ALIMENTO DIÁRIO

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MATEUS 3: 7-12

 

A Pregação de João Batista

A doutrina que João pregava era a do arrependimento, considerando que era chegado o Reino dos céus; aqui nós temos o uso desta doutrina. A sua aplicação é uma vida de pregação, e esta era a pregação de João.

Observe:

1.A quem ele a aplicava; aos fariseus e aos saduceus que vinham ao seu batismo (v. 7). Aos outros, ele pensava que era suficiente dizer: ”Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus”; mas quando ele viu estes fariseus e saduceus se aproximando, achou que era necessário explicar-se, e ser mais específico. Estas eram duas das três seitas destacadas entre os judeus daquela época, a terceira era a dos essênios, sobre os quais nada lemos nos Evangelhos, pois eles se afastavam e evitavam se envolver em questões públicas. Os fariseus eram zelosos pelas cerimônias, pelo poder da sinagoga e pelas tradições dos anciãos; os saduceus estavam no extremo oposto, e eram ligeiramente melhores que os deístas, negando a existência de espíritos e de um estado futuro. E estranho que eles viessem ao batismo de João, mas a sua curiosidade os trouxe para ouvir; e alguns deles, provavelmente, se submeteram ao batismo, mas certamente a maioria deles não o fez, pois Cristo diz (Lucas 7.29,30) que “todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido batizados com o batismo de João, justificaram a Deus. Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele”. Observe que muitos vinham para os rituais e não eram influenciados por eles. Para estes, aqui João se dirige com toda a devoção, e o que ele disse a eles, o disse à multidão (Lucas 3.7), pois o que ele dissesse seria aplicável a todos eles.

2.Qual era a aplicação. Era clara e familiar, e dirigida às suas consciências. Ele fala como alguém que vem não para pregar diante deles, mas para pregar a eles. Embora a sua educação fosse reservada, ele não era acanhado quando aparecia em público, nem temia a presença dos homens, pois estava cheio do Espírito Santo e de poder.

 

I – Aqui está uma mensagem de condenação e de despertamento. Ele começa de maneira áspera, não os chama de rabinos, não se dirige a eles por seus títulos, e tampouco lhes dedica os aplausos aos quais eles estão acostumados.

1.O título que lhes atribui é “raça de víboras”. Cristo lhes atribuiu o mesmo título (12.34; 23.33). Eles eram como víboras; embora de aparência enganosa, eram venenosos, e cheios de maldade e inimizade a tudo o que fosse bom; era uma raça de víboras, a semente e a descendência de outros que tinham tido o mesmo espírito; isto já nascia com eles. Eles se vangloriavam disso, de serem a descendência de Abraão; mas João Batista mostrou-lhes que eles eram a semente da serpente (compare Genesis 3.15); a semente do pai deles, o diabo (João 8.44). Constituíam um grupo mau, todos semelhantes; embora inimigos entre si, ainda se uniam em maldades. Observe que uma geração malvada é uma geração de Víboras, e eles precisavam saber disso; é necessário que os ministros de Cristo sejam ousados ao mostrar aos pecadores o verdadeiro caráter deles.

2.O alerta que João dá é o seguinte: “Quem vos ensinou a fugir da ira futura?” Isto dá a entender que eles estavam se arriscando à ira futura; e o caso deles era quase tão desesperado, e seus corações estavam tão endurecidos pelo pecado (os fariseus, pela sua exibição de religião, e os saduceus, pelos seus argumentos contra a religião), que era necessário algo muito próximo a um milagre para realizar alguma coisa que trouxesse esperança entre eles. “O que os traz aqui? Quem iria imaginar vê-los aqui? Que medo incutiram em vocês, para que vocês procurem o Reino dos céus?” Observe:

(1) Existe uma ira futura; além da ira presente, cujos pequenos frascos são derramados agora. Existe a ira futura, o que está acumulado para o futuro.

(2) É do maior interesse de cada um de nós fugir dessa ira.

(3) É pela misericórdia divina que nós somos advertidos claramente para fugir dessa ira. Pense: Quem nos advertiu? Deus nos advertiu, Ele que não se alegra com a nossa ruína. Ele nos adverte pela palavra escrita, pelos ministros, pela consciência.

(4) Estas advertências, às vezes, assustam aqueles que parecem ter estado muito endurecidos na sua segurança e boa opinião sobre si mesmos.

 

II – Aqui há uma mensagem de exortação e orientação (v. 8). “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”. Portanto, como vocês foram advertidos a fugir da ira futura, deixem que o temor ao Senhor vos conduza a uma vida santa. Ou, portanto, como vocês professaram arrependimento, e ouviram a doutrina, e passaram pelo batismo do arrependimento, mostrem que são verdadeiros penitentes. O arrependimento nasce no coração. Ele está ali, como uma raiz; mas em vão fingiremos possuí-la, se não produzirmos os frutos dele, em urna transformação universal, abandonando todo o pecado e nos apegando ao que é bom. Estes são frutos dignos do arrependimento. Observe que aquele que afirma que lamenta os seus pecados, mas continua persistindo neles, não é digno de ser chamado de penitente, nem de ter os privilégios dos penitentes. Aquele que professa arrependimento, como o fazem todos os que são batizados, deve agir como um ser penitente e nunca fazer qualquer coisa imprópria a um pecador penitente. É conveniente que os penitentes sejam humildes aos seus próprios olhos, que sejam gratos à menor graça, pacientes sob as maiores dificuldades, que estejam alertas contra todas as manifestações do pecado e às suas investidas, que sejam abundantes no cumprimento de todos os seus deveres, e que sejam caridosos ao julgar os outros.

