PSICOLOGIA ANALÍTICA

As respostas que veem do sonho

AS RESPOSTAS QUE VÊM DOS SONHOS

Formações oníricas são modos de pensar, a partir de um estado de consciência diferente daquele com o qual estamos acostumados, capaz de favorecer a inspiração – várias descobertas científicas, criações artísticas e soluções de problemas cotidianos já surgiram enquanto as pessoas dormiam.

 Na década de 50, o jovem Don Newman ensinava matemática no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) ao lado de um astro em ascensão e futuro vencedor do Nobel, John Nash. Newman lutava bravamente para resolver um problema de matemática: “Eu estava tentando, faltava pouco, mas não conseguia, não conseguia, e não conseguia”, lembra-se. Uma noite, Newman sonhou que estava pensando no problema quando Nash apareceu. No sonho, o rapaz relatou os detalhes do enigma para Nash e perguntou se ele sabia a solução. E o interlocutor explicou como resolvê-lo! Newman acordou com a sensação de que tinha a resposta! Ele passou as semanas seguintes transformando seu insight em um artigo formal que posteriormente foi publicado numa revista científica.

Newman não foi o único a fazer uma descoberta prática durante o sono. Enquanto dormiam, o químico alemão Friedrich August Kekulé teve a percepção da estrutura do benzeno e seu colega Dmitri Mendeleyev imaginou a estrutura final da tabela periódica dos elementos. Mais recentemente, o físico Paul Horowitz, pesquisador da Universidade Harvard e diretor do Projeto Beta, que monitora permanentemente o espaço, sonhou com seu projeto de telescópio óptico.

Inúmeros artistas e cineastas recriaram as imagens que visualizaram enquanto dormiam. A escritora Mary Shelley sonhou com as principais cenas que deram origem ao Frankenstein; o mesmo aconteceu com Robert Louis Stevenson em relação a O médico e o monstro. já os compositores Ludwig van Beethoven e Paul McCartney acordaram com novas melodias soando na cabeça. A convocação do Mahatma Gandhi para um protesto não violento na Índia também foi inspirada por sonho.

Geralmente as experiências oníricas nos parecem estranhas, incoerentes ou triviais. Procuramos desesperadamente um amigo num labirinto interminável porque precisamos entregar-lhe um pacote verde. Mas ao encontrá-lo, esquecemos o objeto – que já não está mais em nossas mãos -, e de qualquer forma ele agora é um vizinho, não mais nosso amigo. Outros sonhos são efêmeros – acordamos, talvez, pensando numa caixa verde, e isso é tudo de que nos lembramos. Durante décadas os cientistas tentaram entender essas características tão diversas dos sonhos. A pesquisa parece indicar que se trata simplesmente de pensamentos, em um estado bioquímico diferente do estado de vigília. Os requisitos psicológicos necessários para sonhar alteram o funcionamento neurológico, por isso a experiência onírica pode parecer estranha ou sem sentido porque a química do cérebro adormecido afeta a forma como percebemos nossos próprios pensamentos. Apesar disso, continuamos focados nas mesmas questões que nos afligem quando acordados. Esse estado incomum de consciência geralmente é muito benéfico para a solução de problemas – ajuda a encontrar alternativas fora do padrão de raciocínio. Seguindo alguns passos simples, podemos ter até algum domínio sobre essa capacidade, encorajando nosso cérebro adormecido a vencer algumas barre iras e produzir ideias criativas.

Há muito tempo os teóricos vêm tentando explicar a razão dos sonhos. Sigmund Freud mostrou que essas formações psíquicas expressam basicamente desejos reprimidos, ou seja, impulsos sexuais infantis e agressivos, e podem ser um caminho privilegiado para instâncias da mente às quais não costumamos ter acesso. Há também casos em que elas nos ajudam a elaborar vivências traumáticas ou situações relacionadas a disputas narcisistas, podendo surgir como compensação de sentimentos de inferioridade – o que também se enquadraria na satisfação de desejos.

MENOS CENSURA

Recentemente, médicos e psicólogos propuseram que os sonhos simulam ameaças ou ajudam a consolidar memórias – hipóteses que não põem em xeque a genialidade das constatações freudianas. Nenhuma teoria, porém, é suficientemente abrangente para dar conta de tantas nuances que caracterizam alguns sonhos. Exatamente como nosso pensamento oscila entre reminiscências, planejamento, reflexão etc., quando acordados, o sonho também engloba vários desdobramentos.

