O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

CAMINHOS PARA O INFERNO

Voltemo-nos para um versículo bíblico muito importante, cujas palavras foram proferidas pelo próprio Jesus Cristo: “Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para a perdição” (Mateus 7:13b). Esta passagem parece informar-nos que há um lugar chamado destruição. A entrada a esse lugar é por meio de uma porta larga e além da porta encontra-se um caminho espaçoso. Gente incontável apressa-se para este lugar; até mesmo parecem estar indo de trens expressos, tanta é a velocidade com que se dirigem para este destino! Visto que a porta é larga, tudo pode ser levado para dentro. E uma vez que o caminho é espaçoso é muito fácil viajar por ele. Mas esta porta e este caminho conduzem para a perdição.

O lugar da perdição é o inferno. Assim, o que o Senhor Jesus diz aqui é que larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para o inferno e são muitos os que entram por ela. Pode ser que você se encontre entre os que estão entrando.

Não fique a especular, dizendo não haver porta para o inferno. Pelo contrário, a porta para o inferno existe e é larga. Não fique a imaginar que não há caminho para o inferno: existe um caminho que conduz ao inferno e é mais espaçoso do que qualquer via expressa deste mundo. É muito mais espaçoso do que a rodovia mais espaçosa que se construiu. De fato, os caminhos do inferno são muitos — não há somente um. Se a pessoa desejar ir para o inferno pode encontrar muitas estradas secundárias à sua escolha. Embora sejam muitos os caminhos, um só é o destino. Embora os pontos de partidas possam variar, a linha de chegada é a mesma. Embora as pessoas viajem por caminhos diversos, todas acabam no inferno.

De forma que se você está decidido a ir para esse lugar a Bíblia pode, facilmente, mostrar-lhe muitos caminhos a seguir. Destes muitos caminhos para a destruição mencionarei aqui apenas cinco. Todos os que desejarem ir para o inferno podem tomar qualquer destes cinco caminhos e terão a segurança de acabarem lá. Entretanto, os que não quiserem acabar no inferno podem aprender desta apresentação como escapar de tal destino. Como anseio que nenhum de vocês vá para o inferno; mas se alguém insiste em palmilhar este caminho, quem poderá fazê-lo mudar de ideia?

O PRIMEIRO CAMINHO PARA O INFERNO: SUICÍDIO
O suicídio é um atalho para o inferno. Não há caminho que leve para o inferno tão rapidamente quanto este. Observe esta breve passagem bíblica: “Indo [Judas] para o seu próprio lugar” (Atos 1:25b). Judas jamais crera em Jesus Cristo.
Embora externamente aparentasse ser um dos discípulos, era “o filho da perdição” (João 17:12) que nunca tivera a experiência da salvação. Depois de morrer ele foi “para o seu próprio lugar”. Qual era seu próprio lugar? Era a destruição ou perdição. Depois da morte ele foi para o inferno. Como foi ele para o inferno? Matou-se enforcando-se.
Se alguém desejar ir para o inferno o método mais conveniente para isso é o suicídio. Uma navalha, uma corda ou um copo de veneno rapidamente enviará a alma para o lugar de sofrimento eterno. O inferno pode estar bem distante de você nesta vida; de fato, pode ser que você leve muitos anos para acabar lá. Mas se você cometer o suicídio, encurta os seus dias de vida na terra e apressa-se para o lugar de perdição eterna.
Certa vez um patrão incrédulo perguntou a seu chofer cristão qual era o caminho mais curto para o inferno. Nesse instante o carro corria pela estrada. O motorista abriu a porta do carro e disse para o patrão: “Se o senhor pular do carro chegará lá imediatamente. Uma vez que não crê no Senhor Jesus, irá para o inferno assim que morrer.”
O caminho mais fácil e mais rápido para o inferno, deveras, é o suicídio. Se desejar chegar ao inferno em poucas horas, tome uma boa dose de ópio e chegará ao seu destino. Se deseja chegar ao inferno em alguns minutos, tome cianureto e com certeza lá estará. Se achar que estes caminhos são lentos demais e deseja descer ao inferno em menos de um minuto, dê um tiro no ouvido e, com toda certeza lá estará. Há muitas outras maneiras de suicidar-se. Por exemplo, você pode deixar-se morrer de fome ou jogar-se no mar. Ou você pode deitar no trilho e deixar que o trem o esmague.
Ao suicidar-se, a pessoa priva-se da esperança da salvação. Mas se continuar a viver na terra, poderá ouvir o evangelho da morte substitutiva do Senhor Jesus e crer para a salvação. Matando-se a si mesma, destrói para sempre a possibilidade de ouvir o evangelho. Por favor, tome nota disto: a salvação ou a perdição é assunto que se decide nesta vida. Se você se recusar a crer no Senhor Jesus nesta vida, não terá mais oportunidade de ouvir o evangelho e ser salvo depois da morte. Ao matar a si mesmo você acaba com a vida e perde toda oportunidade de salvação. Assim, a vítima do suicídio irá diretamente para o inferno. Seu próprio sangue é o selo de seu bilhete para lá.
Por que você procura a morte? Sei que está insatisfeito com a vida. Sei que muitas vezes se sente solitário e triste. Sei que sua vida é monótona. Sei que suspira com frequência. Percebe o tédio da vida. E as lágrimas não lhe são estranhas. Embora você possua muitas coisas neste mundo, estas não podem satisfazer-lhe o coração. Na profundeza do ser você percebe uma necessidade, um anseio por algo que não conhece mas que espera há de preencher esse vazio.
É verdade que além de dor e aborrecimento, a vida não tem outro sabor. E por isso você às vezes pensa em suicidar-se. Mas por que deve tomar essa direção? Jesus Cristo veio para salvar os que sofrem. Ele confortou muitos corações, satisfez muitas almas, transformou muitas vidas e enxugou muitas lágrimas. Ele está disposto a ajudá-lo a transformar sua vida de aborrecimentos em alegria. Ele pode ser o sol em seus dias nublados e a canção em suas noites escuras.
Com ele sua alma pode receber conforto e alegria. Por que, então, deseja você morrer? Por que suicidar-se e acabar no inferno? É preciso que hoje você dê ouvidos ao evangelho. O Senhor é poderoso e tem cuidado de você. Aceite-o como Salvador e Senhor e os seus problemas serão resolvidos.

O SEGUNDO CAMINHO PARA O INFERNO: INDISPOSIÇÃO EM LIDAR COM O PECADO
E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível (onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga).
E se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno (onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga).
E se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois, seres lançado no inferno, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga (Marcos 9:43-48).
Quem fala nesta passagem é o Senhor Jesus e claramente diz-nos como podemos ir para o inferno. Se a mão nos faz tropeçar — isto é, se a mão nos faz pecar — devemos cortá-la. Isto não quer dizer que devemos cortar literalmente nossa mão física; simplesmente indica que devemos cortar a lascívia e o pecado de nossa mão. O cortar a mão é doloroso e algo que às vezes estamos indispostos e relutantes em fazer. Da mesma forma, lidar com a lascívia e o pecado da mão é também doloroso e contra nossa vontade natural. Entretanto, se amarmos nossa mão (e a lascívia e o pecado que a mão representa), encontraremos grande desastre. Não é apenas a mão que peca; nosso pé, nosso olho e nosso corpo todo peca também. A mão, o pé e o olho representam o corpo inteiro.
E com que frequência nossa mão peca! Fazemos tantas coisas que não devemos fazer, ao passo que há tantas que devemos fazer mas que não fazemos. Erga a mão direita e coloque-a à sua frente; olhe para ela. Olhando-a com atenção, pergunte a si mesmo o que sua mão tem feito. Quantos pecados tem ela cometido? Quantas vezes tem ela resistido a Deus? Quantas coisas tem ela feito que são mais ou menos prejudiciais aos homens? Quantos atos tem ela praticado ao pecar contra você mesmo? Olhemos todos nós para nossas mãos e recordemos as coisas que fizeram. Creio que ao terminar esse exame você derramará lágrimas por elas. Você não pode ser descuidado nem levar a vida na esportiva. Deve sentir dor e chorar pelos muitos males que suas mãos têm feito, livrar-se de seus pecados e ser salvo crendo no Senhor Jesus.
Examine também neste instante os caminhos de seus pés. Quantas vezes seus pés o levaram para onde você não devia ter ido? Quantos pecados têm seus pés cometido? Está você agora à porta da destruição? Viaja você hoje no caminho da perdição? Desce tão consistentemente que já quase chega ao ponto de onde não pode voltar? Volte, pecador; por que perecer? Por que prosseguir no caminho do pecado? Esta não é uma estrada de paz. Pelo contrário, é o caminho mais triste que pode haver. Por que não se volta para o Senhor Jesus e livra-se de seus pecados?
Imploro que volte e ande pelo caminho da vida.
E os olhos? Nossos olhos servem de contato principal entre nosso mundo interior e o mundo externo. Mediante eles transferimos para dentro as coisas que estão ao nosso redor e levamos impressões para nosso coração. Que coisas estão sendo transferidas para o seu interior? Sem dúvida que nossos olhos têm pecado e nos têm feito pecar. Com os olhos lemos livros e jornais que não devíamos ler e vemos filmes que não devíamos ver. Desejamos ler certos romances, mas fingimos fazê-lo por amor à literatura. Sentimos o desejo de ver pornografia mas o fazemos em nome da apreciação da arte. Como nossos olhos anseiam ver cenas que despertam a lascívia! Quem poderá contar os pecados que nossos olhos cometeram? Eva olhou para a árvore proibida e achou-a deleitável; como consequência cometeu o pecado da rebeldia. Davi viu Bate-Seba tomando banho e cometeu o pecado do adultério. Os seus olhos têm pecado? Você sabe e Deus também o sabe.
Quão difícil é livrarmo-nos dos pecados da mão porque nos trazem tanto prazer. Como as pessoas gostam de seus pés pecadores. Quão natural e confortável é andar no caminho do pecado e quão frustrada se sente sua alma se não andar segundo esse antigo caminho. Como você se deleita em contemplar coisas imundas! Um olhar — um olhar atento — gratificar-lhe-á a lascívia e lhe dará prazer momentâneo. Realmente não é fácil livrarmo-nos da lascívia e dos pecados das mãos, dos pés e dos olhos. Contudo, o problema verdadeiro não é que não possamos livrar-nos deles (pois no Senhor Jesus há salvação), mas nossa indisposição em livrar-nos deles (pois sua alma sofrerá se eliminar a lascívia e os pecados). Ninguém pode forçá-lo a livrar-se dos seus pecados. Não obstante, a decisão de Deus permanece: ele declara em sua Palavra que ninguém que não seja nascido de novo poderá entrar no reino dos céus. Você pode deleitar-se com os pecados de suas mãos, pés e olhos; pode ser que não esteja disposto a livrar-se deles; de fato, pode ser que você os abrace de todo o coração. Mas uma coisa é certa: pecador não salvo algum poderá entrar no reino de Deus. Ninguém que pecar terá a vida eterna.
Você ou suporta a dor de um momento em sua disposição de cortar o pecado para que possa ter a vida eterna e entrar no reino dos céus ou levará consigo o pecado para sentir-se cômodo e prazenteiro durante a vida terrena mas ir para o inferno a fim de ser queimado pelo fogo e consumido pelos vermes. Livre-se do pecado e salve-se ou carregue o pecado e acabe no infer¬no. A fim de entrar na vida é preciso eliminar o pecado. A fim de entrar no inferno não é preciso preocupar-se com o pecado mas apenas conti¬nuar pecando e tendo prazer nele. Visto que no céu não existe pecado, ninguém que deseje ir para lá pode levar consigo o pecado. Pecado deve ser ou deixado no Calvário ou levado para o inferno. O céu somente permite a entrada de pecadores salvos. Portanto, não espere entrar com pecados no céu. Você deixa-o e entra ou ambos ficam de fora.
A porta do inferno é larga. Se deseja entrar lá, pode levar todo o pecado, quer seja ele orgulho, ciúmes, porfia, adultério, imundícia ou qualquer outro. O inferno não tem medo de demasiado pecado; teme tê-lo pouco. Se deseja ir para o inferno pode pecar livremente. O inferno não o lançará fora por causa do seu muito pecar; está pronto para receber os piores pecadores. Jamais recusa ninguém. Dá boas-vindas a todos os que lá chegam. Se preferir ir para lá sofrer a ira de Deus, permita-me dizer-lhe que pode pecar à vontade e fazer tudo o que seu coração desejar. Doutra forma, imploro-lhe que se livre dos pecados, crendo no Senhor Jesus. Os pecados da mão e os pecados dos olhos e dos pés devem ser cortados. Está você, pecador, disposto a parar de pecar? Ou está pensando em cometer aquele pecado que premeditou uma hora atrás? Deixe-me preveni-lo que tenha cuidado para não acabar no inferno. O Senhor recebe o pecador que está disposto a deixar o pecado e voltar-se para ele.
Todos os pecadores devem perceber que o fogo do inferno se aproxima. Você que é pecador está numa situação muito precária. Sua mão está oprimida pelo pecado. Embora um único dos seus membros peque, isso é suficiente para privar seu corpo inteiro da liberdade. O pecado desse membro é bastante para fazer com que você perca a vida e se queime no fogo eterno. O fogo do inferno aproxima-se mais e mais. Você poderia estar vivendo os seus últimos cinco minutos. Pode ser agora ou nunca. Num instante a oportunidade pode estar perdida para sempre. Portanto, você deve fugir para salvar sua vida imediatamente; do contrário, perecerá, Por que deixar que o corpo todo vá para o inferno por causa do pecado de um membro recalcitrante? Por amor do seu corpo inteiro deve estar disposto a suportar a dor momentânea, livrar-se do pecado e confiar no Senhor Jesus. Assim, entrará para a vida. Caso contrário, permita-me dizer-lhe francamente, se insistir em conservar as mãos e os pés, o corpo inteiro será queimado até a morte. Se não estiver disposto a suportar a dor de cortar uma mão ou um pé o corpo inteiro acabará no inferno.

O TERCEIRO CAMINHO PARA O INFERNO: ORGULHO
Leiamos várias passagens bíblicas. A primeira encontra-se no evangelho segundo Lucas, capítulo 18, versículo 14. Aqui o Senhor Jesus conta-nos como termina a história do fariseu e do publicano. O fariseu é um fanático religioso e também uma pessoa muito moral, ao passo que o publicano não apenas é extremamente imoral mas também muito mundano. Não obstante, ambos vão ao templo orar. O bom fariseu não se humilha reconhecendo ser pecador e pedindo a misericórdia de Deus, mas o ímpio publicano humildemente confessa os pecados na presença do Senhor e pede que eles sejam perdoados porque sabe não ter nada de bom com que agradar a Deus. No versículo 14 o Senhor Jesus registra os seus fins respectivos: “Digo-vos que este [o publicano] desceu justificado para sua casa, e não aquele [o fariseu]; porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado.” De forma que o fariseu moral não foi justificado enquanto o publicano fora da lei o foi.
Ser justificado não significa apenas ser perdoado, pois o perdão quer dizer apenas a remissão dos pecados. Para que a pessoa seja justificada é preciso que seja declarada sem pecado. Daí que o que dizia estar sem pecado foi condenado por Deus, o outro, porém, que se considerava pecador, é declarado sem pecado algum.
Mas como uma pessoa tão moral como o fariseu da história pode ser condenada e um publicano tão imoral justificado? A única razão é dada por Jesus, na parábola: “Todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado.” Dizendo-o de uma maneira mais dura, o ser justificado significa ir para o céu e não ser justificado significa ir para o inferno. Daí vermos como o orgulhoso vai para o inferno. Os orgulhosos devem precaver-se.
Examinemos alguns outros versículos da Bíblia: “O Senhor deita por terra a casa dos soberbos” (Provérbios 15:25a) — “Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Provérbios 16:5) — “Porque o dia do Senhor dos Exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido” (Isaías 2:12). Estas passagens dizem-nos claramente que o orgulhoso será punido no dia em que Deus julgar toda a terra. Ir para o inferno é sofrer dores eternas. Se alguém realmente desejar ir para o inferno, basta simplesmente ser orgulhoso e chegará ao destino desejado.
O que é, pois, o orgulho? Orgulho significa exaltar a si mesmo, colocar-se acima do que realmente conseguiu. Reivindicar um nome que está além da realidade — isso é orgulho. Na história de Lucas 18, o Senhor tornou este ponto muito claro. Ele disse que o fariseu se exalta e é orgulhoso. Em que é ele orgulhoso? Não é sua moralidade digna de admiração? Mas na presença de Deus e sob sua luz, o fariseu não está disposto a confessar-se pecador. Em vez disso, tenta relatar a Deus toda a sua bondade e. omitir toda e qualquer menção de sua fraqueza, fracasso e derrota. Recusa-se a reconhecer que é pecador; pelo contrário, deseja apresentar perante Deus sua própria justiça. Este é seu orgulho.
O fariseu é orgulhoso, porque insiste em fingir perante Deus ser homem justo; embora seja pecador, não admite, na presença de Deus, o seu estado real. No entanto, Deus não interfere em seu orgulho. Permite-lhe autojustificar-se e ser autocomplacente. Deus não discute com ele. Tampouco o justifica; antes, permite-lhe perecer e ir para o inferno.
Daí o verdadeiro significado do orgulho é que o homem não está disposto a humilhar-se perante Deus, nem a reconhecer ser pecador e aceitar a obra expiatória do Senhor Jesus a fim de ser salvo. Os orgulhosos perecerão — contudo, não diretamente por causa do orgulho, mas indiretamente porque o orgulho impede-os de receber a salvação. O orgulho é apenas um dentre muitos pecados. O Senhor Jesus morreu por todos os pecados do mundo; ele levou a penalidade de todos os nossos pecados. Até mesmo o pecado do orgulho já foi punido na cruz. Mas se permitirmos que o orgulho permaneça não podemos crer na morte viçaria do Senhor Jesus e receber a vida eterna. Os orgulhosos perecerão porque o orgulho impede que sejam salvos.
A menos que a pessoa confesse os pecados e se coloque no lugar do pecador, não aceitará a Jesus como Salvador. Sou pregador do evangelho e ainda estou para ver ser salva a pessoa que, embora esteja disposta a crer na morte substitutiva do Senhor Jesus, não deseja confessar seus pecados. Para ser salvo é preciso humildade. A pessoa precisa confessar-se pecadora.
Por que você, neste instante, não examina o assunto dos seus pecados? Se você se humilhar e confessar que deveras é pecador, pode ser salvo. Se, entretanto, não confessar, mas permanecer orgulhoso, seu orgulho apressará sua ida para o inferno. Todos os que quiserem ir para o inferno podem enganar-se a si mesmos à vontade, ser arrogantes e desacreditar o fato de serem pecadores. Não é preciso humildade no inferno.

O QUARTO CAMINHO PARA O INFERNO: PROSTITUIÇÃO
Como Sodoma e Gomorra e as cidades circunvizinhas que, havendo-se entregue à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição (Judas 7).
Vemos aqui que certo tipo de pessoas sofrerá a punição do fogo eterno. São punidas por terem-se prostituído. Os fornicadores impenitentes devem ir para o inferno. Pois o fogo eterno é a punição do inferno. Ali o fogo nunca se apaga. Assim, se alguém deseja ir para o inferno, basta apenas entregar-se à prostituição. O inferno não se exime da impureza e fornicação. De fato, dá as boas-vindas a todos os fornicadores. Se você não deseja ir para o inferno, deve cortar o pecado da prostituição.
E quão comum é este pecado! A modéstia e a virgindade tornaram-se fora de moda e foram desprezadas pela grande maioria da sociedade. Apanhe um jornal e veja quantos casos de fornicação se registram por dia. Leia as notícias referentes aos tribunais e verifique quantos casos de adultério estão sendo tratados na justiça. Literatura pornográfica é impressa e divulgada abertamente.
Não sei quantos de vocês têm cometido adultério. Nem tampouco sei quantos conservaram sua virgindade quando solteiros, tanto os homens como as mulheres. Essa é uma questão que só vocês podem responder. Cada pessoa sabe que pecado cometeu e Deus também o sabe. Acha você que a fornicação é muito agradável? Bem, pense nisto: todos os adúlteros só têm um fim à sua espera: o inferno.
Por favor, não leve este assunto na brincadeira. Os que quebram o relacionamento amoroso entre marido e esposa são os indivíduos mais horrendos do mundo. Por que rouba você o marido de outrem e faz com que a esposa sofra pesares indizíveis no lar? Por que tenta você a esposa de alguém fazendo com que ela seja infiel a seu marido? O adultério tem destruído a paz de muitos lares. Incontável número de mães, maridos, esposas, e filhos têm o coração partido, estão separados sem esperança de consolação — tudo por causa do adultério. Faça meia-volta ou estará indo em direção ao inferno.
Examinemos, por instantes, a definição de adultério que nos é dada pelo Senhor Jesus: “Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela” (Mateus 5:28). De acordo com esta definição haverá poucos, se existir alguém, que ainda não cometeram o pecado do adultério. Quantos há que cometem adultério em pensamento! Inumeráveis são os que têm cometido este pecado através da imaginação! Por que peca você com tais pensamentos contra a mulher virtuosa? Por que concebe tais pensamentos impuros para com aquela que não tem relação nenhuma com você? Entretanto, ao fazer isso, você verdadeiramente peca contra ela. E vocês, mulheres, não pensem que só os homens pequem desta maneira. Por que têm eles desejos impuros ao vê-las? Se eles precisam ser punidos por terem desejos impuros para com vocês, então vocês que os excitam também devem ser punidas. Se o seu vestir, sua maquiagem, sua atitude e sua conduta leviana despertam a lascívia dos homens, você de igual forma deve levar a culpa e ser punida.
O mundo está cheio de fornicação e adultério. Contudo, não pense que determinado lugar na terra seja pior que os outros. Com vistas à quantidade, não há lugar na terra que se compare com o inferno, pois é aí o lugar principal de detenção para todos os fornicadores e adúlteros de todas as eras. Devo dizer com toda a franqueza que se você for um fornicador que ainda não se arrependeu, seu fim será o inferno. Mas há salvação no Senhor Jesus. Ele serviu como substituto para todos os pecadores. Todo aquele que o aceita como Salvador não perece mas tem a vida eterna. O adultério o enviará para o inferno, mas não é preciso que você vá para lá, pois muitos fornicadores foram salvos e já não estão a caminho do abismo.
O adultério, deveras, pode mandá-lo para o inferno; entretanto, você não acabará lá especificamente por causa dele. Como posso explicar isto? Primeiramente compreendamos que a morte de Cristo foi para a propiciação pelo pecado. Ele morreu por todos os pecados, inclusive o pecado da fornicação. Ele já levou o castigo devido por nosso adultério. Nós, portanto, não precisamos ir para o inferno por causa de tal pecado. Mas a fim de nos salvarmos do inferno, temos de crer no Senhor Jesus. Embora ele tenha morrido por nós, ainda pereceremos se não o aceitarmos como Salvador. A despeito do fato de o adultério não necessariamente mandar-nos para o inferno, ele, não obstante, tem o poder de impedir-nos de aceitar o Senhor Jesus como nosso Salvador. E quantos perecem hoje — porém não por causa da grandeza de seu pecado, mias por impedirem eles as pessoas de irem ao Senhor para que tenham vida. O Senhor pode salvá-los mas amam a seus pecados muito mais do que as suas próprias almas. Muitas mulheres apegam-se aos seus relacionamentos adúlteros e muitos homens aos seus casos amorosos ilícitos. Não desejam separar-se; não estão dispostos a cortar sua afeição impura. E por conseguinte, não vêm ao Senhor Jesus para serem salvos.
Aqui devo falar, com toda a sinceridade, que a não ser que a pessoa corte o relacionamento adúltero e se volte para o Senhor, irá para o inferno juntamente com essa pessoa. Hoje você deve escolher entre a salvação de Deus e o seu parceiro de adultério; entre o céu e seu pecado. Se não desfizer o laço que o liga a seu amor ilícito, já decidiu contra o céu. Por amor ao céu, é preciso deixar o pecado do adultério.
Posso não conhecer seu passado nem saber o que você tem praticado às escuras, mas suspeito haver muitos que têm cometido o pecado do adultério. Insto com vocês, sinceramente, a fazerem a escolha da vida eterna e cessarem a atividade pecaminosa.