 

III – Aqui há uma mensagem de recomendação para que não confiem nos seus privilégios externos, pois esta atitude pode retardar estes chamados ao arrependimento (v. 9). “Não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão”. Observe que há muita coisa que os corações carnais são aptos a dizer a si mesmos, deixando de lado o poder persuasivo da Palavra de Deus (que é repleta de autoridade). Os ministros devem procurar prever estas atitudes, para que possam tratá-las no tempo certo; os pensamentos vãos que se alojam naqueles que são chamados a lavar os seus corações (Jeremias 4.14). “Não finjam, não sejam presunçosos, dizendo estas coisas dentro de si mesmos. Não pensem que isto poderá salvá-los; o refúgio não está na arrogância”. Alguns interpretam esta passagem da seguinte maneira: “Não sintam prazer dizendo isto; não se embalem para dormir com isto, nem se elogiem no paraíso de um tolo”. Observe que Deus percebe aquilo que nós dizemos dentro de nós, o que não ousamos proferir em voz alta, e conhece todos os falsos descansos da alma e as falácias com as quais ela se engana. Mas ela não os revelará, para que o engano não seja apontado. Muitos escondem a mentira que os destrói na sua mão direita, e a ocultam sob a língua, porque têm vergonha de possuí-la. Estas pessoas trabalham para satisfazer os interesses do diabo, sob a orientação do diabo. Agora, João lhes mostra:

1.Qual era a sua desculpa: “Temos por pai a Abraão”; nós não somos pecadores gentios; é adequado, realmente, que os gentios sejam chamados a arrepender-se, mas nós somos judeus, uma nação santa, um povo especial, o que representa isto para nós? Observe que a mensagem não traz nenhum benefício, se nós não a assumirmos corno dirigida e pertencente a nós. Portanto, não pensem que por serem filhos de Abraão:

(1) Vocês não precisam se arrepender; vocês não têm nada de que se arrepender. A sua relação com Abraão e o seu interesse no concerto feito com ele é o que os denomina de santos, a ponto de não haver oportunidade de que vocês mudem de ideia ou de rumo.

(2) Que vocês estão suficientemente bem, embora não se arrependam. Não pensem que isto irá evitar o seu julgamento e protegê-los da ir a futura. Que Deus irá tolerar a sua impenitência, porque vocês são a semente de Abraão. Observe que é presunção vã pensar que as nossas boas relações irão nos salvar, embora nós mesmos não sejamos bons. Embora sejamos descendentes de antepassados religiosos, tenhamos sido abençoados com uma educação religiosa, tenhamos uma família na qual o temor a Deus é absoluto e tenhamos bons amigos que nos aconselham e oram por nós, de que maneira tudo isto poderá nos beneficiar, se não nos arrependermos e vivermos uma vida de arrependimento? Nós temos Abraão como nosso pai, e, portanto, temos direito aos privilégios do concerto realizado com ele sendo sua semente, nós somos filhos da igreja, o templo do Senhor (Jeremias 7.4). Observe que muitos, repousando nas honras e nas vantagens da sua filiação visível à igreja, não conseguem alcançar o céu.

2.Como era tola e infundada esta desculpa; eles pensavam que, sendo semente de Abraão, eram o único povo que Deus tinha no mundo e, portanto, se eles fossem rejeitados, Deus não teria uma igreja; mas João lhes mostra a tolice desta arrogância: “Eu vos digo (não importa o que dizeis em si mesmos) que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”. Ele estava batizando no Jordão, em Betânia (João 1.28), o lugar da passagem, onde os filhos de Israel atravessaram o rio; e ali estavam as doze pedras, uma para cada tribo, que Josué erigiu como um memorial (Josué 4.20). Não é improvável que ele apontasse para estas pedras, que Deus poderia fazer com que fossem mais do que uma representação das doze tribos de Israel. Ou talvez ele estivesse se referindo a Isaías 51.1, onde Abraão é chamado de rocha da qual todos tinham sido cortados. Aquele Deus, que trouxe Isaque daquela rocha, pode, se necessário, fazer a mesma coisa em um outro contexto, pois para Ele nada é impossível. Alguns opinam que ele apontou para os soldados pagãos que estavam presentes, dizendo aos judeus que Deus iria erigir uma igreja para si mesmo em meio aos gentios, e conceder a bênção de Abraão sobre ela. Assim, quando os nossos primeiros pais caíram, Deus poderia tê-los deixado perecer, e das pedras teria criado outro Adão e outra Eva. Ou podemos interpretar da seguinte maneira: ”As próprias pedras serão consideradas semente de Abraão, em lugar de pecador es endurecidos, secos, e infrutíferos como vocês”. Observe que da mesma maneira como isto está diminuindo a confiança dos filhos de Sião, também está incentivando as esperanças dos filhos de Sião de que, aconteça o que acontecer com a geração atual, Deus nunca ficará sem um a igreja neste mundo; se os judeus forem arrancados, os gentios serão enxertados (cap. 21.43; Romanos 11.12 etc.).

 

 

IV – Existe uma mensagem de terror para os fariseus, os saduceus e outros judeus descuidados e seguros, que não conhecem os sinais dos tempos, nem o dia da sua visitação (v. 10). “Agora olhem à sua volta, agora que o Reino de Deus está prestes a se manifestar, a ponto de podermos senti-lo”.

