PSICOLOGIA ANALÍTICA

A tormenta da Ira

A TORMENTA DA IRA

Sentimentos nos tomam de assalto e nos arrastam com eles – e, no entanto, precisamos a todo momento conter nossos impulsos. Como combinar as duas coisas? Psicólogos estudam o controle de nossas emoções mais sombrias, como a raiva e o medo.

O calor do verão convida à vida ao ar livre. Mas, mal ouvimos, lá vem o vizinho com seu maldito aparelho de som, animando o churrasco de domingo. “Que abuso”, pensamos, já tomados de raiva. Alegria ou irritação, medo ou surpresa, pesar ou orgulho: os acontecimentos mais banais despertam múltiplas emoções. Elas acompanham cada instante do nosso cotidiano, onipresentes como o ar que respiramos.

No entanto, empenhamo-nos quase sempre em conter nossos sentimentos ou em mantê-los dentro de limites toleráveis. Assim, quase nenhuma emoção escapa ao crivo da consciência.

Todos gostam de receber um elogio do chefe, mas, se o colega invejoso está por perto, melhor não deixar transparecer demais o orgulho. Se alguém no trabalho se comporta de maneira desajeitada, contemos o riso, para não provocar antipatia. Nós, humanos, não somos apenas seres emocionais, somos seres que controlam suas emoções.

Para pesquisadores que se dedicam ao assunto, duas questões são de interesse particular, A primeira é: por que, afinal, buscamos controlar nossas emoções? Elas não são valiosas demais para ser reprimidas. Sem o afeto, por exemplo, dificilmente ajudaríamos outro ser humano ou criaríamos nossos filhos, e, sem nos roer de raiva, talvez jamais criássemos coragem para pôr o vizinho no seu devido lugar. Portanto, para que o esforço em reprimi-los?

E a segunda questão, como conseguimos conter nossas emoções? Profundamente enraizado em nossa herança biológica, o animal dentro de nós parece muito mais forte que qualquer mecanismo mental de mediação.

O porquê e o como do “controle das emoções “encontram-se no centro de uma área de pesquisa, em que psicólogos, sociólogos, antropólogos e, mais recentemente, neurocientistas têm adquirido valiosos conhecimentos. Tradicionalmente, aquela primeira questão –  se o homem pode de fato controlar emoções – sempre foi respondida afirmativamente. Os estoicos já o postulavam. Marco Aurélio (120-180 d.C.), por exemplo, escreveu em suas Meditações, “Livre da paixão, a mente humana” torna-se mais forte”. E, quase 2 mil anos depois, em O mal-estar da civilização, Sigmund Freud explicou por que emoções transbordantes seriam inconciliáveis com o convívio social. Com certeza, as emoções nem sempre trazem à tona apenas o que há de bom em nós, como o comportamento altruísta ou a solução criativa de problemas. Elas têm também seu lado sombrio: a raiva, que pode transformar-se e violência, os medos, em depressões, que por vezes, conduzem ao suicídio. Como hoje sabem os psicólogos clínicos, transtornos psíquicos são com frequência    resultado de reações emocionais desmedidas, já fora de controle.

A isso vem se somar o fato de que, em nosso mundo altamente tecnologizado, sentimentos sem freios são rápidos na produção de efeitos devastadores. Se um maluco armado ou um motorista endoidecido resolvem dar livre vazão a sua raiva, é fácil prever a catástrofe. A capacidade de regular as próprias emoções parecem, portanto, construir necessidade vital para a sobrevivência do Homo sapiens.

Como é possível, porém, regular as próprias emoções é uma questão que há muito tempo vem provocando dor de cabeça nos pesquisadores. Os exemplos mencionados por certo mostram que se trata de algo que fazemos todos os dias. Mas cuidado:  acreditar que temos nossos sentimentos sob controle está longe de significar que isso acontece de fato. Talvez eles continuem borbulhando sob a superfície da consciência. Como se sabe, essa era a opinião de Freud, que introduziu na psicologia o conceito de recalque, sentimentos muito dolorosos ou incompatíveis com o ideal que temos de nós mesmos são exilados sem maiores delongas no inconsciente. Mas a energia própria das nossas emoções precisa de escape – como numa panela de pressão -, e acaba se manifestando, por exemplo, sob a forma de perturbações neuróticas ou mesmo físicas.

