PSICOLOGIA ANALÍTICA

Os sonhos

OS SONHOS: NOSSO ORÁCULO BIOLÓGICO

Eles funcionam como simuladores que nos avisam sobre potenciais perigos ou oportunidades – Um verdadeiro “oráculo biológico” capaz de orientar e aconselhar sobre as melhores decisões a serem tomadas no mundo real.

 Quando as diferentes espécies do gênero Homo ainda se misturavam, matavam e amavam entre si, há 30 mil anos, sonhar já era um imenso mistério diariamente renovado. O que seriam esses mundos cheios de universos, verdadeiros cinemas neolíticos, tão vívidos e interessantes à percepção e à emoção? De que modo eram interpretadas essas imagens de gente, bisões, mamutes e tudo o mais que povoava as paredes e a imaginação de nossos arqui-tataravós, ainda tão longe da escrita, da roda e da agricultura? Seria real o mundo daqui ou o de lá? As crianças de hoje têm dificuldade para entender que seus sonhos de satisfação do desejo mais intensos não geram consequências quando elas despertam. E entre aborígines australianos não há dúvida: o mundo real é ilusão, o mundo dos sonhos é que é real.

Não que os outros mamíferos não sonhem. Sonham sim, sonham demais. Basta olhar seu cachorro de estimação dormindo para inferir a rica experiência onírica que devem ter os animais. O sonho ocorre majoritariamente numa fase específica do sono chamada REM (iniciais de rapid-eye-movement), movimentos rápidos dos olhos que caracterizam essa etapa, acompanhada de um completo relaxamento dos outros músculos do corpo.

Quando estamos mais distantes da ação do mundo real, ficamos imersos no interior dos sonhos. Os mamíferos que experimentam mais sono REM são os que ocupam o topo da cadeia alimentar – e por isso não têm muito receio da predação. Os campeões do sono são os felinos, canídeos e símios, dominantes em suas esferas por força das presas, garras ou ação coletiva articulada. Provavelmente, os sonhos desses animais devem ser construídos em torno dos imperativos darwinistas de matar, não morrer e procriar, simulações de comportamentos adaptativos, ensaios de atos essenciais. Mas não, nenhum cão jamais sonhou com a riquíssima variedade de símbolos típica dos humanos. Quando José interpretou os sonhos do faraó no Egito imemorial, tratava-se de um fenômeno essencialmente humano. Como chegamos a isso? Sonhar deve ter sido profundamente perturbador para nossos ancestrais por milênios incontáveis de noites intensamente estreladas e mágicas. Longuíssima noite dos xamãs oníricos através de glaciações e degelos, até a ideia de que o sono e a morte são apenas passagens para outras vidas, gerando coisas completamente novas na cultura primata: as tumbas multicoloridas, as múmias, os sacerdotes sibilantes e os intérpretes de sonhos. De que modo esses elementos culturais se entrelaçaram na gênese da consciência humana é mistério a ser decifrado nos fragmentos de texto remanescentes da Antiguidade. Sabemos por meio desses escritos que cabia aos intérpretes oníricos decifrar as mensagens recebidas em sonhos pelos reis e chefes militares. Como eram tais sonhos?

Os textos mais antigos indicam que eram sonhos de aconselhamento ou comando das ações do sonhador, tipicamente advindos de ancestrais já falecidos. Uma inscrição egípcia de 4 mil anos atrás proclama “instruções que sua majestade o rei Amenemhet I deu ao seu filho quando lhe falou num sonho”. No Épico de Tukulti-Ninurta – rei assírio possivelmente identificado como Nimrod, bisneto do bíblico Noé -, um bem preservado texto cuneiforme escrito em acádio narra a aparição em sonhos de anjos enviados pelo poderoso deus Marduk para consolar e aconselhar o protagonista. Quase mil anos depois, ainda no Império Assírio, presságios oníricos eram coletados em volumes como o Ziqiqu, que estabelecia associações entre eventos ocorridos em sonhos e suas consequências.

