O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

CAMINHOS PARA O INFERNO

Voltemo-nos para um versículo bíblico muito importante, cujas palavras foram proferidas pelo próprio Jesus Cristo: “Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para a perdição” (Mateus 7:13b). Esta passagem parece informar-nos que há um lugar chamado destruição. A entrada a esse lugar é por meio de uma porta larga e além da porta encontra-se um caminho espaçoso. Gente incontável apressa-se para este lugar; até mesmo parecem estar indo de trens expressos, tanta é a velocidade com que se dirigem para este destino! Visto que a porta é larga, tudo pode ser levado para dentro. E uma vez que o caminho é espaçoso é muito fácil viajar por ele. Mas esta porta e este caminho conduzem para a perdição.

O lugar da perdição é o inferno. Assim, o que o Senhor Jesus diz aqui é que larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para o inferno e são muitos os que entram por ela. Pode ser que você se encontre entre os que estão entrando.

Não fique a especular, dizendo não haver porta para o inferno. Pelo contrário, a porta para o inferno existe e é larga. Não fique a imaginar que não há caminho para o inferno: existe um caminho que conduz ao inferno e é mais espaçoso do que qualquer via expressa deste mundo. É muito mais espaçoso do que a rodovia mais espaçosa que se construiu. De fato, os caminhos do inferno são muitos — não há somente um. Se a pessoa desejar ir para o inferno pode encontrar muitas estradas secundárias à sua escolha. Embora sejam muitos os caminhos, um só é o destino. Embora os pontos de partidas possam variar, a linha de chegada é a mesma. Embora as pessoas viajem por caminhos diversos, todas acabam no inferno.

De forma que se você está decidido a ir para esse lugar a Bíblia pode, facilmente, mostrar-lhe muitos caminhos a seguir. Destes muitos caminhos para a destruição mencionarei aqui apenas cinco. Todos os que desejarem ir para o inferno podem tomar qualquer destes cinco caminhos e terão a segurança de acabarem lá. Entretanto, os que não quiserem acabar no inferno podem aprender desta apresentação como escapar de tal destino. Como anseio que nenhum de vocês vá para o inferno; mas se alguém insiste em palmilhar este caminho, quem poderá fazê-lo mudar de ideia?

O PRIMEIRO CAMINHO PARA O INFERNO: SUICÍDIO
O suicídio é um atalho para o inferno. Não há caminho que leve para o inferno tão rapidamente quanto este. Observe esta breve passagem bíblica: “Indo [Judas] para o seu próprio lugar” (Atos 1:25b). Judas jamais crera em Jesus Cristo.
Embora externamente aparentasse ser um dos discípulos, era “o filho da perdição” (João 17:12) que nunca tivera a experiência da salvação. Depois de morrer ele foi “para o seu próprio lugar”. Qual era seu próprio lugar? Era a destruição ou perdição. Depois da morte ele foi para o inferno. Como foi ele para o inferno? Matou-se enforcando-se.
Se alguém desejar ir para o inferno o método mais conveniente para isso é o suicídio. Uma navalha, uma corda ou um copo de veneno rapidamente enviará a alma para o lugar de sofrimento eterno. O inferno pode estar bem distante de você nesta vida; de fato, pode ser que você leve muitos anos para acabar lá. Mas se você cometer o suicídio, encurta os seus dias de vida na terra e apressa-se para o lugar de perdição eterna.
Certa vez um patrão incrédulo perguntou a seu chofer cristão qual era o caminho mais curto para o inferno. Nesse instante o carro corria pela estrada. O motorista abriu a porta do carro e disse para o patrão: “Se o senhor pular do carro chegará lá imediatamente. Uma vez que não crê no Senhor Jesus, irá para o inferno assim que morrer.”
O caminho mais fácil e mais rápido para o inferno, deveras, é o suicídio. Se desejar chegar ao inferno em poucas horas, tome uma boa dose de ópio e chegará ao seu destino. Se deseja chegar ao inferno em alguns minutos, tome cianureto e com certeza lá estará. Se achar que estes caminhos são lentos demais e deseja descer ao inferno em menos de um minuto, dê um tiro no ouvido e, com toda certeza lá estará. Há muitas outras maneiras de suicidar-se. Por exemplo, você pode deixar-se morrer de fome ou jogar-se no mar. Ou você pode deitar no trilho e deixar que o trem o esmague.
Ao suicidar-se, a pessoa priva-se da esperança da salvação. Mas se continuar a viver na terra, poderá ouvir o evangelho da morte substitutiva do Senhor Jesus e crer para a salvação. Matando-se a si mesma, destrói para sempre a possibilidade de ouvir o evangelho. Por favor, tome nota disto: a salvação ou a perdição é assunto que se decide nesta vida. Se você se recusar a crer no Senhor Jesus nesta vida, não terá mais oportunidade de ouvir o evangelho e ser salvo depois da morte. Ao matar a si mesmo você acaba com a vida e perde toda oportunidade de salvação. Assim, a vítima do suicídio irá diretamente para o inferno. Seu próprio sangue é o selo de seu bilhete para lá.
Por que você procura a morte? Sei que está insatisfeito com a vida. Sei que muitas vezes se sente solitário e triste. Sei que sua vida é monótona. Sei que suspira com frequência. Percebe o tédio da vida. E as lágrimas não lhe são estranhas. Embora você possua muitas coisas neste mundo, estas não podem satisfazer-lhe o coração. Na profundeza do ser você percebe uma necessidade, um anseio por algo que não conhece mas que espera há de preencher esse vazio.
É verdade que além de dor e aborrecimento, a vida não tem outro sabor. E por isso você às vezes pensa em suicidar-se. Mas por que deve tomar essa direção? Jesus Cristo veio para salvar os que sofrem. Ele confortou muitos corações, satisfez muitas almas, transformou muitas vidas e enxugou muitas lágrimas. Ele está disposto a ajudá-lo a transformar sua vida de aborrecimentos em alegria. Ele pode ser o sol em seus dias nublados e a canção em suas noites escuras.
Com ele sua alma pode receber conforto e alegria. Por que, então, deseja você morrer? Por que suicidar-se e acabar no inferno? É preciso que hoje você dê ouvidos ao evangelho. O Senhor é poderoso e tem cuidado de você. Aceite-o como Salvador e Senhor e os seus problemas serão resolvidos.

O SEGUNDO CAMINHO PARA O INFERNO: INDISPOSIÇÃO EM LIDAR COM O PECADO
E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível (onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga).
E se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno (onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga).
E se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois, seres lançado no inferno, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga (Marcos 9:43-48).
Quem fala nesta passagem é o Senhor Jesus e claramente diz-nos como podemos ir para o inferno. Se a mão nos faz tropeçar — isto é, se a mão nos faz pecar — devemos cortá-la. Isto não quer dizer que devemos cortar literalmente nossa mão física; simplesmente indica que devemos cortar a lascívia e o pecado de nossa mão. O cortar a mão é doloroso e algo que às vezes estamos indispostos e relutantes em fazer. Da mesma forma, lidar com a lascívia e o pecado da mão é também doloroso e contra nossa vontade natural. Entretanto, se amarmos nossa mão (e a lascívia e o pecado que a mão representa), encontraremos grande desastre. Não é apenas a mão que peca; nosso pé, nosso olho e nosso corpo todo peca também. A mão, o pé e o olho representam o corpo inteiro.
E com que frequência nossa mão peca! Fazemos tantas coisas que não devemos fazer, ao passo que há tantas que devemos fazer mas que não fazemos. Erga a mão direita e coloque-a à sua frente; olhe para ela. Olhando-a com atenção, pergunte a si mesmo o que sua mão tem feito. Quantos pecados tem ela cometido? Quantas vezes tem ela resistido a Deus? Quantas coisas tem ela feito que são mais ou menos prejudiciais aos homens? Quantos atos tem ela praticado ao pecar contra você mesmo? Olhemos todos nós para nossas mãos e recordemos as coisas que fizeram. Creio que ao terminar esse exame você derramará lágrimas por elas. Você não pode ser descuidado nem levar a vida na esportiva. Deve sentir dor e chorar pelos muitos males que suas mãos têm feito, livrar-se de seus pecados e ser salvo crendo no Senhor Jesus.
Examine também neste instante os caminhos de seus pés. Quantas vezes seus pés o levaram para onde você não devia ter ido? Quantos pecados têm seus pés cometido? Está você agora à porta da destruição? Viaja você hoje no caminho da perdição? Desce tão consistentemente que já quase chega ao ponto de onde não pode voltar? Volte, pecador; por que perecer? Por que prosseguir no caminho do pecado? Esta não é uma estrada de paz. Pelo contrário, é o caminho mais triste que pode haver. Por que não se volta para o Senhor Jesus e livra-se de seus pecados?
Imploro que volte e ande pelo caminho da vida.
E os olhos? Nossos olhos servem de contato principal entre nosso mundo interior e o mundo externo. Mediante eles transferimos para dentro as coisas que estão ao nosso redor e levamos impressões para nosso coração. Que coisas estão sendo transferidas para o seu interior? Sem dúvida que nossos olhos têm pecado e nos têm feito pecar. Com os olhos lemos livros e jornais que não devíamos ler e vemos filmes que não devíamos ver. Desejamos ler certos romances, mas fingimos fazê-lo por amor à literatura. Sentimos o desejo de ver pornografia mas o fazemos em nome da apreciação da arte. Como nossos olhos anseiam ver cenas que despertam a lascívia! Quem poderá contar os pecados que nossos olhos cometeram? Eva olhou para a árvore proibida e achou-a deleitável; como consequência cometeu o pecado da rebeldia. Davi viu Bate-Seba tomando banho e cometeu o pecado do adultério. Os seus olhos têm pecado? Você sabe e Deus também o sabe.
Quão difícil é livrarmo-nos dos pecados da mão porque nos trazem tanto prazer. Como as pessoas gostam de seus pés pecadores. Quão natural e confortável é andar no caminho do pecado e quão frustrada se sente sua alma se não andar segundo esse antigo caminho. Como você se deleita em contemplar coisas imundas! Um olhar — um olhar atento — gratificar-lhe-á a lascívia e lhe dará prazer momentâneo. Realmente não é fácil livrarmo-nos da lascívia e dos pecados das mãos, dos pés e dos olhos. Contudo, o problema verdadeiro não é que não possamos livrar-nos deles (pois no Senhor Jesus há salvação), mas nossa indisposição em livrar-nos deles (pois sua alma sofrerá se eliminar a lascívia e os pecados). Ninguém pode forçá-lo a livrar-se dos seus pecados. Não obstante, a decisão de Deus permanece: ele declara em sua Palavra que ninguém que não seja nascido de novo poderá entrar no reino dos céus. Você pode deleitar-se com os pecados de suas mãos, pés e olhos; pode ser que não esteja disposto a livrar-se deles; de fato, pode ser que você os abrace de todo o coração. Mas uma coisa é certa: pecador não salvo algum poderá entrar no reino de Deus. Ninguém que pecar terá a vida eterna.
Você ou suporta a dor de um momento em sua disposição de cortar o pecado para que possa ter a vida eterna e entrar no reino dos céus ou levará consigo o pecado para sentir-se cômodo e prazenteiro durante a vida terrena mas ir para o inferno a fim de ser queimado pelo fogo e consumido pelos vermes. Livre-se do pecado e salve-se ou carregue o pecado e acabe no infer¬no. A fim de entrar na vida é preciso eliminar o pecado. A fim de entrar no inferno não é preciso preocupar-se com o pecado mas apenas conti¬nuar pecando e tendo prazer nele. Visto que no céu não existe pecado, ninguém que deseje ir para lá pode levar consigo o pecado. Pecado deve ser ou deixado no Calvário ou levado para o inferno. O céu somente permite a entrada de pecadores salvos. Portanto, não espere entrar com pecados no céu. Você deixa-o e entra ou ambos ficam de fora.
A porta do inferno é larga. Se deseja entrar lá, pode levar todo o pecado, quer seja ele orgulho, ciúmes, porfia, adultério, imundícia ou qualquer outro. O inferno não tem medo de demasiado pecado; teme tê-lo pouco. Se deseja ir para o inferno pode pecar livremente. O inferno não o lançará fora por causa do seu muito pecar; está pronto para receber os piores pecadores. Jamais recusa ninguém. Dá boas-vindas a todos os que lá chegam. Se preferir ir para lá sofrer a ira de Deus, permita-me dizer-lhe que pode pecar à vontade e fazer tudo o que seu coração desejar. Doutra forma, imploro-lhe que se livre dos pecados, crendo no Senhor Jesus. Os pecados da mão e os pecados dos olhos e dos pés devem ser cortados. Está você, pecador, disposto a parar de pecar? Ou está pensando em cometer aquele pecado que premeditou uma hora atrás? Deixe-me preveni-lo que tenha cuidado para não acabar no inferno. O Senhor recebe o pecador que está disposto a deixar o pecado e voltar-se para ele.
Todos os pecadores devem perceber que o fogo do inferno se aproxima. Você que é pecador está numa situação muito precária. Sua mão está oprimida pelo pecado. Embora um único dos seus membros peque, isso é suficiente para privar seu corpo inteiro da liberdade. O pecado desse membro é bastante para fazer com que você perca a vida e se queime no fogo eterno. O fogo do inferno aproxima-se mais e mais. Você poderia estar vivendo os seus últimos cinco minutos. Pode ser agora ou nunca. Num instante a oportunidade pode estar perdida para sempre. Portanto, você deve fugir para salvar sua vida imediatamente; do contrário, perecerá, Por que deixar que o corpo todo vá para o inferno por causa do pecado de um membro recalcitrante? Por amor do seu corpo inteiro deve estar disposto a suportar a dor momentânea, livrar-se do pecado e confiar no Senhor Jesus. Assim, entrará para a vida. Caso contrário, permita-me dizer-lhe francamente, se insistir em conservar as mãos e os pés, o corpo inteiro será queimado até a morte. Se não estiver disposto a suportar a dor de cortar uma mão ou um pé o corpo inteiro acabará no inferno.