1.”Como é rígido e curto o seu julgamento. ‘Agora, está posto o machado’ diante de vocês, está junto “à raiz das árvores, e agora vocês dependem do seu bom comportamento, e estarão assim por um curto período de tempo; agora vocês estão marcados para a ruína, e não podem evitar, a não ser por meio de um arrependimento rápido e sincero. Agora vocês precisam esperar que Deus faça com vocês um trabalho mais rápido, pelos seus julgamentos, do que fez antes, e isto terá início na casa de Deus. onde Deus dá mais meios, Ele concede menos tempo”. “Eis que venho sem demora”. Naquele momento, eles estavam diante do seu último julgamento: era agora ou nunca.

2.“Como será doloroso o seu destino, se vocês não melhorarem”. Então, vem a declaração – como machado junto à raiz – para mostrar que Deus é sincero na declaração de que toda árvore, ainda que alta em dons e honras, mas verde nas profissões de fé e nos desempenhos externos, se não der bons frutos – os frutos obtidos pelo arrependimento – será cortada, repudiada como um a árvore na vinha de Deus que é indigna de ter o seu espaço ali, e será lançada no fogo da ira de Deus, que é o melhor lugar para as árvores infrutíferas. Para que mais elas servem? Se não servem para dar frutos, servem como combustível. Provavelmente, isto se refere à destruição de Jerusalém pelos romanos, o que não foi, como o foram outros julgamentos, como o podar dos galhos ou o derrubar de uma árvore, deixando a raiz para brotar novamente, mas seria a extirpação completa final e irrevogável destas pessoas, na qual pereceriam todos os que continuassem impenitentes. Agora Deus traria o desfecho final, e a ira que cairia sobre eles seria completa.

 

V – Uma mensagem de orientação a respeito de Jesus Cristo, em quem toda a pregação de João Batista estava centrada. Os ministros de Cristo pregam, não a si mesmos, mas a Ele. Aqui temos:

1.A dignidade e a superioridade de Cristo acima de João. Veja de que maneira humilde ele fala de si mesmo para poder engrandecer a Cristo (v. 11): “Eu, em verdade, vos batizo com água”, e isto é o máximo que eu posso fazer. Observe que os sacramentos não obtêm a sua eficácia de quem o s administra; estas pessoas somente podem aplicar o sinal; é prerrogativa de Cristo dar significado às coisas (1 Coríntios 3.6; 2 Reis 4.31). “Mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu”. Embora João tivesse muito poder, pois ele veio no espírito e poder de Elias, Cristo tinha mais; embora João fosse verdadeiramente grande, grande aos olhos do Senhor (nenhuma pessoa nascida de uma mulher o superou), ainda assim ele se julga indigno de estar no mero lugar de auxiliar de Cristo: “Não sou digno de levar as suas sandálias”. Ele vê:

 (1) O quão poderoso Cristo é, em comparação consigo mesmo. Observe que é um grande consolo para os ministros fiéis pensar que Jesus Cristo é mais poderoso do que eles, que Ele pode fazer as coisas para eles, e por eles, o que eles não podem fazer; a sua força se aperfeiçoa na fraqueza dos ministros.

(2) Quão inferior ele é, em comparação com Cristo, sentindo-se indigno de levar as suas sandálias! Observe que aqueles que Deus honra são, por esta razão, muito humildes e inferiores aos seus próprios olhos; desejam ser humilhados para que Cristo possa ser enaltecido; desejam ser qualquer coisa, ou nada, para que Cristo possa ser tudo

2. O modo e a intenção da manifestação de Cristo, que eles agora deviam esperar. Quando foi profetizado que João seria enviado como o precursor de Cristo (Malaquias 3.1,2), imediatamente a seguir está escrito que “virá o Senhor, a quem vós buscais, o anjo do concerto… e assentar-se-á… e purificará” (v. 3). E depois da vinda de Elias, “aquele dia vem ardendo como forno” (Malaquias 4.1), que é ao que João Batista parece referir-se aqui. Cristo virá para fazer uma distinção:

(1) Pela obra poderosa da sua graça: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. Observe:

[1] É prerrogativa de Cristo batizar com o Espírito Santo. Isto Ele fez concedendo os dons extraordinários do Espírito, desde os dias dos apóstolos, aos quais o próprio Cristo aplica estas palavras de João (Atos 1.5). Isto Ele faz na graça e no consolo do Espírito, concedendo-os àqueles que lhe pedem (Lucas 11.13; João 7.38,39; veja Atos 11.16).

[2] aqueles que são batizados com o Espírito Santo, são batizados como que com o fogo. Os sete espíritos de Deus aparecem como sete lâmpadas de fogo (Apocalipse 4.5). O fogo ilumina? Também o Espírito é um Espírito que ilumina. O fogo aquece? E os corações não queimam dentro deles? O fogo consome? E o Espírito de julgamento, como um Espírito que arde, não consome as impurezas das corrupções dos pecadores? O fogo torna tudo o que alcança semelhante a si? E se move para o alto? Também o Espírito torna a alma santa como Ele mesmo o é, e tende a se dirigir para o céu. Cristo diz: “Vim lançar fogo na terra” (Lucas 12.49).

