ALIMENTO DIÁRIO

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MATEUS 5: 17-20

Continuação do Sermão da Montanha

Aquelas pessoas às quais Cristo pregou, e aquelas que estão relacionadas a estas instruções que o Senhor deixou aos seus discípulos, eram indivíduos que, na sua religião observavam:

1. As Escrituras do Antigo Testamento como sua regra, e neste sentido Cristo aqui mostra que eles estão certos.

2. Os escribas e os fariseus como seu exemplo, e neste senti do Cristo aqui mostra que estão errados, pois:

 I – A lei que Cristo veio estabelecer concordava com exatidão com as Escrituras do Antigo Testamento, aqui chamada de a lei e os profetas. Os profetas eram os comentaristas da lei, e, juntos, os profetas e a lei, criaram aquela lei de fé e prática que Cristo encontrou no trono da sinagoga judaica; e aqui Ele a mantém no trono.

1. Jesus protesta contra a ideia de anular e enfraquecer o Antigo Testamento: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas”.

(1) Em outras palavras “Não deixemos que os judeus religiosos, que têm grande apreço pela lei e pelos profetas, temam que Eu tenha vindo para destruí-los”. Não deixemos que eles tenham preconceito contra Cristo e a sua doutrina, devido a uma inveja deste reino que Ele veio estabelecer, o que pode soar como um menosprezo da honra das Escrituras que eles aceitavam como vindas de Deus e das quais eles sentiam o poder e a pureza. Não. Deixemos que eles fiquem satis feitos por verem que Cristo não tem nenhum mau desígnio em relação à lei ou aos profetas. Em outras palavras:

(2) “Não permitamos que os judeus profanos, que não consideram a lei ou os profetas, e que estão cansados daquele jugo, achem que Eu vim para destruir a lei ou os profetas”. Não permitamos que os libertinos carnais imaginem que o Messias veio para libertá-los da obrigação dos preceitos divinos, e ainda assim assegurar-lhes as promessas divinas, para fazê-los felizes e dar-lhes permissão para viver como desejarem. Cristo não ordena nada agora que fosse proibido, fosse pela lei da natureza ou pela lei moral, nem proíbe qualquer coisa que aquelas leis obrigassem. É um grande engano pensar que Ele faz isto, e aqui Ele toma cuidado para corrigir este engano. “Não cuideis que vim destruir”. O Salvador das almas não destrói nada, a não ser as obras do diabo; Ele não destrói nada que venha de Deus Pai, muito menos aqueles excelentes preceitos que temos de Moisés e dos profetas. Não. Ele veio para cumpri-los. Isto é:

[l]. Ele veio par a obedecer aos mandamentos da lei, pois Ele nasceu sob a lei (Gálatas 4.4). Em todos os aspectos, Ele mostrava obediência à lei, honrava os seus pais, observava o sábado judeu, orava, dava esmolas e fazia o que ninguém mais fazia – obedecendo perfeitamente -, e jamais infringiu qualquer ponto da lei.

[2]. Para cumprir as promessas da lei e as predições dos profetas, de que todos deram testemunho dele. O concerto da graça é, basicamente, o mesmo agora que era naquela época, e Cristo é o seu Mediador.

[3]. Para responder aos símbolos da lei; assim (como expressa o bispo Tillotson), Ele não esvaziou, mas cumpriu a lei cerimonial, e se manifestou como sendo a Essência de todas aquelas sombras.

[4]. Para reparar as suas imperfeições, e assim completá-la e aperfeiçoá-la. Dessa forma, a palavra plemsai tem um significado de quando. Se considerarmos a lei como um recipiente que anteriormente continha alguma água, podemos entender que Ele não veio para jogar a água fora, mas para encher o recipiente até o topo. Ou ainda, podemos considerar a lei como uma imagem que é um primeiro esboço, e que exibe alguns traços somente para delinear a peça que se pretende confeccionar; posteriormente, estes traços são completados. Assim, Cristo aprimorou a lei e os profetas, através das suas adições e explicações.

[5]. Para prosseguir com o mesmo desígnio. As instituições cristãs estão tão longe de distorcer e contradizer aquilo que era o principal desígnio da religião judaica, que o promovem ao máximo. O Evangelho é o tempo da correção (Hebreus 9.10), não para rejeitar a lei, mas para corrigi-la e, consequentemente, estabelecê-la.

2. Ele declara a perpetuidade da lei; não apenas que Ele não desejava ab-rogá-la, mas que ela nunca dever ia ser ab-rogada (v. 18). “Em verdade, vos digo” que Eu, o Amém, a Testemunha fiel, solenemente declaro que “até que o céu e a terra passem”, quando não existir mais tempo e o estado imutável das recompensas substituir todas as leis, “nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido”. Pois o que é que Deus está fazendo em todas as operações, tanto de providência como de graça, a não ser cumprir as Escrituras? O céu e a terra se unirão, e serão completamente envolvidos em ruína e confusão, antes que qualquer palavra de Deus caia ao chão ou seja em vão. A palavra do Senhor permanece para sempre, tanto a da lei como a do Evangelho. Observe que o cuidado de Deus, a respeito da sua lei, se estende até mesmo aquelas coisas que parecem ser menos importantes nela, o jota e o til; pois o que quer que pertença a Deus, e leve a sua marca, por menor que seja, será preservado. As leis dos homens são tão patentemente imperfeitas (e todos temos consciência dessa imperfeição), que permitem urna máxima: Apicesjuris non sunt jura-o. pontos extremos da lei não correspondem à lei; porém Deus estará a postos e manterá cada jota e cada til da sua lei.

3. Ele dá aos seus discípulos a missão de preservar cuidadosamente a lei, e lhes mostra o perigo de negligenciá-la e menosprezá-la (v. 19). “Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos”, da lei de Moisés (quanto mais um dos maiores, como faziam os fariseus, que negligenciavam os aspectos mais importantes da lei), “e assim ensinar aos homens” (como eles faziam, anulando os mandamentos de Deus com suas tradições, cap. 15.3), “será chamado o menor no Reino dos céus”. Embora os fariseus pudessem se denominar os melhores professores possíveis, eles não seriam usados como professores no reino de Cristo. ”Aquele, porém, que os cumprir e ensinar” (como fariam os discípulos de Cristo, portanto provando ser melhores amigos do Antigo Testamento do que os fariseus eram, embora desprezados pelos homens), “será chamado grande no Reino dos céus”. Observe:

(1) Entre os mandamentos de Deus há alguns menores que outros; nenhum deles é pequeno de maneira absoluta, mas de forma comparativa. Os judeus reconhecem o menor dos mandamentos da lei como sendo aquele que fala do ninho de ave (Deuteronômio 22.6,7); mesmo ele, no entanto, tem um significado e uma intenção bastante considerável.