O QUINTO CAMINHO PARA O INFERNO: DESOBEDIÊNCIA AO EVANGELHO
A Bíblia mostra-nos outro caminho para o inferno. Este pode parecer mais limpo e menos feio do que os outros. Qual é? É desobedecer ao evangelho de Jesus Cristo. Leiamos uma passagem bíblica:
Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu -poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que “não obedecem “ao evangelho de nosso Senhor Jesus.
Estes sofrerão — penalidade de — “eterna destruição”, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder (2 Tessalonicenses 1:7-9).
Destruição eterna é sofrimento eterno no inferno. Esta passagem bíblica, de forma apropriada, diz-nos que todos os que não obedecem ao evangelho de Jesus Cristo vão para o inferno.
O que é o evangelho do Senhor Jesus? A Bíblia contém ensino explícito quanto a este assunto. O Senhor Jesus não veio para servir nem para ensinar. Não veio para pregar princípios de liberdade, igualdade e fraternidade nem tampouco serve como o grande e perfeito exemplo. Por meio do apóstolo Paulo Deus diz-nos o seguinte com respeito ao evangelho: “Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3, 4). Logo, o evangelho de Cristo é sua morte e ressurreição.
Por que Cristo morreu? Certamente que não foi para ser um exemplo, nem para martírio nem para serviço, mas “pelos nossos pecados”. Isto é substituição, visto que Jesus não tinha pecado algum. O que era sem pecado fez-se pecado por nós. Tomou o lugar do pecador e sofreu a penalidade por todos nós, pecadores. Nós pecamos, mas Cristo não. Nós somos pecadores mas Cristo não o é. Entretanto, ele, não nós, levou nossos pecados e foi punido em nosso lugar. Como se chama isso? Chama-se substituição. O Cristo sem pecado morreu pelos pecadores. Isto é o evangelho, são as boas-novas.
O evangelho diz-nos que um Salvador veio a fim de salvar pecadores e levar a sua penalidade para que eles não mais fossem punidos. O evangelho ou boas-novas de Cristo não persuade os homens a tornarem-se melhores, reformarem-se, fazerem penitências nem mudarem a fim de serem salvos. Simples mas gloriosamente anuncia ao povo do mundo que Jesus Cristo já realizou a salvação, de modo que os pecadores não precisam fazer nada nem acrescentar nada a esta salvação perfeita. Tudo o que precisam fazer é aceitar a salvação que Cristo já preparou para eles.
Jesus Cristo não apenas morreu pelos pecadores a fim de remir os seus pecados mas também ressuscitou dentre os mortos para que os pecadores pudessem ser justificados. Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Romanos 4:25). Sua morte realiza obra negativa desfazendo a penalidade de nossos pecados para que não sejamos condenados; sua ressurreição opera obra positiva e dá-nos nova posição na presença de Deus visto que nos justificou, isto é, declarou-nos justo. Perdão significa não mais haver pecado e, portanto, estamos firmados em terreno perfeitamente justo e puro, o qual não requer perdão algum. É isto que a ressurreição de Jesus Cristo fez por nós. Todos morrem mas ninguém ressuscita porque o salário do pecado é a morte. Jesus Cristo morreu e ressuscitou dentre os mortos para provar que Deus aceitou sua obra viçaria e que ele era sem pecado.
Consequentemente, por um lado, mediante a morte do Senhor Jesus recebemos o perdão, e por outro lado, por intermédio de sua ressurreição recebemos a prova de que somos justificados. A justificação é edificada sobre o perdão. Primeiro vem o perdão do pecado, depois a justificação. Através da morte do Senhor Jesus obtivemos perdão; pela sua ressurreição temos a segurança da justificação. E tudo isso já foi realizado. O pecador, ao crer no Senhor Jesus como Salvador, pode receber instantaneamente, perdão e justificação.
Tal é o evangelho. Você já o ouviu? Deus agora manda que todos os homens obedeçam a esse evangelho. Este é o evangelho da graça que oferece a todo pecador a possibilidade de ser salvo. Deseja você obedecer a este evangelho? Quão fácil é ir para o inferno! Não é preciso que você cometa pecados tais como adultério e orgulho. Você pode estar a caminho do inferno neste instante — simplesmente por não obedecer ao evangelho. O rejeitar a morte viçaria do Senhor Jesus é suficiente para mandar qualquer pessoa para o inferno. Não pense que deva pecar mais a fim de qualificar-se para o inferno. Sua qualificação é suficiente desde que desobedeça ao evangelho.
Não pense que os que vão para o inferno sejam pecadores horrendos. Há também ali muitos religiosos, moralistas, filantropos e agentes sociais. A pessoa pode ser moral, amável e reta e, contudo, pode acabar sendo habitante do inferno. E o que o espera é a morte e o juízo. E este é seu destino por uma única razão: desobedeceu ao evangelho. Religião alguma e moralidade alguma pode salvar uma única alma; somente o evangelho da graça de Deus pode salvar. Rejeitar este evangelho é rejeitar o único caminho de salvação. E tal atitude naturalmente mandará a alma para o inferno. A pessoa pode ser boa, mas não consegue ser perfeita. Quem poderá dizer que durante a vida jamais pecou nem por um segundo? Se a pessoa pecar uma única vez em um segundo, necessitará de um Salvador porque seu pecado deve ser punido. Ao rejeitar o Salvador manda a si mesmo para o inferno. Não abrigue o pensamento de que se você praticar boas obras, não irá para o abismo. A menos que você nunca tenha, desde o nascimento até a morte, nem por um único segundo, cometido pecado por ação, palavra ou pensamento, você está destinado para o inferno. Hoje você ouviu o evangelho. Imploro-lhe que aceite ao Senhor Jesus como seu Salvador nesta hora.
Mediante a morte e a ressurreição do Senhor Jesus realizou-se a redenção. O que lhe está sendo entregue agora é o evangelho. Por que é ele chamado de boas-novas, evangelho? Porque todos os pecadores na terra, sem exceção, podem ser salvos. O Senhor Jesus morreu por todos eles. Ele crucificou todo o pecado do mundo. Logo, todos os que estiverem dispostos a aceitá-lo como Salvador serão libertos da opressão e também do castigo do pecado.
O caminho do homem é sempre tentar gradativamente reformar a si mesmo, acumulando mais méritos e esperando, ao final, alcançar a salvação. Isso não são boas-novas; são notícias de miséria. Pois quantos neste mundo são capazes de disciplinar a si mesmos de tal forma a acumular virtudes nesta vida, se é que alguém possa fazê-lo? E todos os que desejam salvar a si mesmos mediantes as boas obras façam a seguinte observação: a não ser que sua boa obra seja perfeita e sem mácula, o seu assim chamado bem em si mesmo é pecado. A menos que sua justiça alcance os céus e satisfaça a Deus, é como trapos da imundícia. Na solidão da noite sua consciência o acusará de misturar o ego, a fama, a reputação e outros pensamentos impuros com seus atos justos; como é que Deus pode ficar satisfeito com “justiça” como essa? Será que você pode praticar o bem que satisfaça a Deus (e não somente satisfazer a si mesmo ou aos seus vizinhos)? Dificilmente. Visto que você não pode praticar o bem, as notícias de que você deve realizar o bem a fim de ser salvo, na verdade, são notícias más.
Mas graças a Deus que ele não pede que façamos o impossível. Ele conhece nossa fraqueza e por isso faz com que seu Filho morra por nós e leve a penalidade de todos os nossos pecados. Não precisamos, gradativamente, praticar o bem em antecipação da salvação; podemos ter a vida eterna imediatamente depois de crermos no Filho de Deus como nosso Salvador pessoal, e aceitá-lo como tal.
Isso não significa, é claro, que nós, os que cremos no Senhor Jesus, não precisemos praticar o bem; quer simplesmente dizer que, inicialmente, não podemos ser salvos por meio das boas obras. Nossa salvação depende inteiramente da graça de Deus (Efésios 2:8). Depois de sermos salvos, porém, o Senhor dá-nos nova vida e essa vida praticará o bem espontaneamente. Primeiro, seja salvo, depois pratique o bem. Não queira primeiro praticar o bem para ser salvo.
Há alguém oprimido pelo pecado? Há alguém que trema só em pensar na vida depois da morte? A sua consciência não lhe diz que é pecador? Você não tem medo da morte e do juízo? Eis a salvação para o pecador contrito. O Senhor Jesus veio para salvar tais pecadores. Venha a ele assim como está, e ele o salvará. Ele mesmo declarou: “o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37). O seu temor deve ser em não vir, mas não tenha medo algum de que ele não o receba.
Agora você não tem desculpa alguma porque já ouviu o evangelho. Obedecerá a ele? O evangelho trouxe o Salvador até você e informou-o que o caminho da salvação é mediante a aceitação de Cristo. Agora a decisão de obedecer é sua. Se você perecer não será por causa de seus pecados passados mas por não obedecer ao evangelho.
Suponha que você esteja doente e quase à porta da morte e alguém lhe traz um remédio que pode curá-lo. E suponhamos que você se recuse a tomar o remédio. Se morrer, não será por causa da doença, mas por ter recusado o remédio que podia tê-lo curado e salvado. Não há dúvida de que você pecou, mas eis um Salvador cuja especialidade é salvar pecadores. Se você perecer> será porque não deseja obedecer ao evangelho e aceitar o Salvador dos pecadores. E quantas almas estão agora no inferno — contudo, não por causa dos seus pecados mas por rejeitarem ao Salvador. Portanto, não deixe que a palavra do Salvador que diz: “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40) se cumpra em sua vida.

Extraído do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE”, de Watchmann Nee

GESTÃO E CARREIRA

OS RISCOS DE TROCAR O DIA PELA NOITE

Enquanto a maioria dorme, outros permanecem acordados para manter a produção e os serviços operando. Além de prejudicar a saúde física e mental de quem trabalha à noite, a inversão de horários expõe todos a um risco maior de acidentes.

Trocando o dia pela noite

“A claridade do dia me incomoda, o barulho me impede de ter um sono tranquilo e o tempo de descanso é muito curto.” A frase é de uma mulher de 45 anos que passa muitas noites em claro, não por insônia nem por diversão, mas porque é auxiliar de enfermagem de um hospital. Seu depoimento ilustra as dificuldades de quem trabalha à noite, em turnos regulares ou não. A maioria da população não tem ideia do que é isso, e não se lembra de que, todas as noites, um grande número de pessoas trabalha para manter funcionando o atendimento de saúde, o tratamento de água e esgoto, a produção de energia, as telecomunicações, a segurança pública, o recolhimento do lixo, o transporte de cargas, a extração de petróleo, a produção de alimentos, as lojas de conveniência, as portarias dos edifícios – a lista é enorme.

Poderíamos prescindir da produção e das atividades ininterruptas disponíveis 24 horas por dia? Apesar de ser uma tendência relativamente recente, surgida nos últimos dez anos, dificilmente abriríamos mão dessas conveniências. Importante ressaltar, porém, que a despeito dos lucros, o custo da sociedade 24 horas é alto − e não apenas o custo econômico. O trabalho noturno afeta a saúde física e mental dos indivíduos e suas consequências podem ser sentidas pela sociedade toda. Alguns exemplos: o acidente nuclear de Chernobyl e a explosão da Challenger, ambos em 1986, e um dos piores vazamentos de petróleo da história, no Alasca em 1989; todos desastres relacionados à privação de sono.

O ser humano dorme à noite não por convenção social, mas porque seu organismo expressa ritmos que são resultado de um longo processo de adaptação de nossa espécie ao ciclo ambiental claro-escuro do planeta Terra. A inversão dos horários de atividade e de repouso que o trabalho noturno impõe nunca é bem-sucedida do ponto de vista fisiológico e está relacionada a uma ampla gama de problemas de saúde: transtornos digestivos, cardiovasculares, reprodutivos, além dos mais óbvios, que são os distúrbios de sono.

RITMOS DESAJUSTADOS
A síndrome metabólica (caracterizada por obesidade abdominal, resistência à insulina e um conjunto de fatores de risco cardiovascular) é mais comum nas pessoas que, por causa do trabalho, trocam o dia pela noite. Uma revisão recente feita pelo pesquisador Anders Knutsson, da Universidade de Umea, Suécia, sugere que o risco de câncer de mama é maior em mulheres que trabalham no turno da noite.

No entanto, como não poderia deixar de ser, as queixas mais comuns dessas pessoas são os distúrbios do sono. Afinal, dormir de dia − enquanto o mundo está acordado e fazendo barulho − não é a mesma coisa. Diversos estudos mostram que além de a duração do sono dos trabalhadores noturnos ser menor, sua qualidade é pior. De forma geral, eles sofrem de privação crônica de sono e as consequências são déficit cognitivo e motor, alterações de humor que podem levar a depressão, fadiga crônica, baixos níveis de alerta e aumento do risco de acidentes. Agora pense nas possíveis consequências da combinação de todos esses fatores em um motorista de caminhão que dirige na mesma estrada que você ou em um médico que pode atendê-lo em um pronto-socorro.

Além de ter a saúde afetada, quem trabalha à noite está mais exposto a problemas de ordem psicossocial, já que seu cotidiano é muito diferente do de sua família e da comunidade em que está inserido. O desencontro de horários tende a restringir as oportunidades de interação social. As dificuldades se agravam no caso dos turnos irregulares, como são os de motoristas de caminhão que fazem viagens interestaduais. Como dependem da oferta de carga e das demandas de entrega, eles costumam trabalhar sem escalas predeterminadas e com jornadas extenuantes. Nos longos trajetos, passam muito tempo longe da família e dos amigos. Efeitos negativos nas relações sócio familiares também são muito comuns em pilotos, comissários de bordo e controladores de voos.

Segundo dois dos maiores especialistas no assunto, o americano Timothy Monk, da Universidade de Pittsburgh, e o britânico Simon Folkard, da Universidade de Swansea, Reino Unido, o trabalho noturno interfere em três aspectos da vida familiar: no cuidado doméstico − que afeta principalmente as mulheres, pois a sociedade espera mais delas esse tipo de responsabilidade; na interação social − que por razões culturais tende a acontecer à noite e nos fins de semana; e nas relações sexuais − porque durante o dia dificilmente o cônjuge está disponível, além de as crianças estarem acordadas. A mulher sofre mais com o trabalho noturno, já que a dupla jornada dificulta a reorganização de sua rotina diurna, especialmente se ela tem filhos. As atividades domésticas e o cuidado com as crianças quase sempre têm prioridade em relação às necessidades de sono.
É possível adaptar-se ao trabalho noturno? Embora algumas pessoas digam que sim, na verdade não se trata exatamente de uma adaptação, mas de diferentes percepções das consequências desse “estilo de vida”, o que resulta numa tolerância extremamente variável entre os indivíduos. Estudos mostram que a tolerância é influenciada por fatores intrínsecos (idade, sexo, estado de saúde, traços de personalidade, características relacionadas aos ritmos biológicos, como matutinidade e vespertinidade, entre outras) e extrínsecos (condições de moradia, satisfação com o trabalho, características do sistema de turnos, conciliação da vida pessoal com horários de folga etc.).

Dado o número de variáveis que interferem na tolerância ao trabalho noturno, não há como prever quais pessoas serão mais ou menos tolerantes e que estratégias serão mais eficientes para combater os prejuízos à saúde e à vida social. O que se nota, entretanto, é que geralmente os problemas tendem a se agravar com o envelhecimento devido a uma desregulação crônica dos ritmos biológicos, o que, além de piorar ainda mais a qualidade do sono, propicia o desenvolvimento de doenças. É por isso que a avaliação médica periódica é especialmente importante nessa população, de modo a detectar precocemente os sintomas de intolerância, como problemas digestivos e reprodutivos, consumo elevado de medicamentos (especialmente estimulantes), depressão, distúrbios de sono e acidentes.

MAIS FOLGAS
Infelizmente não há solução para os problemas causados pelo trabalho noturno e em turnos, apenas recomendações que podem reduzir seus efeitos nocivos na saúde física e psíquica. Entretanto, cada tipo de turno apresenta vantagens e desvantagens, de forma que cada situação específica merece uma análise detalhada; isto é, não há receitas prontas. Aumentar o número de folgas, regulamentar a aposentadoria precoce ou a transferência para turnos diurnos, por exemplo, são algumas formas de amenizar os problemas. Pesquisas mostram que o número de noites consecutivas trabalhadas deve ser o menor possível. A cada sequência de jornadas noturnas, são necessários ao menos dois dias de folga, já que as primeiras 24 horas após a última noite de trabalho geralmente são usadas para o descanso em vez do lazer. O ideal é que as folgas sejam aos finais de semana e não inferiores a 11 horas. Uma tendência crescente nas empresas é a adoção de esquemas mais flexíveis, com jornadas diárias de duração variável, horários personalizados, alternância entre meio-período e período integral e transferência temporária para o turno diurno. Além dos benefícios para o trabalhador, tais medidas também são vantajosas para as empresas, que acabam registrando número menor de acidentes e de ausências por motivo de saúde; logo, a produtividade aumenta.

MELATONINA E FOTOTERAPIA
Dois tipos de intervenção vêm sendo investigados para promover o ajuste dos ritmos biológicos ao trabalho noturno na tentativa de minimizar suas consequências para a saúde pública. Um deles é a administração oral de melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal, localizada entre os dois hemisférios cerebrais. A melatonina está diretamente ligada à regulação do ciclo vigília-sono, e a luz que incide na retina inibe sua secreção. Diversas pesquisas indicam que, se administrado em determinados horários, esse hormônio pode melhorar a qualidade do sono diurno e diminuir a sonolência durante a vigília, facilitando a adaptação das pessoas ao trabalho noturno.

Outra possibilidade em estudo é fototerapia, isto é, a exposição a fontes de luz de alta intensidade, a chamada luz intensa ou bright light. De forma bem resumida, funciona assim: a exposição à luz forte em certos horários modifica a resposta do organismo ao ciclo claro-escuro, encurtando ou prolongando o dia ou a noite “internos”. Os cientistas estão tentando descobrir quais intensidades de luz, comprimentos de onda, duração e horários são mais adequados para produzir efeitos positivos na qualidade do sono dos trabalhadores. Algumas pesquisas indicam que a exposição à luz intensa durante o horário de trabalho aumenta os níveis de alerta durante a madrugada. É possível que a fototerapia seja adotada por grandes empresas num futuro não muito distante.

A atividade física parece ser também uma boa estratégia para melhorar a tolerância ao trabalho noturno, como indicam as pesquisas realizadas por Mikko Härma, do Instituto de Saúde Ocupacional de Helsinque, Finlândia. Em um dos estudos, 150 enfermeiras participaram de um programa de condicionamento físico moderado, com duração de quatro meses, que incluiu corrida, natação, ginástica e caminhada, de duas a seis vezes por semana. Quando comparadas ao grupo controle, elas se sentiram menos cansadas e sonolentas, sem contar os benefícios musculares e cardiorrespiratórios.

Resultado semelhante foi obtido por uma de nós (Claudia Roberta de Castro Moreno) num estudo com mais de 10 mil motoristas de caminhão. O exercício físico, regular ou ocasional, foi um fator de proteção contra a apneia obstrutiva do sono, um dos distúrbios do sono mais comuns nessa população.

A remuneração extra é o principal atrativo do trabalho noturno, mas vale lembrar que ela reflete o reconhecimento dos efeitos nocivos do trabalho nesse horário. Nem uma coisa nem outra ajudam as pessoas a dormir melhor e a lidar com os desafios psicossociais a que estão expostas, nem diminuem os riscos de acidentes que muitas vezes ameaçam toda a sociedade. Por isso há um consenso entre os pesquisadores da área de que as ações relacionadas ao trabalho em turno não podem se restringir a uma simples questão monetária. A privação de sono decorrente da sociedade 24 horas tem um preço ainda mais alto do ponto de vista social e da saúde pública.

TRAGÉDIA NUM PISCAR DE OLHOS
Pouco antes da 1 hora da madrugada de 25 de março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez, da empresa americana Exxon, bateu num recife da costa do Alasca e derramou no oceano mais de 200 milhões de litros de petróleo. As investigações de um dos mais trágicos acidentes ecológicos de todos os tempos revelaram que a tripulação estava submetida a jornadas diárias de trabalho de 12 a 14 horas e turnos inadequados. As queixas de fadiga e sonolência eram comuns. No dia do acidente, o terceiro oficial, que estava no comando do navio, cochilou em serviço. O valor astronômico da multa paga na época pela empresa jamais compensará os prejuízos ambientais ainda observados na região 17 anos depois, como mostra estudo publicado em 2006 na revista da Sociedade Americana de Química.

No desastre nuclear de Chernobyl, Ucrânia, ocorrido em abril de 1986, os mesmos fatores estavam em jogo: longas jornadas de trabalho em turnos, privação de sono, sonolência excessiva; mas foram agravados pela pressão do governo para completar uma série de testes dentro de determinados prazos. Para “ganhar tempo”, os procedimentos foram programados para a madrugada e, curiosamente, ninguém questionou o desligamento de vários sistemas de segurança. O superaquecimento do reator foi constatado por volta da 1h30. Na tentativa de religar os sistemas de segurança, os sonolentos operadores cometeram um erro fatal: desligaram o resfriamento de emergência. A explosão espalhou lixo radioativo por mais de 3 mil km2. Cinco anos depois do acidente, a expectativa de vida dos ucranianos despencou de 74,5 anos para 63,3 anos.