Outros pesquisadores mais tarde sustentaram a hipótese de Freud. Na década de 30, Franz Alexander (1891-1964), psicanalista e um dos fundadores da medicina psicossomática, descobriu que a pressão sanguínea tende a subir de forma constante nas pessoas que reprimem sistematicamente suas emoções. Ou talvez pessoas com hipertensão que tendem a reprimir sentimentos. Não era apenas de parâmetros confiáveis para as emoções e o seu controle que Alexander carecia. Na verdade, suas descobertas baseavam-se em meros dados estatísticos, e não na experimentação. Por isso, ele não conseguiu elucidar a possível relação de causa e efeito existente entre o controle das emoções e a saúde de um indivíduo.

De lá para cá, no entanto, a psicologia estudou melhor as emoções e é capaz de manipulá-las em laboratório. Isso abre caminho para que o modo como os seres humanos regulam seus sentimentos seja estudado em experimentos controlados. É o que faz, por exemplo, James Gross, psicólogo da Universidade Stanford, na Califórnia. Ao lado de sua equipe, ele investiga as estratégias que permitem controlar os sentimentos e de que forma isso afeta o bem-estar psíquico e a saúde. De início, uma surpresa desagradável aguarda os voluntários no laboratório de Gross: eles teriam de assistir a filmes chocantes, gravações em vídeo que despertam repulsa, como a amputação de um braço ou rituais africanos exibindo a prática da circuncisão. Não vale virar o rosto. Afinal, só dessa maneira é possível assegurar a indução de estados emocionais intensos.

Num desses experimentos, Gross solicitou à metade de seus voluntários que, na medida do possível, não fizessem caretas ao assistir às cenas. Eles deveriam se concentrar em manter expressão neutra, de modo que ninguém pudesse ver o que estavam sentindo. Esse tipo de autocontrole é chamado de “supressão” pelos psicólogos.

A outra metade não recebeu instrução alguma. Gross filmou as expressões faciais do grupo e registrou reações fisiológicas como condutabilidade elétrica da pele e frequência e imensidade dos batimentos cardíacos. Todos os participantes responderam a um questionário sobre o que haviam sentido durante a exibição dos vídeos.

REPRESSÃO FATAL

A maioria dos participantes solicitados a manter a expressão neutra conseguiu esconder sinais de suas emoções. Nem por isso, no entanto, eles sentiram menos repugnância, nojo ou até medo – conforme se verificou pelas respostas ao questionário – do que aqueles que haviam assistido às mesmas cenas sem ter recebido instruções específicas. Mas um dado chamou a atenção: apesar da suposta impassibilidade, o sistema nervoso autônomo reagiu com particular imensidade nos que haviam reprimido a emoção, o que permite inferir uma reação veemente de stress. Esse dado fortalece a noção de que controlar emoções fortes pode ser nocivo à saúde.

Todavia, o efeito negativo do controle da expressão emocional não se restringe ao aumento do stress. Como já puderam demonstrar em vários estudos os psicólogos Roy Baumeister e Dianne Tice, ambos da Universidade Estadual da Flórida, em Tallahassee, pessoas que reprimem suas emoções são menos capazes de resolver desafios intelectuais. Jane Richards, da Universidade do Texas, em Austin, descobriu que os repressores de sentimentos têm mais dificuldade em memorizar detalhes de experiências emocionalmente significativas. Tampouco no relacionamento interpessoal desse se saem tão bem, como demonstrou Emily Butler, da Universidade do Arizona em Tucson. Em questionários com respostas anônimas, pessoas que não deixam transparecer nenhum sentimento em conversa com seus interlocutores foram consideradas por estes menos simpáticas – e também menos interessantes.

Claro está que, além dos efeitos físicos de curta duração, o controle das emoções acarreta consequências duradoras. Num estudo publicado em 2003, James Gross e Oliver John, da Universidade Berkeley, perguntaram a estudantes em que medida descontrolavam seus sentimentos no dia-a-dia. Com base nas respostas, os voluntários foram divididos em dois grupos, o daqueles que davam expressão mais frequente as suas emoções e o dos “repressores”.

A comparação resultou numa série de diferenças significativas. Quem preferia engolir a raiva, o medo, e o pesar revelou-se em média, mais pessimista, com tendência à depressão e mais inseguro. Além disso, essas pessoas fazem menos amizades e suas relações tendem a ser superficiais. Temperamentos mais frios, portanto, parecem de início em desvantagem, em diversos aspectos.