Antigos teóricos acreditavam que nos lembrávamos de tudo o que sonhávamos – algo que hoje sabemos não ser verdade. Várias hipóteses propunham que as pessoas sonhavam apenas quando alguma situação específica disparava um conjunto de sensações distintas – desejo sexual, por exemplo, ou ego ferido. Nos anos 50, no entanto, estudos inovadores realizados por Eugene Aserinsky e Nathaniel Klietman, ambos da Universidade de Chicago, mostraram que sonhamos muito mais do que provavelmente conseguimos recordar. Os dois pesquisadores descobriram que o sono é formado por ciclos de aproximadamente 90 minutos – cada um com um período de rápido movimento ocular (REM, na sigla em inglês) e intensa atividade cerebral. Quando as pessoas são despertadas perto do fim do período REM, elas se referem, em média, a cinco sonhos por noite. A discrepância entre os relatos daqueles que foram despertados logo depois da fase REM e de outros acordados mais tarde levou os cientistas a concluir que os sonhos quase sempre acompanham essa etapa do sono, mesmo que as pessoas não se lembrem deles pela manhã.

Nas duas últimas décadas, a tomografia de emissão de pósitrons (PET, na sigla em inglês) permitiu visualizar áreas do cérebro mobilizadas durante o sonho. Uma das coisas que os especialistas notaram num primeiro momento foi que durante o sono é mais fácil “ligar” e “desligar” certas áreas neurais que outras. Partes do córtex associadas a imagens visuais e percepção do movimento são ativadas até mais fortemente que quando estamos acordados, assim como acontece com certas regiões profundas do cérebro associadas à emoção. Em contraposição, o córtex pré-frontal dorsolateral é menos solicitado durante o sono e está mais associado à ação volitiva e à capacidade de avaliar o que é lógico e socialmente apropriado. Os resultados das tomografias se ajustam bem às características dos sonhos. Relatos de experiências oníricas quase sempre apresentam imagens associadas a movimento.

As descobertas a respeito das regiões pré-frontais estão em perfeito acordo com a ideia de que nos sonhos há “menos censura” – não só no sentido da repressão da sexualidade e dos impulsos agressivos, mas também na filtragem de cenários que parecem ilógicos ou anormais.

SINAL DE FUMAÇA

A parte boa desse momentâneo desprezo da racionalidade e do controle sobre nós mesmos é que a nova ordem que surge nos sonhos nos permite ver a realidade de outros ângulos. Ou seja, às vezes, resolver um quebra-cabeça da forma “errada” leva a insights surpreendentes. Psicólogos evolucionários endossaram a ideia de que o retrato PET do cérebro enquanto sonhamos é uma evidência de que essas atividades teriam garantido a sobrevivência da espécie humana. O antropólogo Donald Symons, pesquisador da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, discute em seu ensaio The stuff that dreams aren’t made of (“De que são feitos os sonhos”), de 1993, que durante o sono as pessoas precisam “monitorar” o ambiente com sentidos específicos – para sentir cheiro de fumaça, ouvir intrusos, perceber mudanças de temperatura e sentir dor. Uma ativação extrema dessas sensações, no entanto, pode nos levar a despertar em estado de pânico desnecessário ou, até pior, se o sobressalto se prolonga por período maior podemos desenvolver um limiar de tolerância para bloquear nossos alertas reais. E tudo isso de olhos fechados, pois não vistoriamos o ambiente visualmente durante o sono. Nosso corpo está imóvel, como costuma acontecer durante o sono REM, porque não precisamos nos mover- e em geral não o fazemos até despertar.

O processo evolutivo pode, então, ajudar a entender por que certas áreas do cérebro são mais – ou menos – ativadas quando dormimos. O padrão de atividade explica as características dos sonhos – visualmente ricos, mas desprovidos de lógica. No início, essas descobertas fisiológicas empolgantes levaram a teorias de que as formações oníricas eram simplesmente um epifenômeno, ou efeito colateral, de padrões cerebrais que apareciam quando adormecíamos. Pesquisadores do sonho geralmente se referem à atividade REM como “aleatória”, embora não haja outras evidências sugerindo que seja mais eventual que a atividade do cérebro em estado de vigília.