Três meses antes de Chernobyl, o ônibus espacial Challenger explodiu menos de dois minutos depois de deixar o solo, matando toda a tripulação. A causa do acidente foi amplamente noticiada: um defeito numa peça do tanque de combustível − problema que, aliás, havia sido detectado e aparentemente reparado antes do lançamento. Menos divulgado, porém, foi o fato de não só a equipe de manutenção ter virado a noite para solucionar o problema, como os diretores que autorizaram a partida, a despeito das advertências dos engenheiros da Nasa, terem dormido muito pouco na noite anterior ao desastre.

PERCURSO DE UMA CAUSA JUSTA
O primeiro registro conhecido sobre as dificuldades do trabalho noturno está no livro do cientista alemão Georg Bauer (1494-1555) De remettalica, de 1556, sobre atividades de mineração. O médico italiano Bernardino Ramazzini (1633-1714) descreveu em De morbis artificum, de 1700, a situação dos padeiros: “Quando outros artesãos terminam a tarefa diária e se entregam a um sono reparador de suas fatigadas forças, eles trabalham de noite e dormem quase todo o dia”.

O grande impulso das atividades industriais e comerciais no final do século XVIII e início do século XIX, acompanhado da transição da sociedade agrária para a industrial, levou milhares de pessoas, de todas as idades, para as cidades. A jornada de trabalho se tornou cada vez mais longa e extenuante. Os limites entre o dia e a noite e, consequentemente, o descanso dos trabalhadores deixaram de ser respeitados. Mas até o final do século XIX o trabalho noturno representava um percentual mínimo da produção econômica mundial. Esse cenário mudou radicalmente com a invenção da lâmpada elétrica por Thomas Edison em 1880.

Atualmente, em grandes empresas do setor químico, petroquímico e siderúrgico, os funcionários recebem escalas de trabalho e folgas com até um ano de antecedência. Muitas empresas implantaram a “semana comprimida de trabalho”, na qual a jornada geralmente é de 12 horas, em turnos fixos ou rodiziantes, por três ou quatro dias consecutivos, seguidos de período igual de descanso. A vantagem é o maior número de folgas consecutivas em comparação ao turno de oito horas. A principal desvantagem é a duração da jornada, que pode ser muito fatigante.

Apesar dos avanços das últimas décadas, ainda há muito a ser modificado na legislação que regulamenta os horários de trabalho no Brasil. Segundo a Constituição Federal, o trabalho noturno (realizado entre as 22 h de um dia até as 5 h do dia seguinte) é proibido aos menores de 18 anos. De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a hora do trabalhador noturno é reduzida para 52 minutos e 30 segundos e remunerada 20% acima da diurna. Nos turnos em revezamento, os funcionários devem trabalhar no máximo seis horas diárias, exceto quando houver negociação coletiva. Muitas empresas pagam horas extras ou fazem acordos sindicais para aumentar essa jornada, que na prática fica entre oito e 12 horas por dia.

A décima revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) inclui o trabalho noturno e em turnos como agente etiológico ou fator de risco de natureza ocupacional no capítulo destinado às doenças relacionadas ao trabalho. Essa relação tem sido cada vez mais reconhecida por autoridades de saúde e pela justiça do trabalho, a ponto de já existirem pelo menos dois casos, ambos de 2006, de parecer favorável para trabalhadores noturnos, demitidos por justa causa, por terem cochilado em serviço. Nos dois processos, a ementa publicada pelo Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo diz que o sono faz parte da natureza humana. Trata-se de uma necessidade biológica complexa e não de uma faculdade. O fato de o empregado cochilar ou apresentar dificuldades cognitivas durante a jornada pode indicar afecções graves que devem ser tratadas e não simplesmente punidas.

PERIGO NOS PLANTÕES MÉDICOS
Longas horas de plantão médico afetam o raciocínio lógico e deterioram o desempenho. Um estudo sobre o tema foi realizado na Universidade de Tübingen, Alemanha, onde uma equipe supervisionada pelo médico Thomas Lingenfelser observou 40 médicos jovens e comparou seu desempenho após uma noite de folga com o que apresentavam depois de 24 horas de plantão. Os testes mediram rapidez de raciocínio e de resposta a determinados estímulos, poder de concentração e de processamento de informações em situações de distração. Em todos eles os médicos que haviam feito plantões e estavam privados de sono tiveram resultados 5% inferiores.

Quando a equipe de Lingenfelser examinou as respostas dos médicos nas tarefas hospitalares, o efeito foi mais grave. Uma delas envolvia memorização. Ao examinar um paciente, o médico estabelece uma lista mental de coisas que precisa fazer. Assim, quando está diante de uma contusão na cabeça, checa de imediato as reações da pupila e mais três ou quatro reflexos simples. Verifica o raciocínio e pede uma radiografia do crânio para ver se há fratura. Poderia completar com um eletroencefalograma (EEG), caso houvesse suspeita de dano cerebral. Note que a lista de providências é grande e precisa ser guardada na memória de curto prazo. Se algum dos itens for esquecido, uma parte importante da informação clínica será perdida. Quando os médicos foram testados quanto a essas tarefas rotineiras, observou-se um resultado 8% pior daqueles com débito de sono. Isso significa que, em uma lista de checagem de 12 itens, um poderá ser esquecido.

É interessante comparar tal resultado com um estudo do psicólogo Ian Deary, da Universidade de Edimburgo, Escócia. Depois de uma noite de plantão, a capacidade do médico de lembrar uma série de fatos − resultados de exames, por exemplo − diminui cerca de 18%. Quer dizer: de cada cinco, um seria esquecido por causa do sono atrasado.

A segunda habilidade examinada pelos pesquisadores alemães foi a interpretação de eletrocardiogramas (ECG). Os médicos deveriam apontar, com base em um vídeo com traçados típicos de ECG, aqueles que apresentavam anormalidades. Esse é um dos procedimentos mais comuns nos hospitais, pois os problemas cardíacos são causa frequente de emergências e também aparecem como complicadores associados a várias doenças ou ferimentos. O estudo demonstrou que os profissionais descansados tinham probabilidade 14% maior de detectar falhas no ritmo cardíaco que os médicos com débito de sono devido a um plantão. Ou seja, em cada sete problemas cardíacos, um não seria notado.

Outro estudo foi feito na Universidade Temple, na Filadélfia. Por meio de registro de EEG, a equipe do médico Leonard Goldman monitorou o ritmo cardíaco de cirurgiões enquanto operavam, a fim de detectar sinais de stress que prejudicam eficiência e coordenação. Para observar os médicos em ação, 33 cirurgias foram filmadas por um sistema de circuito interno de TV. Entre os voluntários testados, alguns tinham feito plantão e dormido menos de duas horas na noite anterior. Os pesquisadores compararam seus resultados com o desempenho de profissionais sem déficit de sono e verificaram detalhes assustadores. Os médicos com sono atrasado comportaram-se de modo indeciso e impreciso, utilizaram manobras cirúrgicas mal planejadas e desnecessárias durante quase um terço da operação, e 80% deles apresentaram ritmo cardíaco elevado, indicando severas condições de stress.

Fonte:
Claudia Roberta de Castro Moreno, Frida Marina Fischer e Lúcia Rotenberg
Revista Mente e Cérebro

PSICOLOGIA ANALÍTICA

Timidez

AS MÁSCARAS DA TIMIDEZ

Ao contrário do que normalmente se pensa, os tímidos se esforçam para resolver o que consideram ser um problema. Ainda assim, nem sempre conseguem vencer a dificuldade de manter relações sociais e criar vínculos.

 

Todas as vezes que tenho de me relacionar com estranhos, ainda mais se forem pessoas de condição socioeconômica superior à minha, sinto-me bloqueado: tenho medo de fazer feio, de não exprimir os conceitos corretamente, de parecer pouco culto e inteligente, revelando minha falta de cultura universitária.” Assim se explica André, um bancário de 27 anos.
Em tais contextos, o rapaz fala de forma atrapalhada, por mais ainda nos primeiros minutos da conversa. Para quem o observa, ele parece alguém que se esforça para animar a conversa, mas que, em contrapartida, se mostra rígido, fechado e inibido.
“Sinto-me confuso, e nesses momentos sempre me pergunto o que devo dizer, o que devo responder para que não pensem que sou um idiota. Além de não ser nada agradável, isso faz com que eu perca o fio da conversa. O resultado é que, como não acompanho alguns trechos do que está sendo dito, minhas respostas não são de fato muito inteligentes e originais…”
Nada disso, porém, ocorre diante das pessoas que André considera mais semelhantes a ele ou com as quais, apesar da diferença de condição e de educação, adquiriu com o tempo uma certa familiaridade. Em tais casos, ele se exprime com facilidade e consegue elaborar discursos articulados sobre vários temas. Por isso, podemos definir sua timidez como “situacional”, para diferenciá-la de um tipo mais profundo e generalizado.
Definida como sentimento de embaraço ou de inibição em situações sociais, a timidez faz o sujeito focar a atenção quase exclusivamente em si mesmo e ficar preocupado com o que o interlocutor poderá pensar sobre aquilo que diz ou sobre o que está sentindo (por exemplo, ansiedade e embaraço revelados pelo rubor). Em geral a timidez e a introversão são consideradas sinônimas, mas não é exatamente assim: o introvertido procura a solidão, mas, ao contrário do tímido, não teme o contato social.
O tímido deseja a companhia de outros, porém considera-se incapaz de manter uma relação.
Alguns componentes podem ser reconhecidos na timidez. O afetivo refere-se às emoções típicas experimentadas pelos tímidos nas situações sociais: ansiedade, confusão, embaraço e vergonha, acompanhadas por sensações psicofisiológicas como tensão muscular, batimento cardíaco acelerado e um “aperto” no estômago. O cognitivo refere-se à excessiva atenção dada aos julgamentos dos outros (“Todos estão me olhando e me avaliando”), à avaliação negativa de si mesmo (“Só disse bobagens”) e a um sistema irracional de convicções (“Esta noite, na festa, ninguém me notará ou me achará interessante”): estes são os modos típicos de raciocinar das pessoas tímidas.
O resultado é uma acentuada inibição do comportamento, que consiste em evitar ativamente os contextos sociais e se manifesta no olhar que se desvia, na sistemática recusa a encontros sociais e no isolamento em geral. Tudo isso pode, evidentemente, prejudicar a formação de relacionamentos e a obtenção de objetivos acadêmicos e profissionais.
Mas o que os próprios tímidos pensam de sua timidez? Uma pesquisa realizada por Bernardo J. Carducci, pelo Shyness Research Institute da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, avaliou 240 explicações dadas por pessoas tímidas sobre quais seriam as causas de seu modo de ser.

ONDE ESTÃO AS CAUSAS
Quase metade indicou como causa “fatores familiares”, que incluem, por um lado, o divórcio dos pais, violências familiares e adoção por uma nova família e, por outro, aspectos ligados à relação entre pais e filhos, como uma atitude superprotetora ou excessivamente severa por parte dos pais (ou de um dos pais) ou a ausência destes.

Um quarto dos participantes apontou “fatores psicofísicos, raciais e culturais”. Exemplos seriam a inexorabilidade da própria timidez (“Sou assim mesmo, sempre fui tímido”), a falta de uma cultura adequada, o pertencimento a uma etnia minoritária, problemas físicos reais ou imaginários (como acne ou obesidade), uma suposta carência de dotes atléticos ou sexuais, ou ainda o fato de haver sido vítima de sistemáticas violências verbais, psicológicas, físicas ou sexuais.

Cerca de 20% assinalaram “fatores intrapessoais ou interpessoais”. Os primeiros se referem aos estilos de pensamento que tendem a fazer com que a pessoa crie uma imagem negativa de si: ela se culpa por tudo que não dá certo, ou se sente “estúpida”, nervosa ou deprimida quando em companhia, ainda que sem motivos. Os “fatores interpessoais” dizem respeito à dificuldade de interagir ou manter conversas com outros: a pessoa fica embaraçada e envergonhada em situações sociais e acaba por evitá-las totalmente.

Carducci observa que “a tendência é indicar as experiências precoces vividas em família ou com os coetâneos como explicativas do modo de ser. Os fatores externos são mais enfatizados (cerca de 64% dos participantes da pesquisa) do que o reconhecimento de uma cota de responsabilidade própria (somente 20%)”.
No caso de André, como ele mesmo diz, sua timidez se deve a um sentimento de insegurança e inadequação no plano sociocultural. Isso gera, segundo ele, sua atitude atrapalhada nas circunstâncias descritas. “Certamente tento remediar minha timidez. No ano passado frequentei um curso de teatro para adquirir mais desembaraço ao me apresentar e exprimir emoções, aprender a improvisar e enfrentar situações sociais difíceis, que exigem tomadas de posição. A estratégia que uso nas conversas, por outro lado, é a de evitar assuntos nos quais não me sinto seguro (política, história, literatura) e deslocar a discussão para temas que me são mais familiares, como economia, finanças e informática.”

Mas quais procedimentos são normalmente empregados pelos tímidos para enfrentar a timidez? O que a pesquisa revela, observa Carducci, “é que cerca de 87% dos tímidos estão efetivamente empenhados em superar a timidez. A estratégia mais utilizada é a extroversão forçada” (escolhida por dois entre três tímidos), que consiste em obrigar-se a frequentar locais públicos e procurar a presença de outros. Um a cada quatro tenta superar o problema minimizando a suposta periculosidade das situações sociais e procurando tornar mais positiva a visão dos outros (extroversão cognitiva auto induzida). Uma terceira alternativa é buscar informações sobre o embaraço que sentem, lendo manuais de autoajuda ou frequentando seminários sobre o tema. A procura de ajuda profissional assemelha-se, conceitualmente, a essa estratégia: terapia individual, de grupo ou seminários sobre como reforçar a auto estima.

Menos saudável e mais perigosa é a chamada \\`extroversão líquida\\`, obtida mediante o consumo de remédios não receitados, drogas ou álcool para reduzir a tensão nas situações sociais e tornar a pessoa mais desenvolta.

Os 50% restantes dos indivíduos pesquisados se subdividem entre os que declaram praticar exercício físico para sentir-se melhor e, assim, aprimorar a relação com os outros; os que tentam emagrecer, influir na própria aparência física e se tornar mais atraentes; e os que nada fazem para aumentar sua sociabilidade”.

ESFORÇO PARA MUDAR
Tais estatísticas revelam que, contrariamente ao que se pensa, os tímidos não são passivos e indolentes, mas se esforçam para resolver o que consideram ser um problema, ainda que nem sempre os resultados sejam os esperados. Carducci lembra que essas estatísticas não são um fim em si mesmas. “Esses dados podem ter implicações teóricas e práticas para os profissionais da área da saúde mental. Será possível utilizá-los para antecipar e compreender melhor a natureza da dificuldade experimentada pelos tímidos e para desenvolver programas de apoio.”

Mateus é um menino de 7 anos que prefere brincar sozinho em seu quarto a ir para a praça com a mãe, onde pode encontrar dezenas de pessoas desconhecidas. Lucas, seu colega de classe, é exatamente o oposto: fala e ri com crianças e adultos que não conhece e poderia passar todo o tempo fora de casa, em meio às pessoas.

DESDE A INFÂNCIA
Qual seria a razão de tais diferenças? Segundo estudo recente, realizado por um grupo da Harvard Medical School, o fato de uma pessoa evitar coisas, pessoas ou situações novas pode depender, ao menos em parte, de diferenças cerebrais existentes desde a infância.

De fato, quando imagens de rostos desconhecidos são apresentadas a tímidos, é possível observar neles um nível de ativação mais elevado na amígdala, uma pequena formação que regula alguns dos processos emotivos mais importantes e integra o sistema límbico.

Nas pessoas extrovertidas, ao contrário, a ativação da amígdala é menos acentuada. “Nossos dados mostram como as diferenças em aspectos particulares do temperamento – os que levam alguém a evitar estímulos desconhecidos em vez de procurá-los espontaneamente – estão correlacionados a diferenças no funcionamento da amígdala”, explica Carl Schwartz, responsável pela pesquisa. “Graças a novos recursos tecnológicos, como a ressonância magnética funcional (fMRI), pudemos observar que as mesmas diferenças de temperamento e os mesmos padrões de ativação neurofisiológica observados em um indivíduo muito jovem estarão presentes nele anos mais tarde.”
A psicologia entende por temperamento um perfil afetivo e comportamental estável, que caracteriza um indivíduo desde a infância e que é controlado, ao menos em parte, por fatores genéticos. Um dos critérios mais utilizados para caracterizar o temperamento é justamente a reação da criança diante de pessoas, objetos ou situações não familiares. Dependendo da reação, fala-se de crianças “tímidas” ou “sociáveis”.

A pesquisa longitudinal realizada por Schwartz e seus colaboradores pode ser assim resumida. Um primeiro experimento subdividiu em duas categorias uma mesma amostra de crianças, todas com 2 anos, conforme seu grau de inibição ou desinibição diante de estímulos desconhecidos.

Dezesseis anos mais tarde essa mesma amostra, agora adolescente, foi submetida a uma ressonância magnética que “registrou” imagens das áreas cerebrais ativadas durante a visão de seis fotografias de rostos desconhecidos (com expressão neutra) apresentadas várias vezes. Na fase de controle experimental, os jovens observavam, sucessivamente, um número maior de imagens, algumas novas e outras que faziam parte do grupo de fotos vistas antes. Se um aumento da atividade da amígdala em resposta a rostos novos é de fato natural, as pessoas classificadas como “inibidas” revelaram uma reação significativamente mais intensa que a do resto da amostra.

“Somos levados a pensar”, conclui Schwartz, “Que frequentemente alguns traços de personalidade permanecem quase imutáveis ao longo da vida, a despeito do contexto de desenvolvimento e da experiência acumulada. Constatamos, além disso, a existência de uma relação entre a timidez precoce e o desenvolvimento sucessivo de fobia social (como ocorreu em dois casos de nossa amostra), ainda que o elo não seja automático: Ser tímido não deve ser considerado, por si só, patológico.”

Rossana Pecorara

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

O JUÍZO

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo (Hebreus 9:27).

É desconfortável ler e desagradável ouvir este solene versículo bíblico, pois aponta duas coisas: que os homens hão de morrer e que depois da morte haverá o juízo. Se você puder escapar da primeira ordenação de Deus poderá, também, escapar da segunda. Se a primeira ordem, a morte dos homens, é cumprida, a segunda, o juízo, também o será. Daí que a primeira pergunta a ser feita não deve ser se você será julgado ou não; antes, se você morrerá ou não. Contudo, o assunto que se nos apresenta para consideração não é a morte, mas o juízo. Este é um assunto que ninguém gosta de ouvir nem tem prazer em discutir. Mas não há como escapar dele, pois se a morte é certa, o juízo também o é. Se você há de morrer, então também será julgado. A menos que você possa evitar a primeira ordenação, não evitará a segunda.
A Bíblia apresenta-nos certos fatos. Quer você creia na veracidade deles quer não, não obstante, são verdadeiros. O fato não se tornará ficção apenas por sua descrença. Um fato para sempre permanece fato.
Ora, o primeiro fato que a Bíblia ensina é que Deus existe. Pode ser que você creia ou não nele, entretanto, Deus é um fato. O cego pode crer ou não que exista o sol; não obstante, o sol permanece como um fato.
O segundo fato que a Bíblia ensina é que o pecado existe. Uma vez mais, os homens podem crer ou não que o pecado exista, entretanto, o fato de sua existência permanece.
A Bíblia não só nos ensina que Deus existe e que o pecado igualmente existe mas também nos instrui quanto à morte. A morte também é um fato. A Bíblia o menciona mais frequentemente do que as pessoas em geral o mencionariam. Ora, quer você creia quer não que a morte seja real, não obstante, está ordenado aos homens morrerem.
A Bíblia apresenta-nos ainda outro fato — aquele que se relaciona com o futuro. Uma vez que pertence ao futuro, ele é, muitas vezes, negligenciado. Entretanto é tão real quanto os outros três fatos já mencionados. Este fato é o juízo. Quer você creia nele quer não, haverá um juízo. Seja um pecado grande ou pequeno, seja ele refinado ou grotesco, seja popular ou infame, será julgado por Deus; pois o juízo é um fato bíblico. Não necessito de gastar tempo para provar que haverá um juízo.
A Bíblia simplesmente diz que Deus existe e nunca tenta provar esse ponto. Da mesma forma, a Bíblia não necessita de demonstrar que você pecou, porque você pecou. Nem tampouco precisa substanciar o fato de que você morrerá, porque você morrerá. Da mesma forma, portanto, a Bíblia não tem necessidade de demonstrar-lhe que haverá um juízo, visto ser ele um fato. Permita-me fazer-lhe uma pergunta: O problema de seus pecados já foi resolvido? Pode ser que você já tenha ouvido o evangelho várias vezes mas ainda não resolveu o problema de seu pecado; você, portanto, ainda não está salvo. E a morte sendo certa, o juízo certamente se seguirá. Entretanto, você não sabe quando há de morrer ou quando será julgado. Por isso urge que você resolva o problema do seu pecado hoje, doutra forma encontra-se em grande perigo. Muitos dão pouca atenção ao juízo, mas permita-me dizer-lhe que se você não resolver o problema do seu pecado hoje e esclarecer o assunto do juízo, não achará misericórdia quando o juízo, afinal, vier sobre você. Insto com você que não coma nem durma sem primeiro resolver o problema do seu pecado. Isto é de suma importância para que o juízo não lhe sobrevenha sem aviso prévio.

QUAL É O RESULTADO DO JUÍZO?
A Bíblia não somente nos diz que haverá o juízo; informa-nos também do seu resultado. Um dia Deus julgará o pecado do mundo, “tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de Nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2Tessalonicenses 1:8, 9). Este castigo é a perdição eterna, a saber, o inferno. O que a Bíblia nos diz de “Deus ter amado ao mundo” é verdade. Contudo, o que nos diz do fogo do inferno é igualmente verdadeiro. Se ainda não recebemos a graça do perdão, estamos em estado muito perigoso, pois os incrédulos serão lançados da presença do Senhor e descerão para o inferno, a perdição eterna.

HAVERÁ DESCULPAS NO JUÍZO?
Talvez alguns pensem que, ao se apresentarem perante o trono do juízo de Deus, possam argumentar que ele não os pode lançar no inferno porque eles ou não compreenderam ao ouvir o evangelho ou não o ouviram direito. Você pode preparar-se para arrazoar com Deus no dia do juízo, mas o Senhor já decidiu quanto à resposta que lhe dará e esta não lhe oferece desculpa alguma.
Ouça as palavras sóbrias de Jesus: “Ninivitas se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas” (Mateus 12:41). O Senhor diz-nos o que acontecerá no juízo. Será o próprio Deus quem condenará seus pecados no juízo? Não. Ele simplesmente ficará assentado observando os ninivitas levantarem-se para condená-los por seus pecados.