Um estudo do pesquisador belga Johan Denollet, médico do Hospital Universitário de Antuérpia, deu ainda um último empurrãozinho nessa conclusão já preocupante. Ele perguntou a pessoas que haviam sofrido infarto quais eram seus “hábitos emocionais”. Denollet queria saber desses pacientes com que frequência eles tinham mau humor ou outras emoções negativas, tais como medo, raiva ou remorso, e se compartilhavam seus estados de espírito com os outros ou preferiam guarda-los para si. Quando, dez anos depois, Denollet tornou a contatar os mesmos pacientes, com o intuito de repetir as perguntas, cerca de 5% deles haviam morrido. Mas tanto entre os que haviam relatado ter emoções negativas com frequência acima da média como entre os que tinham demonstrado tendência a à repressão emocional, os mortos perfaziam um total de 25%. Ou seja, uma taxa de mortalidade cinco vezes maior. Dar vazão aos sentimentos parece, portanto, não apenas humano como também –  e literalmente – de importância vital.

INTERIORIDADE E EMOÇÃO

As descobertas de Denollet nos deixam num dilema. A psicologia nos diz que, sem controlar as emoções, não podemos ir adiante; mas, ao fazê-lo, nos tornamos indivíduos mais solitários e fisicamente doentes. Felizmente, pesquisas mais recentes apontam uma possível saída. Controlar as emoções não tem necessariamente consequências ruins, basta fazermos uso correto desse controle.

Nos estudos mencionados os voluntários controlavam apenas seu comportamento, e não os sentimentos em si. Mas outra modalidade de controle das emoções tem por alvo menos o comportamento visível que a experiência menor, subjetiva.

A vida cotidiana nos mostra que isso é possível. Somos capazes de ver a mesma situação sob diferentes ângulos e, mediante uma alteração no modo de pensar, de exercer influência sobre nossas emoções. Um garçom demorado, por exemplo, é capaz de nos fazer ferver o sangue. Em geral, porém, basta observar que o pobre homem está apenas atarantado com o grande fluxo de fregueses que nossa irritação se dissipa.

Diversos pesquisadores estudam de que forma esse controle cognitivo das emoções atua – e se ele é capaz de evitar as consequências negativas já descritas. Mas como ensinar voluntários a se sentir, com a força do pensamento, menos mal diante de imagens de cenas horripilantes solicitando a eles, por exemplo, que reflitam sobre as sequências em vídeo com a máxima objetividade, ou seja, que contemplem as cenas de uma amputação, por exemplo, com os olhos de um médico voluntarioso que se valem dessa estratégia de racionalização não apenas deixam transparecer mais raramente sentimentos negativos em seu comportamento, como também dizem experimentar menos mal-estar e repulsa. Além disso, nesses experimentos, verificou-se menor ativação do sistema nervoso autônomo.

É possível, portanto, que certas estratégias cognitivas sejam o caminho das pedras para o controle das emoções. Se podemos manipular nossos sentimentos de acordo com o modo como avaliamos uma situação, então isso deve ser passível de verificação no cérebro. Assim pensaram também Kevin Ochsner e Silvia Bunge, hoje pesquisadores da Universidade Columbia, em Nova York, e da Universidade da Califórnia, em Davis, respectivamente.

A MENTE NO TOMÓGRAFO

Os neuropsicólogos examinaram voluntários com o auxílio da tomografia por ressonância magnética funcional (flvtRI).  Esse método torna visível a atividade em diferentes regiões cerebrais por meio do teor de oxigênio no sangue. Durante a tomografia, Ochsner e seus colegas exibiram imagens chocantes de cirurgias, de crianças com doenças fatais e de cães bravos mostrando os dentes. Eles ora pediam aos participantes que apenas as contemplassem, ora que se distanciassem delas o máximo possível, empregando para tanto uma estratégia específica, treinada de antemão. Essa estratégia consistia na reelaboração cognitiva da “história por trás da imagem.” Por exemplo, “Imagine que o bebê da imagem logo estará curado”. Ou, “O cachorro está bem longe de você, contido por uma cerca alta”. Deu certo. quando os voluntários seguiram o conselho de refletir sobre a imagem com distanciamento, o córtex pré-frontal revelou nítido aumento de atividade. Essa região cerebral é responsável pelo chamado controle executivo – isto é, por quase tudo que tenha a ver com planejamento, decisão e execução de ações. Quanto mais ativas se revelavam as células nervosas dessa região, maior era a calmaria em regiões do sistema límbico e sobretudo na amígdala, que, como se sabe, tem participação no modo como se lida com emoções negativas. Estratégias de pensamento podem, portanto, balizar reações emocionais com eficácia. Ou se, as coisas em si não são nem boas nem ruins, é o pensamento que as faz assim. As pessoas que se saíram bem com a estratégia de reelaboração cognitiva disseram ter tudo menos náusea e nojo e demonstraram atividade reduzida em seu sistema nervoso autônomo.