(2) É uma coisa perigosa, na doutrina ou na prática, revogar o menor dos mandamentos de Deus; infringi-lo, isto é, agir de modo a diminuir a sua abrangência ou enfraquecer a sua obrigatoriedade; quem fizer isto estará correndo riscos. Assim, invalidar qualquer um dos dez mandamentos é um golpe ousado demais para que o Deus zeloso possa condescender. É algo além de transgredir a lei, é quebrantar a lei (SaImos 119 .126).

(3) Quanto mais corrupção eles espalham, piores eles são. Infringir o mandamento já é atrevimento suficiente, mas é muito pior ensinar os homens a fazê-lo. Claramente, isto se refere àqueles que, nesta época, se assentavam na cadeira de Moisés e pelos seus comentários corrompiam e desvirtuavam o texto. Opiniões que tendem à destruição da religiosidade séria e dos fundamentos da religião cristã, por meio de observações corruptas às Escrituras, são suficientemente ruins quando defendidas, mas piores quando propagadas e ensinadas como se fossem a Palavra de Deus. Aquele que faz isto será chamado o menor no Reino dos céus, o reino da glória; ele nunca irá para lá, mas será eternamente excluído- Ele não fará parte do reino da igreja do Evangelho. Ele estará tão longe de merecer a dignidade de um professor no reino, que nem chegará a ser considerado um membro dele. O profeta que ensina estas falsidades é a cauda naquele reino (Isaias 9.15); quando a verdade aparecer em sua própria evidência, estes professores corruptos, embora valorizados como os fariseus, não serão considerados juntamente com os sábios e os bons. Nada torna os ministros mais desprezíveis e indignos do que corromper a lei (Malaquias 2.8,11). Aqueles que atenuam e incentivam o pecado, discordando e desprezando a severidade na religião, assim como a seriedade na devoção, são uma contam inação na igreja. Mas, por outro lado, são verdadeiramente honrados e de grande responsabilidade na igreja de Cristo aqueles que dedicam a sua vida e doutrina a promover a pureza e a severidade da religião prática, que tanto fazem como ensinam o que é bom, pois os que não fazem o que ensinam derrubam com uma mão o que edificam com a outra. Estes se entregam à mentira, e tentam os homens a pensar que a religião como um todo é um engano. Mas aqueles que falam com experiência, que vivem o que pregam, são verdadeiramente grandes; eles honram a Deus, e Deus os honrará (1Samuel 2.30), e no futuro irão brilhar como astros no reino do nosso Pai.

II – A justiça que Cristo veio estabelecer com esta lei deve exceder a dos escribas e fariseus (v. 20). Esta era uma estranha doutrina para aqueles que consideravam os escribas e fariseus como tendo chegado à posição mais elevada na religião. Os escribas eram os professores mais admirados da lei, e os fariseus os seus mestres mais celebrados, e ambos se assentavam na cadeira de Moisés (cap. 23.2) e tinham tal reputação entre o povo, que eram considerados como completamente adaptáveis à lei e as pessoas não se consideravam obrigadas a ser tão boas quanto eles eram. Portanto, foi uma grande surpresa para eles ouvir que deviam ser melhores do que os fariseus e os escribas, ou não iriam para o céu. Desta maneira, Cristo aqui declara com solenidade: “Vos digo”, ou seja, é assim. Os escribas e os fariseus eram inimigos de Cristo e da sua doutrina, e eram grandes opressores, e ainda assim deve ser reconhecido que eles consideravam isto um elogio. Eles oravam e jejuavam muito e davam esmolas; eram pontuais na observância dos compromissos cerimoniais e a sua função era ensinar os outros; eles tinham tal interesse pelas pessoas, que achavam necessário que, se somente dois homens fossem ao céu, um deles seria um fariseu. Mas aqui o nosso Senhor Jesus diz aos seus discípulos que a religião que Ele veio estabelecer não somente exclui a maldade, mas supera a bondade dos escribas e dos fariseus. Nós precisamos fazer mais do que eles, e melhor do que eles, ou não chegaremos ao céu. Nós éramos parciais na lei, e atribuíamos mais importância à sua parte ritual. Mas nós devemos ser universais, e não pensar que é suficiente dar à igreja o nosso dízimo, mas dar a Deus os nossos corações. Eles se preocupavam somente com o exterior, mas nós devemos ter consciência da religiosidade interior. Eles procuravam o elogio e o aplauso dos homens, mas nós devemos procurar a aceitação de Deus; eles se orgulhavam do que faziam na religião, e confiavam que o que faziam era justiça; mas nós, quando tivermos feito tudo, precisamos negar a nós mesmos e dizer: “Somos servos inúteis”, e confiar somente na justiça de Cristo, e desta forma poderemos ir além dos escribas e dos fariseus.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

Síndrome do ninho vazio

SÍNDROME DO NINHO VAZIO

Por que muitos casais trocam a sensação de missão cumprida depois de tanta dedicação aos filhos pelo sentimento de falta e perda?

Lídia e João se conheceram numa festa. Foi paixão à primeira vista. Os dois estavam no início de carreira e tiveram que trabalhar duro para poder se casar. Curtiram pouco a vida no começo do casamento, pois logo chegaram os filhos. Lídia, então, adiou seus projetos profissionais. Diminuiu os horários que dedicava ao consultório para incumbir-se do papel de mãe. Sentiu como compensadora a escolha porque adorava ficar com as crianças e acompanhar de perto tudo o que faziam.

Passado algum tempo, ela começou a sentir dificuldade em equilibrar seus diversos papéis: esposa, mãe, profissional e dona-de-casa.

Principalmente, o de esposa, pois João vinha fazendo muitas queixas a esse respeito. Com este exemplo, poderíamos dizer que o casal se enquadraria na categoria “casal administrativo”. Eles cuidaram da bom funcionamento da casa e dos filhos. Porém, a relação ficou em segundo plano. Deixaram de cultivar o relacionamento.

O tempo passou. Os filhos cresceram. Saíram de casa. Até aí, sem problemas, a vida seguiu seu curso. E quando poderíamos pensar que cudo está certo, não, não está. Lídia entrou em depressão. E vem a pergunta: mas o que aconteceu? Aconteceu que ela se desdobrou a vida inteira para que tudo se desenvolvesse de maneira harmoniosa com seus filhos. Ela deu o seu melhor e conseguiu: seus filhos são pessoas bem-sucedidas, com boa inserção profissional e social e estão bem casados.