COMO SERÁ ISTO?
Nínive foi uma cidade antiga, grande e famosa. Seus habitantes pecaram grandemente. De modo que Deus enviou um profeta chamado Jonas a fim de proclamar-lhes que em quarenta dias Nínive seria destruída. Deram ouvidos ao que Jonas anunciava. Proclamaram jejum e vestiram-se de saco — desde o maior deles até ao mais pequenino. Buscaram a Deus com todo o coração e Deus viu as suas obras e o seu arrependimento e não os destruiu. Eles, portanto, receberão a graça dos pecados perdoados. Muito mais tarde, o Senhor Jesus usou o acontecimento da história antiga a fim de provar que os ninivitas condenariam a geração dos dias de Jesus pelos pecados que havia cometido.
Ora, os ninivitas ouviram a palavra de Jonas e se arrependeram. Contudo, eis aqui alguém muito maior do que Jonas! Hoje as pessoas ouvem o Filho de Deus falando. Hoje muitos já leram a Bíblia, especialmente o evangelho segundo São João. Quem, pois, pode dar desculpa de jamais ter ouvido falar do Filho de Deus? E se você ouviu, como espera escapar do juízo futuro? Pois, no dia do juízo os ninivitas levantar-se-ão e o acusarão, dizendo: “Nós ouvimos a Jonas e nos arrependemos. Como, pois, poderá você escapar, visto que ouviu o evangelho do Filho de Deus mas não se arrependeu?”
Talvez alguém argumente, dizendo: “Os ninivitas tiveram a oportunidade de se arrependerem porque Jonas foi lá para pregar. Mas eu sou uma pessoa que vive na roça. Ninguém pregou o evangelho em minha região para que eu pudesse ouvir. Deus, provavelmente, não condenará uma pessoa como eu.”
Como resposta, dir-lhe-ei o que o Senhor afirmou acerca de outro incidente, o que desfará sua desculpa.
“A rainha do Sul se levantará no juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão” (Mateus 12:42). No dia do juízo, “a rainha do Sul” se levantará para responder ao argumento de tais pessoas e condenará esta geração por seus pecados.
“A rainha do Sul” era a rainha de Sabá. Sabá é a Abissínia (Etiópia de hoje). Este país fica muito mais ao sul do Egito. Esta rainha ouviu falar da fama do rei Salomão — quão cheio de sabedoria era ele; de modo que viajou milhares de quilômetros para ver o rei. Contudo, “eis aqui está quem é maior do que Salomão”. Nosso Senhor Jesus é muito maior do que o Salomão de outrora! E o que ele diz é muito mais sábio do que as palavras de Salomão. O que ele fala tem consequência muito maior, visto que pertence à vida e à morte eterna. Uma rainha do Sul estava disposta a viajar milhares de quilômetros a fim de ouvir a sabedoria do rei Salomão; poderia você, que mora a apenas cerca de cinquenta quilômetros da cidade não ir até lá e ouvir a verdade em uma igreja que prega o evangelho! Ainda que você morasse a duzentos quilômetros distante da cidade, mesmo assim poderia encontrar algum lugar perto onde pudesse ouvir o evangelho e crer nele. Se não o fizer, a rainha do Sul se levantará e condená-lo-á por seus pecados. Ela veio “dos confins da terra!” Por que você não pode sair de casa e ir a uma igreja próxima de onde você mora? Por conseguinte, nenhum dos não-salvos hoje tem desculpa alguma para apresentar no dia do juízo.

PODE-SE ESCAPAR DO JUÍZO?
Alguns podem tentar conceber uma maneira de escapar do juízo. E uma idéia um tanto tola, mas alguns podem tentar. Por que não esconder no abismo, depois da morte, a fim de evitar o juízo? “Os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5:29). Se, ocultando-se no profundo do abismo, a pessoa não for ressurreta, escapará ela do juízo? Tal coisa é completamente inútil. Ouça o que diz a Palavra de Deus: “Ainda que desçam ao mais profundo abismo, a minha mão os tirará de lá” (Amos 9:2a; veja Salmo 139:8). Você acha que pode ocultar-se no inferno e selar a porta, escapando, assim do juízo? A mão de Deus o tirará de lá. Não importa que você desça ao mais profundo abismo, a sua mão o tirará de lá.
Há outro grupo de pessoas, possivelmente cientistas e aviadores modernos, que pensam poder voar no espaço e escapar do juízo. Mas isso também é fútil. Ouça: “Se subirem ao céu, de lá os farei descer” (Amos 9:2b). Você pode subir, mas Deus o fará descer. É difícil para você subir mas é fácil para ele fazê-lo descer.
Talvez alguns pensarão em fugir para as montanhas e florestas onde não possam ser encontrados. Contudo, diz a Palavra de Deus: “Se se esconderem no cume do Carmelo, de lá buscá-los-ei, e de lá os tirarei” (Amos 9:3a). Você pensa que o ocultar-se no interior das montanhas ou entre as muitas árvores pode livrá-lo do juízo, mas Deus o buscará e o tirará.
Outros poderiam dizer que se nem o abismo profundo nem os céus nem as montanhas podem ocultá-los, por que não tentar o fundo do mar? Aqui, também, a Palavra de Deus admoesta: “E se dos meus olhos se ocultarem no fundo do mar, de lá darei ordem à serpente e ela os morderá” (Amos 9:3b). Se você se esconder no fundo do mar, será mordido pela serpente e não encontrará escape.
O que ficou dito acima são representações pictóricas de seus fúteis esforços. No abismo, no céu, nas montanhas ou no fundo do mar você pode ocultar-se das mãos dos homens, mas jamais poderá escapar da mão de Deus. Segundo a Bíblia, absolutamente não há maneira de escapar.

QUE MAIS ACONTECERÁ NO DIA DO JUÍZO?
“Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano, de saco e cinza. E contudo vos digo: No dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e Sidom, do que para vós outros. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá no dia do juízo para com a terra de Sodoma, do que para contigo” (Mateus 11:21-24). Quanto mais a pessoa ouve o evangelho, tanto menos terá o que dizer no dia do juízo. Aconselho-o a dar atenção a este assunto se ainda estiver ocupado com pecados, com o mundo e com os prazeres. Você não pode evitar a morte e, portanto, não escapará do juízo. O juízo está ordenado assim como a morte.
Nos dias antigos antes do nascimento de Cristo e antes de ele morrer pelos pecados do mundo, as pessoas poderiam ter dado desculpas por não terem conhecimento do pecado nem do juízo. Hoje, entretanto, você já ouviu falar que o Filho de Deus morreu por você. Se ainda não resolveu o problema do pecado, minhas lágrimas e também as lágrimas de todos os pregadores do evangelho são derramadas por você, pois o juízo que há de vir é por demais solene! O mundo passará e os seus prazeres também, mas o juízo jamais passará até que se cumpra.

COMO SE ESCAPA DO JUÍZO?

Agora quero dizer-lhes como se pode escapar do juízo. A fim de escaparmos, primeiro devemos perguntar por que devemos ser julgados no futuro. Visto que todos pecaram, todos serão julgados. Se você puder escapar ao pecado, poderá também livrar-se do juízo.
“Juízo” no grego é a mesma palavra usada para “condenação”. Logo, a frase “depois da morte, o juízo” pode ser traduzida, com a mesma exatidão: “depois da morte, a condenação.” Ninguém escapa ao pecado. Se não houvesse pecado, poderíamos destruir os templos porque não haveria necessidade deles. E também eu não precisaria ser cristão. Poderia queimar a Bíblia e ousar praticar tudo o que desejasse. Mas o pecado é real, é um fato; portanto, preciso de um Salvador. Sei que o Filho de Deus existe e que levou meus pecados derramando seu sangue para nossa propiciação. Sei também que se a questão do pecado for resolvida o problema do juízo também o será. Precisamente aqui está o caminho da salvação.
De que maneira Deus nos salva de nossos pecados? Pequei e por tê-lo feito mereço ser julgado e condenado no inferno. Mas a Palavra de Deus diz que seu Filho morreu por nossos pecados. Quão doce é o nome de Jesus! Seu som é mais agradável do que a música para meus ouvidos e é o mais poético de todos os temas para a minha imaginação.
O Filho de Deus veio a fim de morrer por mim. Ele levou meus pecados na cruz e sofreu por mim a penalidade deles. Assim, estou salvo e livre. Isto é o evangelho! Meu propósito não é anunciar-lhes a condenação, dizendo que vocês devem morrer e ser julgados. Mostro-lhes o juízo apenas a fim de fazer com que percebam a necessidade — vocês precisam de um Salvador, alguém que tire o pecado.
Não imaginem incorretamente que Jesus veio a fim de servir à sociedade pregando fraternidade e igualdade e ao mesmo tempo servindo de exemplo para os homens. Já li o Novo Testamento pelo menos cem vezes e nunca encontrei tal conceito em suas páginas. Pois tal ideia não seria o evangelho, antes, o anúncio da miséria de Satanás e do inferno. A Bíblia diz-nos que Jesus veio para sofrer o juízo por mim. Eu devia morrer mas Jesus morreu por mim. Na cruz, ele exclamou: “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” (Mateus 27:46b). Deus teve de abandonar seu Filho Jesus porque naquele instante ele levava nossos pecados. Jesus desceu do céu a fim de levar-nos para lá. Deixou o Pai a fim de descer a este mundo para que nos aproximássemos de Deus. Tornou-se pobre para que fôssemos ricos. Veio à terra para que fôssemos libertos do cativeiro terreno. Levou nossos pecados para que fôssemos livres deles. Sofreu o juízo por nós para que todos os que nele creem sejam poupados. Tenho certeza de que você muitas vezes ouviu a menção da cruz na apresentação do evangelho. A cruz simplesmente significa que o Senhor Jesus sofreu nosso juízo e levou sua penalidade por nós.
O que estou tentando transmitir-lhe é a necessidade de perceber, por um lado, que aos homens está determinado morrer e que depois da morte vem o juízo, mas por outro lado, Deus amou tanto ao mundo que nos preparou o caminho da salvação — a saber, que seu Filho morreu por nós. Como resultado, você pode aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor agora.
Dê ouvidos a este versículo bíblico: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:18). Lembre-se que as palavras “julgar” e “condenar” têm o mesmo significado no original grego. Portanto, podemos, com exatidão igual, dizer: “Quem nele crê não é condenado; o que não crê já está condenado.” E esta palavra não é minha, antes, é a palavra do Senhor Jesus.
Ouça outro versículo: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5:24). Esta passagem diz-nos que se a pessoa ouve a palavra do Senhor e crê em Deus que o enviou, tem (1) a vida eterna, (2) não entra em juízo ou condenação, e (3) passou da morte para a vida.
Pergunto-lhe hoje se já creu no Filho de Deus. Se ainda não o fez, convido-o a aceitá-lo como seu Salvador agora.
Ah, não espere até o dia em que estiver morrendo para crer, não deixe sua decisão para o último instante. Ore a Deus, agora, dizendo: “Ó Deus, agora recebo teu Filho.” Sim, deveras, o Filho de Deus já foi julgado por você e já morreu em seu lugar. Portanto, venham pecadores!

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ossentidos

O CARROSSEL DOS SENTIDOS

Para que possamos perceber o mundo como um todo, os cinco sentidos precisam cooperar entre si de forma inteligente e, muitas vezes, praticamente fundir-se uns nos outros

 

Da esquerda soa, no último volume, uma música antiga e famosa. “Vamos entrando!”, grita alguém do outro lado. Atrás, um grupo de jovens dá risada e, em algum lugar, uma criança berra. Simultaneamente, brilham e reluzem por toda parte luzes coloridas, enquanto nossos olhos tentam acompanhar os loopings da montanha-russa. O tumulto de um parque de diversões inunda nossos sentidos. E talvez o programa não fosse tão bom sem essa multiplicidade de estímulos, sem a concentração de pessoas, o empurra-empurra e o acotovelamento, sem o sorvete na mão ou o cheiro de algodão-doce e pipoca.

O exemplo mostra quantos sinais vindos do mundo exterior nos atingem ao mesmo tempo. Somente pela combinação deles surge a complexa impressão geral, típica de situações como essa. Nessas circunstâncias, o cérebro é exigido ao máximo – o que evidentemente atrai a curiosidade de neurocientistas.

A inundação de estímulos no parque, no entanto, não se ajusta ao exame mais detalhado da maravilhosa mistura de variadas impressões de sentidos – a integração sensorial. Os pesquisadores preferem condições claras e controláveis. Têm interesse especial por situações em que nosso cérebro se ludibria quase sozinho e produz falsas imagens do ambiente. Um exemplo conhecido desses enganos é o efeito de ventríloquo. Embora a voz que se ouve não seja originada pela boca em movimento do boneco, a impressão que temos é exatamente essa. Também no cinema nos entregamos à ilusão de que os heróis na tela falam, embora na realidade suas vozes ecoem dos alto-falantes espalhados pela sala de espetáculos. Nosso cérebro parte imperturbavelmente da premissa de que a fonte do que é dito se encontra onde os lábios se movem no ritmo adequado – ele combina, portanto, de forma significativa e entre si, a impressão de audição e de visão.

É fácil nos enganarmos não apenas com a origem de um estímulo sensorial, mas também com sua qualidade. Em meados dos anos 70, os psicólogos Harry McGurk e John MacDonald, da Universidade de Surrey, na Grã-Bretanha, descobriram um fenômeno interessante: apresentavam a voluntários uma seqüência de filme, na qual um ator articulava a sílaba “ga”, e sincronizavam a cena com o som “ba”; as pessoas informavam posteriormente que não percebiam nem uma nem outra, mas a sílaba “da”! Ambas as informações sensoriais se dissolviam, portanto, em um terceiro som, totalmente novo.

VÁRIAS PEÇAS

Os sentidos de audição e tato também se prestam, por vezes, a alianças enganosas: normalmente, quando esfregamos as palmas de nossas mãos uma na outra, conseguimos avaliar bem a umidade da pele. Mas se, ao fazer isso, ouvimos um forte rumor, a pele parece repentinamente seca; se o ruído perde sua intensidade ou a sonoridade sobe a uma escala mais alta, então as palmas das mãos nos parecem outra vez úmidas.

Tais ilusões mostram que nosso cérebro combina constantemente as informações dos diversos órgãos do sentido, a fim de delinear uma imagem mais ou menos correta do ambiente. Para os pesquisadores da percepção colocam-se duas questões: como os sentidos se fundem no cérebro e onde ocorre esse processo?
Em princípio, várias possibilidades são presumíveis.
Número 1: cada sistema neurossensorial analisa seus estímulos, inicialmente sozinho, e produz uma “imagem” pronta do ambiente. O sistema responsável pela visão, por exemplo, fornece o aspecto de um cão pastor alemão que late atrás de uma cerca branca, ao passo que o aparato auditivo informa simultaneamente o latido e o som de um carro que passa na rua. Somente depois disso as várias impressões sensoriais são integradas e formam uma imagem completa: um cão latindo no jardim em frente à casa.

Número 2: o sistema visual descobre, de início, uma superfície manchada, de tamanho médio, em meio a muito verde. Simultaneamente, o sistema auditivo percebe um ruído alto que se repete ritmicamente, proveniente daquela área. Em seguida, o sistema visual registra que a superfície se modifica sempre que o sistema auditivo informa o ruído. Dessa maneira os diversos sentidos se complementam em frações de segundo, até que seja formada a impressão total do pastor alemão latindo. Nesse caso, a integração sensorial já ocorre em uma fase bastante precoce do processo.
O primeiro modelo concebe os diversos sistemas sensoriais como departamentos isolados, unidos apenas ao final do processo. Já o segundo considera que cada sentido consegue co-interpretar precocemente os objetos percebidos com base em outras informações sensoriais. Entre tais variantes extremas podem-se considerar, naturalmente, tantas etapas intermediárias quantas se queira. O caminho pelo qual o cérebro envereda encontra-se provavelmente em meio a essas duas abordagens. A questão é: onde?

MAIS OXIGÊNIO

Pesquisadores buscam a resposta com o auxílio de procedimentos que mostram imagens, como, por exemplo, a tomografia de ressonância magnética ou a tomografia de spin nuclear. Neste caso, os cientistas se valem do fato de que, carregada de oxigênio, a molécula de hemoglobina tem um comportamento diferente em um forte campo magnético. Trabalhando de maneira bastante intensa, uma região cerebral gasta mais oxigênio do que regiões vizinhas e, por essa razão, tem um suprimento sanguíneo mais forte. A tomografia de ressonância magnética capta esse suprimento diverso, podendo fornecer uma imagem momentânea do cérebro em atividade.

Se as informações sensoriais fossem, de fato, analisadas até o mínimo detalhe, separadamente, por variados sistemas e fossem combinadas somente ao final, deveria haver diversas áreas cerebrais sensoriais que se ocupariam exclusivamente com um único sentido. No outro caso, no qual a combinação ocorre bem cedo, poucas dessas regiões especializadas deveriam bastar. Ambos seriam passíveis de reconhecimento no tomógrafo de spin nuclear.

De fato, nos últimos anos, uma série de estudos com imagens revelou complexa rede de áreas cerebrais que se tornam extremamente ativas especialmente quando dados sensoriais diferentes convergem. Já se sabia que as assim denominadas áreas de associação nos lobos parietal e frontal do córtex cerebral trabalham informações de canais sensoriais diferentes; mas também áreas até então tidas como responsáveis por um único sentido mostraram, nesse ínterim, seus talentos variados: como descrito por Jon Driver, do University College London em 2005, a atividade do córtex visual de pessoas em teste aumenta ao enxergarem um flash bem próximo de sua mão quando os dedos percebem estímulos tácteis adicionais. Esta atividade cerebral elevada só se manifesta, todavia, quando o estímulo visual e o tátil ocorrem simultaneamente e do mesmo lado do corpo.
Da mesma forma, percebemos cada vez menos um ponto de luz a piscar quando a intensidade diminui paulatinamente. Se, porém, ouvirmos um som breve durante o piscar, ainda reconheceremos mesmo o mais fraco luzir. Isso tudo só funciona, entretanto, quando luz e som ocorrem no mesmo momento.

Um caso especialmente interessante ocorre com a percepção da fala: o som das palavras não é transmitido apenas acusticamente, também os movimentos dos lábios guardam informações valiosas. Em 2001, a pesquisadora Gemma Calvert, da Universidade de Oxford, observou que, na percepção dos fonemas, tanto a atividade do sistema auditivo quanto do visual é reforçada quando estímulos acústicos e imagens chegam juntos ao cérebro. A visão dos lábios em movimento influencia precocemente o processamento dos sinais sonoros e também as palavras ouvidas agem sobre a análise visual do movimento da boca. O efeito sinérgico de ouvir e ver surge em regiões cerebrais que até então eram consideradas áreas sensoriais isoladas.

TRABALHO DE EQUIPE

Já a observação da imagem muda de uma pessoa enquanto fala é suficiente para ativar de forma mensurável o córtex auditivo – mesmo quando ela apenas articula palavras sem sentido. Caretas, contudo, não têm efeito sobre essa região cerebral. Isso deixa claro que o córtex auditivo reage de modo bem específico: a integração sensorial de estímulos acústicos e visuais colabora para o processamento da fala.

O segundo modelo, que parte de uma fusão sensorial bastante precoce, parece ser o válido. Medidas de ressonância magnética de alta resolução, que executamos em 2005 no Instituto Max Planck de Cibernética Biológica, em diversas áreas do córtex auditivo de macacos resos, também apontam para esta direção. Esse córtex subdivide-se em diversas unidades (ver quadro nesta página): os impulsos elétricos que produzem ondas sonoras que entram no ouvido interno alcançam o córtex auditivo primário por meio de uma estação intermediária no tálamo. Somente a partir dessa área os estímulos chegam às regiões superiores, que se cingem o córtex auditivo primário como um cinto de poucos milímetros.
Durante nossas experiências, quando fazíamos os animais escutarem ruídos com um fone de ouvido e, simultaneamente, estimulávamos superfícies de suas patas usando uma escova, podíamos mensurar a atividade cerebral crescente – a parte posterior do córtex auditivo secundário apresentava movimento. Aqui parece encontrar-se, portanto, o local da integração sensorial.

Exatamente por que razão essas regiões fundem as informações dos sentidos não sabemos ainda. Mas já se afigura a possibilidade de a parte posterior do córtex auditivo ser especializada em captar informações espaciais – quer dizer, reconhecer de onde um ruído vem. Assim, essa fusão sensorial poderia colaborar com a ordenação de diferentes impressões de sentido para a mesma origem espacial.

Uma conclusão parece admissível: a integração sensorial se dá em áreas auditivas superiores. Dessa forma, ocorre de modo bastante precoce, mas não tanto quanto teoricamente seria possível. O primeiro modelo, que partia de um processamento separado das impressões sensoriais, simplesmente mostra-se falso. O segundo, com sua suposição de uma fusão de sentidos, pode sugerir certo exagero, mas parece corresponder melhor à realidade.

Ao que tudo indica, pelo menos uma grande parte de nosso cérebro está ocupada em combinar entre si informações de diversos sentidos. Comparativamente, uma área cerebral quase ínfima se ocupa exclusivamente de um único sentido.

Fonte: Christoph Kayser – Revista Mente e Cérebro

GESTÃO E CARREIRA

Inteligencia relacional

INTELIGÊNCIA RELACIONAL

A habilidade de mobilizar pessoas e recursos em prol de um objetivo comum potencializa a criatividade, a inovação e a geração de resultados acima da média. Conheça a competência mais revolucionária desde a descoberta da inteligência emocional
Um segundo parece pouco tempo, mas, na internet, nesse intervalo quase 67.000 pesquisas são feitas no Google, mais de 7.000 tuites são postados, 69.000 vídeos são vistos no Youtube e 2,5 milhões de e-mails são enviados, segundo informações da Live Stats, empresa que monitora o uso da web em todo o mundo. Os números são impressionantes e exemplificam um marco histórico do mundo contemporâneo: pela primeira vez, bilhões de pessoas, de todos os países e classes sociais, estão conectadas. Mas esses dados grandiosos podem deixar uma falsa impressão – a de que a maior parte da população mundial domina, com maestria, a arte de construir relacionamentos consistentes, de mobilizar parceiros e recursos e, consequentemente, realizar grandes projetos. Não é bem assim.
Na vida real, as pessoas ainda sofrem para criar laços que realmente valham a pena – a chamada “inteligência relacional”. O termo foi cunhado pelas pesquisadoras Erica Dhawan e Saj-Nicole Joni, especialistas em liderança e carreira, que escreveram juntas o livro Get Big Things Done: the Power of Connectional Intelligence (“Faça grandes coisas: o poder da inteligência relacional”, numa tradução livre, ainda sem edição no Brasil) e acreditam que, nos próximos anos, a habilidade será tão importante e revolucionária quanto foi a inteligência emocional no passado. Essa nova inteligência é uma espécie de “networking objetivo”, que se vale dos relacionamentos para gerar inovação, aprender e alcançar resultados com mais rapidez e qualidade. “É uma das habilidades mais importantes do século 21, pois une sabedoria, informação e dados para resolver problemas em todas as áreas”, diz Homero Reis, coach e autor de Gente Inteligente Se Olha no Espelho.
Um bom exemplo vem dos desportistas de alto nível, como os medalhistas olímpicos Michael Phelps, da natação, ou Usain Bolt, do atletismo, que se cercam de uma cadeia de profissionais, como técnicos, consultores e médicos, que os ajudam a desenvolver ao máximo suas competências. Ter um staff desse tipo foi crucial para que eles alcançassem seus recordes. “O sucesso requer trabalho em equipe, influência e compartilhamento de uma visão comum”, afirma Homero. O importante é cultivar bem sua rede e entender que quantidade não é qualidade. “Vale mais ter, na sua rede, uma pessoa influente da área em que você trabalha a centenas de pessoas de outros setores que não têm esse poder”, diz Erica Dhawan.