Uma coisa da qual nem todas as pessoas se dão conta é que nunca deveríamos descartar rápido demais nossos pensamentos de forma geral. Saber que o córtex pré-frontal está ativo quando deparamos com uma proibição social não resolve o debate subjetivo que vivenciamos nas situações em que temos de decidir como agir. Da mesma forma, descrever o conteúdo de um sonho ou as atividades cerebrais associadas a ele não explica sua finalidade. Estudiosos do cérebro finalmente compreenderam esse fato depois de duas décadas de marasmo – e nos últimos anos voltaram a estudar seriamente os sonhos.

Na década de 90, vários pesquisadores sugeriram que o sono é importante para a consolidação da aprendizagem: estudos anteriores já tinham mostrado que tirar uma soneca depois de aprender algo novo ajuda a reter melhor o conteúdo do que se nos mantivermos acordados. Outras descobertas sugerem que o sono REM desempenha papel relevante na consolidação da memória. Estudos com ratos que aprenderam a caminhar em labirintos mostram que, durante essa fase, a atividade cerebral imita a atividade do roedor quando está acordado treinando – o que leva a crer que os circuitos cerebrais podem ser reforçados na memória. Quanto mais longo o período de sono REM depois de adquirir conhecimentos, melhor as pessoas se lembrarão de fatos emocionalmente marcantes.

Em 2009, psicólogos da Universidade da Califórnia em San Diego investigaram se o sono REM tinha outros efeitos além de facilitar a memorização do aprendizado. Os voluntários do experimento foram submetidos a testes que exigiam a solução criativa de problemas e depois receberam dicas sobre as respostas. Os participantes passavam, então, certo tempo acordados, em sono não REM ou em sono REM antes de ser submetidos ao mesmo teste. Os integrantes do último grupo foram os únicos que mostraram melhora significativa nas soluções criativas dos problemas anterior­ mente apresentados.

No mesmo ano, no laboratório de Robert Stickgold, da Universidade Harvard, a equipe liderada pela pesquisadora lna Djonlagic ensinou aos estudantes que participavam do estudo complicados sistemas de previsão do tempo. Os jovens receberam uma combinação de imagens que representava probabilidades de sol e chuva. Eles não sabiam interpretá-las, mas, por tentativa e erro, traçaram um prognóstico geral. Os pesquisadores observaram que os participantes que cochilaram antes da tarefa, novamente, foram mais bem-sucedidos em descobrir a regra geral para interpretar o significado das imagens, em comparação aos que não dormiram. Além disso, a qualidade do desempenho dos participantes e sua capacidade de articular explicitamente que tinham descoberto a regra geral estavam diretamente relacionadas ao período de sono REM que tiveram.

Pesquisas posteriores confirmaram que o REM ajuda na solução de problemas. Numa série de estudos em andamento no mesmo laboratório de Harvard, a pesquisadora Erin Wamsley solicitou aos participantes que percorressem um labirinto virtual. Depois de praticarem um pouco, alguns permaneceram acordados, outros passaram por um período de sono REM e um terceiro grupo por um sono não REM. Erin relatou na Conferência Internacional da Associação de Estudos do Sonho, em junho de 2011, nos Estados Unidos, que somente o sono REM aperfeiçoou o desempenho dos participantes.

A cientista também descobriu que quando os voluntários eram acordados e lhes era perguntado o que estavam sonhando ou pensando, o foco geralmente era o labirinto – mas somente quando esse pensamento ocorria durante o sono REM os participantes realmente se safam melhor ao enfrentar novamente o labirinto, mais tarde.

Como os sonhos ocorrem na fase de rápido movimento ocular, tudo leva a crer que o ato de sonhar pode estar relacionado com a solução criativa de problemas. Inúmeras evidências experimentais e incontáveis relatos que surgiram dessas condições reforçam essa ideia.

DECISÕES NO TRAVESSEIRO

O primeiro estudo sobre sonhos e solução objetiva de problemas foi realizado há mais de um século. Em 1892, Charles M. Child, da Universidade Wesleyan, em Connecticut, perguntou a 186 alunos se eles já tinham resolvido algum problema enquanto dormiam. Um terço respondeu afirmativamente. Os estudantes relataram ter jogado xadrez, solucionado uma equação de álgebra e traduzido um trecho de Virgílio – ao acordarem simplesmente tinham a resposta.

A maior descoberta surgiu quando os pesquisadores tentaram induzir os participantes de um estudo a sonhar com um problema específico. Em 1972, o psiquiatra William Dement, da Universidade Stanford, solicitou a 500 alunos que passassem 15 minutos à noite tentando resolver quebra-cabeças desafiadores, de forma a adormecerem com o problema em mente. Os alunos relataram ter tido 87 sonhos, dos quais sete se relacionavam à solução de um quebra-cabeça.