A grande questão, no entanto, é se esse método é de alguma valia também na vida cotidiana, ou seja, em situações reais. Foi com o intuito de examinar essa questão que Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, em Madson, partiu ao encontro dos mestres do controle emocional: os monges tibetanos. Método importante dos budistas é se desligar de todos os sentimentos negativos e pensar sempre de forma positiva. Vistos de fora, os monges de fato aparentam impassibilidade admirável. Declaram sentir muito menos medo, pesar ou raiva. Mantêm ao contrário, uma inclinação para a calma e a passividade. Mesmo em situações nas quais outros morrem de medo, os monges tibetanos exibem solene autocontrole mental. Literalmente: ameaçados de tortura pela ocupação chinesa, alguns preferiram a auto- anulação pelo fogo – com sorriso nos lábios, conta-se.

Para o estudo do controle emocional humano, a meditação dos monges seria o objeto de pesquisa ideal, afirma Davidson. Para sorte do pesquisador; o Dalai Lama, supremo representante do budismo tibetano, é bastante aberto às neurociências e já estimulou em diversas ocasiões encontro entre budistas, psicólogos e neurocientistas.

Davidson, portanto, pôs mãos à obra. Por meio da eletroencefalografia(EEG), registrou as ondas cerebrais de oito monges enquanto estavam mergulhados em práticas meditativas. Os participantes desse estudo tinham de 10 mil a 50 mil horas de meditação – não eram, portanto, iniciantes. Os padrões de seus EEG foram comparados aos de novatos em meditação que tinham passado por treinamento de apenas uma semana.

RUMO AO TlBET?

Resultado desse duelo desigual: durante a meditação, os monges apresentaram maior porcentagem das chamadas ondas gama – padrões velozes, de frequência entre 25 e 42 hertz -, que acompanham estados elevados de atenção. As ocorrências revelaram-se especialmente pronunciadas em duas regiões do lobo frontal, ambas envolvidas no controle das emoções. De acordo com Davidson, a atividade gama dos monges está entre as mais intensas já descritas na literatura não-patológica. Na opinião do pesquisador, esses parâmetros neuronais expressam a capacidade dos monges de controlar pensamentos e sentimentos, exercitada durante anos.

Devemos, então, partir todos para o Tibete e seguir o modelo dos monges budistas? Não necessariamente. Exemplos de outras culturas mostram que o controle bem-sucedido das emoções pode ser aprendido de diversas maneiras.

No final da década de 60, por exemplo, a antropóloga americana Jean Briggs viveu vários meses entre os utkus, tribo lnuit do ártico canadense. A pesquisadora espantou-se sobretudo com a raridade de conflitos entre eles. Submeteu sua anfitriã a questionários pormenorizados e observou seu dia-a-dia. Ao fazê-lo, constatou que a manifestação de emoções cognitivas, como irritação e raiva era extremamente malvista. Até mesmo os bebês eram ignorados pelos Utkus quando começavam a berrar. Adultos que, furiosos, levantassem a voz eram tidos ou por idiotas ou um perigo para a comunidade – o que a própria antropóloga teve o desprazer de experimentar na pele quando certa vez perdeu o controle diante da família que a hospedava: precisou de imediato encontrar novas acomodações.

Ainda assim, Briggs ficou tão fascinada com o convívio pacífico da tribo que descreveu suas pesquisas de campo num livro que se tornou clássico. Nele, recomendava tomar os utkus como exemplo no controle eficaz de emoções negativas. Nos anos seguintes, outros pesquisadores classificaram as conclusões da antropóloga como parciais. Ela teria, por exemplo, se deixado levar apenas pela expressão emocional que os utkus demonstravam, e não por relatos da vida emocional interior. Seria, portanto, possível supor que eles pertencem à categoria dos repressores de sentimentos.

Contudo, pesquisas mais recentes corroboram a hipótese de que valores e concepções culturais contribuiriam de fato para moldar a experiência subjetiva das emoções. Psicólogos culturais, como 1-Hazel R. Markus, de Stanford, sabem em que medida e condições socioculturais marcam o trato com as emoções – que podem ser tudo, menos reações determinadas por fatores biológicos. Markus comparou por exemplo, as posturas de americanos e japoneses com as emoções. Os padrões asiáticos demandam do indivíduo em geral um controle emocional mais rígido que aquele observado no Ocidente. Por essa razão, e de acordo com os resultados obtidos por Markus, os ocidentais avaliam negativamente o controle do próprio sentimento: veem-no como dissimulação ou engodo. Muitos chegam a identificar nesse intuito a possível causa de doenças físicas, tais como o câncer ou as enfermidades cardiovasculares.