(2) Pela determinação final do seu julgamento (v. 12): “Em sua mão tem a pá”. A sua capacidade de distinguir, pela sabedoria eterna do Pai, que vê tudo como verdadeiramente é, e a sua autoridade de distinguir, como a Pessoa à qual todos os julgamentos se submetem, é a pá que está na sua mão (Jeremias 15.7). Agora, Ele se assenta e purifica. Observe aqui:

 [l] A igreja visível é a eira de Cristo: ”Ah! Malhada minha, e trigo da minha eira!” (Isaias 21.10). O Templo, um tipo da igreja, foi construído sobre uma eira.

[2] Nesta eira, há uma mistura de trigo e palha. Os verdadeiros crentes são como o trigo, importantes, úteis e valiosos; os hipócritas são como a palha, leves e vazios, inúteis e sem valor, e levados pelos ventos; agora, eles estão misturados, os bons e os maus, sob a mesma profissão exterior de fé, e na mesma comunhão visível.

[3] Virá, porém, o dia em que a eira será purificada, e o trigo e a palha serão separados. Alguma coisa desse tipo sempre é feita neste mundo, quando Deus chama o seu povo da Babilônia (Apocalipse 18.4). Mas é o dia do Juízo Final que será o grande dia da colheita, da distinção, que de maneira inequívoca irá determinar o resultado das doutrinas, das obras (1 Coríntios 3.13), e das atitudes das pessoas (cap. 25.32,33). Os santos e os pecadores serão separados para sempre.

[4] O céu é o celeiro onde Jesus Cristo em breve irá reunir todo o seu trigo, e nem um grão sequer dele será perdido; Ele o reunirá como os frutos da colheita. A ceifadeira da morte será usada para reuni-los ao seu povo. No céu, os santos serão reunidos, e não mais ficarão espalhados; estarão seguros, e não mais expostos; separados dos vizinhos corruptos e dos desejos corruptos interiores, e não haverá mais palha entre eles. Eles não somente são reunidos no celeiro (cap. 13.30), mas no silo, onde são completamente purificados.

[5] O inferno é o fogo inextinguível, que irá queimar a palha, o que certamente será a punição eterna dos hipócritas e descrentes. Dessa forma, aqui estão a vida e a morte, o bem e o mal, dispostos diante de nós; de acordo com a maneira que estiverem no campo, estaremos então na eira.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

Suicídio

SUICÍDIO

Suicídio: Um homicídio de si mesmo

Este artigo tende em vislumbrar o suicídio na sua dimensão social. Desse modo, portanto, preconizando acerca de suas informações basilares como: a etimologia da palavra, a epidemiologia, os motivadores e os métodos utilizados; ademais, as compreensões distintas por parte de teóricos, as contribuições do Sociólogo Émile Durkheim, ressaltando também os três tipos de suicídios por ele propostos, e a influência que o social exerce para o seu desencadeamen

1.INTRODUÇÃO

Percebe-se que a morte é um fenômeno inerente à existência de todas as espécies. No entanto, há contrastes em sua compreensão pelas culturas, isso, portanto, é nitidamente perceptível quando é suscitada pelo ato suicida: na cultura ocidental, por exemplo, a morte desencadeada pelo ato suicida é compreendida como uma denúncia de desordem psíquica e/ou social, sendo inclusive enclausurada pelos meios de comunicação em massa; na cultura oriental, entretanto, comumente, é compreendida como um fato normal e de decisão peculiar do indivíduo que se encontra à procura de algum propósito.

No tocante aos estudos sobre o suicídio, torna-se relevante salientar que o mesmo é analisado por exímios intelectuais. Portanto, ao aprofundar-se no tema deve-se ter cautela e discernimento, pois a magnitude de pressupostos que há ao seu respeito no acervo científico é congruente às considerações contraditórias, assim, não se atentando aos contrastes poder-se-á hesitar em compreendê-lo de maneira equivocada.

Seguindo a linha de raciocínio do sociólogo Émile Durkheim (1969 APUD ANGERAMI, 1986), ao proferir que “O suicídio é a trágica denúncia de uma crise coletiva”, este artigo enfoca em analisar o suicídio em sua dimensão social, pois é nítido que a sociedade, no limiar do século XXI, encontra-se submetida aos padrões impostos pelo sistema capitalista, tornando-se, portanto, uma máquina de consumo que funciona a todo o vapor. No entanto, não se restringindo senão em consumir bens materiais, mas também as relações sociais como afirma Bauman (2008) ao referir-se aos relacionamentos da contemporaneidade como “relações puras”, ou seja, relacionamentos efêmeros, sem amor e amizade desenvolvidos e regidos somente pela utilidade e pela satisfação.

Por último, é relevante ressaltar que para o desenvolvimento deste artigo fora necessário embasar-se em referenciais teóricos de exímios intelectuais que dedicam-se em analisar o suicídio; foram utilizadas pesquisas, apostilas e artigos científicos como base para o desenvolvimento dos temas; e que todos os textos utilizados foram elucidados na referência final como fonte de pretensas pesquisas pelo leitor.

2. SUICÍDIO

O suicídio, segundo Kovács (1992 APUD CAMUS), pode ser considerado o único problema filosófico verdadeiramente sério, isso, porque cogitar sobre a vida, se ela vale à pena ou não ser vivida, é de incumbência fundamental da filosofia.

Para alguns teóricos e exímios intelectuais, o ato suicida é compreendido como um homicídio, um homicídio de si mesmo, onde o indivíduo, então, exerce o papel de protagonista e o de produtor: é assassino e assassinado (MENNINGER, 1965 APUD KOVÁCS, 1992).