NA CONVERSA
A inteligência relacional pode ser usada das formais mais diversas – e mais simples. Em uma multinacional de auditoria, por exemplo, a consultoria de Erica Dhawan propôs uma mudança fácil de ser implantada e muito eficaz para melhorar os processos: uma plataforma em que os funcionários pudessem classificar os colegas indicando em que eles eram bons – mesmo que aquilo não fizesse parte de seu escopo de trabalho. Um analista de marketing, por exemplo, poderia ter em suas tags o domínio da língua espanhola. Assim, um funcionário que tivesse dificuldade de se comunicar com profissionais do escritório da Espanha saberia exatamente a quem recorrer sem precisar mandar uma dúzia de e-mails. “Transformamos uma plataforma que já existia numa versão mais inteligente para conectar pessoas”, diz Erica.
A comunicação é o primeiro ponto a que você deve se dedicar para desenvolver a competência. “Tudo o que você faz em sua vida é conversa. Primeiro você conversa e contratos são firmados, decisões são tomadas. Portanto, saber procurar e estabelecer padrões de relacionamento com base em nossas conversas é essencial”, diz Homero.

PODER DEC CONEXÃO
Segundo a pesquisadora Erica Dhawan, a inteligência relacional é composta de cinco atitudes básicas. A seguir, como descobrir se você já tem essa competência.

Atitude 1 – CURIOSIDADE
Eu procuro explorar diversos ângulos de um problema em busca de novas perspectivas?

Atitude 2 – COMBINAÇÃO
Eu costumo reunir diferentes ideias, recursos e produtos e combiná-los para criar novos conceitos?

Atitude 3 – COMUNIDADE
Como é minha relação com a minha comunidade? Eu poderia me conectar com mais e diferentes pessoas para desenvolver novas ideias?

Atitude 4 – CORAGEM
Eu fujo de conversas difíceis ou procuro encorajar esse comportamento em minha equipe?

Atitude 5 -COMBUSTÃO
Eu tenho mobilizado e encorajado minhas redes a pensar diferente também?

LAZER E NEGÓCIOS
A base da inteligência relacional é o networking, palavra que incomoda muita gente, principalmente os mais introvertidos. Mas construir uma rede sólida de relacionamentos não precisa ser algo forçado – você pode criar laços produtivos para o negócio por meio de afinidades pessoais. Identificar as oportunidades futuras é o pulo do gato de quem tem inteligência relacional. Esse foi o caso do britânico Greg Kelly, de 31 anos, no Brasil desde 2014, e do americano Brian Begnoche, de 33 anos, que se mudou para o Rio de Janeiro em 2008. A dupla se conheceu há três anos. O contexto não tinha a ver com negócios: os dois jogavam rúgbi e acabaram praticando o esporte juntos em uma praia no Rio. “Entre jogadas e conversas, tivemos a ideia de fundar a EqSeed, uma plataforma de financiamento colaborativo que conecta startups a investidores, porque nós dois queríamos contribuir com o ecossistema de startups do país”, diz Brian. No esporte, a dupla encontrou o valor da companhia: a ética. “Já analisamos mais de 900 empresas e selecionamos cinco. A régua é alta porque queremos pessoas que tenham a cultura daquilo que o esporte tem de melhor: o trabalho em equipe, a ética e o respeito”, diz Greg.
Quando há pontos em comum, como foi o caso de Greg e Brian, o relacionamento pode fluir mais facilmente, pois já existe um alinhamento natural. O segredo é compreender que as possibilidades de negócios estão em todos os lugares. “Sua chance de ter sucesso com um novo contato é maior se você procurar assuntos em comum”, diz Patricia Epperlein, da STATO, consultoria de recrutamento de executivo, de São Paulo.

NÃO EXAGERE NA DOSE
Os cuidados que você deve tomar para ter relacionamentos mais inteligentes

ATENÇÃO COM O QUE É DITO
Inteligência relacional não é sobre ser introvertido ou extrovertido, mas sobre a qualidade da relação.

QUESTIONE NA MEDIDA
Pensar em formas diferentes de fazer as coisas é bom, mas buscar disrupção pela antagonização pode prejudicar o clima de trabalho

ADAPTE-SE SEMPRE
Estudar o ambiente, a cultura e saber se comportar dentro desse meio é essencial para não acabar “expelido”

RETRIBUA
Não use sua rede de relacionamentos só para pedir, pedir, pedir. É importante contribuir de alguma forma

NÃO FIQUE SÓ NO VIRTUAL
As redes sociais e a internet facilitaram as conexões, mas conhecer uma pessoa ao vivo e apertar sua mão aumenta a chance de ela se lembrar de você

FONTE: PATRICIA EPPERLEIN, DA CONSULTORIA DE CARREIRA E RECOLOCAÇÃO STATO

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Reconciliados com Deus

Você já se reconciliou com Deus? Esta é uma pergunta da máxima importância. Sua salvação ou perdição descansa inteiramente nesta questão. Que grande é sua bênção seja se reconciliou com Deus! Já passou da morte para a vida a fim de gozar da bênção que Deus preparou para você no Senhor Jesus. Mas quão lamentável e precária é sua situação se ainda não se reconciliou com Deus! Quão terrível é ter a ira dele sempre pairando sobre sua cabeça! É preciso que você responda, com honestidade, a esta pergunta: já se reconciliou com Deus?

Não seja descuidado ou tolo. Ou você já se reconciliou com Deus ou está em inimizade com ele; não há posição neutra. Se ainda não se achegou a ele mediante a morte do Senhor Jesus, então é seu inimigo, pois o mundo é inimigo de Deus. Ser inimigo de Deus não necessariamente significa que você há de levar sua rebeldia até ao céu; simplesmente quer dizer que você pratica as coisas segundo a carne por preocupar-se apenas com suas paixões e lascívia e não com o que Deus requer de você. A Bíblia declara que “o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Romanos 8:7). Inimigos de Deus não são apenas os que têm o coração e mente voltados contra Deus; são também aqueles cujo pendor é para a carne.

Pode ser que, em verdade, você aprove a religião, pode até verdadeiramente admirar a Cristo, pode até ter ajudado, com frequência, a igreja — todas estas coisas podem ser muito boas; não obstante, não há provas de que você não seja inimigo de Deus. É preciso que você compreenda que segundo a Palavra de Deus, todo aquele que pende para as coisas da carne está em inimizade contra ele. Pender para carne é rebelar-se contra a lei de Deus. Ora, a palavra “pendor” parece, a princípio, tão inocente e casual: pode ser que você não se engaje em um ato externo de rebeldia contra Deus, você pode apenas ter pendor para ele nos recessos ocultos e secretos do coração. Contudo, basta isso para se estar em inimizade contra ele e em rebeldia à sua lei!

O homem não somente não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo -pode estar: não possui o poder e a força para tanto. Isso demonstra a privação completa da natureza humana! Você sabe que a natureza humana é corrupta? A lei de Deus, porém, é santa e justa. Pode você guardada? As pessoas, de fato, às vezes consideram a lei de Deus boa e seu mandamento justo e daí o desejarem cumpri-la. Mas qual é o resultado? Não a guardam nem a podem guardar. Conquanto às vezes desejemos cumprir a lei de Deus, descobrimos em nós um poder que nos segura e nos força a pender para a carne em vez de obedecer à lei. A natureza humana é tão corrupta que a esperança de guardar a lei de Deus deve ser abandonada por completo. Não é verdade que muitas vezes as pessoas não desejem viver desregrada e licenciosamente, no entanto afundam-se nesse lodaçal? E por causa da natureza humana corrupta. Compreendamos que devemos reconhecer nossa corrupção total antes que nos possa vir a salvação de Deus.

Outra prova de que somos inimigos de Deus jaz no fato de que nosso coração ama muito o mundo. Não é verdade que a glória e o louvor do mundo emocionam nosso coração? Encontramos no Novo Testamento esta afirmativa reveladora: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus?” (Tiago 4:4a). Esta é palavra de Deus, não minha. Deus chama de infiéis às pessoas que cometeram o ato do adultério na carne, mas também chama outros por esse nome; pois o significado mais inclusivo aqui é o abraçar uma amizade que não deve ser abraçada. Ora, visto que o mundo crucificou a Cristo, como pode alguém, amigo desse mundo, não ser considerado inimigo de Deus? Será que o mundo e sua atitude jamais mudarão? O mundo hoje é melhor do que o foi no dia de Cristo? Se ele não mudou para melhor, como é que você pode ter comunhão com ele?

Ah, quão lindas são as pessoas do mundo, quão interessantes os seus negócios e quão adoráveis as suas coisas! E por causa das pessoas, dos negócios e das coisas deste mundo, você formou um laço inquebrável com ele. E esta é a própria razão pela qual você se tornou inimigo de Deus. Em verdade, a mente dos que não foram reconciliados com ele nem regenerados está posta nas pessoas, negócios e coisas do mundo dia e noite. Os homens buscam fama, ganho e poder do mundo. Viram os rostos em direção da terra e as costas para o céu. Desprezam as exigências de Deus e estão em inimizade contra ele. Permita-me perguntar-lhe: você já foi lavado com o precioso sangue do Senhor? Se não o foi, e é amigo do mundo, então é inimigo de Deus.

A conduta humana é também prova inegável de ser o homem inimigo de Deus. O que Deus deseja que os homens façam, não fazem; mas o que deseja que não façam, isso fazem. Quem pode contar o número de pecados que os homens cometem dia e noite? Os atos ímpios do corpo traem a inimizade existente no coração: “E a vós outros também que outrora éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas” (Colossenses 1:21). Obras malignas! Pecados! Impureza! São estas as provas infalíveis da inimizade do homem contra Deus. “Não há justo”, declara a Bíblia, “nem sequer um” (Romanos 3:10). Carne alguma ousa apresentar-se justa na presença de Deus, pois ninguém pode ser justificado à vista dele mediante as próprias obras. Todas as obras dos homens são ímpias aos olhos divinos. Embora muitas obras possam ser passáveis aos olhos dos homens, são cheias de defeitos à vista de Deus e, portanto, ainda são consideradas como obras malignas.

As suas obras dão testemunho perante Deus de que você está em inimizade contra ele? Não pense que é melhor do que as outras pessoas; reconheça, antes, que as suas assim chamadas boas obras contêm muitos males, tais como orgulho, fama e auto-satisfação. Portanto, confesse sua situação patética e venha para a confiança no Senhor Jesus Cristo a fim de ser salvo. De outra forma, por causa de sua autojustiça e autocontentamento, morrerá em seus pecados. Possa o Espírito Santo convencê-lo de seus pecados e fazer com que veja sua verdadeira condição. Pois a menos que as pessoas assumam a posição de pecadores e confessem que estão em inimizade contra Deus, não poderão receber sua graça. Como poderá alguém vir à cruz procurando a salvação de Deus se não perceber que não pode agradar-lhe e que sua própria natureza é contra ele? A menos que essa pessoa reconheça sua terrível condição de inimizade contra Deus e as consequências futuras da ira eterna, sua profissão de fé em Cristo não pode ser real.

O que são as pessoas do mundo? Não são elas como o pó? Como insetos? Quão pequeno é o lugar que ocupam no universo! Há, pois, fundamento para a vangloria? Mas Deus, quem é ele? Ele é o Altíssimo, o Soberano incomparável. O céu é o seu trono e a terra o escabelo de seus pés. Portanto, quem, neste século, pode falar de sua grandeza? Como é que homens tão pequenos e inimigos de tão grande Deus, poderão escapar da perdição? Não declara a Bíblia que: “sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3:36)? Por este motivo, não engane a si mesmo pensando possuir algumas boas obras. Sua inimizade contra Deus pode ser fatal. Jamais pense que o ser inimigo dele não tenha consequências. Nada no mundo é mais sério do que isto.

Precisamos lembrar-nos de que Deus amou ao mundo de tal maneira que deseja que todos os homens sejam salvos. Não quer vê-los perecer, nem condená-los por seus pecados. Embora o mundo (e isto inclui você e eu) seja hostil para com ele, ele pacientemente espera. Deus enviou seu Filho unigênito, o Senhor Jesus, a fim de morrer na cruz para que fosse nossa propiciação (satisfação) para a remoção da justa ira de Deus. A penalidade de nossos pecados recaiu sobre ele. Rebelamo-nos contra Deus e segundo nossa própria natureza, pensamentos e desejos merecemos a conseqüência maligna da perdição; mas seu Filho Jesus suportou tudo em nosso lugar. Pois, por nós, ele tomou o lugar de rebeldes e pecadores. E como resultado, o Senhor Jesus clamou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46b). Jesus é o amado Filho de Deus, é seu deleite e está sempre próximo dele. Entretanto, levou nossos pecados, tomou nosso lugar de hostilidade e sofreu a justa ira do juízo de Deus. Até mesmo seu Pai amoroso desamparou-o, pois se fez pecado por nós e morreu por nós de uma vez por todas. Desamparado por seu Pai e por amor a nós, ele, não obstante, alcançou paz e cumpriu a graça. E que graça espantosa é esta!

Portanto, agora podemos usufruir o bem da obra consumada de Cristo. Podemos ser “reconciliados… com Deus, por intermédio da cruz” (Efésios 2:16a). Contudo, não é que tenhamos mudado para melhor, nem que possamos controlar a nós mesmos ou melhorar a nós mesmos — esforços dessa ordem jamais poderão satisfazer o coração de Deus. Não, “por intermédio da cruz” é o único meio suficiente. A obra já foi consumada e nada precisamos acrescentar a ela: “Havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz” (Colossenses 1:20a). O sangue que nosso Senhor Jesus verteu, enquanto sofria na cruz, fala muito mais alto do que o sangue do justo Abel (veja Hebreus 12:24). E assim alcançamos a paz e a salvação consumada por completo em nosso benefício.

Antes que Cristo consumasse a obra da salvação, Deus não podia atrair os homens a si, nem podiam os homens aproximar-se de Deus. Embora Deus amasse ao mundo, os pecados dos homens se interpunham entre Deus e eles. Mas agora o Filho de Deus já morreu. “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19a). O relacionamento entre Deus e o homem agora está mudado. A morte de Cristo, porém, não mudou o coração de Deus, pois ele sempre amou ao mundo; nem a morte de Cristo modificou o coração do homem, pois ainda se encontra no pecado e recusa submeter-se a Deus. Mas graças sejam dadas a Deus, a inimizade entre ele e os homens foi desfeita pela morte de Cristo. Deus julgou o mundo ao julgar a seu Filho, o Senhor Jesus, para que agora ele possa aceitar os homens sem nenhum impedimento.

Podemos ilustrar este ponto da seguinte maneira:

Certo juiz tinha um único filho a quem muito amava. O filho roubou dinheiro do erário público e fugiu. Embora o pai o amasse com ternura, o relacionamento entre ambos havia se alterado.

Qual era seu relacionamento agora? Se o filho fosse preso, o pai já não poderia tratá-lo como alguém inocente. O pai teria de julgá-lo como um criminoso como qualquer outro, como já havia feito com muitos.

Por mais que o pai o amasse, nada podia fazer pelo filho a não ser vender a propriedade da família a fim de pagar pelo furto. Somente então poderia o filho ser livre e o pai recebê-lo de volta sem nenhum impedimento.

Nós, seres humanos, pecamos contra Deus; portanto, merecemos ser julgados e condenados à perdição eterna. Mas Deus amou-nos tanto que se fez homem (o Senhor Jesus é Deus) a fim de sofrer na cruz para que pudesse pagar nossa dívida do pecado e restaurar o relacionamento quebrado entre Deus e os homens. O resultado é que agora Deus pode receber-nos a nós, pecado­res, visto que a paz já foi alcançada entre as duas partes. A salvação ou a perdição da pessoa agora depende de estar ela disposta ou não a aceitar esta paz.

Volto à minha pergunta inicial: Você já se reconciliou com Deus? Você é uma pessoa salva? Já fez as pazes com Deus por intermédio do Senhor Jesus? O caminho da reconciliação divina é que “fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho” (Romanos 5:1, 10a). Você não entra em paz com Deus por meio de suas supostas boas obras.  Embora você possa já pertencer a uma igreja, tendo sido batizado e participado da Ceia do Senhor — ou ter, com frequência ido aos cultos e lido com frequência a Bíblia e orado muitas vezes, ou pode ser que até já tenha convidado outros a crer no Senhor ou ter pregado do púlpito ou dirigido um culto, ainda é pecador perdido e inimigo de Deus, se não se reconciliou com ele por meio da morte do Senhor Jesus, crendo que Cristo morreu, levou seus pecados e realizou a obra da reconciliação.

Se Deus acha que a morte do Senhor Jesus é absolutamente necessária, então tudo o que ficar aquém de sua morte é totalmente inaceitável. Os homens ou se reconciliarão com Deus mediante Jesus Cristo ou continuarão sendo inimigos dele, confiando em suas próprias obras.

Deus já pagou todo o preço da reconciliação. Já realizou a obra da redenção perfeita. O Senhor Jesus alcançou salvação eterna. Agora, apresenta-se-lhe a salvação ou a perdição. Você não pode ser salvo por sua própria justiça e também não precisa perecer por causa de seus pecados. A salvação ou perdição depende de sua disposição em aceitar a salvação que o Senhor Jesus consumou para você.

Deus colocou a cruz do Calvário como a terra de paz para todos os homens. Você, como muitos neste mundo, tem estado em inimizade com ele; entretanto, se neste instante você estiver disposto a desistir de seus pecados e postar-se ao pé da cruz, confiando na paz que Cristo alcançou para você, será salvo. Mas se ainda duvidar e não crer, morrerá em seus pecados. No caso da Guerra Civil a diferença entre os que viveram e os que morreram estava em entrar ou não na área designada de refúgio. Alguns podem ter chegado a poucos metros da terra, e poderiam facilmente ter entrado se tão-somente dessem um passo. Contudo foram mortos porque permaneceram fora da terra. Portanto, não demore mais. Não se perca por deixar de dar um pequeno passo. Confie no Senhor e será salvo. “Quem quiser receba de graça a água da vida” (Apocalipse 22:17d). Por que não o fazer hoje?

Agora, se estiver verdadeiramente disposto a aceitar a paz que o Senhor alcançou, será liberto tanto do pecado como da sua penalidade. Pois a Bíblia declara: “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões” (2 Coríntios 5:19a, b). Além disso, que alegria experimentamos quando não mais estamos debaixo da acusação! — “Mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem acabamos agora de receber a reconciliação” (Romanos 5:11).

Gostaria de perguntar uma vez mais: Você já se reconciliou com Deus? Deve responder sem hesitar. Seu futuro depende de sua resposta hoje. “Somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2 Coríntios 5:20). “E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe [os gentios], e paz também aos que estavam perto [os judeus]” (Efésios 2:17). Possa o Espírito Santo tocar o coração de todo aquele que receber esta mensagem, levando-o a aceitar a Jesus como Senhor e Salvador de sua alma.

Se decidiu aceitar a Jesus como Salvador, ore comigo:

“Ó Senhor, eu era teu inimigo, mas agora estou disposto a crer em ti por causa do amor que manifestaste na cruz e por causa da paz que alcançaste. O Senhor, salva-me, pois sou pecador!”

 

Extraído do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE”, de Watchmann Nee 

GESTÃO E CARREIRA

PROCRASTINAÇÃO: VOU DEIXAR PARA AMANHÃ…

 A tendência à procrastinação tem comprometido a carreira, a saúde e a vida financeira de muita gente; embora a biologia possa ser responsabilizada –  pelo menos em parte – por esse hábito, é possível se livrar dele.

Procrastinação

Um jovem advogado denominado aqui pela inicial de seu primeiro nome, R. era conhecido no escritório por adiar o retomo de importantes ligações de negócios e a assinatura de súmulas legais. O comportamento que a princípio parecia inofensivo passou aos poucos a ameaçar seriamente sua carreira o que o fez buscar a ajuda do psicólogo clínico William Knaus, de Longmeadow, Massachusetts. Ele entregou a R. uma sinopse de duas páginas sobre procrastinação, pediu-lhe que a lesse e “verificasse se a descrição se aplicava”. R. concordou em fazê-lo durante um voo para a Europa. Em vez disto assistiu a um filme. A seguir prometeu que leria na primeira noite no hotel, mas caiu no sono cedo. Depois disto, a cada novo dia surgia algo mais urgente a ser feito. No fim segundo o cálculo de Knaus, o advogado gastou 40 horas adiando uma tarefa que ele completaria em no máximo 15 minutos.

O fato é que quase todo mundo ocasionalmente adia decisões e tarefas. É o que o economista Piers Steel professor da Universidade de Calgary, no Canadá, define como procrastinar voluntariamente uma ação pretendida, apesar de saber que essa atitude lhe trará consequências negativas – que poderia facilmente evitar. Mas é preocupante que, assim como R., cerca de 20% dos adultos adiem rotineiramente atividades que melhor seria se fossem realizadas imediatamente. De acordo com uma pesquisa de 2007, coordenada por Steel, o problema aflige colossais 90% dos universitários, cujos horários acadêmicos lotados e distrações como “festa na república” os colocam em situações de desconforto.

Procrastinar não significa programar deliberadamente tarefas menos cruciais para momentos futuros. O termo é mais adequado para situações em que uma pessoa deixa de seguir essa lógica e acaba adiando as tarefas de maior urgência. Ou seja, se o simples pensamento sobre o trabalho de amanhã provoca um arrepio no pescoço ou a compulsão de fazer algo mais trivial, a pessoa provavelmente estará procrastinando.

O pendor para adiamento cobra seu preço. A procrastinação acarreta perdas financeiras, coloca em risco a saúde, prejudica relacionamentos e põe fim a carreiras. “A procrastinação mina o bem-estar, mas pode haver ganhos secundários recorrentes do mau hábito: os perpetuamente vagarosos parecem obter benefícios emocionais da tática que é sua marca registrada, que sustenta a inclinação humana de evitar o desagradável”, observa o psicólogo Timothy A. Pychyl, diretor do Grupo de Pesquisa de Procrastinação da Universidade Carleton, em Ottawa.

Ao longo da vida, aprendemos a adiar atividades, mas certos traços estruturais da personalidade aumentam a probabilidade de uma pessoa adquirir o hábito. “Procrastinação é uma dança entre o cérebro e a situação”, diz Pychyl. A concepção “natureza versus criação” faz parte de uma nova linha de pesquisa sobre o processo e a prevenção da procrastinação.