Esses tipos de desafio mental são ferramentas úteis para testar a solução criativa de problemas, porque geralmente as pessoas se concentram muito antes de ter um insight do tipo “aha!”. No entanto, eles podem estar além da capacidade de algumas pessoas, e por falta de interesse elas não se comprometem de fato com sua resolução. No estudo de Dement, que durou três noites, todas as respostas corretas surgiram na primeira noite. Ele inferiu que os alunos se desinteressavam por problemas pessoalmente menos importantes. Por isso, na pesquisa realizada em 1996, utilizamos abordagem diferente. Solicitamos aos voluntários que selecionassem seus próprios impasses. Eles registraram os sonhos durante uma semana e anotaram aqueles que acreditavam ter resolvido o problema ou continham uma solução satisfatória. Dois pesquisadores assistentes ajudaram a avaliar se os sonhos estavam focados nas questões propostas antes e se realmente as haviam resolvido.

A maior parte dos participantes escolheu problemas aparentemente mais simples que os desafios mentais de Dement. Metade deles acreditava ter chegado a pistas sobre o que fazer durante o sonho, e um terço sonhou com a solução. Embora várias “respostas” estivessem ligadas a trabalhos da faculdade ou tarefas comuns, como mudar a posição dos móveis, algumas soluções interessantes estavam relacionadas com grandes decisões da vida pessoal. A seguir, uma questão considerada resolvida pelos pesquisadores:

Problema: Eu me inscrevi em dois tipos de curso, de psicologia clínica e de psicologia organizacional, porque não consigo decidir qual seguir.

Sonho: Há um mapa dos Estados Unidos e estou num avião sobrevoando o mapa. O piloto nos avisa que um dos motores está com defeito e precisamos pousar. Procuramos um lugar seguro no mapa e sugiro Massachusetts, que estamos sobrevoando naquele exato momento, mas ele diz que lá é muito perigoso.

Solução: Acordei e me dei conta de que o curso de psicologia clínica que escolhi está em Massachusetts, onde passei toda a minha vida e onde vivem meus pais. O curso de psicologia organizacional é distante, no Texas. Na verdade, eu tinha intenção de permanecer perto de casa, mas lá não havia bons cursos de psicologia organizacional. Mas depois percebi que não seria bom para mim neste momento estar próximo de casa. Por mais estranho que possa parecer, ir para longe é mais importante que o curso que quero seguir. O exemplo mais famoso de todos os tempos – Kekulé perceber que a estrutura da molécula de benzeno baseia-se num anel fechado depois de ter sonhado com uma série de átomos em forma de cobra que engolia o próprio rabo – ilustra dois aspectos diferentes da solução durante o sonho.

Vale lembrar que as áreas do cérebro que normalmente restringem nosso pensamento ao que é lógico e familiar são muito menos ativadas durante o sono REM. Vários estudos sugerem que essa liberação é crucial para a criatividade. Da mesma forma, a alta atividade de áreas visuais do cérebro adormecido permite que ele visualize soluções mais rapidamente do que quando estamos acordados. No caso de Kekulé, ele estava intrigado porque todas as moléculas conhecidas eram formadas por linhas retas com ramificações laterais, e ele imaginava, equivocadamente, que o benzeno deveria seguir o mesmo padrão.

Soluções sonhadas tendem a ter características visuais pouco comuns. No final da década de 90, vasculhei a literatura existente a respeito do universo onírico e até mesmo biografias e livros de história sobre a solução de problemas em sonhos e perguntei a profissionais de várias áreas se já tinham tido sonhos úteis. Alguns padrões se destacaram. Cerca de dois terços dos artistas visuais afirmaram ter usado sonhos em suas criações. Metade dos escritores de ficção também. Pessoas das áreas exatas, como engenheiros e outros profissionais acostumados a visualizar problemas em três dimensões, relataram ter sonhos úteis com frequência. Alguns mencionaram que, depois de ter acordado várias vezes com uma ótima ideia, desenvolveram uma rotina na hora de dormir para facilitar o que chamo de “processo de incubação”.