Novamente, tudo bem até aí. Mas Lídia incorreu num erro ao depositar uma grande expectativa em seus filhos. Ela, emocionalmente, não os criou para o mundo, embora na teoria concordasse ser esse o caminho natural da vida. Na prática, não é o que ela sente quando, por exemplo, liga para o flho e ele lhe responde com monossílabos. E, ainda, depois de vários convites para um almoço ele chega arrasado engole a comida e vai embora.

Quando a mulher faz muitas renúncias em relação aos filhos, sem se dar conta, quer ser recompensada. E, geralmente, transforma-se naquele tipo de mãe que faz cobranças quando os filhos já são adultos. Para uma mãe é extremamente difícil fazer este tipo de reconhecimento. Na prática, não é o que ocorre.

Esta mulher, no seu papel de mãe, sente que foi “roubada”. Pois deu tudo de si para seus filhos e, em troca, recebe muito pouco. E mais: sacrificou parte de sua profissão ao aceitar um emprego público, com salário medíocre em troca de liberdade e poucas horas de trabalho, para estar perto dos filhos e cuidar pessoalmente de seu desenvolvimento. Ela não soube ao longo do tempo cuidar da relação do casal. Quando João brigava com as crianças ela sempre o repreendia, considerava-o bravo demais ou muito violento. Saía sempre em defesa dos filhos. Este comportamento desgastou o relacionamento entre marido e mulher.

Conclusão: hoje Lídia se vê sem filhos, sem trabalho, porque se aposentou, casada com alguém com quem tem pouca troca e, muitas vezes, ao observar seu marido pensa estar diante de um desconhecido.

Lídia está sofrendo muito com a saída dos filhos de casa porque eles eram o centro de sua vida. Ela está apresentando o sintoma “do ninho vazio”. Este sintoma costuma aparecer quando os filhos saem de casa. Ou ainda naquelas situações em que as mulheres colocam os filhos no centro de suas vidas quando o casamento fracassa. É como se o fato de ter de quem cuidar suprisse todas as necessidades e carências desta mãe. Por isso, se a relação passa por dificuldades e conflitos é nesse momento que deve ser olhada com carinho. Pois uma relação não pode ser substituída por outra.

A mulher atualmente tem muitas funções a cumprir e todas podem lhe dar satisfação. O problema começa quando ela quer ser muito perfeccionista e o tempo é curto para cuidar de tantas tarefas. A atual mulher eu apelidei de “mulher maravilha” justamente por ser aquela pessoa que tem que dar conta de mil coisas ao mesmo tempo. Ela fica tão angustiada com tanta sobrecarga que o resultado é negativo. Ou seja, não para de se cobrar. Quando está com os filhos pensa que deveria estar com o marido, quando está com o marido pensa que deveria estar no trabalho… Não consegue ficar em paz consigo mesma. Por esta razão, muitas mulheres escolhem ficar em casa apenas cuidando dos filhos. Esta situação poderá ser atenuada quando a mulher tiver outro comportamento, ou seja, não abandonar outros setores da vida, e, com isso, apresentar melhores condições psicológicas.

É o caso de mulheres realizadas profissionalmente, que continuam trabalhando, que têm um marido com quem se entendem e vivem um relacionamento de verdadeiro companheirismo. Dessa forma, a vida continua fazendo sentido, mesmo com a saída dos filhos. Pois entendem que o ciclo não se fecha, a vida terá sua continuidade na nova dinâmica familiar. Neste contexto, com a saída dos filhos, o tempo livre será usado em benefício do casal para que, juntos, possam melhor usufruí-lo.

E em situações em que o casamento fracassou, a saída dos filhos para uma mulher mais realizada em outros setores da vida, poderá representar maior liberdade para seu próprio crescimento e desenvolvimento pessoal.

Outra situação que poderá trazer bem-estar para a mulher é quando ela reconhece a saída dos filhos como algo benéfico, incorporando a chegada de urna nora ou genro e relacionar-se bem com eles. Neste caso, ela se sentirá compensada do vazio com a chegada dos netos. Nos dias de hoje, os avós podem cobrir de forma eficaz a atenção que os pais não conseguem, muitas vezes, dar aos filhos em função da carga exaustiva de trabalho a que são submetidos.

 

MAGDALEMA RAMOS – é psicóloga e terapeuta de casais e família, coordenadora do Núcleo de Casal e Família da PUC-SP e professora do curso de Psicanálise e coordenadora do curso de formação Casal e Família à Luz da Psicanálise, ambos do Instituto Sedae Sapien em São Paulo – SP.

GESTÃO E CARREIRA

Onda sustentável

ONDA SUSTENTÁVEL

Pequenas e médias empresas aproveitam a mudança de comportamento dos consumidores e apostam em nichos orgânicos.

 Se há alguns setores que enfrentam períodos de dificuldade econômica com um pouco mais de tranquilidade, sem dúvida, o de alimentos orgânicos é um deles. Com a mudança de comportamento dos consumidores, que estão cada vez mais exigentes no quesito alimentação, esse segmento nadou de braçadas nos últimos anos. Segundo um estudo da consultoria Euro monitor, o consumo de alimentos sem adição de agrotóxicos e cultiva- do de maneira natural praticamente dobrou entre 2009 e 2014, enquanto a demanda por alimentos tradicionais cresceu 67% no período. Estima-se que anualmente esse mercado movi- mente 35 milhões de reais – e a previsão é de alta de 20% a 30% em 2018. Esses números colocam o Brasil como o quarto maior consumidor de orgânicos, atrás de Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. “Todo esse potencial pode ser explicado pelo aumento da conscientização dos consumidores, envoltos por essa onda verde. É uma tendência que demorou a chegar no Brasil, mas não tem volta”, diz Silvio Passarelli, diretor da Faculdade de Administração da Faap e especialista em marketing. “As pequenas e médias empresas ainda dominam a comercialização desses alimentos saudáveis, mas a tendência é que grandes grupos in- vistam cada vez mais nessa frente.” Em um levantamento realizado pela Dunnhumby, empresa de pesquisa do grupo varejista britânico Tesco, com 18000 pessoas de 18 países, 79% dos brasileiros disseram que saúde e nutrição são prioridades em sua vida. Esse patamar não passa de 55% no Reino Unido e de 66% nos Estados Unidos. E, segundo um relatório da Nielsen, três quartos dos consumidores leem atentamente o rótulo dos produtos e 63% desconfiam do que consta nas embalagens. É o caso da advogada paulista Sylvia Regina Rocha Batista, de 29 anos. Há cerca de oito anos ela passou a se preocupar mais com o que consome.  “Minhas idas ao supermercado ficaram mais demoradas, pois passo um bom tempo lendo a embalagem dos alimentos antes de comprar. Mas um dos maiores problemas é o preço. Certas vezes deixo de comprar por conta do valor muito mais alto do que o dos alimentos tradicionais”, diz Sylvia. Esse é mesmo um ponto de atenção desse mercado. Um dos fatores que explicam o preço ainda salgado dos produtos é a produção em baixa escala. “São centenas de pequenos produtores e empreendedores descobrindo um mercado”, afirma Silvio. A consolidação desse segmento deve gerar preços mais atrativos ao consumidor nos próximos anos.