No tocante à compreensão do ato suicida, torna-se relevante salientar que determinados teóricos e intelectuais analisam-no sob prismas distintos: há os que o compreendem senão em uma dimensão individual, ou seja, concepção de que somente o indivíduo determina a sua morte; e há aqueles que o compreendem em uma dimensão social e individual, ou seja, concepção de que a sociedade é quem induz o indivíduo a suicidar-se. Desse modo, portanto, em uma dimensão restrita, individual, compreende-se o ato suicida como uma auto eliminação consciente, voluntária e intencional; em uma dimensão abrangente, social, compreende-se como um ato suscitado por processos autodestrutivos inconscientes, lentos e crônicos (LEVY, 1979 APUD KOVÁCS, 1992).

Em síntese, indiferente dos contrastes existentes em suas compreensões, o que se pode saber com exatidão acerca do suicídio é que este fenômeno é demasiado complexo para poder compreendê-lo e identificá-lo com precisão, pois não está categoricamente relacionado aos acontecimentos recentes, mas, pode, como comumente dados elucidam, estar relacionado a épocas passadas da vida do indivíduo (LEVY,1979 KOVÁCS,1992 apud).

2.1 ETIMOLOGIA DA PALAVRA SUICÍDIO

No acervo etimológico, a palavra suicídio apresenta distintos significantes. No entanto Levy (1979 APUD KOVÁCS, 1992), de maneira coesa e com fundamentação teórica, postula que a terminologia suicídio é oriunda da junção de duas palavras: sui e caedes. A primeira que significa si mesmo; a segunda que significa ação de matar. Tornando-se, portanto, ação de matar a si mesmo. É relevante ressaltar que a palavra suicídio foi inserida no dicionário da língua francesa no ano de 1778.

2.2 EPIDEMIOLOGIA

Na contemporaneidade, nos Estados Unidos, o suicídio é considerado a oitava causa global de morte ulterior às doenças cardíacas, cancerígenas, cerebrovasculares, pneumonia, influenza, diabete, relacionadas aos fatores pulmonares crônicos e aos acidentes. Além disso, indícios elucidam também que o homem comete quatro vezes mais o ato suicida em relação à mulher, porém o segundo tem, por sua vez, maior probabilidade de tentá-lo (KAPLAN & SADOCK, 2007).

Kastenbaum (1983 APUD Kovács, 1992) disponibiliza informações ainda mais precisas ao proferir que existem relações entre o ato suicida e a idade, pois indícios demonstram que a taxa de suicídio em indivíduos idosos é mais elevada: justifica-se devido aos acontecimentos extremamente desvitalizantes, ou seja, isolamento social, desemprego, aflições econômicas e perda de pessoas queridas; proferindo também que o índice de suicídio em homens é desencadeado devido ao maior nível de intolerância; que em países como, por exemplo, Hungria e Japão os suicídios são relacionados às práticas educativas e às repressões emocionais; e que a taxa de suicídio demonstra-se mais elevada em pessoas que vivem sozinhas.

No tocante ao Brasil, dados elucidam que a profissão mais vulnerável ao suicídio é a Medicina: justifica-se pelo fato de que esta é uma profissão na qual os profissionais trabalham sob pressão e por estarem mais próximos às drogas; que, em média, 5.000 adolescentes suicidam-se no país por ano, afirmando que o suicídio em jovens é desencadeado devido às suas famílias nucleares: justifica-se porque apresentam maior nível de separação entre os pais, alcoolismo, envolvimento com ocorrências policiais e a justiça, fatores relacionados à susceptibilidade, rejeições e uma menor capacidade de suportar as frustrações (CARSSOLA, 1984 APUD KOVÁCS, 1992).

3.MOTIVADORES E MÉTODOS UTILIZADOS

Segundo Kaplan e Sadock (2007), o ato suicida pode ser motivado por distintos fatores como, por exemplo, pela ocupação e profissão do indivíduo; pela condição socioeconômica; pela idade, como salientado anteriormente na epidemiologia; pela raça; e pelo uso de drogas. Além do mais, o ato suicida pode ser desencadeado devido à pertença aos subgrupos minoritários, pois são vulneráveis às situações de tensão; e pelo estado civil, pessoas solteiras são mais vulneráveis (KALINA E KAVADLOFF, 1983 APUD KOVÁCS, 1992).

Por conseguinte, segundo Angerami (1986), os indivíduos que tentam o ato suicida não categoricamente anseiam em desaparecerem, ou definitivamente morrerem, mas, sim, procuram por algo além como, por exemplo, o paraíso e a reencarnação. Ademais, complementa proferindo que, comumente, pacientes revelam em seus discursos que tentaram suicidarem-se porque buscavam muito mais do que morrerem, mas por ser a única alternativa cabível que acharam para as suas vidas, tornando nítido que a busca ao suicídio é a tentativa de solucionar determinados conflitos existências. Desse modo, portanto, conclui que a morte surge como sequência e não como uma busca deliberada, assim, torna-se extremamente difícil identificar se os indivíduos ao tentarem suicidarem-se buscam realmente à morte.

No tocante aos métodos utilizados. Kaplan e Sadock (2007) postulam que entre os indivíduos do gênero masculino e feminino existem algumas distinções em relação ao método utilizado ao ato suicida: os homens, comumente, realizam o ato suicida utilizando métodos mais agressivos como, por exemplo, armas de fogo, enforcamentos e/ou saltos livres de lugares íngremes; as mulheres, comumente, utilizam métodos menos agressivos, não que os sejam, como, por exemplo, hiperdosagem de substâncias psicoativas e/ou veneno. Torna-se relevante salientar que a utilização de armas de fogo como método ao ato suicida em indivíduos do gênero feminino vem aumentando significativamente.