Os japoneses, por sua vez são de opinião diferente. Para eles, o estado de espírito equilibrado é sinal tanto de saúde física e mental como de contentamento. E, de fato, a população japonesa está entre as mais longevas do mundo.  Assim, enquanto os americanos são mais adeptos do “pôr tudo para fora, os Japoneses se contêm na manifestação de irritação ou mesmo de alegria.

PAPÉIS MENTAIS

Se influências sociais e culturais nos ensinam desde crianças qual o trato “correto’ com os sentimentos, isso significa também que a capacidade de controlar emoções não tem raízes profundas e imináveis na personalidade humana. Valendo-se de estratégias apropriadas, qualquer um poderia, em princípio, aprender a conviver de forma saudável com suas emoções. Voltemos ao garçom atrapalhado, um método de controle emocional interessante para não explodir com o pobre homem consistiria, digamos, em nos colocarmos por um momento na pele dele. Essa mudança de perspectiva tenderá a suscitar compreensão, um pequeno atraso já não parece coisa tão dramática; afinal, não estamos com pressa, e a comida vai acabar chegando, mais cedo ou mais tarde. Graças a tal estratégia, podemos modificar impulsos negativos. E, com algum treino, ela nos permite ver as coisas com outros olhos, sem que a consciência se veja obrigada volta e meia nos repreender para que o façamos.

Todavia, muitas questões permanecem abertas. Por que algumas pessoas têm mais dificuldade em controlar as próprias emoções? Que estratégias de controle são mais eficazes? Como ele pode aprendê-las? O que podemos assimilar de outras culturas? Seja como for, o balanço provisório dos pesquisadores é esperançoso. Não estamos simplesmente à mercê dos nossos sentimentos. O ser humano deve – e pode – se tomar senhor das próprias emoções.

APRENDIZADO EMOCIONAL

Psicólogos distinguem pelo menos três aspectos diferentes na reação aos sentimentos: 1) os reflexos físicos deles decorrentes, tais como taquicardia ou suor, 2) sua expressão comunicativa, mediante gestos e linguagem e 3) o plano da atividade mental. Desde a década de 60, estudiosos das emoções vem se dedicando com ênfase à questão de como as experimentamos e Interpretamos subjetivamente. E isso porque a avaliação cognitiva de uma situação parece contribuir para nossa reação emocional ao mundo que nos cerca. Foi isso que demonstraram, por exemplo os psicólogos Stanley Schachter e Jerome Singer num estudo famoso: voluntários que, sem saber, receberam pequenas doses de adrenalina experimentaram altos picos ou grandes quedas de animo quando comparados respectivamente com tipos brincalhões ou sombrios.

Hoje, o aprendizado de estratégias cognitivas desempenha papel importante no tratamento dos transtornos do afeto, como a angústia e a pressão. Abordagens terapêuticas como a da “reelaboração cognitiva”, desenvolvida por Aaron Beck, auxiliam pacientes de forma sistemática a abandonar hábitos negativos de pensamento. Em vez de partir sempre da pior das hipóteses, procura-se reanalisar mentalmente momentos de crise. Para que uma tal reappraisal (reavaliação) tenha êxito, pode ser útil colocar-se no papel de outra pessoa (“há outros jeitos”), lmaginar cenárlos alternativos (“não estou em perigo”) ou voltar a atenção para aspectos positivos da questão. Mediante o exercício repetido, essas técnicas são, então, internalizadas e podem contribuir para manter impulsos negativos sob controle.

O poder do pensamento, no entanto, tem seus limites. Como descobriu o pesquisador americano Joseph LeDoux, com base em experimentos com animais no final da década de 90, por meio de conexões neuronais diretas, informações sensoriais recebidas estimulamos centros cerebrais da emoção no sistema límbico. Por essa via, desencadeiam-se reações rapidíssimas de pavor, sem que elas tenham de passar pelo refúgio do pensamento consciente, o córtex cerebral.

Mestres da emoção

 

Como se acalmar

IRIS MAUSS é formada em psicologia e doutoranda da Universidade Stanford, em Palo Alto, Califórnia, onde pesquisa de que forma controlamos a raiva e a irritação.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.