Saúde no prato

A questão dos preços foi um dos principais pontos levados em conta para a criação da Pic-me, companhia que comercializa frutas sem conservantes, em formato de purê, uma espécie de papinha para adultos. A empresa foi fundada em outubro de 2015 por Thiago Burgers e três sócios – o grupo de investimento Joá, do apresentador Luciano Huck, uma empresa de comunicação e o presidente de uma multinacional – e vende cada embalagem por 6 reais. “Acredito que os alimentos que contêm adição de açúcar, conservantes e sódio estão com os dias contados. Por isso, resolvi fazer parte dessa revolução e trazer produtos de uma forma acessível”, diz Thiago. Para fundar a Pic-me, ele viajou para alguns países com tradição no segmento saudável e pesquisou possíveis áreas de atuação. “Notei que as frutas eram um ponto de atenção. Muitas pessoas querem comer, mas a dificuldade de transporte e a durabilidade acabam atrapalhando”, diz. Segundo um estudo da Nielsen, 96% dos brasileiros não consomem fruta fora do lar e 92% não consideram a fruta um alimento prático. Mesmo sendo fonte de vitaminas, compostos bioativos e minerais, o consumo de frutas é menor do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde justamente por conta da falta de praticidade. Para possibilitar o encontro da fome com a vontade de comer, a Pic-me desenvolveu uma embalagem com cinco camadas de plástico e alumínio, que impossibilitam a entrada de luz e umidade e impedem a oxidação do alimento. Com a embalagem, as frutas podem ser consumidas em até um ano. O processo é todo feito no Chile, que também fabrica o produto para empresas dos Estados Unidos. “Nossa expectativa é de faturar 10 milhões de reais nesse primeiro ano de funcionamento da empresa”, diz Thiago.

Além de conquistar quem se preocupa com a saúde, os alimentos orgânicos atraem outro tipo de público: os vegetarianos e veganos (que já são cerca de 20 milhões de brasileiros, segundo o Ibope) e as pessoas com restrições alimentares, como as alérgicas a lactose e glúten. Foi pensando nesses nichos que os sócios Patrick Bouzon e Enrico Leta fundaram as marcas Vitalatte, fabricante de queijos frescos, e a Yorgus, produtora de iogurte. As 6 toneladas de produtos produzidas diariamente em Valença, no Rio de Janeiro, são 100% naturais, livres de conservantes, espessantes e aditivos químicos. E há dois anos a Yorgus iniciou a produção de uma versão sem lactose. Segundo os sócios, esse segmento está em plena expansão e hoje já representa 20% do total da categoria de iogurte.

Sem conservantes

Beleza consciente

Mas nem só de alimentos vive essa indústria que prega o consumo mais consciente. Segmentos como o de beleza já entraram nessa onda e conquistam adeptos. A Poli Óleos, por exemplo, nasceu no fim da década de 90 com o objetivo de utilizar a matéria-prima brasileira da forma mais pura possível. Maracujá, acerola, andiroba, buriti, copaíba, cupu- açu, guaraná, maracujá e tucumã são parte da lista de componentes da empresa, que comercializa óleos e ingredientes da biodiversidade para toda a indústria de beleza do país. Em 2008, Evelyn Steiner, que nasceu em uma família com atuação no agronegócio, comprou a companhia, que possui uma unidade fabril em Vinhedo, em São Paulo, e viu o negócio deslanchar. Além de produzir os óleos, certificados por entidades internacionais e com garantia de procedência – como verificação se não há mão de obra escrava no processo –, ela notou a necessidade de vender diretamente para o consumidor final. “A tendência sustentável ainda é um nicho pequeno do segmento de beleza, mas queremos ser os precursores. Afinal, a natureza foi muito generosa com o Brasil e possibilita oportunidades incríveis”, afirma Evelyn.

Em 2010, a empresária adquiriu a Ikove Organics, marca com forte presença na Europa e voltada para o mercado de exportação. Os 54 produtos como xampus, condicionadores e cremes anti-idade são comercializados em seis países, entre eles Estados Unidos, Canadá e Emirados Árabes. No Brasil, os produtos são vendidos para clínicas de estética, lojas especializadas e redes de hotelaria. “Neste ano começaremos a venda em farmácias, perfumarias e redes como Sephora. Isso deve ampliar nossa receita em 30%”, diz Evelyn. Para dar conta do aumento da produção, parte da fabricação dos itens da Ikove será feita em unidades terceirizadas. Até o final de 2017 a marca será comercializada em todas as regiões do país. “Esperamos faturar perto de 4 milhões de reais neste ano e temos planos de ampliar nossa fábrica quando a economia apresentar sinais de melhora”, diz Evelyn.

Estilo verde

Estilo verde

Até a moda leva empreendedores a fazer parte do movimento de orgânicos. Um exemplo é a Insecta Shoes, que produz sapatos artesanais a partir de tecidos reutilizados. A companhia nasceu em 2013 da união de duas amigas apaixonadas por moda: uma dona de brechó e uma fabricante de calçados. De olho no desperdício da indústria têxtil, Pamella Magpali e Bárbara Mattivy resolveram empreender. Com roupas que possuíam estampas interessantes no estoque do brechó, elas começaram a produção artesanal da empresa com sede em Porto Alegre. A primeira leva, de 20 pares, desapareceu em poucos dias. “É uma tendência complementar à da alimentação saudável e zelo com o meio ambiente”, diz Bárbara. Com a demanda crescendo e 100 pares vendidos por mês, elas buscaram uma nova sócia. Foi assim que Laura Madalosso, publicitária que atuou como gerente de pesquisa de moda e tendências na Renner, chegou à empresa no fim de 2014.