 FALTA DE FOCO

Sucumbir às seduções do adiamento pode ser custoso. Especialistas estimam que 40% das pessoas tiveram uma perda financeira por causa da procrastinação, grave em alguns casos, por adiar pagamentos, decisões acerca de investimentos, compras ou vendas. Em 2002, os americanos pagaram US$ 473 milhões a mais em impostos como resultado da pressa e dos erros consequentes. A exiguidade dos fundos para a aposentadoria entre os americanos pode ser, em parte, atribuída ao fato de as pessoas adiarem o momento de separar de lado algum dinheiro. E no Brasil a prática de “deixar para a última hora” é cada vez mais comum.

A procrastinação também pode pôr a saúde em risco: depois de realizar uma triagem para colesterol alto em mais de 19.800 pessoas, a epidemiologista Cynthia Morris e colegas da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon relataram em 1990 que 35% dos que tomaram conhecimento de que tinham colesterol elevado adiaram a consulta com um médico por pelo menos cinco meses. Em 2006, a psicóloga Fuschia Sirois, da Universidade de Windsor, em Ontário, relatou em um estudo com 254 adultos que os procrastinadores tinham níveis mais altos de stress e problemas agudos de saúde, em comparação com indivíduos que concluíam as tarefas no momento oportuno. Os procrastina­ dores também fizeram menos checkups médicos e odontológicos e tiveram mais acidentes domésticos, resultado do adiamento de tarefas monótonas, como a manutenção de utensílios eletroeletrônicos.

A aversão a tarefas é um dos principais gatilhos externos da procrastinação. Quem deixa para fazer depois algo que adora? De acordo com a análise de Steel, metade dos estudantes universitários pesquisados citou a natureza da própria tarefa como o motivo da protelação. Sem dúvida, poucos se entusiasmam com a tarefa de escrever uma dissertação sobre a reprodução dos nematoides ou de limpar o armário. “Procrastinação muitas vezes tem a ver com a falta de projetos em nossa vida que realmente reflitam nossas metas”, diz Pychyl.

Somos mais propensos a nos distrair e a procrastinar quando o prazo parece a entrega de um projeto está distante. O motivo está num fenômeno conhecido como retardo temporal, que significa que quanto mais perto uma pessoa estiver de uma recompensa (ou de uma sensação de realização), mais valiosa parecerá a gratificação e, portanto, menos provável será que ela adie a realização do trabalho necessário para merecê-la. Em outras palavras, gratificação imediata é mais motivadora que os prêmios ou louvo­ res a serem acumulados num futuro distante – o que pode ter forte base evolutiva. O futuro para as pessoas da Idade da Pedra era, na melhor das hipóteses, imprevisível. “Portanto, havia verdade no dito ‘mais vale um pássaro na mão que dois voando’. Em prol da sobrevivência, os seres humanos têm tendência à procrastinação embutida em seu cérebro”, diz Pychyl.

Em 2004, o neurocientista Barry Richmond e colegas do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos relataram a descoberta de uma base biológica dessa tendência. Primeiro, a equipe treino u macacos a soltar uma alavanca sempre que um ponto vermelho na tela do computador se tornasse verde. Quando as cobaias continuavam a soltar corretamente a alavanca, o brilho de uma barra cinza aumentava, deixando que os animais soubessem que estavam se aproximando de uma recompensa, uma guloseima. Assim como os procrastinadores humanos, os animais eram relaxados durante as primeiras etapas do experimento, cometendo muitos erros. Mas quando o saboroso prêmio ficou mais próximo, os animais permaneceram na tarefa e cometeram menos equívocos.

Os pesquisadores levantaram a hipótese de que o neurotransmissor dopamina, um dos responsáveis pela sensação de recompensa, poderia estar na base desse comportamento. Trabalhando com Richmond, o geneticista molecular Edward Ginns utilizou um engodo molecular chamado DNA antissentido para impedir parcialmente a produção de um receptor de dopamina na região do cérebro dos macacos chamada córtex rinal, que associa indícios visuais com recompensa. A intervenção diminuiu os efeitos da dopamina até o ponto em que os animais não conseguiam mais prever em que momento do experimento teriam a guloseima. Assim, eles reforçaram as apostas, trabalhando duramente o tempo todo.

Mas nem todos os macacos com respostas diminuídas de dopamina se comportaram da mesma maneira. Alguns permaneceram sossegados depois do tratamento que reprimia a dopamina, empenhando-se pouco, mesmo quando o tempo até a recompensa diminuiu. Essa observação nos alerta sobre as características individuais da procrastinação: alguns de nós somos mais propensos a ela.

No final do século XX, alguns psicólogos começaram a estudar cinco grandes traços que se combinam para descrever a personalidade: conscienciosidade, afabilidade, neuroticismo, abertura a experiências e extroversão. De acordo com Steel, o grau em que uma pessoa exibe cada um desses traços ajuda a determinar a inclinação desse indivíduo à procrastinação.

A característica mais fortemente ligada à procrastinação é a conscienciosidade – ou a falta dela. Uma pessoa altamente conscienciosa é zelosa, organizada e diligente. Portanto, alguém que não apresente esse traço tem alta probabilidade de procrastinar. “Impulsivos também são proteladores em potencial. Não conseguem proteger uma intenção da outra, portanto, distraem-se à toa com as tentações – digamos, a oferta de uma cerveja – que surgem repentinamente no meio de um projeto, como redigir um trabalho de fim de se mestre”, diz Pychyl.

FÓRMULA DO ADIAMENTO

A procrastinação também se origina da ansiedade, uma ramificação do neuroticismo. Muitas vezes, procrastinadores protelam por medo do fracasso, receio de cometer um erro ou de não lidar bem com o sucesso. Estes traços de personalidade entram em cena em situações particulares, em combinação com o ambiente. Os pesquisadores agora estão tentando capturar a interação natureza-criação para unificar as teorias existentes da procrastinação e predizer quem tem propensão ao adiamento de tarefas importantes e em quais circunstâncias. Steel desenvolveu uma fórmula matemática que define “utilidade 11 ou seja, quão desejável uma tarefa é para um indivíduo. Para determinar a utilidade de uma tarefa e, portanto, a probabilidade de uma pessoa realizá-la imediatamente, Steel reúne quatro fatores básicos, expectativa (E), valor (V), retardo até a recompensa ou punição (D) e sensibilidade pessoal ao retardo (f), na seguinte equação:

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Quando uma pessoa espera se sair bem numa atividade ou valoriza essa tarefa, é mais propensa a fazê-la. Logo, um número maior para expectativa ou valor aumentará a utilidade. Por outro lado, se uma recompensa ou punição se situar muito longe no futuro ou se uma pessoa for particularmente “sensível”, implicando distraível, impulsiva ou com falta de autocontrole, ela será bem menos propensa a fazer a tarefa, pelo menos a tempo.

Vários cientistas discordam da ideia de que um comportamento humano complexo possa ser definido por uma fórmula matemática. “Isto nos leva a acreditar que, se eu colocar números ali eu poderia lhe dizer o que você estará fazendo na próxima sexta-feira”, explica Pychyl. Mesmo assim, a equação de Steel é uma tentativa inicial de unificar várias teorias motivacionais e psicológicas da procrastinação e de dar um arca­ bouço para futuras pesquisas.

Em lugar de quantificar os traços de personalidade e resolver fórmulas, alguns pesquisadores preferem “extrair” a psicologia por trás do comportamento. Dois elementos importantes no desejo de deixar que os projetos desmoronem são a sensação de desconforto com uma atividade e o desejo de evitá-lo. “Um procrastinador diz, ‘eu me sinto horrível com uma tarefa’, e, portanto, me afasto para me sentir melhor”, explica Pychyl. O psicólogo Joseph Ferrari, da Universidade De Paul, cunhou a expressão “procrastinador por esquiva” para descrever aquele em quem a evitação é a principal motivadora.

Outro propulsor psicológico da protelação é a indecisão. Digamos que uma mulher pretende visitar uma amiga no hospital. Em lugar de simplesmente apanhar as chaves e sair, a procrastinadora indecisa começa a debater internamente se irá de carro ou pegará o metrô. A dúvida pode continuar até que passe tempo bastante para que o horário de visita se encerre.

Uma terceira explicação muitas vezes citada para um atraso irracional é o estado de excitação. O “procrastinador pela excitação” jura que trabalha melhor sob pressão e precisa da adrenalina do último minuto para dar a partida. Essa pessoa acredita que a protelação propicia uma experiência que o psicólogo Mihaly Csíkszentmihályi, da Escola Orucker de Administração da Universidade de Pós-Graduação de Claremont, define como se perder na atividade. Nesse momento, é como se o tempo desaparecesse e o ego se dissolvesse.

Mas procrastinação não facilita o fluxo, de acordo com o cientista social Eunju Lee, da Universidade Halla, da Coreia do Sul. Em 2005, ele relatou uma pesquisa com 262 estudantes e descobriu que os procrastinadores tendiam a ter menos, e não mais desse tipo de experiência. Afinal, uma pessoa precisa conseguir se libertar de si própria para “se perder” dentro de uma experiência, e os procrastinadores geralmente têm dificuldade em fazê-lo.

Pychyl e seu aluno de pós-graduação Kyle Simpson mediram os traços associados à excitação, entre os quais a busca de emoções e a extroversão, em estudantes que frequentemente procrastinavam. Na tese de doutorado de Simpson, ele e Pychyl mostram que nenhuma dessas qualidades explicava o desperdício de tempo que os estudantes relatavam. Portanto, provavelmente, os procrastinadores não estão realmente precisando de excitação, mas usam a crença de que precisam da pressão do último minuto para justificar o fato de estarem se arrastando vagarosamente, quando, na verdade, tentam contornar o desprazer. Outros, protelam estrategicamente os projetos como desculpa para um eventual mau desempenho. Dizem a si mesmos ou aos outros que poderiam ter se saído melhor se tivessem começado antes. Tal estratégia pode, em alguns casos, servir de escudo para um ego frágil.

 TRUQUES DO OFÍCIO

Procrastinação nem sempre é prejudicial. Em uma pesquisa de 2007 com 67 universitários, que se reconheciam como “adiadores” de tarefas, o psicólogo Gregory Schraw, da Universidade de Nevada, Las Vegas, e colegas aprenderam que esses estudantes tinham encontrado maneiras criativas de usar o mau hábito a seu favor. Muitos deles, por exemplo, só escolhiam cursos nos quais o professor oferecia um sumário detalhado, em lugar de um esboço grosseiro, dos trabalhos a serem entregues. Essa especificidade permitia adiamentos “planejados”: os estudantes poderiam programar como prorrogar a execução da tarefa e, desta forma, se dar ao luxo de ter o máximo de tempo para atividades mais atraentes.

Para lidar com a culpa e a ansiedade acarretadas pela espera até o último minuto, alguns jovens adquiriam logo todos os livros necessários para a realização do trabalho – e os punham numa prateleira. Os estudantes diziam que, quando faziam isso, era como se “colocassem na prateleira” os incômodos pensamentos sobre a tarefa. Também se desviavam da culpa, dizendo a si próprios: pelo menos providenciei os livros. Só 48 horas antes do prazo para a entrega do projeto o procrastinador passava a produzir freneticamente para conseguir terminar a tarefa. Consequentemente, os estudantes faziam o máximo num tempo mínimo – com um mínimo de dor.

Portanto, embora esses alunos estivessem adiando o trabalho por mais tempo do que deveriam, ainda assim conseguiam terminar a tarefa e, ao mesmo tempo, manter a sanidade. Schraw enfatiza que seu estudo não pretende defender a procrastinação, mas destacar que a prática é capaz de engendrar algumas aptidões úteis para a sobrevivência, como planejamento tático, para realizar uma tarefa em tempo limitado e com o mínimo de tensão. “A moral da história é que as pessoas protelam na tentativa de ter uma vida mental melhor”, diz Schraw.

 HORA MARCADA

Mas nem todos os especialistas concordam com ele. De fato, a análise de Steel sugere que 95% dos procrastinadores gostariam de mudar essa característica, mas não conseguem. “Hábitos são processos cerebrais não conscientes. Quando a procrastinação se torna crônica, uma pessoa está essencialmente andando em piloto automático”, diz Pychyl.

Alguns especialistas sugerem substituir o reflexo de protelação pelas prescrições de ação cronologicamente determinadas. O psicólogo Peter Gollwitzer, das Universidades de Nova York e de Konstanz, Alemanha, aconselha a criação de “intenções de implementação”, que especificam onde e quando uma pessoa exibirá determinado comportamento. Então, em vez de colocar uma meta vaga como “vou ficar saudável”, ela define uma estratégia, inclusive cronológica, embutida: digamos, vou encaminhar amanhã, às 7h30″, por exemplo, ou “a partir de hoje deixo de comer carne vermelha”.

 PRAZOS PRÓPRIOS

A definição de prescrições tão específicas parece realmente inibir a tendência de procrastinar. Em 2008, o psicólogo Shane Owens e colegas da Universidade Hofstra demonstraram que procrastinadores que produziam intenções de implementação eram oito vezes mais propensos a cumprir uma intenção do que aqueles que não usavam esse recurso. ‘Você precisa criar, de antemão, um compromisso específico com uma hora e lugar em que você agirá. Isto o tomará mais propenso a ir até o fim”, diz Owens.

Um cronograma inteligente também pode frustrar a procrastinação. Em um experimento de 2002, o economista comportamental da Universidade Duke, Dan Ariely, que na época era do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e o professor de marketing Klaus Wenenbroch, da lnsead, uma escola de administração com campi na França e Cingapura, pediram a alunos de um curso para executivos que determinassem seus próprios prazos para a entrega de três monografias naquele se mestre. Ariely e Wertenbroch estabeleceram punições, impostas para aqueles que se atrasassem. Entre os estudantes, 70% escolheram datas de entrega espaçadas ao longo do semestre, em vez que agrupá-las no final do curso. O curioso foi que aqueles que definiram prazos menores se saíram melhor, em média, que os frequentadores de um curso similar, no qual Ariely definiu uma única data para os três artigos no final do semestre. Tal planejamento pode neutralizar a inclinação para adiar o trabalho.

Pychyl aconselha os procrastina­ dores a “simplesmente dar a partida”. Frequentemente, a expectativa de realizar a tarefa se revela muito pior do que a realização em si. Para demonstrar este fato, o grupo dele, num trabalho publicado em 2000, deu pagers a 45 estudantes e entrou em contato com os voluntários 40 vezes num intervalo de cinco dias para perguntar sobre o seu humor e com que frequência estavam adiando uma tarefa que tinham prazo para cumprir. “Verificamos que, quando os voluntários realmente fazem a tarefa que estão evitando, as percepções que têm da atividade mudam significativamente. Muitos deles realmente gostaram de fazê-la.”

PARA NÃO PASSAR FOME

Para pessoas que viviam em comunidades agrárias, há vários séculos, o plantio tardio poderia significar inanição. Nossos ancestrais, entre eles o poeta grego Hesíodo, em 800 a.c., equipararam a procrastinação ao pecado e à preguiça. A revolução industrial pode ter facilitado a prática de adiar tarefas importantes. O avanço técnico traz alguma proteção contra as forças das tempestades e a fome, bem como um aumento no tempo de lazer, dos bens de consumo e do número de possíveis alternativas de atividade. A sociedade contemporânea oferece uma fartura de distrações, entre as quais jogos de computador, televisão e mensagens eletrônicas – para não mencionar carros e aviões que nos levam até mais coisas para ver e fazer – atraindo-nos para longe das obrigações.

 

A AUTORA

TRISHA GURA é Ph.D. em biologia molecular, jornalista científica e autora de Lying i weight: the hidden epidemie of eating disorders in adult women (HarperCollins, 2007).

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A ÉTICA DO CACHORRO – O QUE ENSINAMOS E APRENDEMOS COM ELES

Quando eles se comportam mal ou acidentalmente machucam um companheiro de brincadeiras, logo procuram se desculpar, exatamente como faria um ser humano bem- educado.

A ética do cachorro

Todos que convivem com cães sabem: eles aprendem as regras da casa que os acolhe e quando quebram alguma norma expressam fisicamente o arrependimento alguns se escondem e cobrem os olhos, outros se abaixam ou arrastam-se pelo chão, num gesto geralmente gracioso o bastante para garantir o rápido perdão dos donos. Porém, poucas pessoas param para se perguntar por que esses animais têm um senso tão aguçado de certo e errado. Estudos recentes mostram que canídeos (animais da família dos cachorros, como raposas e lobos) seguem um código estrito de conduta ao brincar, ensinando aos filhotes as regras de engajamento social que permitem a manutenção de sociedades bem-sucedidas.

Os chimpanzés e os outros primatas que não o ser humano são notícia nos jornais quando os pesquisadores, usando a lógica, procuram nesses parentes mais próximos do homem traços semelhantes aos nossos – e descobrem evidências de seu senso de justiça. Nosso trabalho, entretanto, sugere que as sociedades canídeas selvagens podem ser as melhores análogas aos grupos de hominídeos primitivos: ao estudarmos cachorros, lobos e coiotes descobrimos comportamentos que nos remetem às raízes dos valores éticos humanos.
Podemos definir a moralidade como um conjunto de comportamentos inter-relacionados em deferência aos outros, que tem por finalidade desenvolver e regular as interações entre os indivíduos. Atitudes como altruísmo, tolerância, disponibilidade para o perdão e a empatia, bem como a noção de justiça, ficam evidenciadas rapidamente na forma igualitária com que os animais da família dos cachorros brincam entre si. Nessas situações, os lobos e os coiotes adultos, por exemplo, seguem um código estrito de conduta.

A brincadeira também tem a função de ajudar a construir a relação de confiança entre os membros da matilha, permitindo divisões de trabalho, hierarquias de domínio e cooperação na caça, na criação dos mais novos e na defesa de comida e de território. Essa estrutura lembra muito a dos homens primitivos, e a observação de suas brincadeiras pode oferecer um vislumbre do código moral que permitiu o desenvolvimento das sociedades ancestrais.

Quando os canídeos e os outros animais se divertem juntos adotam comportamentos como morder com força, montar em cima do outro, chocar os corpos – ações que podem ser facilmente interpretadas de forma equivocada pelos participantes. Porém, anos de análises feitas por um de nós (Bekoff) mostraram que esses indivíduos negociam cuidadosamente a brincadeira, seguindo quatro regras gerais para impedir que a atividade lúdica se transforme em briga.

 

A comunicação deve ser clara.

Os animais anunciam que querem brincar e não lutar ou acasalar. Os canídeos abaixam a cabeça para indicar essa intenção, engatinham sobre as patas dianteiras, apoiando-se nelas, enquanto as pernas traseiras continuam eretas. Os acenos são usados quase que exclusivamente durante a brincadeira e são altamente estereotipados, ou seja, sempre parecem os mesmos (para que o recado “Venha brincar comigo” ou “Ainda quero brincar” fique bem claro). Mesmo quando um animal sinaliza a predisposição para brincar com uma inclinação da cabeça e prossegue com ações aparentemente agressivas, como mostrar os dentes, rosnar ou morder, seus companheiros demonstram submissão ou fuga apenas em 15% dos casos, sugerindo que eles confiam no recado de que qualquer coisa que se siga não será arriscada. A confiança na comunicação honesta do outro é essencial para o bom funcionamento do grupo.

 

Cuidado com os modos.

Os animais tendem a considerar as aptidões lúdicas de seus companheiros e se engajam na tarefa de dar vantagens ao mais fraco e na troca de papéis para criar e manter igualdade de condições durante a interação. Por exemplo, um coiote talvez não morda seu companheiro de brincadeira tão forte quanto seria capaz, na tentativa de equilibrar a situação para manter o jogo justo. Um membro dominante da matilha pode desempenhar uma troca de lugar, deitando-se de costas (sinal de submissão que nunca seria oferecida durante uma agressão efetiva) para deixar seu companheiro de status inferior ter a sua vez de “vencer”.

As crianças também se comportam dessa forma ao brincar, por exemplo, intercalando os papéis de vencedores numa simulação de luta. Ao manterem as coisas justas dessa forma, todos os membros do grupo se aproximam uns dos outros, participam de atividades descontraídas e, ao mesmo tempo, constroem laços – o que faz com que o grupo permaneça coeso e forte.

 

Admita quando estiver errado.

Mesmo quando todos querem manter as coisas certas, a brincadeira às vezes desanda. Quando um animal se comporta mal, exagera na animação e acidentalmente machuca seu companheiro, ele se desculpa, exatamente da mesma forma como a maioria dos seres humanos faria em situação similar. Após uma mordida mais forte, um aceno de cabeça envia o “recado”, como se afirmasse: “Desculpe pela minha atitude, mas ainda é uma brincadeira, apesar do que fiz. Não vá embora; vou brincar de forma mais respeitosa”. Para a brincadeira continuar o indivíduo que sofre a ofensa deve aceitar as desculpas – e isso de fato ocorre na maioria das vezes. A compreensão e a tolerância surgem durante o “jogo”, assim como em outras situações da vida rotineira da matilha, como no momento da caça ou da divisão de alimentos.

 

Seja honesto. 

Tanto um pedido de desculpa como um convite para brincar devem ser sinceros; os indivíduos que continuam a brincar de forma desleal ou a enviar sinais desonestos rapidamente serão excluídos pelo grupo. E isso traz consequências bem mais graves que a simples redução do tempo de diversão. A extensa pesquisa de campo de um dos autores (Bekoff) mostra, por exemplo, que os coiotes jovens que não brincam de forma adequada com frequência acabam deixando sua matilha e têm probabilidade quatro vezes maior de morrer que os indivíduos que permanecem com os outros.

Do ponto de vista evolutivo, a violação de regras sociais estabelecidas durante as brincadeiras não faz bem para a perpetuação dos genes. O jogo honesto e divertido para todos pode ser entendido como uma adaptação evoluída que permite aos indivíduos formar e manter os vínculos sociais. Assim como acontece com os humanos, os canídeos formam intrincadas redes de relacionamentos, desenvolvem normas básicas da justiça que guiam o jogo social entre semelhantes e se apoiam em regras de conduta capazes de manter a sociedade estável. Em última instância, o objetivo é garantir a sobrevivência de cada indivíduo. Essa inteligência moral é evidente tanto em animais selvagens quanto em cães domesticados. É bem possível que tal noção de certo e errado tenha permitido às sociedades humanas florescer e se espalhar pelo mundo. Pena que o homem moderno às vezes se esqueça de procedimentos simples e eficazes, como ser claro, cuidadoso, humilde e sincero. Talvez seja hora de voltarmos a aprender algumas lições com nossos amigos de estimação.