Na Antiguidade, era comum ouvir em sonhos as vozes dos mortos. Conta a lenda que Anfiarau, heroico príncipe de Argos famoso por seus poderes divinatórios, suicidou-se do alto de uma ravina por influência de um Zeus colérico. Na vida real, essa ravina na Beócia tornou-se um foco de peregrinação, pois acreditava-se que de suas profundezas ecoava a voz do príncipe morto murmurando conselhos. Com o tempo ali se estabeleceram sacerdotisas que passaram a mediar as consultas, sobretudo através da interpretação dos sonhos dos peregrinos. Mas nem sempre os personagens oníricos traziam conselhos, às vezes eram apenas ecos fantasmagóricos dos que haviam morrido. Na Ilíada, provavelmente escrita no século 8° a.C., o semideus Aquiles é visitado em sonho pelo espírito de Pátrodo, morto em batalha contra os troianos. Quando Aquiles tenta abraçar seu melhor amigo, este simplesmente desaparece no chão fazendo ruídos estranhos…

A sequência causal entre memórias reverberantes, sonhos e impressões dos antepassados foi proposta em 1976 por Julian Jaynes, psicólogo da Universidade Princeton, no célebre livro The origin of consciousness in the breakdown of the bicameral mind (“A origem da consciência no colapso da mente bicameral”). Jaynes postulou que na aurora de nossa consciência atual encontram-se as memórias dos comandos verbais proferidos pelos chefes dos clãs. Tais comandos reverberavam no sistema auditivo de modo a permitir o trabalho continuado ao longo do dia, caçando, coletando, pastoreando, plantando, lutando e trabalhando arduamente mesmo na ausência do chefe por horas a fio. Esses líderes – em geral parentes de todo o grupo -, ao morrer, tinham o corpo untado, pintado e embalsamado com esmero e adoração… e deixavam reverberando em seus súditos as memórias de suas vozes plenas de autoridade. Uma reverberação que era mais forte nos sonhos do que na vigília, pela mera ausência de interferência sensorial propiciada pelo sono. Desses sonhos nasceram Marduk e os outros deuses da Babilônia, bem como todos os inúmeros deuses mais antigos. E com eles a casta de pessoas que ajudavam, de todas as formas possíveis, o transe místico dos que podiam evocar e interpretar as diretrizes divinas. Sacerdotes, pitonisas e outros oráculos divinatórios tiveram um grande poder real, fato bem ilustrado pelo escravo judeu José feito vizir no Egito por ter oferecido uma interpretação satisfatória dos sonhos do faraó.

Mas chegou o tempo em que ruíram as sociedades piramidais colossais, em que centenas de milhares de pessoas eram comandadas por um deus vivo que alucinava as vozes dos deuses mortos. Nessa ruína em que o número de bocas a alimentar e de fronteiras a proteger era maior do que toda a sabedoria dos velhos deuses, suas vozes se calaram. Do Eufrates ao Nilo os textos remanescentes denunciam esse silêncio, até que se rompeu a separação mental entre deuses e humanos. Passamos a entender que a voz incessante de nosso diálogo interno é apenas nossa, não de outra entidade. Desapareceram as pessoas bicamerais, que escutavam anjos e demônios. Surgiram as pessoas unicamerais, unificadas na representação de um “eu” autônomo que dispõe de um vasto repertório de memórias não para alucinar, mas para imaginar planos. Não mais o bicameral, brutal e ingênuo Aquiles que, sem passado ou futuro, apenas buscava a glória movido por comandos divinos. Agora sim, o unicameral Ulisses, “eu” cheio de estratagemas capaz de enganar os troianos num cavalo de madeira, antever os efeitos nefastos do canto das sereias, ludibriar Polifemo com seu conhecimento da mente alheia e principalmente viajar de maneira persistente por dez anos numa odisseia dolorosa, a fim de reencontrar esposa e filho na Ítaca distante. Hoje somos todos Ulisses em nossa capacidade de planejar o futuro usando as memórias do passado como antecipação da recompensa para levar adiante o trabalho. Aqueles hoje em dia que não vivenciam essa fusão, aqueles ainda cindidos numa mentalidade de múltiplos compartimentos seriam os esquizofrênicos. Platão comparou o delírio psicótico a um sonho perpétuo em que alguns homens acreditavam “que eram deuses e podiam voar”.