O TERCEIRO CAMINHO PARA O INFERNO: ORGULHO
Leiamos várias passagens bíblicas. A primeira encontra-se no evangelho segundo Lucas, capítulo 18, versículo 14. Aqui o Senhor Jesus conta-nos como termina a história do fariseu e do publicano. O fariseu é um fanático religioso e também uma pessoa muito moral, ao passo que o publicano não apenas é extremamente imoral mas também muito mundano. Não obstante, ambos vão ao templo orar. O bom fariseu não se humilha reconhecendo ser pecador e pedindo a misericórdia de Deus, mas o ímpio publicano humildemente confessa os pecados na presença do Senhor e pede que eles sejam perdoados porque sabe não ter nada de bom com que agradar a Deus. No versículo 14 o Senhor Jesus registra os seus fins respectivos: “Digo-vos que este [o publicano] desceu justificado para sua casa, e não aquele [o fariseu]; porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado.” De forma que o fariseu moral não foi justificado enquanto o publicano fora da lei o foi.
Ser justificado não significa apenas ser perdoado, pois o perdão quer dizer apenas a remissão dos pecados. Para que a pessoa seja justificada é preciso que seja declarada sem pecado. Daí que o que dizia estar sem pecado foi condenado por Deus, o outro, porém, que se considerava pecador, é declarado sem pecado algum.
Mas como uma pessoa tão moral como o fariseu da história pode ser condenada e um publicano tão imoral justificado? A única razão é dada por Jesus, na parábola: “Todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado.” Dizendo-o de uma maneira mais dura, o ser justificado significa ir para o céu e não ser justificado significa ir para o inferno. Daí vermos como o orgulhoso vai para o inferno. Os orgulhosos devem precaver-se.
Examinemos alguns outros versículos da Bíblia: “O Senhor deita por terra a casa dos soberbos” (Provérbios 15:25a) — “Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Provérbios 16:5) — “Porque o dia do Senhor dos Exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido” (Isaías 2:12). Estas passagens dizem-nos claramente que o orgulhoso será punido no dia em que Deus julgar toda a terra. Ir para o inferno é sofrer dores eternas. Se alguém realmente desejar ir para o inferno, basta simplesmente ser orgulhoso e chegará ao destino desejado.
O que é, pois, o orgulho? Orgulho significa exaltar a si mesmo, colocar-se acima do que realmente conseguiu. Reivindicar um nome que está além da realidade — isso é orgulho. Na história de Lucas 18, o Senhor tornou este ponto muito claro. Ele disse que o fariseu se exalta e é orgulhoso. Em que é ele orgulhoso? Não é sua moralidade digna de admiração? Mas na presença de Deus e sob sua luz, o fariseu não está disposto a confessar-se pecador. Em vez disso, tenta relatar a Deus toda a sua bondade e. omitir toda e qualquer menção de sua fraqueza, fracasso e derrota. Recusa-se a reconhecer que é pecador; pelo contrário, deseja apresentar perante Deus sua própria justiça. Este é seu orgulho.
O fariseu é orgulhoso, porque insiste em fingir perante Deus ser homem justo; embora seja pecador, não admite, na presença de Deus, o seu estado real. No entanto, Deus não interfere em seu orgulho. Permite-lhe autojustificar-se e ser autocomplacente. Deus não discute com ele. Tampouco o justifica; antes, permite-lhe perecer e ir para o inferno.
Daí o verdadeiro significado do orgulho é que o homem não está disposto a humilhar-se perante Deus, nem a reconhecer ser pecador e aceitar a obra expiatória do Senhor Jesus a fim de ser salvo. Os orgulhosos perecerão — contudo, não diretamente por causa do orgulho, mas indiretamente porque o orgulho impede-os de receber a salvação. O orgulho é apenas um dentre muitos pecados. O Senhor Jesus morreu por todos os pecados do mundo; ele levou a penalidade de todos os nossos pecados. Até mesmo o pecado do orgulho já foi punido na cruz. Mas se permitirmos que o orgulho permaneça não podemos crer na morte viçaria do Senhor Jesus e receber a vida eterna. Os orgulhosos perecerão porque o orgulho impede que sejam salvos.
A menos que a pessoa confesse os pecados e se coloque no lugar do pecador, não aceitará a Jesus como Salvador. Sou pregador do evangelho e ainda estou para ver ser salva a pessoa que, embora esteja disposta a crer na morte substitutiva do Senhor Jesus, não deseja confessar seus pecados. Para ser salvo é preciso humildade. A pessoa precisa confessar-se pecadora.
Por que você, neste instante, não examina o assunto dos seus pecados? Se você se humilhar e confessar que deveras é pecador, pode ser salvo. Se, entretanto, não confessar, mas permanecer orgulhoso, seu orgulho apressará sua ida para o inferno. Todos os que quiserem ir para o inferno podem enganar-se a si mesmos à vontade, ser arrogantes e desacreditar o fato de serem pecadores. Não é preciso humildade no inferno.

O QUARTO CAMINHO PARA O INFERNO: PROSTITUIÇÃO
Como Sodoma e Gomorra e as cidades circunvizinhas que, havendo-se entregue à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição (Judas 7).
Vemos aqui que certo tipo de pessoas sofrerá a punição do fogo eterno. São punidas por terem-se prostituído. Os fornicadores impenitentes devem ir para o inferno. Pois o fogo eterno é a punição do inferno. Ali o fogo nunca se apaga. Assim, se alguém deseja ir para o inferno, basta apenas entregar-se à prostituição. O inferno não se exime da impureza e fornicação. De fato, dá as boas-vindas a todos os fornicadores. Se você não deseja ir para o inferno, deve cortar o pecado da prostituição.
E quão comum é este pecado! A modéstia e a virgindade tornaram-se fora de moda e foram desprezadas pela grande maioria da sociedade. Apanhe um jornal e veja quantos casos de fornicação se registram por dia. Leia as notícias referentes aos tribunais e verifique quantos casos de adultério estão sendo tratados na justiça. Literatura pornográfica é impressa e divulgada abertamente.
Não sei quantos de vocês têm cometido adultério. Nem tampouco sei quantos conservaram sua virgindade quando solteiros, tanto os homens como as mulheres. Essa é uma questão que só vocês podem responder. Cada pessoa sabe que pecado cometeu e Deus também o sabe. Acha você que a fornicação é muito agradável? Bem, pense nisto: todos os adúlteros só têm um fim à sua espera: o inferno.
Por favor, não leve este assunto na brincadeira. Os que quebram o relacionamento amoroso entre marido e esposa são os indivíduos mais horrendos do mundo. Por que rouba você o marido de outrem e faz com que a esposa sofra pesares indizíveis no lar? Por que tenta você a esposa de alguém fazendo com que ela seja infiel a seu marido? O adultério tem destruído a paz de muitos lares. Incontável número de mães, maridos, esposas, e filhos têm o coração partido, estão separados sem esperança de consolação — tudo por causa do adultério. Faça meia-volta ou estará indo em direção ao inferno.
Examinemos, por instantes, a definição de adultério que nos é dada pelo Senhor Jesus: “Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela” (Mateus 5:28). De acordo com esta definição haverá poucos, se existir alguém, que ainda não cometeram o pecado do adultério. Quantos há que cometem adultério em pensamento! Inumeráveis são os que têm cometido este pecado através da imaginação! Por que peca você com tais pensamentos contra a mulher virtuosa? Por que concebe tais pensamentos impuros para com aquela que não tem relação nenhuma com você? Entretanto, ao fazer isso, você verdadeiramente peca contra ela. E vocês, mulheres, não pensem que só os homens pequem desta maneira. Por que têm eles desejos impuros ao vê-las? Se eles precisam ser punidos por terem desejos impuros para com vocês, então vocês que os excitam também devem ser punidas. Se o seu vestir, sua maquiagem, sua atitude e sua conduta leviana despertam a lascívia dos homens, você de igual forma deve levar a culpa e ser punida.
O mundo está cheio de fornicação e adultério. Contudo, não pense que determinado lugar na terra seja pior que os outros. Com vistas à quantidade, não há lugar na terra que se compare com o inferno, pois é aí o lugar principal de detenção para todos os fornicadores e adúlteros de todas as eras. Devo dizer com toda a franqueza que se você for um fornicador que ainda não se arrependeu, seu fim será o inferno. Mas há salvação no Senhor Jesus. Ele serviu como substituto para todos os pecadores. Todo aquele que o aceita como Salvador não perece mas tem a vida eterna. O adultério o enviará para o inferno, mas não é preciso que você vá para lá, pois muitos fornicadores foram salvos e já não estão a caminho do abismo.
O adultério, deveras, pode mandá-lo para o inferno; entretanto, você não acabará lá especificamente por causa dele. Como posso explicar isto? Primeiramente compreendamos que a morte de Cristo foi para a propiciação pelo pecado. Ele morreu por todos os pecados, inclusive o pecado da fornicação. Ele já levou o castigo devido por nosso adultério. Nós, portanto, não precisamos ir para o inferno por causa de tal pecado. Mas a fim de nos salvarmos do inferno, temos de crer no Senhor Jesus. Embora ele tenha morrido por nós, ainda pereceremos se não o aceitarmos como Salvador. A despeito do fato de o adultério não necessariamente mandar-nos para o inferno, ele, não obstante, tem o poder de impedir-nos de aceitar o Senhor Jesus como nosso Salvador. E quantos perecem hoje — porém não por causa da grandeza de seu pecado, mias por impedirem eles as pessoas de irem ao Senhor para que tenham vida. O Senhor pode salvá-los mas amam a seus pecados muito mais do que as suas próprias almas. Muitas mulheres apegam-se aos seus relacionamentos adúlteros e muitos homens aos seus casos amorosos ilícitos. Não desejam separar-se; não estão dispostos a cortar sua afeição impura. E por conseguinte, não vêm ao Senhor Jesus para serem salvos.
Aqui devo falar, com toda a sinceridade, que a não ser que a pessoa corte o relacionamento adúltero e se volte para o Senhor, irá para o inferno juntamente com essa pessoa. Hoje você deve escolher entre a salvação de Deus e o seu parceiro de adultério; entre o céu e seu pecado. Se não desfizer o laço que o liga a seu amor ilícito, já decidiu contra o céu. Por amor ao céu, é preciso deixar o pecado do adultério.
Posso não conhecer seu passado nem saber o que você tem praticado às escuras, mas suspeito haver muitos que têm cometido o pecado do adultério. Insto com vocês, sinceramente, a fazerem a escolha da vida eterna e cessarem a atividade pecaminosa.