 

No lugar do terapeuta

Ao longo dos séculos, os animais sempre estiveram próximos do homem participando de atividades de caça, tração, locomoção, pastoreio, guarda e companhia. Esses vínculos com bichos de estimação transformaram tanto o estilo de vida das pessoas quanto os hábitos dos bichos (embora na maior parte das vezes eles sejam vítimas do ser humano). Nas últimas décadas, porém, surgiu um dado novo: o crescente interesse científico pelo estudo do potencial terapêutico dessa interação. Várias possibilidades de intervenção com a participação de animais têm aberto perspectivas de uso de recursos terapêuticos auxiliares para os profissionais da saúde e da educação. Atualmente, muitos reconhecem que em geral os cães reúnem características que facilitam a aproximação com pacientes, como disponibilidade para oferecer carinho, o que desperta o afeto nos seres humanos e instiga o desejo de cuidar do outro – ainda que esse outro seja um cão.
O primeiro relato da participação de animais em tratamento de saúde na sociedade ocidental contemporânea é do final do século XVIII, na Inglaterra. O Retiro de York, instituição psiquiátrica que empregava métodos terapêuticos considerados mais humanos para a época, mantinha coelhos, gaivotas, falcões e aves domésticas nos pátios e jardins frequentados pelos pacientes. Essas criaturas eram, geralmente, muito familiares, e acredita-se que, muito mais que um prazer inocente, despertavam sentimentos de sociabilidade e benevolência nos internos.
No século XIX houve um grande crescimento da participação de animais nas instituições mentais de vários países. Mais tarde, quando os primeiros textos científicos começaram a ser publicados, tal prática já não era tão rara. Em 1944, James Bossard escreveu um artigo sobre o papel dos animais domésticos na família, em especial para crianças pequenas. Mas foi na década de 60 que o psicólogo americano Boris M. Levinson iniciou uma série de estudos de situações clínicas nas quais a presença do animal era fundamental no processo terapêutico. Um cachorro, por exemplo, poderia satisfazer a necessidade humana de lealdade, confiança e obediência. A relação da criança com o animal permite nuances num nível intermediário, que diferem das interações estabelecidas com pessoas e objetos inanimados.
Afinal, ainda nos primeiros anos é possível perceber que brinquedos não podem dividir sentimentos, pois não são vivos, não crescem nem respondem. Segundo Levinson, “diferentemente da relação que estabelece com a boneca, a criança pode conceber o animal como parte de si mesma, de sua família, capaz de passar pelas mesmas experiências que vive”. Esse relacionamento oferece aos pequenos a possibilidade de se expressar com mais liberdade.
Posteriormente aos estudos de Levinson, merecem destaque as pesquisas dos psiquiatras Samuel e Elizabeth Corson. Na década de 80, eles usaram cães na psicoterapia em instituições psiquiátricas. A experiência foi realizada com 50 pacientes com alto grau de introversão que não respondiam ao tratamento convencional e relutavam em estabelecer contatos. Apenas três deles não apresentaram melhoras em seu estado clínico. Os demais desenvolveram, gradualmente, desejo de independência, sentimentos de autoestima e senso de responsabilidade. (Por Sabine Althussen, mestre em psicologia clínica pela USP)

 

Fonte: Revista Mente e Cérebro

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Pode a Moralidade Salvar-nos?

Pode a moralidade salvar-nos? A resposta do mundo a esta pergunta é: “Sim”; mas a resposta de Deus, mediante a Bíblia é um grande e enfático “Não!” O poder de nossa salvação está nas mãos de Deus e não em nosso pensamento, pois nossa salvação tem origem nele; não é algo que nós mesmos arbitrariamente possamos decidir. Neste assunto precisamos ouvir a voz de Deus. Precisamos ouvir o que ele tem a dizer e não imaginar que nossas obras nos salvarão. Devemos compreender claramente que o assunto da salvação é determinado por Deus e por ele somente.

Bem-aventurado é o homem que reconhece que a moralidade não o pode salvar de modo nenhum! Hoje em dia as pessoas geralmente vêm a ideia de alguém pregando-lhes acerca de “crer em Jesus” como uma tentativa em persuadi-las a praticar o bem. Entretanto, o próprio conceito de persuasão demonstra o fato de que o homem não pode fazer o bem. Mesmo muitos crentes não compreendem por completo que as boas obras não podem salvá-los. Pensam que se fizerem o melhor que puderem a fim de conservar a fé, frequentarem a igreja, contribuírem com seu dinheiro e ajudarem nas atividades da igreja — isto é, se procurarem fazer o melhor em realizar o bem — que Deus se agradará deles e que os salvará. Entretanto, como ignoram eles o vazio de todas estas coisas! Pois no caso da salvação, estas coisas não ajudarão nem um pouco! (Não quero dizer aqui que não devemos conservar a verdade, e assim por diante. Digo apenas que não seremos salvos por meio dessas coisas.)

É vão arrazoar e argumentar com palavras humanas. Ouçamos, antes, a Palavra de Deus. O que Deus diz a respeito de um assunto, é a solução.

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Romanos 3:28). A frase “obras da lei” significa a prática do bem. Ora, a lei é estabelecida por Deus e define o que o homem deve fazer. Se alguém pudesse cumprir a lei de Deus, seria tido como a melhor pessoa no mundo. Entretanto, por meio do autor da carta aos Romanos, Deus diz que é absolutamente claro e certo que o homem não é justificado pelas obras da lei.

O que significa ser justificado? Significa que Deus não somente perdoará os pecados da pessoa mas também declarará ser ela justa. Em outras palavras, ser justificado é ser salvo. O que Deus nos ensina aqui é isto: não podemos ser justificados e salvos pelo praticar as obras da lei. Nenhum de nós pode, portanto, confiar em suas boas ações como se elas pudessem salvar. Logo, paremos de confiar em nossas próprias boas obras, confessemos que de nós mesmos somos pecadores sem esperança e aceitemos a Jesus como nosso Senhor e Salvador. Ao fazer isto, seremos salvos.

Louvado seja Deus, pois ele não salva porque as pessoas fazem o bem. Pelo contrário, ele salva segundo este princípio: “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5:20b). Deixe-me perguntar-lhe: Você sabe que é pecador? A sua consciência o acusa? Você ainda não concluiu em seu coração que uma pessoa como você está sem esperança? Não se engane ao pensar que pode ser salvo por fazer o bem ou por unir-se a uma igreja para que entre nas boas graças de Deus mediante o cântico e a oração. Não tente usar meios humanos para remediar seus pecados. Você é pecador; não importa o quanto você tente consertar as coisas, ainda é pecador. Portanto, não confie em suas boas obras. Embora seus pecados possam ser muitos, o sangue precioso de Cristo pode purificá-lo e o purificará. Venha a ele agora!

Charles H. Spurgeon, pregador inglês, foi grandemente usado pelo Senhor. Certa vez Spurgeon afirmou que se o Senhor desejasse que ele fizesse o bem a fim de ser salvo ele não gostaria de ser cristão. Explicou sua afirmativa, ilustrando o seu ponto como segue:

— Depois de ter praticado muito o bem, apresentei minhas obras a Deus e perguntei se eu já era bom o suficiente para ser salvo. Ele, sendo Deus de todo o bem, naturalmente ficou insatisfeito com minhas boas ações. De modo que sacudindo a cabeça, disse: “O seu bem não é suficiente.” Com tristeza segui meu caminho. E procurei fazer mais boas obras. Mais tarde, depois de vários anos, tornei a levar as minhas boas ações a Deus e uma vez mais perguntei se eram suficientes para minha salvação. De novo, ele respondeu: “O seu bem ainda não é suficiente; você não pode ser salvo.” Isto poderia continuar indefinidamente, e Deus jamais ficaria satisfeito. Nesse caso, como é que eu ficaria sabendo que poderia ser salvo? Se Deus realmente exigisse de mim que eu fizesse o bem a fim de ser salvo, é provável que eu tivesse de trabalhar até a morte e ainda não ser salvo porque ele ainda estaria insatisfeito. Que estado lastimável! Por esse motivo, não gostaria de ser crente se Deus exigisse que eu fizesse o bem a fim de ser salvo; pois eu poderia praticar boas obras a vida toda e ainda ele não ficaria satisfeito. Não seriam vãos todos os meus esforços?

Mas graças a Deus o Pai que não somos salvos por praticar o bem, mas por crer em seu Filho. Embora ele não esteja satisfeito com nossos esforços (pois não temos bem nenhum), não obstante, deleita-se no bem de seu Filho Jesus. Ele está completamente satisfeito com a justiça que seu Filho realizou na cruz. Embora nós mesmos não possamos fazer o bem, podemos, contudo, ser salvos crendo no Filho de Deus, aceitando o mérito do sangue de Jesus vertido na cruz.

Não deixe que Satanás o engane levando-o a pensar que pode ser salvo pelas boas obras. Assim como você não consegue construir uma escada que alcance o céu, da mesma forma não obterá a salvação de Deus pela prática das boas obras. Não somos justificados por Deus mediante boas obras de nenhuma natureza que tenhamos praticado, mas somos “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”; pois “se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Romanos 3:24; 11:6). Não são estes versículos da Escritura muito claros? Somos justificados e salvos por Deus não pelas obras, mas pela graça.

Graça e obras são dois princípios diametralmente opostos. “Graça” significa que não importa seja o homem bom ou mau, Deus deseja salvá-lo. Este ou aquele homem não é digno de ser salvo, entretanto, por meio da graça de Deus ele tem à sua disposição a salvação gratuita. “Obras”, por outro lado, é um assunto inteiramente diverso. “Obras” significa que os bons serão salvos e os maus perecerão. Em outras palavras, o homem deve fazer o bem a fim de salvar-se; e todo aquele que não puder salvar a si mesmo desta maneira deve ir para o inferno.

Sabemos que todos nós somos pecadores. Embora não cometamos pecados tão horríveis como assassínio ou como o incêndio de alguma propriedade, nossa natureza, contudo, é totalmente corrupta e nossos pensamentos e ações, cheios de engano. Somos deveras pecadores! Mas graças e louvor a Deus, porque ele não nos salva por nossas obras; pelo contrário, salva-nos por sua graça — gratuitamente e sem reservas.

Hoje em dia muitas pessoas têm a ideia de que a salvação não é somente pela graça de Deus: é também por nossas obras. A graça de Deus mais nossas obras é igual à salvação. Se não for assim estaremos perdidos. Que lástima! Como o homem natural sempre procura ser salvo por seus próprios esforços! Entretanto, lembremo-nos das palavras de Romanos 11:6: “Se é pela graça, já não é obras [graça e obras não podem co-existir. Se não for graça, serão obras; se não forem obras, será graça. A salvação não pode vir pela graça e pelas obras]; do contrário [e aqui o autor inverte o argumento, dizendo, de fato, que se graça e obras forem unidas, então… ] a graça já não é graça [o imensurável favor especial de Deus será deturpado pelos trapos da imundícia das obras humanas.].” As obras do homem não somente não podem cumprir a graça de Deus, mas além disso anularão sua graça. Portanto, se você, pecador, deseja ser salvo, não pense que suas obras o ajudarão. Pelo contrário, você deve humilhar-se a si mesmo, reconhecer seu estado de pecador sem esperança e aceitar com gratidão a graça de Deus mediante a fé na obra realizada na cruz do seu Filho. Tal graça maravilhosa é concedida gratuitamente a todos os pecadores!

Mas continuemos a ler a Palavra de Deus. “O homem não é justificado por obras da lei” — “Não por obras da lei, pois por obras da lei ninguém será justificado” — “Todos quantos, pois, são das obras da lei, estão debaixo de maldição” — “É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus” (Gálatas 2:16; 3:10, 11).

Ora, já observei que obras da lei é praticar o bem, e que ser justificado pelas obras da lei significa ser salvo pelas obras. Mas o que indicam estes versículos de Gálatas? O homem não somente não pode ser salvo por praticar o bem, mas o que procura ser salvo por meio das obras está debaixo de maldição. A Bíblia diz-nos explicitamente que homem algum jamais foi justificado diante de Deus pelas obras da lei. Por que, pois, você ainda tenta o impossível? Em vez disso, por que não contemplar e abraçar a obra consumada de Cristo? Ele já pagou o preço total, e por amor de você dispôs-se a ser crucificado. Desta forma, ele realizou tudo. De modo que você não precisa procurar a salvação com grande angústia. Antes, pode ser salvo tão-somente aceitando a obra da salvação que Cristo consumou por você. Por que insistir em seu próprio caminho? Creia nele e depois de ter crido, louve-o. Porque ele o amou tanto a ponto de prover-lhe salvação completa e gratuita.

Há dois versículos da Escritura que explicam a salvação divina de uma maneira muitíssimo clara. Paulo, servo de Deus, escreve aos crentes de Éfeso: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8, 9). Sabemos imediatamente desta passagem que trata do assunto da salvação uma vez que começa com as palavras “Porque pela graça sois salvos”.

Como é que os leitores de Paulo haviam sido salvos? Pelas obras? Não. Por serem mais fortes do que as outras pessoas? Também, não. Como, pois, foram salvos? Esta passagem diz-nos duas coisas necessárias para a salvação deles: a graça de Deus e a fé. Eis o primeiro elemento: “Pela graça sois salvos.” Graça é o que Deus dá; ele providenciou para nós um Salvador — “mas o Senhor fez cair sobre ele [Cristo] a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6b). Deus fez com que Cristo morresse na cruz para levar os nossos pecados. Cristo sofreu e bebeu por completo o cálice da justa ira de Deus para que pudesse realizar para nós a salvação perfeita. Quão profunda é a graça! A graça de Deus é o fundamento da salvação. Aqui o homem não presta ajuda alguma. Deus, sozinho, realiza tudo por nós. E agora ele apresenta a salvação completa a cada pecador, inclusive você. Como, pois, podemos ser salvos? Não pelas obras da lei, nem pela autonegação, nem pela melhoria pessoal, nem por frequentar a igreja, mas ao aceitar a graça de Deus manifestada na cruz do Calvário.

Voltemos-nos agora para o outro lado da salvação: ‘Pela graça sois salvos, mediante a fé.” Deus, deveras, dá a graça, mas devemos também crer. Pois embora Deus conceda a graça, se não crermos não seremos salvos. Uma vez que a graça de Deus já nos providenciou salvação substitutiva na cruz do Calvário, devemos crer em sua provisão, a saber, o Senhor Jesus e sermos salvos.

O que significa ter fé? Crer significa receber (João 1:12). Deus preparou a graça, e somos salvos por recebê-la. Suponha que alguém lhe envie um presente. O presente é seu desde que você o receba. Da mesma forma, Deus lhe envia a graça salvadora que será imediatamente sua no momento em que a receber. Insto com você que não demore mais. Receba-a agora. Estenda a mão da fé e receba a espantosa graça de Deus.

Não seja como os que duvidaram; pois se o fizer, sofrerá a perda eterna infligida por si mesmo! Simplesmente aceite a graça divina e o dom da salvação será seu.

Efésios 2 ensina-nos que é “mediante a fé” e também “pela graça”. Instrui-nos ainda mais a respeito da natureza da salvação, que, (1) não “vem de nós, é dom de Deus”, e (2) “não de obras, para que ninguém se glorie”. A salvação envolve dois “nãos”: “não vem de vós” e “não de obras”. Quão clara ela é!

Note, primeiramente que a salvação não é de vós. Quer sua moralidade seja superior ou inferior, quer seja você rico ou pobre — nada disso tem absolutamente nenhum efeito sobre sua salvação. Se você estiver disposto a aceitar a graça de Deus, poderá ser salvo independentemente de ser sábio ou tolo, santo ou ímpio. E, também não importa o que você seja, perecerá se recusar-se a aceitar o Salvador. Portanto, a salvação nada tem que ver com o que você é; Deus oferece-a gratuitamente como um dom.

Note também que a salvação não é de obras. “Vós” refere-se ao que você é e “obras” ao que você faz. Deus não disse que a pessoa pode ser salva por praticar o bem; declarou, contudo, que a salvação não vem das obras. Consequentemente, você não será salvo ainda que faça o melhor que puder, nem necessariamente perecerá por praticar o pior. O ser salvo ou perecer não depende de suas obras mas do seu aceitar ou não a graça de Deus.

Gostaria de dizer-lhe o seguinte: não pense em suas boas obras; antes, considere mais seus pecados. Por que não vir a Deus com coração contrito e confessar que é pecador e que não possui boas obras das quais se gabar e que não tem mérito do qual depender? Por que não confiar simplesmente na graça que Deus lhe oferece mediante seu Filho na cruz? Peço-lhe que venha sem demora. Ainda hoje, neste mesmo instante, ajoelhe-se e ore; diga a Deus que você recebe ao Senhor Jesus como seu Salvador e peça-lhe que lhe perdoe os pecados e o salve.

Por que Deus não salva o homem mediante as obras? Pode haver muitas razões, mas uma muito básica dada aqui é “para que ninguém se glorie”. Se o homem fosse salvo pelas obras, sem dúvida haveria de gloriar-se de si mesmo e deixaria de render glória a Deus. O maior pecado no mundo é ser independente de Deus e não confiar nele. Este fato aplica-se também à salvação. Por que prefere o homem ser salvo por suas próprias obras a aceitar a salvação grátis que lhe foi preparada por Deus? Por causa do orgulho. Quão humilhante é depender de Deus! Não deixa lugar para a vangloria. O homem, portanto, deseja salvar-se a si mesmo mediante suas obras para que possa ter algo de que se gabar. Mas Deus não deseja que o homem seja salvo desta maneira para que ele não se glorie.

Leiamos outro versículo bíblico: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou” (Tito 3:5a). Esta passagem ensina-nos que Deus não nos salva por nosso muito acúmulo de justiça, pois como Deus disse mediante o profeta Isaías, no Antigo Testamento: “Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como o trapo da imundícia” (64:6a). Podemos pensar que nossa justiça seja digna de louvor, mas à vista de Deus é menos do que nada! Se ele fosse salvar-nos segundo nossa justiça, todos nós pereceríamos; pois sem exceção, nossa justiça é como o trapo de imundícia. Pode tal justiça jamais ser considerada justiça verdadeira? Como poderia então salvar-nos? Como pode Deus salvar-nos à base de trapos imundos? Ele absolutamente não pode.

Mas graças a Deus, ele mostra-nos graça “segundo sua misericórdia”. Ele não nos salva por nossa justiça nem por nossas obras, mas segundo sua misericórdia. O significado da misericórdia é que a graça é concedida ao que não a merece, a despeito da impiedade da pessoa. Como pecadores, não merecemos a salvação de Deus. Entretanto, ele nos ama sem causa. Não se deixando impedir por nossas transgressões, ele fez com que o Senhor Jesus morresse na cruz por nós a fim de dar-nos graça. “Segundo a sua misericórdia ele nos salvou”

De modo que não pense que pode ser salvo por praticar o bem. Creia rapidamente no Senhor Jesus Cristo. Ele não exige de você nenhuma de suas obras; ele está disposto a salvá-lo sem elas. Você não precisa acumular méritos; precisa apenas crer nele. Embora você não possa praticar o bem, embora você seja por demais pecador, ele está disposto a ser crucificado a fim de fazer propiciação por seus pecados, isto é, levar seus pecados de omissão e também de comissão. Venha agora, assim como está, e receba-o como Senhor e Salvador. Ele o salvará, aceitá-lo-á e o transformará.

Não argumente que já é membro de uma igreja ou que já foi batizado e que já participou da Ceia do Senhor ou que até seja líder na igreja. Compreenda e admita que estas coisas não salvam e nem jamais podem salvar. A menos que você creia no Salvador que levou seus pecados e morreu por nós todos, você está perdido — a despeito de sua moralidade ou posição. Você não é diferente dos outros. Nada há que proteja o pecador da ira de Deus a não ser o sangue precioso do Senhor Jesus. Toda tentativa boa falhará; somente a obra da cruz de Cristo permanecerá. Todo caminho de salvação que dependa de obras do ego procede do abismo e para lá há de voltar, porque Deus estabeleceu um único modo de salvação: a aceitação de sua graça mediante a fé na cruz de Cristo. A fim de sermos salvos, devemos seguir esse caminho — e esse caminho somente.

Concluindo, deixarei com vocês um versículo bíblico: “Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão” (Gálatas 2:21). Se as boas obras podem salvar, então Cristo morreu em vão. Teria Deus sido tão tolo ao ponto de enviar seu Filho ao mundo para morrer desnecessariamente se os homens pudessem operar sua salvação de modo que o satisfizesse? A resposta é óbvia! Permita-me dizer-lhe que se você concluir que as obras podem ajudá-lo a ser salvo, estará automaticamente anulando a graça de Deus. Todos os pecadores devem compreender que “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens” (1 Coríntios 1:25a). Ele não teria sacrificado seu amado Filho se os homens pudessem ser salvos pelas obras. O próprio fato de ele ter feito com que seu Filho levasse nossos pecados e morresse por nós prova que não podemos ser salvos por nossas próprias boas obras. Você e eu seremos salvos somente se aceitarmos o Senhor Jesus como Salvador. Verdadeiramente, somos pecadores; entretanto, Deus nos ama sem questionar-nos e está pronto a receber-nos! Embora não tenhamos boas obras nem justiça das quais gloriar-nos, nem por isso sua salvação é diminuída; na verdade, é aumentada. Quão maravilhoso isto é!

Oro para que você seja movido pelo amor de Deus e venha a ele com fé, confessando: “Ó Deus, verdadeiramente sou pecador. Sei que as minhas obras nada são à tua vista. Peço-te que me recebas e me salves agora por amor da morte substitutiva de meu Senhor e Salvador Jesus Cristo.”

“O que vem a mim”, disse Jesus, “de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37).

 

Texto retirado do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE” de Watchmann Nee

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PSICOLOGIA DA TIRANIA

Comportamentos autoritários e brutais dependem da personalidade e da organização social. Grupos não suprimem valores e crenças pessoais, mas tendem a acirrar características individuais

Psicologia da Tirania

Imagens de desumanidades e atrocidades estão gravadas em nossa memória. Judeus – homens, mulheres e crianças – sendo levados para as câmaras de gás. Vilas inteiras destruídas por bandos enfurecidos em Ruanda. Reincidência sistemática de estupro e destruição de comunidades como estratégia de “limpeza étnica” nos Bálcãs. O massacre de My Lai no Vietnã do Sul, a tortura de prisioneiros iraquianos em Abu Graib e, mais recentemente, a carnificina causada por ataques suicidas de homens-bomba em Bagdá, Jerusalém, Londres e Madri. Quando refletimos sobre esses fatos, uma pergunta é inevitável: o que faz com que as pessoas sejam tão brutais? Elas têm problemas psiquiátricos? São produto de famílias desajustadas? Será que, dadas as condições certas – ou melhor, erradas – qualquer um é capaz de protagonizar atos extremos de violência coletiva? As pesquisas mais recentes, incluindo o que é provavelmente o maior experimento de psicologia social das últimas três décadas, estão abrindo novos caminhos para a explicação desses enigmas.

As perguntas sobre a crueldade coletiva foram responsáveis por alguns dos maiores desenvolvimentos da psicologia social desde a Segunda Guerra. Começando pela necessidade de entender os processos psicológicos que tornaram possíveis o horror do Holocausto, os cientistas têm procurado saber como pessoas aparentemente civilizadas e decentes podem perpetrar atos tão pavorosos.