Impossível recontar nossa história sem mencionar os oráculos oníricos que hoje seriam chamados de loucos, mas que em sua época eram agentes sociais e políticos valorizados e sacralizados. Fundamentais durante muitos milênios, paulatinamente perderam importância e foram relegados, nos séculos mais recentes, ao limbo das superstições, no qual submergiram magos e profetas, até que o fenômeno onírico foi resgatado pela psicanálise.

Integrar toda essa evidência histórica com a ciência contemporânea é uma tarefa que apenas recentemente começou a ser possível. Um dos maiores avanços veio da pesquisa realizada nos anos 90 pelo psicanalista e neuropsicólogo Mark Solms, da Royal London School of Medicine. Estudando centenas de pacientes neurológicos, Solms descobriu que a capacidade de sonhar – mas não o sono REM – é especificamente abolida por lesões dos circuitos dopaminérgicos relacionados a recompensa e punição. Essa descoberta disso­ ciou pela primeira vez o sonho do sono REM, dando um sentido surpreendentemente exato à celebre noção freudiana de que o desejo é motor do sonho.

Apesar do desprezo com que o sonho foi tratado pela biologia e medicina do século 20, a interpretação onírica foi preservada no mundo ocidental por meio da cultura divinatória do povo iletrado, bem como no divã dos psicanalisados pelo método de Sigmund Freud e seus tantos seguidores. Carl Jung, seu colaborador, discípulo e desafeto, afirmou que “o sonho prepara o sonhador para o dia seguinte”. Em 2010, foi demonstrado pela primeira vez de forma sistemática e quantitativa um papel cognitivo para os sonhos. Os pesquisadores Robert Stickgold e Erin Wamsley, da Escola de Medicina da Universidade Harvard, estudaram a relação do repertório onírico com o desempenho de voluntários experimentais na navegação de um labirinto virtual. Os pesquisadores descobriram que apenas os voluntários que relataram sonhar com o labirinto tiveram melhora substancial de desempenho quando jogaram novamente, horas depois. Sonhos com outros assuntos distintos do labirinto não foram acompanhados de benefícios cognitivos: apenas pensar no labirinto, em estado de vigília, tampouco resultou em efeitos benéficos. Os resultados demonstraram que sonhar é adaptativo – e não simplesmente um epifenômeno do sono. Em 2012, um grupo de pesquisa liderado por Yukiyasu Kamitani nos laboratórios ATR de Neurociência Computacional, em Kyoto, publicou a primeira tentativa bem-sucedida de decodificar o conteúdo de um sonho, isto é, de reconstruir o enredo onírico com base apenas no sinal extraído do cérebro.

Com essas mais recentes descobertas, começa a ser delineado um cenário emocionante da evolução dos sonhos em nossa linhagem. A capacidade de imaginar o futuro com base no passado, eixo central de nossa consciência reflexiva, talvez represente a invasão durante a vigília de algo muito mais antigo, que é justamente a capacidade de sonhar. A função primordial dos sonhos teria sido, então, a de simuladores capazes de avisar sobre potenciais perigos ou oportunidades – um “oráculo” biológico que aconselhas se ou orientasse as pessoas sobre as melhores decisões a tomar num provável mundo real.