O QUINTO CAMINHO PARA O INFERNO: DESOBEDIÊNCIA AO EVANGELHO
A Bíblia mostra-nos outro caminho para o inferno. Este pode parecer mais limpo e menos feio do que os outros. Qual é? É desobedecer ao evangelho de Jesus Cristo. Leiamos uma passagem bíblica:
Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu -poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que “não obedecem “ao evangelho de nosso Senhor Jesus.
Estes sofrerão — penalidade de — “eterna destruição”, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder (2 Tessalonicenses 1:7-9).
Destruição eterna é sofrimento eterno no inferno. Esta passagem bíblica, de forma apropriada, diz-nos que todos os que não obedecem ao evangelho de Jesus Cristo vão para o inferno.
O que é o evangelho do Senhor Jesus? A Bíblia contém ensino explícito quanto a este assunto. O Senhor Jesus não veio para servir nem para ensinar. Não veio para pregar princípios de liberdade, igualdade e fraternidade nem tampouco serve como o grande e perfeito exemplo. Por meio do apóstolo Paulo Deus diz-nos o seguinte com respeito ao evangelho: “Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3, 4). Logo, o evangelho de Cristo é sua morte e ressurreição.
Por que Cristo morreu? Certamente que não foi para ser um exemplo, nem para martírio nem para serviço, mas “pelos nossos pecados”. Isto é substituição, visto que Jesus não tinha pecado algum. O que era sem pecado fez-se pecado por nós. Tomou o lugar do pecador e sofreu a penalidade por todos nós, pecadores. Nós pecamos, mas Cristo não. Nós somos pecadores mas Cristo não o é. Entretanto, ele, não nós, levou nossos pecados e foi punido em nosso lugar. Como se chama isso? Chama-se substituição. O Cristo sem pecado morreu pelos pecadores. Isto é o evangelho, são as boas-novas.
O evangelho diz-nos que um Salvador veio a fim de salvar pecadores e levar a sua penalidade para que eles não mais fossem punidos. O evangelho ou boas-novas de Cristo não persuade os homens a tornarem-se melhores, reformarem-se, fazerem penitências nem mudarem a fim de serem salvos. Simples mas gloriosamente anuncia ao povo do mundo que Jesus Cristo já realizou a salvação, de modo que os pecadores não precisam fazer nada nem acrescentar nada a esta salvação perfeita. Tudo o que precisam fazer é aceitar a salvação que Cristo já preparou para eles.
Jesus Cristo não apenas morreu pelos pecadores a fim de remir os seus pecados mas também ressuscitou dentre os mortos para que os pecadores pudessem ser justificados. Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Romanos 4:25). Sua morte realiza obra negativa desfazendo a penalidade de nossos pecados para que não sejamos condenados; sua ressurreição opera obra positiva e dá-nos nova posição na presença de Deus visto que nos justificou, isto é, declarou-nos justo. Perdão significa não mais haver pecado e, portanto, estamos firmados em terreno perfeitamente justo e puro, o qual não requer perdão algum. É isto que a ressurreição de Jesus Cristo fez por nós. Todos morrem mas ninguém ressuscita porque o salário do pecado é a morte. Jesus Cristo morreu e ressuscitou dentre os mortos para provar que Deus aceitou sua obra viçaria e que ele era sem pecado.
Consequentemente, por um lado, mediante a morte do Senhor Jesus recebemos o perdão, e por outro lado, por intermédio de sua ressurreição recebemos a prova de que somos justificados. A justificação é edificada sobre o perdão. Primeiro vem o perdão do pecado, depois a justificação. Através da morte do Senhor Jesus obtivemos perdão; pela sua ressurreição temos a segurança da justificação. E tudo isso já foi realizado. O pecador, ao crer no Senhor Jesus como Salvador, pode receber instantaneamente, perdão e justificação.
Tal é o evangelho. Você já o ouviu? Deus agora manda que todos os homens obedeçam a esse evangelho. Este é o evangelho da graça que oferece a todo pecador a possibilidade de ser salvo. Deseja você obedecer a este evangelho? Quão fácil é ir para o inferno! Não é preciso que você cometa pecados tais como adultério e orgulho. Você pode estar a caminho do inferno neste instante — simplesmente por não obedecer ao evangelho. O rejeitar a morte viçaria do Senhor Jesus é suficiente para mandar qualquer pessoa para o inferno. Não pense que deva pecar mais a fim de qualificar-se para o inferno. Sua qualificação é suficiente desde que desobedeça ao evangelho.
Não pense que os que vão para o inferno sejam pecadores horrendos. Há também ali muitos religiosos, moralistas, filantropos e agentes sociais. A pessoa pode ser moral, amável e reta e, contudo, pode acabar sendo habitante do inferno. E o que o espera é a morte e o juízo. E este é seu destino por uma única razão: desobedeceu ao evangelho. Religião alguma e moralidade alguma pode salvar uma única alma; somente o evangelho da graça de Deus pode salvar. Rejeitar este evangelho é rejeitar o único caminho de salvação. E tal atitude naturalmente mandará a alma para o inferno. A pessoa pode ser boa, mas não consegue ser perfeita. Quem poderá dizer que durante a vida jamais pecou nem por um segundo? Se a pessoa pecar uma única vez em um segundo, necessitará de um Salvador porque seu pecado deve ser punido. Ao rejeitar o Salvador manda a si mesmo para o inferno. Não abrigue o pensamento de que se você praticar boas obras, não irá para o abismo. A menos que você nunca tenha, desde o nascimento até a morte, nem por um único segundo, cometido pecado por ação, palavra ou pensamento, você está destinado para o inferno. Hoje você ouviu o evangelho. Imploro-lhe que aceite ao Senhor Jesus como seu Salvador nesta hora.
Mediante a morte e a ressurreição do Senhor Jesus realizou-se a redenção. O que lhe está sendo entregue agora é o evangelho. Por que é ele chamado de boas-novas, evangelho? Porque todos os pecadores na terra, sem exceção, podem ser salvos. O Senhor Jesus morreu por todos eles. Ele crucificou todo o pecado do mundo. Logo, todos os que estiverem dispostos a aceitá-lo como Salvador serão libertos da opressão e também do castigo do pecado.
O caminho do homem é sempre tentar gradativamente reformar a si mesmo, acumulando mais méritos e esperando, ao final, alcançar a salvação. Isso não são boas-novas; são notícias de miséria. Pois quantos neste mundo são capazes de disciplinar a si mesmos de tal forma a acumular virtudes nesta vida, se é que alguém possa fazê-lo? E todos os que desejam salvar a si mesmos mediantes as boas obras façam a seguinte observação: a não ser que sua boa obra seja perfeita e sem mácula, o seu assim chamado bem em si mesmo é pecado. A menos que sua justiça alcance os céus e satisfaça a Deus, é como trapos da imundícia. Na solidão da noite sua consciência o acusará de misturar o ego, a fama, a reputação e outros pensamentos impuros com seus atos justos; como é que Deus pode ficar satisfeito com “justiça” como essa? Será que você pode praticar o bem que satisfaça a Deus (e não somente satisfazer a si mesmo ou aos seus vizinhos)? Dificilmente. Visto que você não pode praticar o bem, as notícias de que você deve realizar o bem a fim de ser salvo, na verdade, são notícias más.
Mas graças a Deus que ele não pede que façamos o impossível. Ele conhece nossa fraqueza e por isso faz com que seu Filho morra por nós e leve a penalidade de todos os nossos pecados. Não precisamos, gradativamente, praticar o bem em antecipação da salvação; podemos ter a vida eterna imediatamente depois de crermos no Filho de Deus como nosso Salvador pessoal, e aceitá-lo como tal.
Isso não significa, é claro, que nós, os que cremos no Senhor Jesus, não precisemos praticar o bem; quer simplesmente dizer que, inicialmente, não podemos ser salvos por meio das boas obras. Nossa salvação depende inteiramente da graça de Deus (Efésios 2:8). Depois de sermos salvos, porém, o Senhor dá-nos nova vida e essa vida praticará o bem espontaneamente. Primeiro, seja salvo, depois pratique o bem. Não queira primeiro praticar o bem para ser salvo.
Há alguém oprimido pelo pecado? Há alguém que trema só em pensar na vida depois da morte? A sua consciência não lhe diz que é pecador? Você não tem medo da morte e do juízo? Eis a salvação para o pecador contrito. O Senhor Jesus veio para salvar tais pecadores. Venha a ele assim como está, e ele o salvará. Ele mesmo declarou: “o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37). O seu temor deve ser em não vir, mas não tenha medo algum de que ele não o receba.
Agora você não tem desculpa alguma porque já ouviu o evangelho. Obedecerá a ele? O evangelho trouxe o Salvador até você e informou-o que o caminho da salvação é mediante a aceitação de Cristo. Agora a decisão de obedecer é sua. Se você perecer não será por causa de seus pecados passados mas por não obedecer ao evangelho.
Suponha que você esteja doente e quase à porta da morte e alguém lhe traz um remédio que pode curá-lo. E suponhamos que você se recuse a tomar o remédio. Se morrer, não será por causa da doença, mas por ter recusado o remédio que podia tê-lo curado e salvado. Não há dúvida de que você pecou, mas eis um Salvador cuja especialidade é salvar pecadores. Se você perecer> será porque não deseja obedecer ao evangelho e aceitar o Salvador dos pecadores. E quantas almas estão agora no inferno — contudo, não por causa dos seus pecados mas por rejeitarem ao Salvador. Portanto, não deixe que a palavra do Salvador que diz: “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40) se cumpra em sua vida.

Extraído do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE”, de Watchmann Nee

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GESTÃO E CARREIRA

OS RISCOS DE TROCAR O DIA PELA NOITE

Enquanto a maioria dorme, outros permanecem acordados para manter a produção e os serviços operando. Além de prejudicar a saúde física e mental de quem trabalha à noite, a inversão de horários expõe todos a um risco maior de acidentes.

Trocando o dia pela noite

“A claridade do dia me incomoda, o barulho me impede de ter um sono tranquilo e o tempo de descanso é muito curto.” A frase é de uma mulher de 45 anos que passa muitas noites em claro, não por insônia nem por diversão, mas porque é auxiliar de enfermagem de um hospital. Seu depoimento ilustra as dificuldades de quem trabalha à noite, em turnos regulares ou não. A maioria da população não tem ideia do que é isso, e não se lembra de que, todas as noites, um grande número de pessoas trabalha para manter funcionando o atendimento de saúde, o tratamento de água e esgoto, a produção de energia, as telecomunicações, a segurança pública, o recolhimento do lixo, o transporte de cargas, a extração de petróleo, a produção de alimentos, as lojas de conveniência, as portarias dos edifícios – a lista é enorme.

Poderíamos prescindir da produção e das atividades ininterruptas disponíveis 24 horas por dia? Apesar de ser uma tendência relativamente recente, surgida nos últimos dez anos, dificilmente abriríamos mão dessas conveniências. Importante ressaltar, porém, que a despeito dos lucros, o custo da sociedade 24 horas é alto − e não apenas o custo econômico. O trabalho noturno afeta a saúde física e mental dos indivíduos e suas consequências podem ser sentidas pela sociedade toda. Alguns exemplos: o acidente nuclear de Chernobyl e a explosão da Challenger, ambos em 1986, e um dos piores vazamentos de petróleo da história, no Alasca em 1989; todos desastres relacionados à privação de sono.

O ser humano dorme à noite não por convenção social, mas porque seu organismo expressa ritmos que são resultado de um longo processo de adaptação de nossa espécie ao ciclo ambiental claro-escuro do planeta Terra. A inversão dos horários de atividade e de repouso que o trabalho noturno impõe nunca é bem-sucedida do ponto de vista fisiológico e está relacionada a uma ampla gama de problemas de saúde: transtornos digestivos, cardiovasculares, reprodutivos, além dos mais óbvios, que são os distúrbios de sono.

RITMOS DESAJUSTADOS
A síndrome metabólica (caracterizada por obesidade abdominal, resistência à insulina e um conjunto de fatores de risco cardiovascular) é mais comum nas pessoas que, por causa do trabalho, trocam o dia pela noite. Uma revisão recente feita pelo pesquisador Anders Knutsson, da Universidade de Umea, Suécia, sugere que o risco de câncer de mama é maior em mulheres que trabalham no turno da noite.

No entanto, como não poderia deixar de ser, as queixas mais comuns dessas pessoas são os distúrbios do sono. Afinal, dormir de dia − enquanto o mundo está acordado e fazendo barulho − não é a mesma coisa. Diversos estudos mostram que além de a duração do sono dos trabalhadores noturnos ser menor, sua qualidade é pior. De forma geral, eles sofrem de privação crônica de sono e as consequências são déficit cognitivo e motor, alterações de humor que podem levar a depressão, fadiga crônica, baixos níveis de alerta e aumento do risco de acidentes. Agora pense nas possíveis consequências da combinação de todos esses fatores em um motorista de caminhão que dirige na mesma estrada que você ou em um médico que pode atendê-lo em um pronto-socorro.

Além de ter a saúde afetada, quem trabalha à noite está mais exposto a problemas de ordem psicossocial, já que seu cotidiano é muito diferente do de sua família e da comunidade em que está inserido. O desencontro de horários tende a restringir as oportunidades de interação social. As dificuldades se agravam no caso dos turnos irregulares, como são os de motoristas de caminhão que fazem viagens interestaduais. Como dependem da oferta de carga e das demandas de entrega, eles costumam trabalhar sem escalas predeterminadas e com jornadas extenuantes. Nos longos trajetos, passam muito tempo longe da família e dos amigos. Efeitos negativos nas relações sócio familiares também são muito comuns em pilotos, comissários de bordo e controladores de voos.

Segundo dois dos maiores especialistas no assunto, o americano Timothy Monk, da Universidade de Pittsburgh, e o britânico Simon Folkard, da Universidade de Swansea, Reino Unido, o trabalho noturno interfere em três aspectos da vida familiar: no cuidado doméstico − que afeta principalmente as mulheres, pois a sociedade espera mais delas esse tipo de responsabilidade; na interação social − que por razões culturais tende a acontecer à noite e nos fins de semana; e nas relações sexuais − porque durante o dia dificilmente o cônjuge está disponível, além de as crianças estarem acordadas. A mulher sofre mais com o trabalho noturno, já que a dupla jornada dificulta a reorganização de sua rotina diurna, especialmente se ela tem filhos. As atividades domésticas e o cuidado com as crianças quase sempre têm prioridade em relação às necessidades de sono.
É possível adaptar-se ao trabalho noturno? Embora algumas pessoas digam que sim, na verdade não se trata exatamente de uma adaptação, mas de diferentes percepções das consequências desse “estilo de vida”, o que resulta numa tolerância extremamente variável entre os indivíduos. Estudos mostram que a tolerância é influenciada por fatores intrínsecos (idade, sexo, estado de saúde, traços de personalidade, características relacionadas aos ritmos biológicos, como matutinidade e vespertinidade, entre outras) e extrínsecos (condições de moradia, satisfação com o trabalho, características do sistema de turnos, conciliação da vida pessoal com horários de folga etc.).

Dado o número de variáveis que interferem na tolerância ao trabalho noturno, não há como prever quais pessoas serão mais ou menos tolerantes e que estratégias serão mais eficientes para combater os prejuízos à saúde e à vida social. O que se nota, entretanto, é que geralmente os problemas tendem a se agravar com o envelhecimento devido a uma desregulação crônica dos ritmos biológicos, o que, além de piorar ainda mais a qualidade do sono, propicia o desenvolvimento de doenças. É por isso que a avaliação médica periódica é especialmente importante nessa população, de modo a detectar precocemente os sintomas de intolerância, como problemas digestivos e reprodutivos, consumo elevado de medicamentos (especialmente estimulantes), depressão, distúrbios de sono e acidentes.

MAIS FOLGAS
Infelizmente não há solução para os problemas causados pelo trabalho noturno e em turnos, apenas recomendações que podem reduzir seus efeitos nocivos na saúde física e psíquica. Entretanto, cada tipo de turno apresenta vantagens e desvantagens, de forma que cada situação específica merece uma análise detalhada; isto é, não há receitas prontas. Aumentar o número de folgas, regulamentar a aposentadoria precoce ou a transferência para turnos diurnos, por exemplo, são algumas formas de amenizar os problemas. Pesquisas mostram que o número de noites consecutivas trabalhadas deve ser o menor possível. A cada sequência de jornadas noturnas, são necessários ao menos dois dias de folga, já que as primeiras 24 horas após a última noite de trabalho geralmente são usadas para o descanso em vez do lazer. O ideal é que as folgas sejam aos finais de semana e não inferiores a 11 horas. Uma tendência crescente nas empresas é a adoção de esquemas mais flexíveis, com jornadas diárias de duração variável, horários personalizados, alternância entre meio-período e período integral e transferência temporária para o turno diurno. Além dos benefícios para o trabalhador, tais medidas também são vantajosas para as empresas, que acabam registrando número menor de acidentes e de ausências por motivo de saúde; logo, a produtividade aumenta.

MELATONINA E FOTOTERAPIA
Dois tipos de intervenção vêm sendo investigados para promover o ajuste dos ritmos biológicos ao trabalho noturno na tentativa de minimizar suas consequências para a saúde pública. Um deles é a administração oral de melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal, localizada entre os dois hemisférios cerebrais. A melatonina está diretamente ligada à regulação do ciclo vigília-sono, e a luz que incide na retina inibe sua secreção. Diversas pesquisas indicam que, se administrado em determinados horários, esse hormônio pode melhorar a qualidade do sono diurno e diminuir a sonolência durante a vigília, facilitando a adaptação das pessoas ao trabalho noturno.