A Insecta Shoes tem nove funcionários, duas lojas próprias e vende por volta de 500 pares por mês no Brasil, Estados Unidos e Suécia. Os calçados custam em média 270 reais e, para conseguir ganhar escala, a companhia trabalha com uma cooperativa do Sul do país que produz tecido ecológico feito a partir de garrafas PET e algodão reciclável. Mesmo assim, a maior parte da matéria-prima ainda é fruto de garimpos em brechós. “Quatro pessoas viajam pelo Rio Grande do Sul em busca de roupas bonitas que foram descartadas”, diz Bárbara. Segundo ela, uma peça de adulto rende até sete calçados. “Acreditamos no consumo consciente e buscamos clientes com essa percepção”, afirma a fundadora. Neste ano, a Insecta Shoes deve ampliar seu processo de internacionalização e aumentar o faturamento em cerca de 50%, para 1,5 milhão de reais.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O sangue dos loucos

O SANGUE DOS LOUCOS

Médicos como Jeans-Baptiste Denis adotaram, no século XVII, a sangria e a transfusão como tratamento para mania e melancolia.

Durante o século XV, praticamente quaisquer acidentes ou doenças, incluídas as das faculdades da alma, eram explicáveis como obra dos demônios. Mesmo segundo grandes médicos do período, a fisiologia galenista que adotavam permitia admitir causas imateriais a reger as funções vitais, principalmente as mentais. Esse pandemonismo foi invalidado, durante o século XVl, pelas obras ousadas de Cornélio Agrippa, Paracelso, Weyer e outros, que tiveram influência secular na psicopatologia. Eles atribuíam mania e melancolia a causas passionais ou orgânicas e não a fantásticas atuações diabólicas.

Essa visão mais científica da loucura, contudo, não trazia grandes mudanças na prática terapêutica do médico, ainda fundada na teoria dos fluidos corporais, da tradição galenista. Entre esses fluidos (humores ou pneumas) o mais importante sempre foi o sangue. Mais ainda, depois que, em 1628, Harvey demonstrou que ele circulava pelo corpo e que, portanto, fluía também para o cérebro. Na ânsia de encontrar uma via de ação sobre ele, a sede das faculdades mentais” alteradas, os médicos perceberam que podiam regular o afluxo de sangue ao cérebro, e que, se excessivo, causava a agitação maníaca. Assim, a sangria tornou-se tratamento eletivo da mania: a retirada abundante de sangue, produzia, regularmente, calma e docilidade.

Não tardou a busca da cura da melancolia também através da circulação sanguínea. Tratava-se de irrigar o cérebro com abundante sangue novo, mais vigoroso. Qual sangue? Eis o que escreveu S. Kornfeld, em 1902, “… Em 1667, … Jean-Baptiste) Denis fez a primeira transfusão em um homem de 34 anos, levado à doença mental por um amor infeliz. Denis obteve êxito já na primeira tentativa, na qual retirou 280 gramas de sangue de uma veia do braço e nela injetou outras 140gramas retiradas da artéria da perna de um bezerro. No dia seguinte, Denis retirou mais 60 gramas de sangue e injetou pelo menos 400 de sangue do bezerro.

 No dia seguinte, a mente do paciente se clareou tanto que muito em breve ele curou-se completamente, o que foi confirmado por todos os professores da Escola de Cirurgia… Na Alemanha, Klein recomendava as transfusões de sangue, como fez Ettmuller na sua Cirurgia transfusória, em 1682, particularmente nos casos de melancolia. (Kornfeld, S. Geschte der Psychiatr, em Neuburger, M. e Pagel, J. Handbuch der Gesbachter der Mtdizin, Jena, 1902).

A lógica do tratamento era evidente: se a inquietação ou depressão melancólica resulta de um sangue debilitado ou degradado, por um amor infeliz”, um sangue novo, de um vigoroso bezerro (imune a dissabores amorosos) restauraria a normalidade. Se todos os professores da Escola de Cirurgia confirmaram a eficácia curativa do método é porque não havia doença alguma ou porque ignoravam totalmente a importância de fatores emocionais, tanto no surgimento como na remissão ou cura das doenças mentais. Em 1812, já depois do Traitér de Pinel, B. Rush ainda recomendaria que o tratamento da mania se iniciasse com “a retirada de 600 a 1200 ml de sangue, de uma só vez. Os efeitos desta primeira sangria copiosa são maravilhosos para acalmar pessoas loucas…”. Tal como pensariam os professores da “Escola de Cirurgia de Paris, em 1667.

ISAIAS PESSOTTI – escritor e ex-professor titular de psicologia da Faculdade de Medicina USP, em Ribeirão Preto. É autor de “Os nomes da Loucura” e “O século dos manicômios”.

GESTÃSO E CARREIRA

Lições que veem do espaço

LIÇÕES QUE VÊM DO ESPAÇO

O que aprender com astronautas e astrônomos sobre superação de crise, treinamento incansável e propósito no trabalho.

 Desde a célebre imagem da nave americana pousando na Lua no dia 20 de julho de 1969 e o passo em câmera lenta do astronauta Neil Arms1rong, o mundo descobriu que as fronteiras estão muito além da Terra. Especialmente a partir dali uma legião de interessados em fazer parte da descoberta do universo entrou em ação. Porém conviver com incertezas, pressão constante, medos e perigos iminentes não é para qualquer um. Quatro desbravadores do espaço contam sobre suas missões, desafios e experiências que podem ser replicados em terra firme, no dia a dia do mercado de trabalho.

Treinamento incansável

Marcos Cesar Pontes, de 53 anos, foi o primeiro astronauta brasileiro a ir para o espaço. No dia 29 de março de 2000, decolou a bordo da Soyuz TMA- 8, da plataforma l do Centro de lançamento de Baikonus, no Cazaquistão. para realizar a Missão Centenário, que teve duração de dez dias em órbita. “Antes disso tive oito anos de treinamento incansável”, diz Marcos.

Durante esse período ele ficava uma média de 12 horas por dia na Nasa, em Houston, nos Estados Unidos, imerso em atividades que remetiam à ausência da gravidade, situações emergenciais e controles operacionais da espaçonave. Segundo o astronauta, formado em engenharia, o treinamento excessivo foi uma das lições mais importantes que aprendeu – para o trabalho e para a vida. ‘”A repetição incansável de processos é o que garante a segurança. Imaginar situações adversas e pensar em soluções garante que você esteja pronto”, afirma Marcos, que era responsável por realizar os reparos da espaçonave em órbita. Ele ressalta que o espaço é um ambiente hostil, assim como a vida e o ambiente empresarial de forma geral. “Nada é previsível, a diferença é que lá qualquer erro pode ser fatal”, diz.