4. CONTRIBUIÇÕES DO SOCIÓLOGO ÉMILE DURKHEIM (1858 – 1917)

Nascido em Épinal no ano de 1858, especificamente no dia 15 de abril. Para Émile Durkheim, a sociedade é como um corpo biológico, desse modo, deve ser analisado de maneira perspicaz para que depois se possa analisar a sua anatomia e descobrir as causas e as curas de suas doenças (DURKHEIM APUD MEKSENAS).

O exímio sociólogo foi quem primeiramente compreendeu o suicídio de maneira sistêmica, abordando questões que em épocas vindouras seriam nomeadas de interacionais, postulando ser um ato desencadeado e relacionado às crises no contexto social. Nessa linha de raciocínio, chegou à conclusão de que o indivíduo e a sociedade formam um binômio indivisível, tornando-se, portanto, um macro nesta temática (DURKHEIM, 1969 APUD ANGERAMI, 1986). Ademais, é considerado um dos pais da Sociologia, tendo sido fundador da escola francesa, posterior a Marx, que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica. Sendo relevante ressaltar também que é considerado, na contemporaneidade, um dos mais proeminentes teóricos do conceito da coesão social.

Segundo Durkheim (1971 APUD KOVÁCS, 1992), em uma de suas obras (O suicídio, 1897), o suicídio é um ato influenciado pelo social e a cultura, nessa perspectiva, portanto, categoriza-o em três tipos. São eles:

  • Suicídio egoísta: este tipo de suicídio refere-se à vontade pessoal do indivíduo e é resultado de uma individualização exacerbada. É suscitado devido à falta de laços firmes a algum tipo de grupo social. Sendo relevante ressaltar que pode ser mitigado, ou menos ocorrente, em sociedades interacionistas onde há mais vínculos afetivos.

O ato neste tipo de suicídio é justificado pelos indivíduos por estarem inseridos em uma sociedade ativista e, portanto, sentem-se desesperados, sem razões significantes para continuarem a viverem e a única solução plausível que consideram é dar fim à vida (DURKHEIM, 1971 APUD KOVÁCS, 1992);

  • Suicídio altruísta: este tipo de suicídio refere-se à intensa integração do indivíduo em grupos sociais. Motivos externos como a desonra podem levar à condenação. É, portanto, perceptível o suicídio altruísta em formas de ritos martírios e sacrifícios.
    Como exemplificação tem-se kamikazes japoneses, os mulçumanos e casos no exército, devido à intensa disciplina (DURKHEIM, 1971 APUD KOVÁCS, 1992).

É importante ressaltar que as taxas deste tipo de suicídio são mais elevadas em países ricos, pois os pobres conseguem lidar melhor com as situações (CABRAL, 2013);

  • Suicídio anômico: este tipo de suicídio refere-se à situação anomia social, ou seja, quando à sociedade está desprovida de regras, assim, gerando intensa frustração se a normalidade anterior não for mantida.

Como exemplificação deste tipo de suicídio tem-se, por exemplo, as crises econômicas, onde há um desajustamento integral das regras normais da sociedade, então, determinados indivíduos ficam em condições inferiores a que ocupavam anteriormente (CABRAL, 2013).

Ademais, seguindo a linha de raciocínio de que o ato suicida é induzido pelo social e a cultura, Durkheim atem-se em compreender qual era a visão e as influências que as religiões exerciam para tal. Desse modo, portanto, será contextualizado, a seguir, para a melhor compreensão.

(Pessini, 1999; Bathia, 2002 APUD Moreira e Lotufo, 2004) As religiões, comumente, repudiam e castigam de maneira veemente a interrupção da vida. Objetivam em considerá-la como um sagrado dom de Deus que, por sua vez, o homem não desfruta de nenhum direito de interrompê-la voluntariamente.

Os autores complementam proferindo que as religiões como, por exemplo, o Cristianismo, o Islamismo, o Judaísmo e o Hinduísmo mesmo com algumas considerações variadas são contra o ato suicida. Portanto, torna-se relevante ressaltar também que até mesmo o Budismo não ruminando acerca da existência de Deus repudia veemente o ato suicida.

O sociólogo Francês Émile Durkheim fora muito perspicaz quanto ao estudo das relações entre o suicídio e as religiões. Comparando as taxas de suicídio em distintos países, considerando primordialmente a religião predominante em cada um deles. Os resultados denunciaram que, em média, há uma probabilidade de 50% a mais de ocorrência do ato suicida em países onde a religião predominante é a do protestantismo do que em países que professam as doutrinas do catolicismo (DURKHEIM, 1966 APUD MOREIRA E LOTUFO, 2004).

Mesmo que as Religiões, comumente, repudiem o ato suicida, é pernicioso analisar a taxa de suicídio avaliando somente pelo viés religioso, pois os indivíduos podem afirmar que professam os dogmas de alguma determinada religião, porém não ser legítima a afirmação. Portanto, existem métodos de avaliar o nível de religiosidade do indivíduo como, por exemplo, analisando a frequência das atividades de seu grupo de pertença religioso (KOENIG, 2000 APUD MOREIRA E LOTUFO, 2004).