Outra possibilidade em estudo é fototerapia, isto é, a exposição a fontes de luz de alta intensidade, a chamada luz intensa ou bright light. De forma bem resumida, funciona assim: a exposição à luz forte em certos horários modifica a resposta do organismo ao ciclo claro-escuro, encurtando ou prolongando o dia ou a noite “internos”. Os cientistas estão tentando descobrir quais intensidades de luz, comprimentos de onda, duração e horários são mais adequados para produzir efeitos positivos na qualidade do sono dos trabalhadores. Algumas pesquisas indicam que a exposição à luz intensa durante o horário de trabalho aumenta os níveis de alerta durante a madrugada. É possível que a fototerapia seja adotada por grandes empresas num futuro não muito distante.

A atividade física parece ser também uma boa estratégia para melhorar a tolerância ao trabalho noturno, como indicam as pesquisas realizadas por Mikko Härma, do Instituto de Saúde Ocupacional de Helsinque, Finlândia. Em um dos estudos, 150 enfermeiras participaram de um programa de condicionamento físico moderado, com duração de quatro meses, que incluiu corrida, natação, ginástica e caminhada, de duas a seis vezes por semana. Quando comparadas ao grupo controle, elas se sentiram menos cansadas e sonolentas, sem contar os benefícios musculares e cardiorrespiratórios.

Resultado semelhante foi obtido por uma de nós (Claudia Roberta de Castro Moreno) num estudo com mais de 10 mil motoristas de caminhão. O exercício físico, regular ou ocasional, foi um fator de proteção contra a apneia obstrutiva do sono, um dos distúrbios do sono mais comuns nessa população.

A remuneração extra é o principal atrativo do trabalho noturno, mas vale lembrar que ela reflete o reconhecimento dos efeitos nocivos do trabalho nesse horário. Nem uma coisa nem outra ajudam as pessoas a dormir melhor e a lidar com os desafios psicossociais a que estão expostas, nem diminuem os riscos de acidentes que muitas vezes ameaçam toda a sociedade. Por isso há um consenso entre os pesquisadores da área de que as ações relacionadas ao trabalho em turno não podem se restringir a uma simples questão monetária. A privação de sono decorrente da sociedade 24 horas tem um preço ainda mais alto do ponto de vista social e da saúde pública.

TRAGÉDIA NUM PISCAR DE OLHOS
Pouco antes da 1 hora da madrugada de 25 de março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez, da empresa americana Exxon, bateu num recife da costa do Alasca e derramou no oceano mais de 200 milhões de litros de petróleo. As investigações de um dos mais trágicos acidentes ecológicos de todos os tempos revelaram que a tripulação estava submetida a jornadas diárias de trabalho de 12 a 14 horas e turnos inadequados. As queixas de fadiga e sonolência eram comuns. No dia do acidente, o terceiro oficial, que estava no comando do navio, cochilou em serviço. O valor astronômico da multa paga na época pela empresa jamais compensará os prejuízos ambientais ainda observados na região 17 anos depois, como mostra estudo publicado em 2006 na revista da Sociedade Americana de Química.

No desastre nuclear de Chernobyl, Ucrânia, ocorrido em abril de 1986, os mesmos fatores estavam em jogo: longas jornadas de trabalho em turnos, privação de sono, sonolência excessiva; mas foram agravados pela pressão do governo para completar uma série de testes dentro de determinados prazos. Para “ganhar tempo”, os procedimentos foram programados para a madrugada e, curiosamente, ninguém questionou o desligamento de vários sistemas de segurança. O superaquecimento do reator foi constatado por volta da 1h30. Na tentativa de religar os sistemas de segurança, os sonolentos operadores cometeram um erro fatal: desligaram o resfriamento de emergência. A explosão espalhou lixo radioativo por mais de 3 mil km2. Cinco anos depois do acidente, a expectativa de vida dos ucranianos despencou de 74,5 anos para 63,3 anos.

Três meses antes de Chernobyl, o ônibus espacial Challenger explodiu menos de dois minutos depois de deixar o solo, matando toda a tripulação. A causa do acidente foi amplamente noticiada: um defeito numa peça do tanque de combustível − problema que, aliás, havia sido detectado e aparentemente reparado antes do lançamento. Menos divulgado, porém, foi o fato de não só a equipe de manutenção ter virado a noite para solucionar o problema, como os diretores que autorizaram a partida, a despeito das advertências dos engenheiros da Nasa, terem dormido muito pouco na noite anterior ao desastre.

PERCURSO DE UMA CAUSA JUSTA
O primeiro registro conhecido sobre as dificuldades do trabalho noturno está no livro do cientista alemão Georg Bauer (1494-1555) De remettalica, de 1556, sobre atividades de mineração. O médico italiano Bernardino Ramazzini (1633-1714) descreveu em De morbis artificum, de 1700, a situação dos padeiros: “Quando outros artesãos terminam a tarefa diária e se entregam a um sono reparador de suas fatigadas forças, eles trabalham de noite e dormem quase todo o dia”.

O grande impulso das atividades industriais e comerciais no final do século XVIII e início do século XIX, acompanhado da transição da sociedade agrária para a industrial, levou milhares de pessoas, de todas as idades, para as cidades. A jornada de trabalho se tornou cada vez mais longa e extenuante. Os limites entre o dia e a noite e, consequentemente, o descanso dos trabalhadores deixaram de ser respeitados. Mas até o final do século XIX o trabalho noturno representava um percentual mínimo da produção econômica mundial. Esse cenário mudou radicalmente com a invenção da lâmpada elétrica por Thomas Edison em 1880.

Atualmente, em grandes empresas do setor químico, petroquímico e siderúrgico, os funcionários recebem escalas de trabalho e folgas com até um ano de antecedência. Muitas empresas implantaram a “semana comprimida de trabalho”, na qual a jornada geralmente é de 12 horas, em turnos fixos ou rodiziantes, por três ou quatro dias consecutivos, seguidos de período igual de descanso. A vantagem é o maior número de folgas consecutivas em comparação ao turno de oito horas. A principal desvantagem é a duração da jornada, que pode ser muito fatigante.

Apesar dos avanços das últimas décadas, ainda há muito a ser modificado na legislação que regulamenta os horários de trabalho no Brasil. Segundo a Constituição Federal, o trabalho noturno (realizado entre as 22 h de um dia até as 5 h do dia seguinte) é proibido aos menores de 18 anos. De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a hora do trabalhador noturno é reduzida para 52 minutos e 30 segundos e remunerada 20% acima da diurna. Nos turnos em revezamento, os funcionários devem trabalhar no máximo seis horas diárias, exceto quando houver negociação coletiva. Muitas empresas pagam horas extras ou fazem acordos sindicais para aumentar essa jornada, que na prática fica entre oito e 12 horas por dia.

A décima revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) inclui o trabalho noturno e em turnos como agente etiológico ou fator de risco de natureza ocupacional no capítulo destinado às doenças relacionadas ao trabalho. Essa relação tem sido cada vez mais reconhecida por autoridades de saúde e pela justiça do trabalho, a ponto de já existirem pelo menos dois casos, ambos de 2006, de parecer favorável para trabalhadores noturnos, demitidos por justa causa, por terem cochilado em serviço. Nos dois processos, a ementa publicada pelo Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo diz que o sono faz parte da natureza humana. Trata-se de uma necessidade biológica complexa e não de uma faculdade. O fato de o empregado cochilar ou apresentar dificuldades cognitivas durante a jornada pode indicar afecções graves que devem ser tratadas e não simplesmente punidas.

PERIGO NOS PLANTÕES MÉDICOS
Longas horas de plantão médico afetam o raciocínio lógico e deterioram o desempenho. Um estudo sobre o tema foi realizado na Universidade de Tübingen, Alemanha, onde uma equipe supervisionada pelo médico Thomas Lingenfelser observou 40 médicos jovens e comparou seu desempenho após uma noite de folga com o que apresentavam depois de 24 horas de plantão. Os testes mediram rapidez de raciocínio e de resposta a determinados estímulos, poder de concentração e de processamento de informações em situações de distração. Em todos eles os médicos que haviam feito plantões e estavam privados de sono tiveram resultados 5% inferiores.

Quando a equipe de Lingenfelser examinou as respostas dos médicos nas tarefas hospitalares, o efeito foi mais grave. Uma delas envolvia memorização. Ao examinar um paciente, o médico estabelece uma lista mental de coisas que precisa fazer. Assim, quando está diante de uma contusão na cabeça, checa de imediato as reações da pupila e mais três ou quatro reflexos simples. Verifica o raciocínio e pede uma radiografia do crânio para ver se há fratura. Poderia completar com um eletroencefalograma (EEG), caso houvesse suspeita de dano cerebral. Note que a lista de providências é grande e precisa ser guardada na memória de curto prazo. Se algum dos itens for esquecido, uma parte importante da informação clínica será perdida. Quando os médicos foram testados quanto a essas tarefas rotineiras, observou-se um resultado 8% pior daqueles com débito de sono. Isso significa que, em uma lista de checagem de 12 itens, um poderá ser esquecido.

É interessante comparar tal resultado com um estudo do psicólogo Ian Deary, da Universidade de Edimburgo, Escócia. Depois de uma noite de plantão, a capacidade do médico de lembrar uma série de fatos − resultados de exames, por exemplo − diminui cerca de 18%. Quer dizer: de cada cinco, um seria esquecido por causa do sono atrasado.

A segunda habilidade examinada pelos pesquisadores alemães foi a interpretação de eletrocardiogramas (ECG). Os médicos deveriam apontar, com base em um vídeo com traçados típicos de ECG, aqueles que apresentavam anormalidades. Esse é um dos procedimentos mais comuns nos hospitais, pois os problemas cardíacos são causa frequente de emergências e também aparecem como complicadores associados a várias doenças ou ferimentos. O estudo demonstrou que os profissionais descansados tinham probabilidade 14% maior de detectar falhas no ritmo cardíaco que os médicos com débito de sono devido a um plantão. Ou seja, em cada sete problemas cardíacos, um não seria notado.

Outro estudo foi feito na Universidade Temple, na Filadélfia. Por meio de registro de EEG, a equipe do médico Leonard Goldman monitorou o ritmo cardíaco de cirurgiões enquanto operavam, a fim de detectar sinais de stress que prejudicam eficiência e coordenação. Para observar os médicos em ação, 33 cirurgias foram filmadas por um sistema de circuito interno de TV. Entre os voluntários testados, alguns tinham feito plantão e dormido menos de duas horas na noite anterior. Os pesquisadores compararam seus resultados com o desempenho de profissionais sem déficit de sono e verificaram detalhes assustadores. Os médicos com sono atrasado comportaram-se de modo indeciso e impreciso, utilizaram manobras cirúrgicas mal planejadas e desnecessárias durante quase um terço da operação, e 80% deles apresentaram ritmo cardíaco elevado, indicando severas condições de stress.

Fonte:
Claudia Roberta de Castro Moreno, Frida Marina Fischer e Lúcia Rotenberg
Revista Mente e Cérebro

PSICOLOGIA ANALÍTICA

Timidez

AS MÁSCARAS DA TIMIDEZ

Ao contrário do que normalmente se pensa, os tímidos se esforçam para resolver o que consideram ser um problema. Ainda assim, nem sempre conseguem vencer a dificuldade de manter relações sociais e criar vínculos.

 

Todas as vezes que tenho de me relacionar com estranhos, ainda mais se forem pessoas de condição socioeconômica superior à minha, sinto-me bloqueado: tenho medo de fazer feio, de não exprimir os conceitos corretamente, de parecer pouco culto e inteligente, revelando minha falta de cultura universitária.” Assim se explica André, um bancário de 27 anos.
Em tais contextos, o rapaz fala de forma atrapalhada, por mais ainda nos primeiros minutos da conversa. Para quem o observa, ele parece alguém que se esforça para animar a conversa, mas que, em contrapartida, se mostra rígido, fechado e inibido.
“Sinto-me confuso, e nesses momentos sempre me pergunto o que devo dizer, o que devo responder para que não pensem que sou um idiota. Além de não ser nada agradável, isso faz com que eu perca o fio da conversa. O resultado é que, como não acompanho alguns trechos do que está sendo dito, minhas respostas não são de fato muito inteligentes e originais…”
Nada disso, porém, ocorre diante das pessoas que André considera mais semelhantes a ele ou com as quais, apesar da diferença de condição e de educação, adquiriu com o tempo uma certa familiaridade. Em tais casos, ele se exprime com facilidade e consegue elaborar discursos articulados sobre vários temas. Por isso, podemos definir sua timidez como “situacional”, para diferenciá-la de um tipo mais profundo e generalizado.
Definida como sentimento de embaraço ou de inibição em situações sociais, a timidez faz o sujeito focar a atenção quase exclusivamente em si mesmo e ficar preocupado com o que o interlocutor poderá pensar sobre aquilo que diz ou sobre o que está sentindo (por exemplo, ansiedade e embaraço revelados pelo rubor). Em geral a timidez e a introversão são consideradas sinônimas, mas não é exatamente assim: o introvertido procura a solidão, mas, ao contrário do tímido, não teme o contato social.
O tímido deseja a companhia de outros, porém considera-se incapaz de manter uma relação.
Alguns componentes podem ser reconhecidos na timidez. O afetivo refere-se às emoções típicas experimentadas pelos tímidos nas situações sociais: ansiedade, confusão, embaraço e vergonha, acompanhadas por sensações psicofisiológicas como tensão muscular, batimento cardíaco acelerado e um “aperto” no estômago. O cognitivo refere-se à excessiva atenção dada aos julgamentos dos outros (“Todos estão me olhando e me avaliando”), à avaliação negativa de si mesmo (“Só disse bobagens”) e a um sistema irracional de convicções (“Esta noite, na festa, ninguém me notará ou me achará interessante”): estes são os modos típicos de raciocinar das pessoas tímidas.
O resultado é uma acentuada inibição do comportamento, que consiste em evitar ativamente os contextos sociais e se manifesta no olhar que se desvia, na sistemática recusa a encontros sociais e no isolamento em geral. Tudo isso pode, evidentemente, prejudicar a formação de relacionamentos e a obtenção de objetivos acadêmicos e profissionais.
Mas o que os próprios tímidos pensam de sua timidez? Uma pesquisa realizada por Bernardo J. Carducci, pelo Shyness Research Institute da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, avaliou 240 explicações dadas por pessoas tímidas sobre quais seriam as causas de seu modo de ser.