Decisões rápidas nas crises

Astronautas e pilotos costumam usar o termo “negrito” para resumir situações de perigo. É uma palavra mágica que descreve os procedimentos capazes de, num momento de crise, salvar vidas. Marcos Pontes relata uma situação em (IUC precisou controlar o medo e usar seus conhecimentos em negrito. Em um dos dias da missão, ele estava escalado para fazer a manutenção do sistema de comunicação e avisou os outros quatro tripulantes que perderia a comunicação interna e parte importante da comunicação de dados com o solo. “O procedimento duraria uns dois minutos. mas. mesmo depois de cumprir as etapas, seguíamos incomunicáveis”, diz Marcos. Ele estava a milhões de quilômetros de casa e ficou sem nenhum tipo de comunicação por dez minutos. “Repeti o processo. Notei que havia pulado uma fase, consertei e tudo se normalizou. Senti medo, mas a segurança por estar treinando e por saber que os sistemas críticos possuíam redundância tripla me motivaram a seguir em frente, diz.

O ex-astronauta canadense Chris Austin Hadfield, de 67 anos, viveu uma situação inusitada em 2012 durante sua terceira viagem ao espaço. Experiente, comandava a nave Soyuz TMA-07M em uma missão com quatro tripulantes até a Estação Espacial Internacional para iniciar a Expedição 35. “Estava fora da aeronave em um passeio espacial quando comecei a sentir uma dor muito forte no olho esquerdo e de repente parei de enxergar. Senti vontade de chorar, mas como não há gravidade as lágrimas não escorrem e senti uma pressão muito forte até perdi a visão dos dois olhos”, lembra. Ele descreve o momento como uma escuridão incomensurável e um silêncio profundo. “Na hora a reação natural seria entrar em pânico, mas lembrei que ainda podia ouvir e falar e alguém poderia me tirar dali. Havíamos treinado muito essas situações. Notei que o perigo é diferente do medo, estava tudo sob controle.  Não era perigoso, pois havia mais gente comigo”, diz.

Chris foi conduzido para dentro da aeronave e limpou os olhos, que haviam sido afetados por um produto químico ante embaçador de seu traje espacial. Fiquei cego no espaço e soube o que fazer graças ao treinamento e a uma recondução da mente”, afirma.

Competição constante

Pertencer ao quadro de funcionários da Nasa é como ganhar na loteria – assim definem alguns cientistas. A competição por um lugar na principal agência espacial do mundo é acirrada. Para se tornar um astronauta, Marcos disputou a primeira seleção pública de astronautas no Brasil feita pela Nasa. “Foram milhares de candidatos naquela espécie de “concurso público”, diz Marcos. Já Chris Austin Hadfield enfrentou 6 300 canadenses para conquistar seu lugar. Essa competição, porém, não acaba depois de garantir o lugar tão sonhado. Ao contrário. Às vezes, ela aumenta.

Duília Mello, de 52 anos, é uma das astrônomas brasileiras mais reconhecidas. Desde os 12 anos, al paulista de Jundiaí, criada no Rio de Janeiro já sonhava cm desvendar os mistérios do universo. Em 1981, começou a cursar astronomia na Universidade Federal do Rio de Janeiro e fez toda sua especialização no Brasil. “Sinto orgulho por ter uma formação brasileira, mas infelizmente precisei sair do pais para ter mais reconhecimento e acesso às pesquisas”. diz. Duília destaca que uma das maiores dificuldades de atuação é a concorrência entre os cientistas. É uma pressão constante por resultados rápidos para que ninguém publique antes de você e seu trabalho seja invalidado”, afirma a cientista, que, hoje, comanda uma equipe de 100 pessoas e se especializou em analisar retratos do espaço feitos pelo telescópio Hubble.

Essa competição, claro, pode ser desgastante. Muitas vezes a comunidade não se complementa, mas compete por pioneirismos, diz a brasileira Rosaly Lopes, de 59 anos, pesquisadora sênior do planetário da Nasa. A competição acontece também para conseguir verbas para projetos, algo cada vez mais difícil – urna realidade bem parecida com a das empresas hoje. “Os recursos estão escassos. Há cinco anos cerca de30% das propostas eram financiadas. Hoje esse número fica entre 10% e 20 %, diz Rosaly.

 Dedicação integral

Como o treinamento intensivo é um dos pilares para os profissionais que atuam no espaço, é natural que a carga horária extrapole o período de oito horas diárias. E isso tem seu ônus: o pouco tempo para a vida pessoal.  “Trabalhei durante toda a minha gravidez e, quando meu filho nasceu, tirei apenas duas semanas e meia de licença”‘, afirma Rosaly, que, até hoje, trabalha em quase todos os finais de semana. Duília também está nesse barco. Para ela, é comum passar mais de 14 horas diárias dedicadas às atividades. “A saudade da família que ficou no Brasil pesa”‘, diz. Marcos, que recentemente cumpriu sua missão com a Agência Espacial Brasileira, e agora fica na Nasa, também descreve o trabalho como uma jornada árdua e de longas horas. É dedicação integral para atingir os objetivos”, diz. Por isso, para quem sonha em viajar para o espaço a trabalho, é necessário ter consciência das perdas e, sobretudo, amar o trabalho. “Eu não estava destinado a ser um astronauta. Eu tive que me transformar em um depois de milhares de dias de treinamento e horas extas de trabalho”, diz Chris.

Poder de adaptação

Outra questão importante é a duração da carreira dos trabalhadores do espaço. Assim como em alguns esportes, o tempo dedicado a profissões de astronautas é mais curto.

É fundamental, portanto, “se preparar para quando chegar a hora de aterrissarem definitiva. Limitações físicas e até mesmo a concorrência com mais jovens tiram do jogo quem ainda tem fôlego. Caso de Marcos, que fez apenas um voo espacial. Digo que valeu cada dia de treinamento para ver a terra lá de cima, diz Marcos. Contudo, ele sabe que não será escalado pela Nasa para nenhuma outra expedição, apesar de ainda morar nos Estados Unidos e trabalhar na agencia. Por isso, estuda aceitar um convite de uma empresa americana privada para participar de voos espaciais turísticos como astronauta para preparar a estação e posteriormente como guia. “Em cinco anos essa será uma realidade e quero fazer parte desse movimento que apresenta o espaço para as pessoas, diz. Marcos já possui uma empresa brasileira que vende voos espaciais turísticos e garante que há brasileiros na fila. Uma passagem custa cerca de 250 000 dólares. Esse pensamento a longo prazo é importante para t odos os profissionais: reinventar-se constantemente pensando em alternativas de mercado ajuda a manter a empregabilidade em alta.

Recompensas memoráveis

Toda a pressão, o medo, a ansiedade e, por vezes, a solidão compensam, dizem os desbravadores do espaço. Cada profissional lembra bem do momento em que todo o esforço valeu a pena. Para Rosaly, o auge foi avistar a lua Titã, de Saturno. “Eu operava o radar. Só com a câmera era impossível ver a superfície, por causa da espessa atmosfera. E logo apareceram os acidentes geográficos. Foi mágico a realidade para um astrônomo já (é como um sonho, diz.  Foi também uma imagem que levou Chris ao êxtase quando viu, pela primeira vez, a Terra de longe: “Eu me senti uma criança, a pessoa mais feliz do mundo. Eu estava no espaço, sem peso, e cheguei lá em apenas oito minutos e 42 segundos”, afirma.

