar de ser um modelo flexível de aprendizado, é essencial formatar uma rotina. Organizar uma agenda de estudos com uma carga horária ao longo da semana compatível com os compromissos e buscar um ambiente favorável para o estudo – com uma boa conexão à internet – também pode ajudar. E nem adianta usar a desculpa de que está sem dinheiro. Vários conteúdos são gratuitos – a única restrição é que alguns não emitem certificado sem cobrar por isso. Confira a seguir dez cursos online que vão ajudar você a se desenvolver.

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GESTÃO DE PROJETOS

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TECNOLOGIA – SEGURANÇA CIBERNÉTICA

INSTITUIÇÃO: Coursera / Universidade da Geórgia

Por meio de estudos de caso, o curso ajuda a aprimorar os conhecimentos em segurança cibernética, governança e gestão de riscos, segurança no desenvolvimento de software, controle de acesso, segurança de rede, arquitetura de segurança, operações de segurança e segurança física e ambiental. Indicado para profissionais de TI ou interessados no assunto.

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CONSULTORIA E INVESTIMENTOS FINANCEIROS

INSTITUIÇÃO: Fundação Getúlio Vargas

A proposta é analisar o papel dos agentes econômicos- dos poupadores e dos investidores -de modo a compreender a necessidade da intermediação financeira na economia. Direcionado para profissionais de finanças e negócios.

CARGA HORÁRIA: 30 horas, com certificado.

IDIOMA: português

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PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DE LÍDERES GLOBAIS

INSTITUIÇÃO: ESPM

O curso visa capacitar os profissionais a gerir as tensões causadas pelas diferenças culturais e a criar valores a partir da diversidade de seu time de trabalho, elaborando estratégias com escopo global e ação local. Válido para aqueles que almejam expatriações.

CARGA HORÁRIA: 16 horas, com certificado

IDIOMA: português

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LINK: http://bit.ly/líderes_globais

 

LIDERANDO SABIAMENTE

INSTITUIÇÃO: TED e Veduca

Em 11 aulas, especialistas em liderança explicam o que faz com que alguém se torne um líder excelente. Entre as palestras, Simon Sinek, consultor de gestão inglês, mostra como construir uma

Liderança inspiradora; Sherryl Sandberg, COO do Facebook, comenta por que poucas mulheres alcançam cargos altos; e ltay Talgam, maestro e consultor empresarial, explica o que os grandes maestros podem ensinar sobre gestão de pessoas.

                                  CARGA HORÁRIA: 165 minutos

                                  IDIOMA: inglês, com legendas em português

                                  VALOR: gratuito

                                  LINK: http://bít.ly/liderandosabiamente

GESTÃO E AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS

INSTITUIÇÃO: Fundação Getúlio Vargas

Quem ministra as aulas é o especialista Enrique Saravia, doutor em direito pela Université de Paris 1 – Panthéon-Sorbonne e ex-diretor do Projeto das Nações Unidas OCE Reforma do Estado na América Latina e no Caribe. O material analisa os métodos de gestão e avaliação de políticas públicas, especialmente em períodos de privatizações.

CARGA HORÁRIA: 30 horas, com certificado

IDIOMA: português

VALOR: 920 reais

LINK:http://bit.ly/políticas_púlbicas_fgv

 

 

NEGOCIAÇÕES DE SUCESSO: ESTRATÉGIAS E HABILIDADES ESSENCIAIS

INSTITUIÇÃO: Coursera / Universidadede Michigan

Introdução prática e holística às estratégias e habilidades que podem levar a negociações de sucesso na vida pessoal e nas transações de negócios. Indicado para profissionais de todas as áreas.

CARGA HORÁRIA: 9 horas

IDIOMAS: inglês e espanhol

VALOR: gratuito

LINK: http://bit.ly/negociaçõesdesucesso