ONDE ESTÃO AS CAUSAS
Quase metade indicou como causa “fatores familiares”, que incluem, por um lado, o divórcio dos pais, violências familiares e adoção por uma nova família e, por outro, aspectos ligados à relação entre pais e filhos, como uma atitude superprotetora ou excessivamente severa por parte dos pais (ou de um dos pais) ou a ausência destes.

Um quarto dos participantes apontou “fatores psicofísicos, raciais e culturais”. Exemplos seriam a inexorabilidade da própria timidez (“Sou assim mesmo, sempre fui tímido”), a falta de uma cultura adequada, o pertencimento a uma etnia minoritária, problemas físicos reais ou imaginários (como acne ou obesidade), uma suposta carência de dotes atléticos ou sexuais, ou ainda o fato de haver sido vítima de sistemáticas violências verbais, psicológicas, físicas ou sexuais.

Cerca de 20% assinalaram “fatores intrapessoais ou interpessoais”. Os primeiros se referem aos estilos de pensamento que tendem a fazer com que a pessoa crie uma imagem negativa de si: ela se culpa por tudo que não dá certo, ou se sente “estúpida”, nervosa ou deprimida quando em companhia, ainda que sem motivos. Os “fatores interpessoais” dizem respeito à dificuldade de interagir ou manter conversas com outros: a pessoa fica embaraçada e envergonhada em situações sociais e acaba por evitá-las totalmente.

Carducci observa que “a tendência é indicar as experiências precoces vividas em família ou com os coetâneos como explicativas do modo de ser. Os fatores externos são mais enfatizados (cerca de 64% dos participantes da pesquisa) do que o reconhecimento de uma cota de responsabilidade própria (somente 20%)”.
No caso de André, como ele mesmo diz, sua timidez se deve a um sentimento de insegurança e inadequação no plano sociocultural. Isso gera, segundo ele, sua atitude atrapalhada nas circunstâncias descritas. “Certamente tento remediar minha timidez. No ano passado frequentei um curso de teatro para adquirir mais desembaraço ao me apresentar e exprimir emoções, aprender a improvisar e enfrentar situações sociais difíceis, que exigem tomadas de posição. A estratégia que uso nas conversas, por outro lado, é a de evitar assuntos nos quais não me sinto seguro (política, história, literatura) e deslocar a discussão para temas que me são mais familiares, como economia, finanças e informática.”

Mas quais procedimentos são normalmente empregados pelos tímidos para enfrentar a timidez? O que a pesquisa revela, observa Carducci, “é que cerca de 87% dos tímidos estão efetivamente empenhados em superar a timidez. A estratégia mais utilizada é a extroversão forçada” (escolhida por dois entre três tímidos), que consiste em obrigar-se a frequentar locais públicos e procurar a presença de outros. Um a cada quatro tenta superar o problema minimizando a suposta periculosidade das situações sociais e procurando tornar mais positiva a visão dos outros (extroversão cognitiva auto induzida). Uma terceira alternativa é buscar informações sobre o embaraço que sentem, lendo manuais de autoajuda ou frequentando seminários sobre o tema. A procura de ajuda profissional assemelha-se, conceitualmente, a essa estratégia: terapia individual, de grupo ou seminários sobre como reforçar a auto estima.

Menos saudável e mais perigosa é a chamada \\`extroversão líquida\\`, obtida mediante o consumo de remédios não receitados, drogas ou álcool para reduzir a tensão nas situações sociais e tornar a pessoa mais desenvolta.

Os 50% restantes dos indivíduos pesquisados se subdividem entre os que declaram praticar exercício físico para sentir-se melhor e, assim, aprimorar a relação com os outros; os que tentam emagrecer, influir na própria aparência física e se tornar mais atraentes; e os que nada fazem para aumentar sua sociabilidade”.

ESFORÇO PARA MUDAR
Tais estatísticas revelam que, contrariamente ao que se pensa, os tímidos não são passivos e indolentes, mas se esforçam para resolver o que consideram ser um problema, ainda que nem sempre os resultados sejam os esperados. Carducci lembra que essas estatísticas não são um fim em si mesmas. “Esses dados podem ter implicações teóricas e práticas para os profissionais da área da saúde mental. Será possível utilizá-los para antecipar e compreender melhor a natureza da dificuldade experimentada pelos tímidos e para desenvolver programas de apoio.”

Mateus é um menino de 7 anos que prefere brincar sozinho em seu quarto a ir para a praça com a mãe, onde pode encontrar dezenas de pessoas desconhecidas. Lucas, seu colega de classe, é exatamente o oposto: fala e ri com crianças e adultos que não conhece e poderia passar todo o tempo fora de casa, em meio às pessoas.

DESDE A INFÂNCIA
Qual seria a razão de tais diferenças? Segundo estudo recente, realizado por um grupo da Harvard Medical School, o fato de uma pessoa evitar coisas, pessoas ou situações novas pode depender, ao menos em parte, de diferenças cerebrais existentes desde a infância.

De fato, quando imagens de rostos desconhecidos são apresentadas a tímidos, é possível observar neles um nível de ativação mais elevado na amígdala, uma pequena formação que regula alguns dos processos emotivos mais importantes e integra o sistema límbico.

Nas pessoas extrovertidas, ao contrário, a ativação da amígdala é menos acentuada. “Nossos dados mostram como as diferenças em aspectos particulares do temperamento – os que levam alguém a evitar estímulos desconhecidos em vez de procurá-los espontaneamente – estão correlacionados a diferenças no funcionamento da amígdala”, explica Carl Schwartz, responsável pela pesquisa. “Graças a novos recursos tecnológicos, como a ressonância magnética funcional (fMRI), pudemos observar que as mesmas diferenças de temperamento e os mesmos padrões de ativação neurofisiológica observados em um indivíduo muito jovem estarão presentes nele anos mais tarde.”
A psicologia entende por temperamento um perfil afetivo e comportamental estável, que caracteriza um indivíduo desde a infância e que é controlado, ao menos em parte, por fatores genéticos. Um dos critérios mais utilizados para caracterizar o temperamento é justamente a reação da criança diante de pessoas, objetos ou situações não familiares. Dependendo da reação, fala-se de crianças “tímidas” ou “sociáveis”.

A pesquisa longitudinal realizada por Schwartz e seus colaboradores pode ser assim resumida. Um primeiro experimento subdividiu em duas categorias uma mesma amostra de crianças, todas com 2 anos, conforme seu grau de inibição ou desinibição diante de estímulos desconhecidos.

Dezesseis anos mais tarde essa mesma amostra, agora adolescente, foi submetida a uma ressonância magnética que “registrou” imagens das áreas cerebrais ativadas durante a visão de seis fotografias de rostos desconhecidos (com expressão neutra) apresentadas várias vezes. Na fase de controle experimental, os jovens observavam, sucessivamente, um número maior de imagens, algumas novas e outras que faziam parte do grupo de fotos vistas antes. Se um aumento da atividade da amígdala em resposta a rostos novos é de fato natural, as pessoas classificadas como “inibidas” revelaram uma reação significativamente mais intensa que a do resto da amostra.

“Somos levados a pensar”, conclui Schwartz, “Que frequentemente alguns traços de personalidade permanecem quase imutáveis ao longo da vida, a despeito do contexto de desenvolvimento e da experiência acumulada. Constatamos, além disso, a existência de uma relação entre a timidez precoce e o desenvolvimento sucessivo de fobia social (como ocorreu em dois casos de nossa amostra), ainda que o elo não seja automático: Ser tímido não deve ser considerado, por si só, patológico.”

Rossana Pecorara

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

O JUÍZO

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo (Hebreus 9:27).

É desconfortável ler e desagradável ouvir este solene versículo bíblico, pois aponta duas coisas: que os homens hão de morrer e que depois da morte haverá o juízo. Se você puder escapar da primeira ordenação de Deus poderá, também, escapar da segunda. Se a primeira ordem, a morte dos homens, é cumprida, a segunda, o juízo, também o será. Daí que a primeira pergunta a ser feita não deve ser se você será julgado ou não; antes, se você morrerá ou não. Contudo, o assunto que se nos apresenta para consideração não é a morte, mas o juízo. Este é um assunto que ninguém gosta de ouvir nem tem prazer em discutir. Mas não há como escapar dele, pois se a morte é certa, o juízo também o é. Se você há de morrer, então também será julgado. A menos que você possa evitar a primeira ordenação, não evitará a segunda.
A Bíblia apresenta-nos certos fatos. Quer você creia na veracidade deles quer não, não obstante, são verdadeiros. O fato não se tornará ficção apenas por sua descrença. Um fato para sempre permanece fato.
Ora, o primeiro fato que a Bíblia ensina é que Deus existe. Pode ser que você creia ou não nele, entretanto, Deus é um fato. O cego pode crer ou não que exista o sol; não obstante, o sol permanece como um fato.
O segundo fato que a Bíblia ensina é que o pecado existe. Uma vez mais, os homens podem crer ou não que o pecado exista, entretanto, o fato de sua existência permanece.
A Bíblia não só nos ensina que Deus existe e que o pecado igualmente existe mas também nos instrui quanto à morte. A morte também é um fato. A Bíblia o menciona mais frequentemente do que as pessoas em geral o mencionariam. Ora, quer você creia quer não que a morte seja real, não obstante, está ordenado aos homens morrerem.
A Bíblia apresenta-nos ainda outro fato — aquele que se relaciona com o futuro. Uma vez que pertence ao futuro, ele é, muitas vezes, negligenciado. Entretanto é tão real quanto os outros três fatos já mencionados. Este fato é o juízo. Quer você creia nele quer não, haverá um juízo. Seja um pecado grande ou pequeno, seja ele refinado ou grotesco, seja popular ou infame, será julgado por Deus; pois o juízo é um fato bíblico. Não necessito de gastar tempo para provar que haverá um juízo.
A Bíblia simplesmente diz que Deus existe e nunca tenta provar esse ponto. Da mesma forma, a Bíblia não necessita de demonstrar que você pecou, porque você pecou. Nem tampouco precisa substanciar o fato de que você morrerá, porque você morrerá. Da mesma forma, portanto, a Bíblia não tem necessidade de demonstrar-lhe que haverá um juízo, visto ser ele um fato. Permita-me fazer-lhe uma pergunta: O problema de seus pecados já foi resolvido? Pode ser que você já tenha ouvido o evangelho várias vezes mas ainda não resolveu o problema de seu pecado; você, portanto, ainda não está salvo. E a morte sendo certa, o juízo certamente se seguirá. Entretanto, você não sabe quando há de morrer ou quando será julgado. Por isso urge que você resolva o problema do seu pecado hoje, doutra forma encontra-se em grande perigo. Muitos dão pouca atenção ao juízo, mas permita-me dizer-lhe que se você não resolver o problema do seu pecado hoje e esclarecer o assunto do juízo, não achará misericórdia quando o juízo, afinal, vier sobre você. Insto com você que não coma nem durma sem primeiro resolver o problema do seu pecado. Isto é de suma importância para que o juízo não lhe sobrevenha sem aviso prévio.

QUAL É O RESULTADO DO JUÍZO?
A Bíblia não somente nos diz que haverá o juízo; informa-nos também do seu resultado. Um dia Deus julgará o pecado do mundo, “tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de Nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2Tessalonicenses 1:8, 9). Este castigo é a perdição eterna, a saber, o inferno. O que a Bíblia nos diz de “Deus ter amado ao mundo” é verdade. Contudo, o que nos diz do fogo do inferno é igualmente verdadeiro. Se ainda não recebemos a graça do perdão, estamos em estado muito perigoso, pois os incrédulos serão lançados da presença do Senhor e descerão para o inferno, a perdição eterna.

HAVERÁ DESCULPAS NO JUÍZO?
Talvez alguns pensem que, ao se apresentarem perante o trono do juízo de Deus, possam argumentar que ele não os pode lançar no inferno porque eles ou não compreenderam ao ouvir o evangelho ou não o ouviram direito. Você pode preparar-se para arrazoar com Deus no dia do juízo, mas o Senhor já decidiu quanto à resposta que lhe dará e esta não lhe oferece desculpa alguma.
Ouça as palavras sóbrias de Jesus: “Ninivitas se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas” (Mateus 12:41). O Senhor diz-nos o que acontecerá no juízo. Será o próprio Deus quem condenará seus pecados no juízo? Não. Ele simplesmente ficará assentado observando os ninivitas levantarem-se para condená-los por seus pecados.