Tal oráculo não seria determinístico, e sim probabilístico, produzindo “palpites bem informados” que, a julgar pelo registro histórico, tiveram um papel poderoso na passagem do homem pré-histórico até nossos dias. As vantagens desse oráculo são evidentes, pois nada do que é simulado no mundo dos sonhos acarreta risco real para o sonhador.

Segundo essa teoria, nossos antepassados produziram em sonhos, protegidos pelo manto do sono, as ideias mais criativas e transformadoras de nossa espécie. Com o tempo desenvolveram complexos rituais para acessar o conhecimento oculto nas brumas oníricas. Em pouco tempo já não ousavam fazer qualquer coisa sem tal aconselhamento, dependendo dele para planejar as caçadas, determinar as colheitas, iniciar guerras e escolher as datas dos casamentos e demais eventos de importância social.

Que sorrisos dariam Freud e Jung se tivessem vivido para conhecer essas ideias? Que expressão de assombro veríamos nas faces de um sacerdote assírio ou xamã siberiano se pudessem observar, com seus próprios olhos, um sonho revelado não por uma pitonisa, mas por um escâner de ressonância magnética funcional? Seus olhos certamente brilhariam e então talvez suas pálpebras se fechassem para sonhar um sonho louco.

Motivos para mudar os planos

Ainda hoje, muitas pessoas interpretam sonhos como aviso ou premonição digna de orientar ações de compra e venda, casamentos, ocorrências trágicas, viagens, contratos e apostas a dinheiro. Numa pesquisa realizada por pesquisadores das universidades Carnegie Mellon e Harvard com passageiros do metrô, a maioria dos entrevistados declarou que os sonhos têm impacto efetivo em seu comportamento cotidiano, influenciando suas relações sociais (67%) e tomada de decisões (52%). Essa influência foi justificada pela crença de que os sonhos podem prever o futuro (68 %). Foi pedido aos participantes que imaginassem possuir um bilhete marcado para viagem aérea e lhes foi perguntado como reagiriam caso experimentassem um dos quatro cenários alternativos a seguir: alerta de ameaça terrorista, pensamento consciente na vigília sobre um possível acidente aéreo, sonho sobre um acidente aéreo e notícia sobre um acidente aéreo real. Curiosamente, os participantes declararam ter mais possibilidade de alterar seus planos de viagem em resposta ao sonho do que em qualquer outro cenário – até mesmo no caso de acidente de verdade.

Emoção, memória e aprendizagem

Para entender para que serve o sonho, necessitamos compreender algo básico: o homem contemporâneo tende a esquivar-se de todo risco. Em vez de caçadas perigosas coletas incertas, fazemos visitas regulares ao supermercado. No lugar de turnos de guarda noturna alternados para evitar um ataque traiçoeiro na madrugada, temos a segurança de muros, portas trancadas e alarmes. Em lugar de pedras e peles, dormimos sobre colchões anatômicos. Não enfrentamos dificuldade de encontrar parceiros sexuais férteis que não sejam parentes próximos, apenas o risco de levar um não de uma pessoa desconhecida numa festa ou bar. Se os sonhos alguma vez foram essenciais para nossa sobrevivência, já não o são. Isso não quer dizer, entretanto, que os sonhos não mais desempenhem um papel cognitivo.

Para esclarecer que papel é esse, é preciso em primeiro lugar desconstruir a noção de que os sonhos refletem algum tipo de processamento neuronal aleatório. Embora regiões profundas do cérebro de fato promovam durante o sono REM um bombardeio elétrico aparentemente desorganizado do córtex cerebral, há bastante evidência de que os padrões de ativação cortical resultantes desse processo reverberam memórias adquiridas durante a vigília. Mesmo que não soubéssemos disso, bastaria um pouco de reflexão e introspecção para refutar a teoria aleatória dos sonhos. A ocorrência múltipla de um mesmo sonho é um fenômeno detectável, ainda que ocasional, na experiência da maior parte das pessoas. Pesadelos repetitivos são sintomas bem estabelecidos do transtorno de estresse pós-traumático, que acomete indivíduos submetidos a eventos excessivamente violentos. Dada a imensa quantidade de conexões neuronais existentes no cérebro, seria impossível ter sonhos repetitivos se eles fossem o produto de ativação ao acaso dessas conexões.