As denominações Religiosas, por sua vez, contribuem para que o ato suicida não seja realizado, pois fazem com que os indivíduos se interajam constantemente, sentindo-os importantes. Funcionam como uma rede de apoio (Moreira e Lotufo, 2004). Nesta perspectiva, portanto, o sociólogo Durkheim salienta que as crenças e as práticas são as dimensões integradoras das religiões. Quanto mais numerosas e fortes forem elas, maior será a integração das pessoas à vida do grupo e menor será a probabilidade de suicídio. A participação do indivíduo no grupo dá à vida maior sentido, provê significado através da devoção aos outros, fornece uma ideologia, distraindo as pessoas de problemas pessoais que poderiam, em outras circunstâncias, liberar tendências suicidas (DURKHEIM,1966 APUD MOREIRA E LOTUFO, 2004). Concluindo-se, portanto, que as religiões são um significante fator mitigador dos atos suicidas.

5.A INFLUÊNCIA DO SOCIAL

Percebe-se que na contemporaneidade o homem moderno do Ocidente compreende o suicídio como um comportamento que denuncia algum acontecimento, pormenor uma insatisfação, do contexto onde está inserido, sendo considerado a sua ação de maneira mais autônoma. Entretanto, em épocas antecedentes o suicídio era compreendido e até repudiado pelas culturas (KALINA E KOVADLOFF, 1983 APUD KOVÁCS, 1992).

Desse modo, portanto, complementa Kalina e Kovadloff (1983 APUD ANGERAMI, 1986) proferindo que em sociedades antigas as comunidades preocupavam-se mais com o comportamento individual dos cidadãos, entretanto em sociedades contemporâneas é perceptível que a preocupação ao regimento coletivo é eminente. Os indivíduos são obrigados a seguirem os padrões impostos, restando-lhes apenas duas saídas. São elas:

  • O suicídio coletivo: que é socialmente legitimado, onde enquadra vícios alienações e submissão ideológica;
  • O suicídio pessoal: que refere-se às questões extremistas políticos, que encontram-se inflamados na modernidade.

Ademais, o autor complementa preconizando que na sociedade moderna, muitos comportamentos, e não somente os suicídios, estão assumindo caráter de normalidade. O homem moderno está acompanhando as tendências destrutivas. Portanto o suicídio é um fenômeno que não deve ser analisado e compreendido de maneira individual, pois desqualifica as possibilidades de compreensão da realidade. Por conseguinte, presume-se que em uma época onde já efetivou-se a legitimação cultural das condutas autodestrutivas, a função da sociedade é guiar os indivíduos a estas condutas de maneira sutil e astuta, pois ao adaptarem-se, irão obedecer, obedecendo-a nada será alterado senão a favor dos interesses do poder político e econômico. No entanto o processo de guia aos indivíduos, comumente, comete falhas e estes suicidam-se e fracassam as expectativas da sociedade.

Por fim, mesmo que o suicídio seja analisado senão como um ato individual, apresentando comportamentos de isolamento do contexto social e baixa autoestima, percebe-se que a sociedade contribui significativamente para o seu desencadeamento. Não somente do suicídio, mas também de outras patologias e a despersonificação dos indivíduos (KALINA E KOVADLOFF, 1983 APUD ANGERAMI, 1986).

6. A INCLUSÃO

Infelizmente, em relação à cultura oriental, as pessoas da cultura ocidental têm uma concepção simplória acerca dos fenômenos. Isso, portanto, torna-se nítido como, por exemplo, quando se refere à morte, e ainda mais quando é suscitada pelo ato suicida: a cultura oriental realiza o suicídio e o compreende como uma maneira de honrar ou buscar a um determinado propósito; a cultura ocidental, entretanto, o compreende como uma denúncia ou uma insatisfação do meio onde o indivíduo está inserido. Desse modo, portanto, percebe-se que preconizar acerca do suicídio é uma tarefa árdua, pois o campo de estudo é abrangente e ao mesmo tempo prenhe de contrastes.

Devido à realidade da sociedade onde coabitamos, não se poderia sucumbir à concepção que analisa e considera o suicídio senão como uma ação individual. Isso, porque as relações íntimas estão cada vez menos duradouras, ou pelo menos as que necessitam de afeto e atenção. Sendo assim, presume-se que o suicídio seja uma denúncia dessa realidade que a cada dia, de maneira silenciosa, abarca as relações.

Enfim, é perceptível que este artigo não se desempenhou em abordar determinadas questões, que talvez sejam de primordial instância, mas fora realizado de maneira atenciosa para elucidar que o ser humano não deve ser compreendido somente em uma concepção individual, sendo assim, deve-se compreendê-lo conforme sua realidade, época, cultura e sociedade onde esteja inserido.
Devemos atentarmo-nos à realidade, pois talvez seja ela a única que nos revela, mesmo que seja de maneira abrupta, qual o caminho estamos trilhando na história.

REFERÊNCIAS

ARGERAMI, Valdemar Augusto. Suicídio: uma alternativa à vida, uma visão clínica existencial. – São Paulo: Traço Ed.: 1986.
BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias; tradução: Carlos Alberto Medeiros. –Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.: 2008.
CABRAL, João Francisco P. Sobre o suicídio na sociologia de Émile Durkheim. Colaborador Brasil Escola, Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, Mestrado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. 2013.
KAPLAN & SADOCK. Compêndio de Psiquiatria Ciência do comportamento e psiquiatria clínica.: Tradução: Claudia Dornelles … [et al.]. –Porto Alegre: Artmed, 2007.
KOVÁCS, Maria Júlia. Morte e desenvolvimento humano. – São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992.
MEKSENAS, Paulo. Aprendendo sociologia: A paixão de conhecer a vida. – Edições Loyola 6° edição.
MOREIRA, AM; LOTUFO, FN. Religião e Comportamento suicida. 2004.