No estudo que estamos realizando atualmente, cujos resultados preliminares foram apresentados na conferência sobre o sonho, investigamos como as pessoas podem aproveitar melhor essa habilidade. Para isso, pedimos a profissionais entre 21e 69 anos que tentassem resolver problemas concretos relacionados ao seu campo de trabalho durante o sono. Aparentemente, eles sonhavam com esse tipo de questão com mesma frequência que os universitários observados em 1996; no entanto, resolveram menos da metade dos problemas. Talvez isso tenha ocorrido porque as situações relacionadas à profissão sejam mais complexas que os dilemas dos estudantes.

NOS BRAÇOSDE MORFEU

Além disso, como os integrantes desse segundo grupo são mais velhos, podem não se lembrar tanto dos sonhos – principalmente por falta do hábito de se esforçar em fazê-lo ao longo dos anos. A boa notícia é que um número significativo deles relatou ter tido pelo menos um sonho útil após uma semana de exercício de incubação. Isso nos leva a crer que essa ferramenta noturna está ao alcance de todos.

Logo depois de lançar meu livro Tudo começou com um sonho (Ediouro, 2002), ouvi Newman contar novamente sua história com Nash num programa de televisão e assisti ao filme Uma mente brilhante (2001). Um ano de pois, inesperadamente me sentei ao lado de Nash em um jantar. Perguntei-lhe sobre o incidente, do qual ele se lembrava muito bem. “Don incluiu no artigo uma nota me agradecendo, como se eu o tivesse ajudado quando, na verdade, o sonho era dele”, riu discretamente. Eu deparei várias vezes com aquela nota em minha pesquisa. As soluções frequentemente surgem de um personagem do sonho – um programador teve repetidas aulas noturnas com Albert Einstein, por exemplo-, e as pessoas relutam em acreditar no que a mente faz durante o sonho. Essa tendência reforça as descobertas sobre o sono REM nas quais o córtex pré-frontal dorso lateral, associado a percepções de volição, está menos ativo.

Mas não precisamos esperar passivamente que a inspiração surja quando nos entregamos aos braços do deus mitológico Morfeu (do grego, “moldador de sonhos”). Passamos mais de um terço da vida dormindo – e quase um terço desse tempo sonhando. Nossas pesquisas sugerem que em breve as pessoas aprenderão a dirigir essas produções psíquicas – e, por que não, também bioquímicas – para encontrar soluções. Pesquisas mostram que elas podem ser reveladas em sonhos – afinal, dois Prêmios Nobel se inspiraram assim. Mas se você decidir deixar seu cérebro ressonando em paz, preste atenção: depois de adormecer, é muito provável que o estado alterado de consciência já esteja trabalhando a todo vapor. Mesmo que você não perceba.

Movimentos coloridos

 UMA MÃOZINHA PARA OS SONHOS

Sonhar intencionalmente com determinado problema – processo chamado de incubação – aumenta as chances de vislumbrarmos pistas para resolvê-lo. O termo “incubação” foi tomado por empréstimo de antigas práticas gregas executadas no templo de Esculápio (ou Asclépio), onde, em sonho, os doentes buscavam curar suas enfermidades. A psicologia ocidental sugere que podemos procurar interferir nesse processo de forma consciente seguindo alguns passos:

  • – Na hora de dormir, escreva resumidamente a questão que o aflige, de preferência numa frase curta, e coloque a anotação perto da cama. Mantenha também papel e caneta – e até uma lanterna ou luminária – ao lado dela.
  • – Imagine-se sonhando com a situação que deseja resolver, acordando e anotando tudo num papel. Recapitule o problema por vários minutos antes de se deitar.
  • – Já deitado, pense no problema que quer resolver, se possível evocando uma imagem concreta, uma cena.
  • – Enquanto começa a adormecer, repita para si mesmo que quer sonhar com essa questão.
  • – Ao despertar, permaneça imóvel por alguns segundos antes de se levantar. Tente se lembrar de ter sonhado e recapitule ao máximo os detalhes do sonho.
  • – Escreva tudo de que se lembrar. Primeiro registre as palavras-chave que expressem o que for mais importante, depois inclua outras informações.

UMA DICA: Se quiser adotar um procedimento mais elaborado, disponha objetos relacionados ao problema na mesinha de cabeceira ou na parede em frente à cama (se estiver em dúvida sobre um relacionamento, por exemplo, use uma foto da pessoa com quem está envolvido). Mais que a presença desse tipo de objeto, o ritual e a concentração ajudam a estabelecer o foco de atenção.

DEIRDRE BARRETT – Psicóloga da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard, autora de The committee of sleep (Oneiroi, 2010) e, Tudo começou com um sonho (Ediouro, 2002).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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