Além disso, sonho e sono REM não são o mesmo fenômeno e sequer têm bases neurais idênticas. Temos certeza disso porque existem pacientes neurológicos que perdem a capacidade de sonhar, mas não deixam de apresentar o sono REM. Nesse caso, as regiões lesionadas, descritas por Mark Solms, são circuitos relacionados com a motivação para receber recompensas e evitar punições. Essas estruturas utilizam o neurotransmissor dopamina para modular a atividade de regiões relacionadas à memória, emoção e percepção. Sonhar com algo na vigília é o mesmo que desejar – e é exatamente de desejo que são feitos os sonhos. Curiosamente, são os níveis de dopamina que, em experimentos com camundongos transgênicos, regulam a semelhança entre os padrões de atividade neural observados durante o sono REM e a vigília. Portanto, a ideia de que psicose é sonho, ridicularizada por décadas, também encontra apoio na neuroquímica moderna.

E ainda, ao contrário da teoria de que os sonhos são subproduto do sono sem função própria, prevalece cada vez mais a noção de que o sono e o sonho são cruciais para a consolidação e a reestruturação de memórias. Ambos os processos parecem ser dependentes da reverberação elétrica de padrões de atividade neural que ocorrem enquanto dormimos e representam memórias recém-adquiridas. Essa reverberação se beneficia da ausência de interferência sensorial durante o sono e resguarda o processamento mnemônico de perturbações ambientais. A reverberação é favorecida também pela ocorrência de oscilações neurais durante o sono sem sonhos, chamadas de ondas lentas. Os pesquisadores Lisa Marshall, Jan Born e colaboradores da Universidade de Lübeck, na Alemanha, demonstraram que é possível aumentar a taxa de aprendizado realizando estimulação elétrica de baixa frequência durante o sono de ondas lentas.

Em contrapartida, como venho demonstrando junto com outros grupos de pesquisa desde 1999, o sono REM parece ser fundamental para a fixação de longo prazo das memórias em circuitos neuronais específicos. Esse processo depende da ativação de genes capazes de promover modificações morfológicas e funcionais das células neurais. Tais genes são ativados durante a vigília quando algum aprendizado acontece e voltam a ser acionados durante os episódios de sono REM subsequentes. Como resultado, memórias evocadas por reverberação elétrica durante o sono de ondas lentas são consolidadas por reativação gênica durante o sono REM.

Essa reativação cíclica das memórias em diferentes fases do sono e da vigília vai paulatinamente fortalecendo os caminhos neurais mais importantes para a sobrevivência do indivíduo, enquanto as memórias inúteis são gradativamente esquecidas.

Experimentos eletrofisiológicos e moleculares mostram ainda que as memórias migram de um lugar para outro do cérebro, sofrendo importantes transformações com o passar do tempo. Meu laboratório tem mostrado que áreas do cérebro envolvidas na estocagem temporária de informações, como o hipocampo, apresentam reverberação elétrica e reativação gênica apenas durante os primeiros episódios de sono após o aprendizado. Em contraste, áreas do córtex envolvidas na armazenagem duradoura das memórias apresentam persistência desses fenômenos por muitos episódios de sono após a aquisição de uma nova memória.

PASSAGEM BIBLICA: o faraó sonhou com sete vacas magras que devoravam novilhas gordas, o que foi interpretado por José do Egito como um prenúncio de anos de fartura seguidos por um período de miséria

José interpreta o sonho de faraó

José interpreta o sonho de faraó.2

José interpreta o sonho de faraó.3

SIDARTA RIBEIRO é neurobiólogo, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e professor titular da UFRN.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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