Jonathas Rafael*

Aluno do Curso de graduação em Psicologia da Instituição FACED – Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis de Divinópolis.

GESTÃO E CARREIRA

Preparando os jovens

PREPARANDO OS JOVENS

Projeto ensina os alunos apensar em uma carreira sem uma fronteira de espaço, tempo ou formação.

Vivemos o que os especialistas chamam de mundo Vuca, sigla para as palavras, em inglês, volátil, incerto, complexo e ambíguo. Corporações e pessoas são cada vez mais pressionadas por maior produtividade e menor custo, e são constantemente ameaçadas por novas concorrentes e tecnologias, que podem pôr fim a negócios e empregos que até então eram considerados estáveis. Nesse cenário, como preparar quem está entrando no mercado de trabalho? É esse o desafio que Tania Casado, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), quer resolver no Escritório de Desenvolvimento de Carreiras, inaugurado em março. A seguir, Tania explica como funciona o projeto.

Por que o Escritório de Carreiras foi criado?

Baseamo-nos no conceito de que a carreira depende do indivíduo. Nessa linha, quanto mais autoconhecimento tiver, mais o jovem saberá o que é melhor para si. Fazemos essa reflexão pensando que as trilhas profissionais mudaram e a formação é só o ponto de partida. A gente precisa pensar em alternativas. O pessoal mais jovem terá desde já de começar sua trajetória sabendo se reinventar. Pensando nisso, eu dei a ideia para o pró-reitor de graduação, o professor Antônio Carlos Hernandes. Disse que era um absurdo a Universidade de São Paulo não ter uma área com tal propósito. Na USP, cada unidade tem sua seção de estágios, que faz a ponte entre as empresas e os alunos. Mas o Escritório é um espaço para a reflexão do jovem – sobre as suas potencialidades e as suas possibilidades de encaminhamento profissional.

Como funciona o Escritório?

Falamos no Escritório sobre o modelo conceitual de carreiras sem fronteiras, ou seja: pensar no caminho fora de qualquer restrição, sem fronteira de espaço, de tempo ou, inclusive, de formação. O modelo teórico que usamos para resolver essas carreiras sem fronteiras é a “carreira inteligente”. É uma concepção do teórico Michael Arthur, professor da Boston University e também coordenador do curso de carreiras pela Fundação Instituto de Ad- ministração (FIA-USP), baseada em três pilares. O primeiro seria o knowing-how, de saber como trabalhamos. Essa é a bagagem de conhecimento. A universidade fornece isso, mas o conhecimento sozinho não resolve. Vem então o segundo pilar, do knowing-why, por que trabalhamos. Aí entra o autoconhecimento: pensar sobre seus valores, motivações e o que é importante para você. Essa é uma das partes que o Escritório quer prover. O terceiro ponto se- ria o knowing-whom, que é sua rede de contatos: com quem você trabalha e com quem aprende. Para conseguir trafegar hoje pelo mercado, você precisa trabalhar esses três conceitos. E é isso o que o Escritório irá ensinar.

Como esses conceitos são repassados aos alunos?

Fazemos orientações individuais. Temos 31 alunos no Escritório, sendo 30 do último ano de graduação e um de pós-graduação da FEA, de cursos como administração, contabilidade, economia e até veterinária, química e engenharia. Eles são orientados por ex-alunos da FEA ou da FIA que atuam como voluntários e oferecem em média de seis a oito sessões de coaching. Também fazemos atividades coletivas nas Oficinas de Carreiras, que podem durar de quatro a oito horas. Eu supervisiono esses voluntários, que estão divididos em subgrupos: um prepara o material didático, outro cuida de palestras específicas, outro faz as oficinas, e outro grupo realiza o planejamento estratégico do Escritório.

Quem são os voluntários e como funciona seu trabalho?

São ex-alunos da FEA, que fizeram mestrado ou doutorado comigo na área de carreira, ou ex-alunos da FIA. Quando falei que iria abrir o Escritório, fiz um primeiro convite pedindo voluntários e 26 profissionais aceitaram. Eles trabalham de graça, mas ganham conhecimento e continuam seu processo de aprendizagem. Depois dessa primeira chamada, recebi solicitações espontâneas de gente que eu não conhecia. De todas as partes da universidade, comecei a ouvir colegas dizendo: “Nós temos um problema em comum, vamos nos ajudar”. Hoje, temos 30 voluntários.

Esse é o primeiro Escritório de Carreiras da América Latina?

No Sul, há uma iniciativa semelhante, antiga, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Mas somos os pioneiros por conta do alcance. Nosso público-alvo, os 60 000 alunos de graduação da USP. Na 1ª Oficina de Carreiras, que realizamos em abril, participaram 84 alunos, de 46 cursos diferentes. Inspiramo-nos em iniciativas que existem no exterior, especialmente em três: no escritório da Sloan School of Management, da Escola de Negócios do MIT; nos da Harvard, tanto dos cursos de direito, literatura e psicologia quanto dos de negócios, da Harvard Business School; e também no escritório da Universidade de Boston. Uma vez por ano, levo meus alunos para os Estados Unidos e visitamos essas universidades.