COMO SERÁ ISTO?
Nínive foi uma cidade antiga, grande e famosa. Seus habitantes pecaram grandemente. De modo que Deus enviou um profeta chamado Jonas a fim de proclamar-lhes que em quarenta dias Nínive seria destruída. Deram ouvidos ao que Jonas anunciava. Proclamaram jejum e vestiram-se de saco — desde o maior deles até ao mais pequenino. Buscaram a Deus com todo o coração e Deus viu as suas obras e o seu arrependimento e não os destruiu. Eles, portanto, receberão a graça dos pecados perdoados. Muito mais tarde, o Senhor Jesus usou o acontecimento da história antiga a fim de provar que os ninivitas condenariam a geração dos dias de Jesus pelos pecados que havia cometido.
Ora, os ninivitas ouviram a palavra de Jonas e se arrependeram. Contudo, eis aqui alguém muito maior do que Jonas! Hoje as pessoas ouvem o Filho de Deus falando. Hoje muitos já leram a Bíblia, especialmente o evangelho segundo São João. Quem, pois, pode dar desculpa de jamais ter ouvido falar do Filho de Deus? E se você ouviu, como espera escapar do juízo futuro? Pois, no dia do juízo os ninivitas levantar-se-ão e o acusarão, dizendo: “Nós ouvimos a Jonas e nos arrependemos. Como, pois, poderá você escapar, visto que ouviu o evangelho do Filho de Deus mas não se arrependeu?”
Talvez alguém argumente, dizendo: “Os ninivitas tiveram a oportunidade de se arrependerem porque Jonas foi lá para pregar. Mas eu sou uma pessoa que vive na roça. Ninguém pregou o evangelho em minha região para que eu pudesse ouvir. Deus, provavelmente, não condenará uma pessoa como eu.”
Como resposta, dir-lhe-ei o que o Senhor afirmou acerca de outro incidente, o que desfará sua desculpa.
“A rainha do Sul se levantará no juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão” (Mateus 12:42). No dia do juízo, “a rainha do Sul” se levantará para responder ao argumento de tais pessoas e condenará esta geração por seus pecados.
“A rainha do Sul” era a rainha de Sabá. Sabá é a Abissínia (Etiópia de hoje). Este país fica muito mais ao sul do Egito. Esta rainha ouviu falar da fama do rei Salomão — quão cheio de sabedoria era ele; de modo que viajou milhares de quilômetros para ver o rei. Contudo, “eis aqui está quem é maior do que Salomão”. Nosso Senhor Jesus é muito maior do que o Salomão de outrora! E o que ele diz é muito mais sábio do que as palavras de Salomão. O que ele fala tem consequência muito maior, visto que pertence à vida e à morte eterna. Uma rainha do Sul estava disposta a viajar milhares de quilômetros a fim de ouvir a sabedoria do rei Salomão; poderia você, que mora a apenas cerca de cinquenta quilômetros da cidade não ir até lá e ouvir a verdade em uma igreja que prega o evangelho! Ainda que você morasse a duzentos quilômetros distante da cidade, mesmo assim poderia encontrar algum lugar perto onde pudesse ouvir o evangelho e crer nele. Se não o fizer, a rainha do Sul se levantará e condená-lo-á por seus pecados. Ela veio “dos confins da terra!” Por que você não pode sair de casa e ir a uma igreja próxima de onde você mora? Por conseguinte, nenhum dos não-salvos hoje tem desculpa alguma para apresentar no dia do juízo.

PODE-SE ESCAPAR DO JUÍZO?
Alguns podem tentar conceber uma maneira de escapar do juízo. E uma idéia um tanto tola, mas alguns podem tentar. Por que não esconder no abismo, depois da morte, a fim de evitar o juízo? “Os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5:29). Se, ocultando-se no profundo do abismo, a pessoa não for ressurreta, escapará ela do juízo? Tal coisa é completamente inútil. Ouça o que diz a Palavra de Deus: “Ainda que desçam ao mais profundo abismo, a minha mão os tirará de lá” (Amos 9:2a; veja Salmo 139:8). Você acha que pode ocultar-se no inferno e selar a porta, escapando, assim do juízo? A mão de Deus o tirará de lá. Não importa que você desça ao mais profundo abismo, a sua mão o tirará de lá.
Há outro grupo de pessoas, possivelmente cientistas e aviadores modernos, que pensam poder voar no espaço e escapar do juízo. Mas isso também é fútil. Ouça: “Se subirem ao céu, de lá os farei descer” (Amos 9:2b). Você pode subir, mas Deus o fará descer. É difícil para você subir mas é fácil para ele fazê-lo descer.
Talvez alguns pensarão em fugir para as montanhas e florestas onde não possam ser encontrados. Contudo, diz a Palavra de Deus: “Se se esconderem no cume do Carmelo, de lá buscá-los-ei, e de lá os tirarei” (Amos 9:3a). Você pensa que o ocultar-se no interior das montanhas ou entre as muitas árvores pode livrá-lo do juízo, mas Deus o buscará e o tirará.
Outros poderiam dizer que se nem o abismo profundo nem os céus nem as montanhas podem ocultá-los, por que não tentar o fundo do mar? Aqui, também, a Palavra de Deus admoesta: “E se dos meus olhos se ocultarem no fundo do mar, de lá darei ordem à serpente e ela os morderá” (Amos 9:3b). Se você se esconder no fundo do mar, será mordido pela serpente e não encontrará escape.
O que ficou dito acima são representações pictóricas de seus fúteis esforços. No abismo, no céu, nas montanhas ou no fundo do mar você pode ocultar-se das mãos dos homens, mas jamais poderá escapar da mão de Deus. Segundo a Bíblia, absolutamente não há maneira de escapar.

QUE MAIS ACONTECERÁ NO DIA DO JUÍZO?
“Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano, de saco e cinza. E contudo vos digo: No dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e Sidom, do que para vós outros. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá no dia do juízo para com a terra de Sodoma, do que para contigo” (Mateus 11:21-24). Quanto mais a pessoa ouve o evangelho, tanto menos terá o que dizer no dia do juízo. Aconselho-o a dar atenção a este assunto se ainda estiver ocupado com pecados, com o mundo e com os prazeres. Você não pode evitar a morte e, portanto, não escapará do juízo. O juízo está ordenado assim como a morte.
Nos dias antigos antes do nascimento de Cristo e antes de ele morrer pelos pecados do mundo, as pessoas poderiam ter dado desculpas por não terem conhecimento do pecado nem do juízo. Hoje, entretanto, você já ouviu falar que o Filho de Deus morreu por você. Se ainda não resolveu o problema do pecado, minhas lágrimas e também as lágrimas de todos os pregadores do evangelho são derramadas por você, pois o juízo que há de vir é por demais solene! O mundo passará e os seus prazeres também, mas o juízo jamais passará até que se cumpra.

COMO SE ESCAPA DO JUÍZO?

Agora quero dizer-lhes como se pode escapar do juízo. A fim de escaparmos, primeiro devemos perguntar por que devemos ser julgados no futuro. Visto que todos pecaram, todos serão julgados. Se você puder escapar ao pecado, poderá também livrar-se do juízo.
“Juízo” no grego é a mesma palavra usada para “condenação”. Logo, a frase “depois da morte, o juízo” pode ser traduzida, com a mesma exatidão: “depois da morte, a condenação.” Ninguém escapa ao pecado. Se não houvesse pecado, poderíamos destruir os templos porque não haveria necessidade deles. E também eu não precisaria ser cristão. Poderia queimar a Bíblia e ousar praticar tudo o que desejasse. Mas o pecado é real, é um fato; portanto, preciso de um Salvador. Sei que o Filho de Deus existe e que levou meus pecados derramando seu sangue para nossa propiciação. Sei também que se a questão do pecado for resolvida o problema do juízo também o será. Precisamente aqui está o caminho da salvação.
De que maneira Deus nos salva de nossos pecados? Pequei e por tê-lo feito mereço ser julgado e condenado no inferno. Mas a Palavra de Deus diz que seu Filho morreu por nossos pecados. Quão doce é o nome de Jesus! Seu som é mais agradável do que a música para meus ouvidos e é o mais poético de todos os temas para a minha imaginação.
O Filho de Deus veio a fim de morrer por mim. Ele levou meus pecados na cruz e sofreu por mim a penalidade deles. Assim, estou salvo e livre. Isto é o evangelho! Meu propósito não é anunciar-lhes a condenação, dizendo que vocês devem morrer e ser julgados. Mostro-lhes o juízo apenas a fim de fazer com que percebam a necessidade — vocês precisam de um Salvador, alguém que tire o pecado.
Não imaginem incorretamente que Jesus veio a fim de servir à sociedade pregando fraternidade e igualdade e ao mesmo tempo servindo de exemplo para os homens. Já li o Novo Testamento pelo menos cem vezes e nunca encontrei tal conceito em suas páginas. Pois tal ideia não seria o evangelho, antes, o anúncio da miséria de Satanás e do inferno. A Bíblia diz-nos que Jesus veio para sofrer o juízo por mim. Eu devia morrer mas Jesus morreu por mim. Na cruz, ele exclamou: “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” (Mateus 27:46b). Deus teve de abandonar seu Filho Jesus porque naquele instante ele levava nossos pecados. Jesus desceu do céu a fim de levar-nos para lá. Deixou o Pai a fim de descer a este mundo para que nos aproximássemos de Deus. Tornou-se pobre para que fôssemos ricos. Veio à terra para que fôssemos libertos do cativeiro terreno. Levou nossos pecados para que fôssemos livres deles. Sofreu o juízo por nós para que todos os que nele creem sejam poupados. Tenho certeza de que você muitas vezes ouviu a menção da cruz na apresentação do evangelho. A cruz simplesmente significa que o Senhor Jesus sofreu nosso juízo e levou sua penalidade por nós.
O que estou tentando transmitir-lhe é a necessidade de perceber, por um lado, que aos homens está determinado morrer e que depois da morte vem o juízo, mas por outro lado, Deus amou tanto ao mundo que nos preparou o caminho da salvação — a saber, que seu Filho morreu por nós. Como resultado, você pode aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor agora.
Dê ouvidos a este versículo bíblico: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:18). Lembre-se que as palavras “julgar” e “condenar” têm o mesmo significado no original grego. Portanto, podemos, com exatidão igual, dizer: “Quem nele crê não é condenado; o que não crê já está condenado.” E esta palavra não é minha, antes, é a palavra do Senhor Jesus.
Ouça outro versículo: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5:24). Esta passagem diz-nos que se a pessoa ouve a palavra do Senhor e crê em Deus que o enviou, tem (1) a vida eterna, (2) não entra em juízo ou condenação, e (3) passou da morte para a vida.
Pergunto-lhe hoje se já creu no Filho de Deus. Se ainda não o fez, convido-o a aceitá-lo como seu Salvador agora.
Ah, não espere até o dia em que estiver morrendo para crer, não deixe sua decisão para o último instante. Ore a Deus, agora, dizendo: “Ó Deus, agora recebo teu Filho.” Sim, deveras, o Filho de Deus já foi julgado por você e já morreu em seu lugar. Portanto, venham pecadores!

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ossentidos

O CARROSSEL DOS SENTIDOS

Para que possamos perceber o mundo como um todo, os cinco sentidos precisam cooperar entre si de forma inteligente e, muitas vezes, praticamente fundir-se uns nos outros

 

Da esquerda soa, no último volume, uma música antiga e famosa. “Vamos entrando!”, grita alguém do outro lado. Atrás, um grupo de jovens dá risada e, em algum lugar, uma criança berra. Simultaneamente, brilham e reluzem por toda parte luzes coloridas, enquanto nossos olhos tentam acompanhar os loopings da montanha-russa. O tumulto de um parque de diversões inunda nossos sentidos. E talvez o programa não fosse tão bom sem essa multiplicidade de estímulos, sem a concentração de pessoas, o empurra-empurra e o acotovelamento, sem o sorvete na mão ou o cheiro de algodão-doce e pipoca.

O exemplo mostra quantos sinais vindos do mundo exterior nos atingem ao mesmo tempo. Somente pela combinação deles surge a complexa impressão geral, típica de situações como essa. Nessas circunstâncias, o cérebro é exigido ao máximo – o que evidentemente atrai a curiosidade de neurocientistas.

A inundação de estímulos no parque, no entanto, não se ajusta ao exame mais detalhado da maravilhosa mistura de variadas impressões de sentidos – a integração sensorial. Os pesquisadores preferem condições claras e controláveis. Têm interesse especial por situações em que nosso cérebro se ludibria quase sozinho e produz falsas imagens do ambiente. Um exemplo conhecido desses enganos é o efeito de ventríloquo. Embora a voz que se ouve não seja originada pela boca em movimento do boneco, a impressão que temos é exatamente essa. Também no cinema nos entregamos à ilusão de que os heróis na tela falam, embora na realidade suas vozes ecoem dos alto-falantes espalhados pela sala de espetáculos. Nosso cérebro parte imperturbavelmente da premissa de que a fonte do que é dito se encontra onde os lábios se movem no ritmo adequado – ele combina, portanto, de forma significativa e entre si, a impressão de audição e de visão.

É fácil nos enganarmos não apenas com a origem de um estímulo sensorial, mas também com sua qualidade. Em meados dos anos 70, os psicólogos Harry McGurk e John MacDonald, da Universidade de Surrey, na Grã-Bretanha, descobriram um fenômeno interessante: apresentavam a voluntários uma seqüência de filme, na qual um ator articulava a sílaba “ga”, e sincronizavam a cena com o som “ba”; as pessoas informavam posteriormente que não percebiam nem uma nem outra, mas a sílaba “da”! Ambas as informações sensoriais se dissolviam, portanto, em um terceiro som, totalmente novo.

VÁRIAS PEÇAS

Os sentidos de audição e tato também se prestam, por vezes, a alianças enganosas: normalmente, quando esfregamos as palmas de nossas mãos uma na outra, conseguimos avaliar bem a umidade da pele. Mas se, ao fazer isso, ouvimos um forte rumor, a pele parece repentinamente seca; se o ruído perde sua intensidade ou a sonoridade sobe a uma escala mais alta, então as palmas das mãos nos parecem outra vez úmidas.

Tais ilusões mostram que nosso cérebro combina constantemente as informações dos diversos órgãos do sentido, a fim de delinear uma imagem mais ou menos correta do ambiente. Para os pesquisadores da percepção colocam-se duas questões: como os sentidos se fundem no cérebro e onde ocorre esse processo?
Em princípio, várias possibilidades são presumíveis.
Número 1: cada sistema neurossensorial analisa seus estímulos, inicialmente sozinho, e produz uma “imagem” pronta do ambiente. O sistema responsável pela visão, por exemplo, fornece o aspecto de um cão pastor alemão que late atrás de uma cerca branca, ao passo que o aparato auditivo informa simultaneamente o latido e o som de um carro que passa na rua. Somente depois disso as várias impressões sensoriais são integradas e formam uma imagem completa: um cão latindo no jardim em frente à casa.