Já Duília leva consigo o marco da s descobertas. Ela foi responsável pela localização da supernova SN 1997D e participou também da descoberta das chamadas bolhas azuis, as estrelas órfãs, sem galáxias. “Sinto felicidade todos os dias, mesmo com tantos desafios. Fazer descobertas é motivador, e ver que uma mulher chegou até aqui sozinha prova que não há mesmo fronteiras, nem questões de gênero que podem impedir você de sonhar”, diz Duília. E Marcos sente orgulho por ter sido o primeiro brasileiro a entrar em órbita. “É uma obra de arte sem precedentes ver tudo lá de cima.  Você sente que tudo valeu a pena”, diz.  “É viciante e eu quero mais”. Esse sentimento é o que move os astronautas – e o que pode mover você a ser sempre um profissional melhor que deseja alcançar resultados surpreendentes (mesmo bem longe da gravidade zero).

ALIMENTO DIÁRIO

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MATEUS 5: 13-16

Continuação do Sermão da Montanha

Cristo recentemente havia chamado os seus discípulos e lhes dito que eles seriam pescadores de homens; aqui lhes diz que Ele os designou para serem o sal da terra, e a luz do mundo, para que eles pudessem realmente ser o que se esperava que eles fossem.

I – “Vós sois o sal da terra”. Seria um incentivo para eles, e um sustento durante seus sofrimentos, o fato de que, embora fossem tratados com desprezo, ainda assim eles seriam verdadeiramente as bênçãos do mundo, e ainda mais por sofrer dessa maneira. Os profetas, que tinham vindo antes deles, eram o sal da terra de Canaã; mas os apóstolos eram o sal de toda a terra, pois deveriam ir por todo o mundo para pregar o Evangelho. Era desanimador para eles o fato de serem tão poucos e tão fracos. O que eles poderiam fazer em uma província tão grande como toda a terra? Nada, se fossem trabalhar pelo poder das armas e por golpes de espadas. Mas, começando a trabalhar tão silenciosamente como o sal, um punhado deste sal propagaria o seu sabor por todos os lugares; percorreria grandes distâncias, e trabalharia imperceptível e irresistivelmente, como o fermento (cap. 13.33). A doutrina do Evangelho é como o sal; ela é viva, eficaz e penetrante (Hebreus 4.12); ela alcança o coração (Atos 2.37). Ela purifica, dá sabor e conserva a salvo do apodrecimento. Nós lemos sobre o sabor (ou cheiro) do conhecimento de Cristo (2 Coríntios 2.14); qualquer outro conhecimento é insípido sem ele. Um concerto perpétuo é chamado de concerto de sal (Neemias 18.19); e o Evangelho é um concerto perpétuo. O sal era exigido em todos os sacrifícios (Levíticos 2.13), no templo espiritual de Ezequiel (Ezequiel 43.24). Agora, os discípulos de Cristo, tendo eles mesmos aprendido a doutrina do Evangelho, e sendo usados para ensiná-la a outros, eram como o sal. Os cristãos, como ministros especiais, são o sal da terra.

1.Se eles fossem como deveriam ser, eles seriam como um bom sal, branco e miúdo e em muitos grãos, mas muito útil e necessário. Diz Plínio: “Sem o sal, a vida humana não se mantém”. Veja nisto:

(1) Que eles devem estar, em si mesmos, temperados de acordo com o Evangelho, com o sal da graça; pensamentos e gostos, palavras e ações, tudo temperado com a graça (Colossenses 4.6). “Tende sal em vós mesmos e… uns com os outros” (Marcos 9.50).

(2) O que eles devem ser para os outros. Eles não devem apenas ser bons, mas fazer o bem, devem conquistar o seu lugar na mente das pessoas, não servir a nenhum interesse secular deles mesmos, mas devem poder se transformar no sabor e no tempero do Evangelho.

(3) As grandes bênçãos que eles representam para o mundo. A humanidade, repousando na ignorância e na maldade, era um grande amontoado de coisas insípidas e prontas a apodrecer. Mas Cristo enviou os seus discípulos para que, pelas suas vidas e doutrinas, a temperassem com conhecimento e graça, e assim a tornassem aceitável a Deus, diante dos anjos e de todos aqueles que apreciam as coisas divinas.

(4) Como eles devem esperar ser usados. Ele s não devem ficar amontoados, não devem sempre permanecer juntos em Jerusalém, mas devem se espalhar, como o sal sobre a comida, um grão aqui e outro ali; como os levitas se espalharam em Israel, para que, onde quer que vivessem, pudessem transmitir o seu sabor. Alguns observaram que, embora os supersticiosos digam, tolamente, que é um mau presságio ter sal jogado sobre nós, na verdade é um mau presságio ter o sal retirado de nós.

2.Se não fossem como deveriam ser, eles seriam como o sal que perdeu o seu sabor. Se vocês, que devem temperar os outros, não têm sabor, são vazios de vida espiritual, de tempero e de vigor. Se um cristão é assim, especialmente se um ministro é assim, a sua condição é muito triste, pois:

(1) Ele é irrecuperável: de que maneira ele poderá ser temperado? O sal é um remédio para a comida sem sabor, mas não existe remédio para o sal insípido. O cristianismo dá um gosto especial ao homem. Mas se o homem absorvê-lo e continuar a professá-lo, e ainda assim permanecer vivendo do mesmo modo como um tolo, sem graça e insípido, nenhum a outra doutrina, nenhum outro meio poderá ser aplicado para dar-lhe sabor. Se o cristianismo não puder fazê-lo, nada o fará.

(2) Ele é infrutífero: consequentemente, ele não serve para nada. Para que ele poderá ser usado, em que não cause mais mal que bem? Assim como um homem sem razão, é um cristão sem a graça. Um homem mau é a pior das criaturas, um cristã o mau é o pior dos homens; e um ministro mau é o pior dos cristãos.

(3) Ele está condenado à ruína e à rejeição. Ele será expulso da igreja e da comunhão de fé, para as quais ele representa um peso e uma mancha; e ele será pisado pelos pés dos homens. Que Deus seja glorificado através da vergonha e da rejeição daqueles por quem Ele foi rejeitado, e que não se fizeram adequados para nada, exceto para serem pisados.