Número 2: o sistema visual descobre, de início, uma superfície manchada, de tamanho médio, em meio a muito verde. Simultaneamente, o sistema auditivo percebe um ruído alto que se repete ritmicamente, proveniente daquela área. Em seguida, o sistema visual registra que a superfície se modifica sempre que o sistema auditivo informa o ruído. Dessa maneira os diversos sentidos se complementam em frações de segundo, até que seja formada a impressão total do pastor alemão latindo. Nesse caso, a integração sensorial já ocorre em uma fase bastante precoce do processo.
O primeiro modelo concebe os diversos sistemas sensoriais como departamentos isolados, unidos apenas ao final do processo. Já o segundo considera que cada sentido consegue co-interpretar precocemente os objetos percebidos com base em outras informações sensoriais. Entre tais variantes extremas podem-se considerar, naturalmente, tantas etapas intermediárias quantas se queira. O caminho pelo qual o cérebro envereda encontra-se provavelmente em meio a essas duas abordagens. A questão é: onde?

MAIS OXIGÊNIO

Pesquisadores buscam a resposta com o auxílio de procedimentos que mostram imagens, como, por exemplo, a tomografia de ressonância magnética ou a tomografia de spin nuclear. Neste caso, os cientistas se valem do fato de que, carregada de oxigênio, a molécula de hemoglobina tem um comportamento diferente em um forte campo magnético. Trabalhando de maneira bastante intensa, uma região cerebral gasta mais oxigênio do que regiões vizinhas e, por essa razão, tem um suprimento sanguíneo mais forte. A tomografia de ressonância magnética capta esse suprimento diverso, podendo fornecer uma imagem momentânea do cérebro em atividade.

Se as informações sensoriais fossem, de fato, analisadas até o mínimo detalhe, separadamente, por variados sistemas e fossem combinadas somente ao final, deveria haver diversas áreas cerebrais sensoriais que se ocupariam exclusivamente com um único sentido. No outro caso, no qual a combinação ocorre bem cedo, poucas dessas regiões especializadas deveriam bastar. Ambos seriam passíveis de reconhecimento no tomógrafo de spin nuclear.

De fato, nos últimos anos, uma série de estudos com imagens revelou complexa rede de áreas cerebrais que se tornam extremamente ativas especialmente quando dados sensoriais diferentes convergem. Já se sabia que as assim denominadas áreas de associação nos lobos parietal e frontal do córtex cerebral trabalham informações de canais sensoriais diferentes; mas também áreas até então tidas como responsáveis por um único sentido mostraram, nesse ínterim, seus talentos variados: como descrito por Jon Driver, do University College London em 2005, a atividade do córtex visual de pessoas em teste aumenta ao enxergarem um flash bem próximo de sua mão quando os dedos percebem estímulos tácteis adicionais. Esta atividade cerebral elevada só se manifesta, todavia, quando o estímulo visual e o tátil ocorrem simultaneamente e do mesmo lado do corpo.
Da mesma forma, percebemos cada vez menos um ponto de luz a piscar quando a intensidade diminui paulatinamente. Se, porém, ouvirmos um som breve durante o piscar, ainda reconheceremos mesmo o mais fraco luzir. Isso tudo só funciona, entretanto, quando luz e som ocorrem no mesmo momento.

Um caso especialmente interessante ocorre com a percepção da fala: o som das palavras não é transmitido apenas acusticamente, também os movimentos dos lábios guardam informações valiosas. Em 2001, a pesquisadora Gemma Calvert, da Universidade de Oxford, observou que, na percepção dos fonemas, tanto a atividade do sistema auditivo quanto do visual é reforçada quando estímulos acústicos e imagens chegam juntos ao cérebro. A visão dos lábios em movimento influencia precocemente o processamento dos sinais sonoros e também as palavras ouvidas agem sobre a análise visual do movimento da boca. O efeito sinérgico de ouvir e ver surge em regiões cerebrais que até então eram consideradas áreas sensoriais isoladas.

TRABALHO DE EQUIPE

Já a observação da imagem muda de uma pessoa enquanto fala é suficiente para ativar de forma mensurável o córtex auditivo – mesmo quando ela apenas articula palavras sem sentido. Caretas, contudo, não têm efeito sobre essa região cerebral. Isso deixa claro que o córtex auditivo reage de modo bem específico: a integração sensorial de estímulos acústicos e visuais colabora para o processamento da fala.

O segundo modelo, que parte de uma fusão sensorial bastante precoce, parece ser o válido. Medidas de ressonância magnética de alta resolução, que executamos em 2005 no Instituto Max Planck de Cibernética Biológica, em diversas áreas do córtex auditivo de macacos resos, também apontam para esta direção. Esse córtex subdivide-se em diversas unidades (ver quadro nesta página): os impulsos elétricos que produzem ondas sonoras que entram no ouvido interno alcançam o córtex auditivo primário por meio de uma estação intermediária no tálamo. Somente a partir dessa área os estímulos chegam às regiões superiores, que se cingem o córtex auditivo primário como um cinto de poucos milímetros.
Durante nossas experiências, quando fazíamos os animais escutarem ruídos com um fone de ouvido e, simultaneamente, estimulávamos superfícies de suas patas usando uma escova, podíamos mensurar a atividade cerebral crescente – a parte posterior do córtex auditivo secundário apresentava movimento. Aqui parece encontrar-se, portanto, o local da integração sensorial.

Exatamente por que razão essas regiões fundem as informações dos sentidos não sabemos ainda. Mas já se afigura a possibilidade de a parte posterior do córtex auditivo ser especializada em captar informações espaciais – quer dizer, reconhecer de onde um ruído vem. Assim, essa fusão sensorial poderia colaborar com a ordenação de diferentes impressões de sentido para a mesma origem espacial.

Uma conclusão parece admissível: a integração sensorial se dá em áreas auditivas superiores. Dessa forma, ocorre de modo bastante precoce, mas não tanto quanto teoricamente seria possível. O primeiro modelo, que partia de um processamento separado das impressões sensoriais, simplesmente mostra-se falso. O segundo, com sua suposição de uma fusão de sentidos, pode sugerir certo exagero, mas parece corresponder melhor à realidade.

Ao que tudo indica, pelo menos uma grande parte de nosso cérebro está ocupada em combinar entre si informações de diversos sentidos. Comparativamente, uma área cerebral quase ínfima se ocupa exclusivamente de um único sentido.

Fonte: Christoph Kayser – Revista Mente e Cérebro

GESTÃO E CARREIRA

Inteligencia relacional

INTELIGÊNCIA RELACIONAL

A habilidade de mobilizar pessoas e recursos em prol de um objetivo comum potencializa a criatividade, a inovação e a geração de resultados acima da média. Conheça a competência mais revolucionária desde a descoberta da inteligência emocional
Um segundo parece pouco tempo, mas, na internet, nesse intervalo quase 67.000 pesquisas são feitas no Google, mais de 7.000 tuites são postados, 69.000 vídeos são vistos no Youtube e 2,5 milhões de e-mails são enviados, segundo informações da Live Stats, empresa que monitora o uso da web em todo o mundo. Os números são impressionantes e exemplificam um marco histórico do mundo contemporâneo: pela primeira vez, bilhões de pessoas, de todos os países e classes sociais, estão conectadas. Mas esses dados grandiosos podem deixar uma falsa impressão – a de que a maior parte da população mundial domina, com maestria, a arte de construir relacionamentos consistentes, de mobilizar parceiros e recursos e, consequentemente, realizar grandes projetos. Não é bem assim.
Na vida real, as pessoas ainda sofrem para criar laços que realmente valham a pena – a chamada “inteligência relacional”. O termo foi cunhado pelas pesquisadoras Erica Dhawan e Saj-Nicole Joni, especialistas em liderança e carreira, que escreveram juntas o livro Get Big Things Done: the Power of Connectional Intelligence (“Faça grandes coisas: o poder da inteligência relacional”, numa tradução livre, ainda sem edição no Brasil) e acreditam que, nos próximos anos, a habilidade será tão importante e revolucionária quanto foi a inteligência emocional no passado. Essa nova inteligência é uma espécie de “networking objetivo”, que se vale dos relacionamentos para gerar inovação, aprender e alcançar resultados com mais rapidez e qualidade. “É uma das habilidades mais importantes do século 21, pois une sabedoria, informação e dados para resolver problemas em todas as áreas”, diz Homero Reis, coach e autor de Gente Inteligente Se Olha no Espelho.
Um bom exemplo vem dos desportistas de alto nível, como os medalhistas olímpicos Michael Phelps, da natação, ou Usain Bolt, do atletismo, que se cercam de uma cadeia de profissionais, como técnicos, consultores e médicos, que os ajudam a desenvolver ao máximo suas competências. Ter um staff desse tipo foi crucial para que eles alcançassem seus recordes. “O sucesso requer trabalho em equipe, influência e compartilhamento de uma visão comum”, afirma Homero. O importante é cultivar bem sua rede e entender que quantidade não é qualidade. “Vale mais ter, na sua rede, uma pessoa influente da área em que você trabalha a centenas de pessoas de outros setores que não têm esse poder”, diz Erica Dhawan.

NA CONVERSA
A inteligência relacional pode ser usada das formais mais diversas – e mais simples. Em uma multinacional de auditoria, por exemplo, a consultoria de Erica Dhawan propôs uma mudança fácil de ser implantada e muito eficaz para melhorar os processos: uma plataforma em que os funcionários pudessem classificar os colegas indicando em que eles eram bons – mesmo que aquilo não fizesse parte de seu escopo de trabalho. Um analista de marketing, por exemplo, poderia ter em suas tags o domínio da língua espanhola. Assim, um funcionário que tivesse dificuldade de se comunicar com profissionais do escritório da Espanha saberia exatamente a quem recorrer sem precisar mandar uma dúzia de e-mails. “Transformamos uma plataforma que já existia numa versão mais inteligente para conectar pessoas”, diz Erica.
A comunicação é o primeiro ponto a que você deve se dedicar para desenvolver a competência. “Tudo o que você faz em sua vida é conversa. Primeiro você conversa e contratos são firmados, decisões são tomadas. Portanto, saber procurar e estabelecer padrões de relacionamento com base em nossas conversas é essencial”, diz Homero.

PODER DEC CONEXÃO
Segundo a pesquisadora Erica Dhawan, a inteligência relacional é composta de cinco atitudes básicas. A seguir, como descobrir se você já tem essa competência.

Atitude 1 – CURIOSIDADE
Eu procuro explorar diversos ângulos de um problema em busca de novas perspectivas?

Atitude 2 – COMBINAÇÃO
Eu costumo reunir diferentes ideias, recursos e produtos e combiná-los para criar novos conceitos?

Atitude 3 – COMUNIDADE
Como é minha relação com a minha comunidade? Eu poderia me conectar com mais e diferentes pessoas para desenvolver novas ideias?

Atitude 4 – CORAGEM
Eu fujo de conversas difíceis ou procuro encorajar esse comportamento em minha equipe?

Atitude 5 -COMBUSTÃO
Eu tenho mobilizado e encorajado minhas redes a pensar diferente também?

LAZER E NEGÓCIOS
A base da inteligência relacional é o networking, palavra que incomoda muita gente, principalmente os mais introvertidos. Mas construir uma rede sólida de relacionamentos não precisa ser algo forçado – você pode criar laços produtivos para o negócio por meio de afinidades pessoais. Identificar as oportunidades futuras é o pulo do gato de quem tem inteligência relacional. Esse foi o caso do britânico Greg Kelly, de 31 anos, no Brasil desde 2014, e do americano Brian Begnoche, de 33 anos, que se mudou para o Rio de Janeiro em 2008. A dupla se conheceu há três anos. O contexto não tinha a ver com negócios: os dois jogavam rúgbi e acabaram praticando o esporte juntos em uma praia no Rio. “Entre jogadas e conversas, tivemos a ideia de fundar a EqSeed, uma plataforma de financiamento colaborativo que conecta startups a investidores, porque nós dois queríamos contribuir com o ecossistema de startups do país”, diz Brian. No esporte, a dupla encontrou o valor da companhia: a ética. “Já analisamos mais de 900 empresas e selecionamos cinco. A régua é alta porque queremos pessoas que tenham a cultura daquilo que o esporte tem de melhor: o trabalho em equipe, a ética e o respeito”, diz Greg.
Quando há pontos em comum, como foi o caso de Greg e Brian, o relacionamento pode fluir mais facilmente, pois já existe um alinhamento natural. O segredo é compreender que as possibilidades de negócios estão em todos os lugares. “Sua chance de ter sucesso com um novo contato é maior se você procurar assuntos em comum”, diz Patricia Epperlein, da STATO, consultoria de recrutamento de executivo, de São Paulo.

NÃO EXAGERE NA DOSE
Os cuidados que você deve tomar para ter relacionamentos mais inteligentes

ATENÇÃO COM O QUE É DITO
Inteligência relacional não é sobre ser introvertido ou extrovertido, mas sobre a qualidade da relação.

QUESTIONE NA MEDIDA
Pensar em formas diferentes de fazer as coisas é bom, mas buscar disrupção pela antagonização pode prejudicar o clima de trabalho

ADAPTE-SE SEMPRE
Estudar o ambiente, a cultura e saber se comportar dentro desse meio é essencial para não acabar “expelido”

RETRIBUA
Não use sua rede de relacionamentos só para pedir, pedir, pedir. É importante contribuir de alguma forma

NÃO FIQUE SÓ NO VIRTUAL
As redes sociais e a internet facilitaram as conexões, mas conhecer uma pessoa ao vivo e apertar sua mão aumenta a chance de ela se lembrar de você

FONTE: PATRICIA EPPERLEIN, DA CONSULTORIA DE CARREIRA E RECOLOCAÇÃO STATO

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Reconciliados com Deus

Você já se reconciliou com Deus? Esta é uma pergunta da máxima importância. Sua salvação ou perdição descansa inteiramente nesta questão. Que grande é sua bênção seja se reconciliou com Deus! Já passou da morte para a vida a fim de gozar da bênção que Deus preparou para você no Senhor Jesus. Mas quão lamentável e precária é sua situação se ainda não se reconciliou com Deus! Quão terrível é ter a ira dele sempre pairando sobre sua cabeça! É preciso que você responda, com honestidade, a esta pergunta: já se reconciliou com Deus?

Não seja descuidado ou tolo. Ou você já se reconciliou com Deus ou está em inimizade com ele; não há posição neutra. Se ainda não se achegou a ele mediante a morte do Senhor Jesus, então é seu inimigo, pois o mundo é inimigo de Deus. Ser inimigo de Deus não necessariamente significa que você há de levar sua rebeldia até ao céu; simplesmente quer dizer que você pratica as coisas segundo a carne por preocupar-se apenas com suas paixões e lascívia e não com o que Deus requer de você. A Bíblia declara que “o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Romanos 8:7). Inimigos de Deus não são apenas os que têm o coração e mente voltados contra Deus; são também aqueles cujo pendor é para a carne.

Pode ser que, em verdade, você aprove a religião, pode até verdadeiramente admirar a Cristo, pode até ter ajudado, com frequência, a igreja — todas estas coisas podem ser muito boas; não obstante, não há provas de que você não seja inimigo de Deus. É preciso que você compreenda que segundo a Palavra de Deus, todo aquele que pende para as coisas da carne está em inimizade contra ele. Pender para carne é rebelar-se contra a lei de Deus. Ora, a palavra “pendor” parece, a princípio, tão inocente e casual: pode ser que você não se engaje em um ato externo de rebeldia contra Deus, você pode apenas ter pendor para ele nos recessos ocultos e secretos do coração. Contudo, basta isso para se estar em inimizade contra ele e em rebeldia à sua lei!

O homem não somente não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo -pode estar: não possui o poder e a força para tanto. Isso demonstra a privação completa da natureza humana! Você sabe que a natureza humana é corrupta? A lei de Deus, porém, é santa e justa. Pode você guardada? As pessoas, de fato, às vezes consideram a lei de Deus boa e seu mandamento justo e daí o desejarem cumpri-la. Mas qual é o resultado? Não a guardam nem a podem guardar. Conquanto às vezes desejemos cumprir a lei de Deus, descobrimos em nós um poder que nos segura e nos força a pender para a carne em vez de obedecer à lei. A natureza humana é tão corrupta que a esperança de guardar a lei de Deus deve ser abandonada por completo. Não é verdade que muitas vezes as pessoas não desejem viver desregrada e licenciosamente, no entanto afundam-se nesse lodaçal? E por causa da natureza humana corrupta. Compreendamos que devemos reconhecer nossa corrupção total antes que nos possa vir a salvação de Deus.

Outra prova de que somos inimigos de Deus jaz no fato de que nosso coração ama muito o mundo. Não é verdade que a glória e o louvor do mundo emocionam nosso coração? Encontramos no Novo Testamento esta afirmativa reveladora: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus?” (Tiago 4:4a). Esta é palavra de Deus, não minha. Deus chama de infiéis às pessoas que cometeram o ato do adultério na carne, mas também chama outros por esse nome; pois o significado mais inclusivo aqui é o abraçar uma amizade que não deve ser abraçada. Ora, visto que o mundo crucificou a Cristo, como pode alguém, amigo desse mundo, não ser considerado inimigo de Deus? Será que o mundo e sua atitude jamais mudarão? O mundo hoje é melhor do que o foi no dia de Cristo? Se ele não mudou para melhor, como é que você pode ter comunhão com ele?

Ah, quão lindas são as pessoas do mundo, quão interessantes os seus negócios e quão adoráveis as suas coisas! E por causa das pessoas, dos negócios e das coisas deste mundo, você formou um laço inquebrável com ele. E esta é a própria razão pela qual você se tornou inimigo de Deus. Em verdade, a mente dos que não foram reconciliados com ele nem regenerados está posta nas pessoas, negócios e coisas do mundo dia e noite. Os homens buscam fama, ganho e poder do mundo. Viram os rostos em direção da terra e as costas para o céu. Desprezam as exigências de Deus e estão em inimizade contra ele. Permita-me perguntar-lhe: você já foi lavado com o precioso sangue do Senhor? Se não o foi, e é amigo do mundo, então é inimigo de Deus.

A conduta humana é também prova inegável de ser o homem inimigo de Deus. O que Deus deseja que os homens façam, não fazem; mas o que deseja que não façam, isso fazem. Quem pode contar o número de pecados que os homens cometem dia e noite? Os atos ímpios do corpo traem a inimizade existente no coração: “E a vós outros também que outrora éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas” (Colossenses 1:21). Obras malignas! Pecados! Impureza! São estas as provas infalíveis da inimizade do homem contra Deus. “Não há justo”, declara a Bíblia, “nem sequer um” (Romanos 3:10). Carne alguma ousa apresentar-se justa na presença de Deus, pois ninguém pode ser justificado à vista dele mediante as próprias obras. Todas as obras dos homens são ímpias aos olhos divinos. Embora muitas obras possam ser passáveis aos olhos dos homens, são cheias de defeitos à vista de Deus e, portanto, ainda são consideradas como obras malignas.

As suas obras dão testemunho perante Deus de que você está em inimizade contra ele? Não pense que é melhor do que as outras pessoas; reconheça, antes, que as suas assim chamadas boas obras contêm muitos males, tais como orgulho, fama e auto-satisfação. Portanto, confesse sua situação patética e venha para a confiança no Senhor Jesus Cristo a fim de ser salvo. De outra forma, por causa de sua autojustiça e autocontentamento, morrerá em seus pecados. Possa o Espírito Santo convencê-lo de seus pecados e fazer com que veja sua verdadeira condição. Pois a menos que as pessoas assumam a posição de pecadores e confessem que estão em inimizade contra Deus, não poderão receber sua graça. Como poderá alguém vir à cruz procurando a salvação de Deus se não perceber que não pode agradar-lhe e que sua própria natureza é contra ele? A menos que essa pessoa reconheça sua terrível condição de inimizade contra Deus e as consequências futuras da ira eterna, sua profissão de fé em Cristo não pode ser real.

O que são as pessoas do mundo? Não são elas como o pó? Como insetos? Quão pequeno é o lugar que ocupam no universo! Há, pois, fundamento para a vangloria? Mas Deus, quem é ele? Ele é o Altíssimo, o Soberano incomparável. O céu é o seu trono e a terra o escabelo de seus pés. Portanto, quem, neste século, pode falar de sua grandeza? Como é que homens tão pequenos e inimigos de tão grande Deus, poderão escapar da perdição? Não declara a Bíblia que: “sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3:36)? Por este motivo, não engane a si mesmo pensando possuir algumas boas obras. Sua inimizade contra Deus pode ser fatal. Jamais pense que o ser inimigo dele não tenha consequências. Nada no mundo é mais sério do que isto.

Precisamos lembrar-nos de que Deus amou ao mundo de tal maneira que deseja que todos os homens sejam salvos. Não quer vê-los perecer, nem condená-los por seus pecados. Embora o mundo (e isto inclui você e eu) seja hostil para com ele, ele pacientemente espera. Deus enviou seu Filho unigênito, o Senhor Jesus, a fim de morrer na cruz para que fosse nossa propiciação (satisfação) para a remoção da justa ira de Deus. A penalidade de nossos pecados recaiu sobre ele. Rebelamo-nos contra Deus e segundo nossa própria natureza, pensamentos e desejos merecemos a conseqüência maligna da perdição; mas seu Filho Jesus suportou tudo em nosso lugar. Pois, por nós, ele tomou o lugar de rebeldes e pecadores. E como resultado, o Senhor Jesus clamou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46b). Jesus é o amado Filho de Deus, é seu deleite e está sempre próximo dele. Entretanto, levou nossos pecados, tomou nosso lugar de hostilidade e sofreu a justa ira do juízo de Deus. Até mesmo seu Pai amoroso desamparou-o, pois se fez pecado por nós e morreu por nós de uma vez por todas. Desamparado por seu Pai e por amor a nós, ele, não obstante, alcançou paz e cumpriu a graça. E que graça espantosa é esta!

Portanto, agora podemos usufruir o bem da obra consumada de Cristo. Podemos ser “reconciliados… com Deus, por intermédio da cruz” (Efésios 2:16a). Contudo, não é que tenhamos mudado para melhor, nem que possamos controlar a nós mesmos ou melhorar a nós mesmos — esforços dessa ordem jamais poderão satisfazer o coração de Deus. Não, “por intermédio da cruz” é o único meio suficiente. A obra já foi consumada e nada precisamos acrescentar a ela: “Havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz” (Colossenses 1:20a). O sangue que nosso Senhor Jesus verteu, enquanto sofria na cruz, fala muito mais alto do que o sangue do justo Abel (veja Hebreus 12:24). E assim alcançamos a paz e a salvação consumada por completo em nosso benefício.

Antes que Cristo consumasse a obra da salvação, Deus não podia atrair os homens a si, nem podiam os homens aproximar-se de Deus. Embora Deus amasse ao mundo, os pecados dos homens se interpunham entre Deus e eles. Mas agora o Filho de Deus já morreu. “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19a). O relacionamento entre Deus e o homem agora está mudado. A morte de Cristo, porém, não mudou o coração de Deus, pois ele sempre amou ao mundo; nem a morte de Cristo modificou o coração do homem, pois ainda se encontra no pecado e recusa submeter-se a Deus. Mas graças sejam dadas a Deus, a inimizade entre ele e os homens foi desfeita pela morte de Cristo. Deus julgou o mundo ao julgar a seu Filho, o Senhor Jesus, para que agora ele possa aceitar os homens sem nenhum impedimento.

Podemos ilustrar este ponto da seguinte maneira:

Certo juiz tinha um único filho a quem muito amava. O filho roubou dinheiro do erário público e fugiu. Embora o pai o amasse com ternura, o relacionamento entre ambos havia se alterado.

Qual era seu relacionamento agora? Se o filho fosse preso, o pai já não poderia tratá-lo como alguém inocente. O pai teria de julgá-lo como um criminoso como qualquer outro, como já havia feito com muitos.

Por mais que o pai o amasse, nada podia fazer pelo filho a não ser vender a propriedade da família a fim de pagar pelo furto. Somente então poderia o filho ser livre e o pai recebê-lo de volta sem nenhum impedimento.

Nós, seres humanos, pecamos contra Deus; portanto, merecemos ser julgados e condenados à perdição eterna. Mas Deus amou-nos tanto que se fez homem (o Senhor Jesus é Deus) a fim de sofrer na cruz para que pudesse pagar nossa dívida do pecado e restaurar o relacionamento quebrado entre Deus e os homens. O resultado é que agora Deus pode receber-nos a nós, pecado­res, visto que a paz já foi alcançada entre as duas partes. A salvação ou a perdição da pessoa agora depende de estar ela disposta ou não a aceitar esta paz.

Volto à minha pergunta inicial: Você já se reconciliou com Deus? Você é uma pessoa salva? Já fez as pazes com Deus por intermédio do Senhor Jesus? O caminho da reconciliação divina é que “fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho” (Romanos 5:1, 10a). Você não entra em paz com Deus por meio de suas supostas boas obras.  Embora você possa já pertencer a uma igreja, tendo sido batizado e participado da Ceia do Senhor — ou ter, com frequência ido aos cultos e lido com frequência a Bíblia e orado muitas vezes, ou pode ser que até já tenha convidado outros a crer no Senhor ou ter pregado do púlpito ou dirigido um culto, ainda é pecador perdido e inimigo de Deus, se não se reconciliou com ele por meio da morte do Senhor Jesus, crendo que Cristo morreu, levou seus pecados e realizou a obra da reconciliação.

Se Deus acha que a morte do Senhor Jesus é absolutamente necessária, então tudo o que ficar aquém de sua morte é totalmente inaceitável. Os homens ou se reconciliarão com Deus mediante Jesus Cristo ou continuarão sendo inimigos dele, confiando em suas próprias obras.

Deus já pagou todo o preço da reconciliação. Já realizou a obra da redenção perfeita. O Senhor Jesus alcançou salvação eterna. Agora, apresenta-se-lhe a salvação ou a perdição. Você não pode ser salvo por sua própria justiça e também não precisa perecer por causa de seus pecados. A salvação ou perdição depende de sua disposição em aceitar a salvação que o Senhor Jesus consumou para você.

Deus colocou a cruz do Calvário como a terra de paz para todos os homens. Você, como muitos neste mundo, tem estado em inimizade com ele; entretanto, se neste instante você estiver disposto a desistir de seus pecados e postar-se ao pé da cruz, confiando na paz que Cristo alcançou para você, será salvo. Mas se ainda duvidar e não crer, morrerá em seus pecados. No caso da Guerra Civil a diferença entre os que viveram e os que morreram estava em entrar ou não na área designada de refúgio. Alguns podem ter chegado a poucos metros da terra, e poderiam facilmente ter entrado se tão-somente dessem um passo. Contudo foram mortos porque permaneceram fora da terra. Portanto, não demore mais. Não se perca por deixar de dar um pequeno passo. Confie no Senhor e será salvo. “Quem quiser receba de graça a água da vida” (Apocalipse 22:17d). Por que não o fazer hoje?

Agora, se estiver verdadeiramente disposto a aceitar a paz que o Senhor alcançou, será liberto tanto do pecado como da sua penalidade. Pois a Bíblia declara: “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões” (2 Coríntios 5:19a, b). Além disso, que alegria experimentamos quando não mais estamos debaixo da acusação! — “Mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem acabamos agora de receber a reconciliação” (Romanos 5:11).

Gostaria de perguntar uma vez mais: Você já se reconciliou com Deus? Deve responder sem hesitar. Seu futuro depende de sua resposta hoje. “Somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2 Coríntios 5:20). “E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe [os gentios], e paz também aos que estavam perto [os judeus]” (Efésios 2:17). Possa o Espírito Santo tocar o coração de todo aquele que receber esta mensagem, levando-o a aceitar a Jesus como Senhor e Salvador de sua alma.

Se decidiu aceitar a Jesus como Salvador, ore comigo:

“Ó Senhor, eu era teu inimigo, mas agora estou disposto a crer em ti por causa do amor que manifestaste na cruz e por causa da paz que alcançaste. O Senhor, salva-me, pois sou pecador!”

 

Extraído do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE”, de Watchmann Nee