II – “Vós sois a luz do mundo” (v. 14). Isto também dá indícios de que eles são tão úteis quanto o sal (“Nada é mais útil que o sol e o sal”), porém são mais gloriosos. Todos os cristãos são luz no Senhor (Efésios 5.8), e devem resplandecer como astros (Filipenses 2.15), mas ministram de uma maneira especial. Cristo chama a si mesmo de Luz do mundo (João 8.12), e eles são trabalhadores, juntamente com Ele, e têm uma parte da sua honra depositada sobre si mesmos. É verdade que a luz é doce, ela é bem-vinda; a luz do primeiro dia do mundo o foi, quando resplandeceu nas trevas; assim é a luz da manhã de cada dia; assim é o Evangelho, e aqueles que o transmitem, para todas as pessoas sensatas. O mundo estava em trevas, mas Cristo chamou os seus discípulos justamente   para brilharem neste mundo; e, para que eles possam fazer isto, é dele que eles obtêm a luz.

Esta semelhança é aqui explicada em dois aspectos:

1.Sendo a luz do mundo, eles são reconhecidos e visíveis, e têm muitos olhos sobre si. Uma cidade que está edificada sobre um monte não pode ficar escondida. Os discípulos de Cristo, particularmente aqueles que são ativos e zelosos no seu ministério, se tornam notáveis e são observados como faróis de orientação. Eles trarão sinais (Isaias 7.18), serão homens portentosos (Zacarias 3.8); todos os seus vizinhos os estarão observando. Alguns os admiram, os elogiam, se alegram por eles e estudam para imitá-los; outros os invejam, odeiam, censuram e estudam para destruí-los. Desta forma, eles devem se preocupar em agir com cuidado, por causa dos que os observam; eles são espetáculos para o mundo, e devem tomar cuidado com tudo o que pareçam mau, porque são muito observados. O s discípulos de Cristo eram homens desconhecidos antes que Ele os chamasse, mas o caráter que Ele lhes atribuiu lhes dignificou. E, como pregadores do Evangelho, eles criaram um padrão; e embora alguns os tenham condenado por isto, eram respeitados por outros, e se assentarão sobre tronos e julgarão (Lucas 22.30). Pois Cristo irá honrar aqueles que o honram.

2.Sendo a luz do mundo, eles devem iluminar e dar luz aos outros (v. 15), e, portanto:

(1) Eles se estabelecerão como luzes. Cristo acendeu estas candeias, elas não serão colocadas debaixo de alqueires (isto é, cestos), nem estarão sempre confinadas, como estão a gora, às cidades da Galileia, ou às ovelhas perdidas da casa de Israel, mas serão enviadas a todo o mundo.  As igrejas são os castiçais, os castiçais de ouro onde se colocam estas luzes, para que a sua luz possa  ser difundida, e o Evangelho é  uma luz tão forte, e transmite tanto da sua própria evidência, que, como um a cidade sobre um monte, ele não pode  ficar escondido, não pode deixar de evidenciar que é de Deus a todos aqueles que não fecharem voluntariamente seus olhos a ele. Ele dará luz a todos aqueles que estiverem na casa, àqueles que forem atraídos a ele e vierem até ele. Aqueles a quem ele não der luz, devem agradecer somente a si mesmos; eles não estarão na casa com ele, não farão uma investigação imparcial e diligente dele, mas estarão envolvidos em seus próprios preconceitos.

(2) Eles devem resplandecer como luzes: 

[1] Pela sua boa pregação.  Eles deverão transmitir o conhecimento que têm para o bem dos outros; não escondê-lo sob um cesto, mas transmiti-lo. O talento não deve ficar envolto num pano, mas deve ser transmitido. Os discípulos de Cristo não devem se esconder na privacidade e na obscuridade, com a desculpa de contemplação, recato ou autopreservação, mas, por terem recebido o dom, devem ministrá-lo (Lucas 12.3). 

[2] Pela sua vida correta. Eles devem ser candeias que ardem e alumiam (João 5.35); devem evidenciar, pelo seu comportamento, que são verdadeiramente seguidores de Cristo (Tiago 3 .13). Para os outros, eles devem representar instrução, orientação, estímulo e consolo (Jó 29.11).

Observe aqui, em primeiro lugar, como a nossa luz deve brilhar, realizando coisas boas que os homens possam ver e aprovar, obras que tenham boa reputação entre aqueles que não as têm, e que, portanto, lhes darão motivo para pensarem bem do cristianismo. Nós devemos realizar boas  obras que possam ser vistas para a edificação de outros, mas não que possam  ser vistas para a nossa própria ostentação; nós devemos orar em segredo, e o que estiver entre Deus e as nossas  almas deve  ser conservado conosco; mas aquilo que é aberto e óbvio à vista dos homens deve ser feito de modo coerente com a nossa profissão de fé, e de um modo que glorifique a Deus (Filipenses 4.8). Aqueles que estão à nossa volta não devem apenas ouvir falar das nossas boas obras, mas de vem ver as nossas boas obras, para que possam se convencer de que a religião é algo mais do que meras palavras, e que não fazemos dela somente uma profissão de fé, mas que permanecemos sob o seu poder.

Em segundo lugar, para que finalidade a nossa luz deve resplandecer. Para que aqueles que vejam as nossas boas obras possam ser levados a glorificar, não a nós (que era o que os fariseus desejavam, e que prejudicava todo o seu desempenho), mas ao nosso Pai que está nos céus. Observe que a glória de Deus é o bem supremo que devemos procurar em tudo o que fizermos na religião (1 Pedro 4.11). Neste centro, as linhas de todos os nossos atos devem se encontrar. Devemos não somente nos empenharmos para glorificar, nós mesmos, a Deus, mas também devemos fazer tudo o que pudermos para motivar os outros a glorificá-lo. A visão das nossas boas obras fará isto, dando-lhes:

1.Motivos para louvar a Deus. Em outras palavras: “Deixe que vejam as suas boas obras, para que possam enxergar o poder da graça de Deus em sua vida, e assim deem a Ele glória e ações de graças por ter concedido tal poder aos homens”.

2.Motivos de religiosidade. Em outras palavras: “Deixe que vejam as suas boas obras, para que possam se convencer da verdade e da excelência da religião cristã. Que isto provoque uma emulação sagrada, para que imitem as suas boas obras, glorificando, deste modo, a Deus”. Observe que o comportamento regular, santo e exemplar dos santos pode fazer muita coisa com relação à conversão dos pecadores; aqueles que não têm conhecimento da religião podem, por meio disso, ser levados a conhecê-la. Os exemplos ensinam. E aqueles que têm um preconceito contra a religião cristã podem, por meio deles, ser levados a amar o cristianismo. Consequentemente, existe uma virtude vitoriosa em um comportamento devoto.