Inicialmente, os teóricos procuraram explicar o comportamento patológico de alguns grupos por meio do estudo da psicologia individual. Em 1961, a historiadora e filósofa política americana de origem alemã Hannah Arendt acompanhou em Jerusalém o julgamento de Adolf Eichmann, um dos principais mentores do Holocausto. Ela concluiu que o acusado, longe de apresentar uma “personalidade sádica e pervertida” (como afirmavam os psiquiatras da acusação), era um homem comum e surpreendentemente simples. Arendt afirmaria que Eichmann era a encarnação da “banalidade do mal”.

Publicada em 1963 na revista New Yorker, a análise de Arendt foi considerada chocante e herética. No entanto, vários estudos feitos na mesma época chegaram às mesmas conclusões da filósofa. Em experimentos realizados em acampamentos de verão no final da década de 50, o psicólogo social Muzafer Sherif, nascido na Turquia e naturalizado americano, descobriu que meninos em idade escolar se tornavam cruéis e agressivos com seus colegas quando colocados em grupos que tinham de competir por recursos escassos.

Ainda mais impressionantes são os estudos sobre obediência realizados na Universidade Yale no começo dos anos 60 por Stanley Milgram. Em experiência simulada sobre a memória, homens comuns foram orientados a dar choques com intensidade crescente numa pessoa que se passava por aluno (era na verdade um assistente do coordenador da pesquisa, e não sentia os choques). Todos os “professores” estavam dispostos a aplicar “choques intensos” de 300 volts e dois terços deles fizeram tudo que o coordenador da pesquisa pediu, dando o que acreditavam ser choques de 450 volts. Os participantes da experiência continuaram a punir os alunos mesmo depois de saberem que eles tinham problemas cardíacos e de ouvi-los gritar de dor. Milgram concluiu que “a concepção de banalidade do mal de Hannah Arendt está mais próxima da realidade do que gostaríamos de imaginar”.

Essa linha de pesquisa teve seu ponto culminante no “experimento do prisioneiro”, realizado pelo psicólogo Philip G. Zimbardo na Universidade Stanford em 1971. A pesquisa distribuiu aleatoriamente estudantes universitários nos papéis de prisioneiro ou de guarda numa prisão simulada. Estudaram-se a dinâmica intra e a intergrupal por duas semanas. Os guardas (com Zimbardo no papel de supervisor) exerceram poder de forma tão cruel que o experimento teve de ser suspenso apenas seis dias depois de iniciado.

Os pesquisadores concluíram que membros de grupos não conseguem resistir às pressões da posição que assumem e que a brutalidade é a expressão “natural” de papéis associados a grupos que têm poderes desiguais. Duas máximas com enorme influência tanto no nível científico como no cultural surgiram em consequência do experimento de Stanford. A primeira é que os indivíduos perdem a capacidade de realizar julgamentos intelectuais e morais quando estão em grupo; portanto, os grupos são perigosos por natureza. A segunda é que as pessoas têm um impulso inevitável de agir de modo tirânico quando se reúnem coletivamente e detêm poder.

O impacto do experimento de Stanford se deve tanto às suas descobertas impressionantes como às conclusões simplistas que suscitou. Com o passar dos anos, no entanto, os psicólogos sociais começaram a questionar as conclusões que o senso comum tirou da experiência.

A ideia de que grupos dotados de poder se tornam automaticamente tirânicos não leva em consideração a liderança efetiva que os pesquisadores desempenharam. Zimbardo teria dito o seguinte a seus guardas: “Podem criar nos prisioneiros um sentimento de medo em algum grau e uma noção de arbitrariedade de modo que a vida deles pareça depender completamente de nós. Prisioneiros não têm liberdade para agir, não podem fazer nem falar nada sem a nossa permissão. Nós vamos roubar sua individualidade de diversos modos”.

Outro questionamento leva em conta que grupos não praticam apenas atos anti sociais. Em pesquisas – como na sociedade – os grupos em geral surgem como meio de resistir à opressão e aos incentivos para agir destrutivamente. Em estudos parecidos com os testes de obediência de Milgram, os participantes eram muito mais propensos a resistir aos aplicadores da pesquisa quando eles eram apoiados por outros participantes que também desobedeciam aos aplicadores.

Além disso, estudos realizados após o experimento de Stanford têm confirmado os aspectos dos grupos que são enriquecedores e positivos para a coletividade. Uma abordagem sobre grupos bastante influente na psicologia social contemporânea é a da identidade social, desenvolvida em 1979 pelos psicólogos sociais John Turner, atualmente na Universidade Nacional da Austrália, e Henri Tajfel, então na Universidade de Bristol, Inglaterra. Essa teoria sustenta que é sobretudo em grupo que as pessoas – especialmente aquelas que são desprovidas de poder – podem se tornar agentes efetivos que desenham seu próprio destino.

Quando compartilham uma identidade (por exemplo, “somos todos americanos”, “somos todos católicos”), os indivíduos procuram o consenso, confiam mais uns nos outros, são mais propensos a seguir os líderes dos grupos e formam organizações mais eficientes. Isso é evidenciado nos extensos estudos sobre cooperação em grupos conduzidos recentemente por Steven L. Blader e Tom R. Tyler, da Universidade de Nova York. Os estudos concluíram que as pessoas podem se unir para criar um mundo social baseado nos valores que compartilham – gerando um estado de “auto realização coletiva”, o que é muito bom para o bem-estar psicológico. Possuir o apoio social para controlar o seu destino pode fazer com que o indivíduo tenha maior auto estima, menos stress e níveis mais baixos de ansiedade e pressão.

Preservação da identidade
As pessoas que compartilham senso de identidade em grupo apresentam duas características sociais preponderantes. Primeiro, não perdem a capacidade de fazer julgamentos, mas a base de suas decisões se desloca de suas noções individuais para as crenças coletivamente estabelecidas.

Como foi demonstrado por estudos de campo realizados por um de nós, Reicher, mesmo as ações coletivas mais extremas, como uma rebelião, apresentam padrão de comportamento que reflete crenças, normas e valores do grupo. Segundo as respostas das pessoas variam de acordo com qual noção de pertencimento a um grupo é mais forte em cada momento. Normas e valores que usamos em nosso trabalho, na condição de empregados, podem ser diferentes daqueles que nos governam como fiéis em nossos lugares de devoção, como militantes em uma manifestação política ou como patriotas durante o hasteamento da bandeira.

Assim, ao contrário das conclusões tiradas a partir do experimento de Stanford, os teóricos da identidade social têm argumentado contra a ideia de que as pessoas aceitam automaticamente a filiação a grupos que outros atribuem a elas. Com muita frequência os sujeitos se distanciam dos grupos, principalmente aqueles que são desvalorizados na sociedade.

Por exemplo, na década de 70, Howard Giles e Jennifer Williams, ambos da Universidade de Bristol, chamaram a atenção para o fato de que muitas mulheres reagiam à desigualdade menosprezando seu próprio gênero, enfatizando qualidades pessoais e buscando o sucesso. Apenas quando elas acreditam que não podem escapar – isto é, quando os limites entre os grupos são “impermeáveis”, como argumentaram as feministas quando apontaram o “telhado de vidro” – elas se identificarão com o grupo desvalorizado e agirão coletivamente. Além disso, elas somente estarão preparadas para usar o seu poder coletivo para confrontar o status quo e tentar melhorar a posição de seu grupo se acharem que o sistema social é suscetível a mudanças.

Uma grande quantidade de pesquisas, incluindo experimentos controlados de laboratório, extensos levantamentos por questionários e observações de campo detalhadas, corrobora a abordagem da identidade social. Ainda assim, até recentemente, não havia um único estudo do tipo realizado por Sherif, Milgram e Zimbardo que pudesse ilustrar e combinar as várias proposições da teoria de modo amplo e convincente. Mais do que isso, parecia impossível realizar um estudo desses. Apesar de todas as dúvidas que pairam em torno do experimento de Stanford, sua própria radicalidade parecia tolher projetos nos mesmos moldes.

A situação mudou com o recente experimento do prisioneiro realizado pela BBC. Colaboramos com a pesquisa da British Broadcasting Corporation, que a financiou e televisionou em quatro documentários de uma hora cada.

Nosso primeiro desafio foi desenvolver procedimentos éticos para garantir que, apesar de sua intensidade, o estudo não causaria mal a seus participantes. Instituímos uma série de medidas de proteção, apoio psicológico em tempo integral e uma equipe de ética. Segundo as conclusões do relatório da equipe, mostramos que é possível conduzir estudos de campo dinâmicos com balizamento ético.

O experimento da BBC
Como no experimento de Stanford, o da BBC dividiu aleatoriamente guardas e prisioneiros em um ambiente construído especialmente para isso. O cenário era uma prisão, mas nosso objetivo era representar uma classe mais ampla de instituições – escritório ou escola – em que um grupo tem mais poder e privilégio que o outro. Acompanhamos o comportamento dos participantes através de câmeras escondidas e monitoramos seu estado psicológico com testes diários. O bem-estar de cada um foi medido pela quantidade de cortisol – um indicador de stress – coletado da saliva.

Apesar de termos seguido o mesmo paradigma do experimento de Stanford, nossa pesquisa era diferente em muitos pontos. Para estudar as dinâmicas de grupo sem interferir diretamente nessas interações, não presumíamos nenhum papel específico na prisão, ao contrário de Zimbardo. Além disso, manipulamos características de hierarquia que, de acordo com a teoria da identidade social, deveriam afetar a identificação dos prisioneiros com seu grupo e as formas de comportamento que eles adotariam em consequência disso. Mais importante, no entanto, foi que nós variamos a permeabilidade dos limites dos grupos, permitindo oportunidades de promoção de um prisioneiro a guarda, mas depois eliminando-as. Esperávamos que, com a possibilidade de promoção, os prisioneiros procurassem rejeitar sua identidade e trabalhassem para melhorar sua própria posição. Prevíamos que essa estratégia reforçaria o status quo e permitiria aos guardas manter ascendência sobre os prisioneiros. Depois de suprimida a possibilidade de promoção (no terceiro dia), achávamos que os prisioneiros começariam a colaborar entre si para resistir à autoridade dos guardas.

Os resultados confirmaram as previsões. Inicialmente, eles eram submissos e trabalhavam duro para melhorar sua situação. Passaram a se identificar como grupo e pararam de cooperar com os guardas apenas quando ficaram sabendo que continuariam a ser prisioneiros apesar de todo e qualquer esforço. Mais importante, essa identidade compartilhada levou a uma melhor organização, eficiência e bem-estar psicológico. À medida que o experimento avançava, os prisioneiros se tornavam mais confiantes.

Os guardas, contudo, nos surpreenderam. Vários deles, assombrados pela ideia de que a associação de grupos e poder é perigosa, relutavam em exercer controle. Desconfortáveis com suas tarefas, discordavam de outros guardas sobre como desempenhar seus papéis e não chegaram a desenvolver um senso de identificação. Essa ausência de identidade levou à diminuição da capacidade organizacional, o que reduziu a eficiência em manter a ordem e os deixou cada vez mais desanimados e esgotados. Com o progresso do experimento, a administração dos guardas ficou mais e mais frágil.

Depois de seis dias, os prisioneiros se uniram para desafiá-los. A essa altura eles estavam bastante divididos. A situação levou a uma fuga organizada e ao colapso da estrutura guarda-prisioneiro. Sobre as ruínas do antigo sistema, prisioneiros e guardas criaram espontaneamente um sistema mais igualitário – em suas palavras, “uma comuna autogovernada e autodisciplinada”. Mais uma vez, no entanto, alguns dos membros se sentiam desconfortáveis com a ideia de exercer poder. Eles não puniam os indivíduos que se negavam a realizar as tarefas que lhes eram atribuídas e quebravam as regras do acordo.

Nesse ponto tivemos uma segunda surpresa. Os participantes passaram a não acreditar que poderiam manter a comuna funcionando, o que deixou seus membros completamente perdidos. Como resultado, alguns prisioneiros e guardas tramaram um golpe que os tornaria os novos guardas: requisitaram boinas pretas e óculos escuros como símbolos de uma nova forma de comando autoritário sobre os demais. Eles queriam recriar a divisão guarda-prisioneiro, mas desta vez assegurando controle sobre os prisioneiros – até mesmo com o uso da força, caso necessário.

Esperávamos que os apoiadores da comuna defendessem a estrutura democrática que tinham adotado. Não foi o que aconteceu – ao contrário, eles careciam de vontade individual e coletiva para desafiar o novo regime. Dados psicológicos indicavam que eles haviam se tornado mais autoritários e dispostos a aceitar líderes severos.

De qualquer modo, o golpe não ocorreu. Por razões éticas, não podíamos correr o risco de permitir uso da força como ocorreu no experimento de Stanford, o que nos levou a encerrar o estudo no oitavo dia. Se, por um lado, o resultado final era parecido com o de Stanford, o caminho que os participantes de nossa pesquisa tomaram para chegar a esse ponto foi muito diferente. O fantasma da tirania claramente não era resultado da ação “natural” dos grupos. A tirania surgiu por causa da falência desses grupos: entre os guardas, por causa da dificuldade de criar laços de coesão; no caso da comuna, pelo fracasso na tarefa de transformar crenças coletivas em realidade.

Lições para a sociedade
Por que os participantes que haviam rejeitado desigualdades impostas e que lutaram para estabelecer um regime democrático terminaram optando pela tirania? Encontramos a resposta em um corolário básico de nossos argumentos. Grupos, segundo definimos, são orientados para a realização individual. Usam o poder social para assegurar comportamentos baseados na imagem que fazem de suas crenças e valores comuns. Mas quando os grupos não conseguem produzir esse modo de funcionamento, seus membros se tornam mais dispostos a aceitar outras estruturas sociais, mesmo se os novos sistemas não vão ao encontro de seu modo de vida.

Assim, quando os guardas não conseguiram impor sua autoridade, eles se tornaram mais dispostos a concordar com a democracia. Entretanto, e de modo mais preocupante, quando a comuna caiu por terra, seus membros se tornaram menos propensos a defender a democracia contra a tirania.

Desse estudo e de outras pesquisas sobre processos de identidade social, podemos tirar importantes conclusões. Em termos gerais, concordamos com Sherif, Milgram, Zimbardo e outros que a tirania é o resultado de processos de grupo, não de patologias individuais. Discordamos, no entanto, no que se refere à natureza desses processos. De nosso ponto de vista, as pessoas não perdem a cabeça quando estão agrupadas, não sucumbem inapelavelmente aos requisitos de seus papéis sociais e não abusam automaticamente do poder coletivo. Pelo contrário, identificam-se com grupos apenas quando esse processo tem sentido para elas. E quando o fazem, tentam, de forma consciente e ativa, implementar valores coletivos – e o modo como elas exercem o poder depende desses valores. Em suma, grupos não impedem seus participantes de escolher – ao contrário, oferecem a seus integrantes bases e meios para exercer suas escolhas.

Evidentemente, esse argumento não nega que as pessoas podem fazer coisas terríveis quando reunidas. Mas nem todos os grupos no comando e com certeza nem todos os guardas de prisão são brutais. Propor que há algo inerente na psicologia de grupo que torna inevitável a crueldade excessiva é retirar o foco dos fatores específicos que fazem certos grupos tornar-se perversos, brutais e tirânicos.

Dois conjuntos relacionados de circunstâncias podem levar a uma dinâmica tirânica. O primeiro surge quando um grupo com valores sociais opressivos obtém sucesso. Já foi constatado o fato de que grandes atrocidades são cometidas quando pessoas acreditam agir para se defender de um inimigo ameaçador. Alguém poderia se perguntar: como se adotam tais crenças? De nossa parte, perguntamos qual o papel de líderes nacionais ao demonizar grupos “estranhos” – judeus, tutsis ou muçulmanos. E quanto a superiores imediatos de unidades militares que encorajam a brutalidade ou a aceitam passivamente? Qual o papel de homens e mulheres comuns quando riem ou fingem não ver a humilhação de um membro de grupo discriminado? Como fica implícito em nossas perguntas, acreditamos que pessoas ajudam a nutrir uma cultura coletiva de ódio e são, portanto, responsáveis por suas consequências.

De modo menos evidente, o segundo conjunto de fatores que pode gerar tirania ocorre quando grupos que tentam introduzir valores humanos e sociais democráticos não são bem-sucedidos. Quando um sistema social entra em colapso, as pessoas acabam se tornando mais abertas a alternativas, mesmo àquelas que antes pareciam pouco atraentes. Além do mais, quando o colapso de um sistema causa tanta destruição que uma vida social regular e previsível se mostra inviável, a promessa de uma ordem rígida e hierarquizada se torna mais sedutora. Assim, a queda caótica da democrática República de Weimar levou ao nazismo; a divisão deliberada imposta pelos poderes coloniais facilitou a ascensão de regimes extremamente brutais na África pós-colonial e nos Bálcãs após a queda do regime soviético; e a supressão de formas de organização depois da Guerra do Iraque preparou o terreno para o ressurgimento de forças antidemocráticas no país. Em todos esses casos, a rejeição da democracia pode ser atribuída a estratégias políticas que procuraram, de forma deliberada, destruir grupos e apeá-los do poder. Nossa sugestão é que, melhor que tentar fazer as pessoas temer os grupos e o poder, é encorajá-las a trabalhar juntas para usar sua força com responsabilidade.

 

Autores: S. Alexander Haslam e Stephen D. Reicher

GESTÃO E CARREIRA

FEEDBACK: HORA DE DISCUTIR A RELAÇÃO

Estabelecer um feedback franco (e eficiente) sobre erros e acertos dos subordinados ainda é um desafio para muitos gestores. Veja como o RH pode ajudar nesse processo.

Feedback

Acontece pelo menos uma vez por ano. Chega a hora em que líder e liderado vão precisar bater um papo. Aquele recomendado (às vezes obrigado) pela área de recursos humanos. O momento do papo em si recebe diferentes nomes, dependendo da organização. Mas ele é bem compreendido numa única palavra: feedback. Fazê-lo, você de RH sabe, é fundamental para o alinhamento das competências e o desenvolvimento dos times. Fazer com que o gestor entenda isso, porém, é outra história. E aí o que é uma ferramenta poderosa pode se transformar em uma perigosa arma na organização.

Uma pesquisa da consultoria Hay Group com profissionais de 120 empresas revelou como os gestores patinam na hora de conversar com seus subordinados. Segundo o levantamento, apenas 47% dos funcionários acham que o superior imediato dá feedback claro e consistente. “Nós, do RH, sabemos que o feedback é uma ferramenta de desenvolvimento, mas, na hora de praticar, surgem as dificuldades, que são gerais e iguais em todas as áreas”, afirma Vera Saicali, diretora executiva de recursos humanos, que aplica uma avaliação formal em seus colaboradores duas vezes por ano. “O RH, no entanto, precisa atuar como um modo de implementar o processo com eficiência dentro de casa antes de exportá-lo para outras áreas.”

Entre os fantasmas que mais assombram o processo estão o bloqueio tupiniquim de falar com transparência sobre pontos que devem ser melhorados e a dificuldade de reunir exemplos do comportamento. Culpa, muita, vezes, dos próprios gestores, que não prestam atenção nas atitudes de seus colaboradores e, como consequência, não têm fatos para apresentar. “Se, num feedback, o funcionário pedir exemplos do que está sendo criticado e você não tiver, a conversa morre ali”, alerta Rolando Pelliccia, diretor do Hay Group.

Para minimizar atritos como esse e tornar o processo realmente rico, a área de recurso s humanos deve passar algumas lições aos gestores. A primeira delas é estimulá-los a criar uma relação de confiança e transparência com suas equipes. “Feedback é um presente que você dá a uma pessoa para ela melhorar. No entanto, para que a pessoa queira receber esse retorno, preciso que haja, confiança entre vocês)”, a firma Francisco Ramirez, sócio da ARC Executive Talent Recruiting. A segunda lição é fazer com que o gestor invista tempo (por mais que ele diga que seu tempo é escasso) num diálogo, para que o subordina do perceba que, por trás dessa conversa, há vontade de ajudar. A terceira é cobrar dos gestores que eles reúnam exemplos bons e maus de comportamento ou performance para que possam apresentá-los no momento mais indicado. Pautar o feedback em fatos, e não em opiniões diminui o risco de o colaborador levar a crítica para o lado pessoal. “Se o brasileiro tem dificuldade tanto de dar como de receber feedback negativo, o desafio é fazer com que não pareça uma crítica pessoal, fundamentada apenas numa opinião”, afirma Ricardo BeviIacqua, diretor-geral da Robert Half, consultoria de recrutamento, com escritório em São Paulo.

Para checar se o seu time está agindo bem, os especialistas indicam um simples termómetro. Quanto mais tensão a frase “vem aqui que eu vou te dar um feedback” causar, menor será a eficiência desse processo. “Na cabeça de muitos gestores feedback é uma ferramenta para punir pessoas e simplesmente dizer o que e!as não fazem bem Sem sugerir como ela podem fazer para melhorar”, explica Pelliccia, do Hay Group. Uma armadilha e tanto. “Cabe ao RH ser um multiplicador, fazer com que as outras áreas entendam o conceito de Feedback e o utilizem da melhor forma, diz forma”, diz Augusto Puliti, gerente da divisão de recursos humanos da Michael Page. ” Quanto mais essa cultura for forte na organização, mais natural e eficiente será esse processo.”

 

APRENDENDO COM OS ERROS

É preciso ter consciência de que discutir a relação não é fácil. Até os profissionais de RH (teoricamente mais aptos a compreender esse momento já derraparam. Vera se lembra de diversas situações em que errou ao dar feedback. “No começo, apresentava minha conclusão de cara”, lembra. Depois de passar por relações delicadas com profissionais da equipe, ela começou a evitar julgamentos. ” Hoje, antes da conclusão, passo pelo processo de discussão com o interlocutor. Aprendi que dar a oportunidade de ele discutir comigo e chegar a uma conclusão conjunta torna o feedback muito mais eficiente,” afirma Deborah de Toledo, diretora de relações humanas da Totvs, empresa brasileira de software de gestão com 9.000 funcionários, aprendeu a mesma lição há mais ou menos três anos. “Hoje, não digo o que a pessoa tem de fazer. Apenas mostro o que não está bom e pergunto o que ela poderia fazer para melhorar. Os gestores devem saber que essa é uma boa forma de envolver pessoas”, recomenda.

Há também quem descobriu que feedback está muito além de uma conversa formal. Paulo Amorim, diretor de recursos humanos da fabricante de computadores Deli Brasil, aprendeu que feedback é coisa para se fazer em cima do lance. “Adoro a linha do retorno imediato”, diz ele. Os 15 profissionais de sua equipe já sabem que, se durante uma reunião eles não tiverem um comportamento muito adequado, serão chamados logo em seguida para um bate-papo. “Muita gente posterga o momento do feedback e deixa o fato cair no esquecimento, o que é um erro. Precisamos de exemplos concretos do comportamento que queremos modificar ou reforçar num colaborador”, afirma ele.

Também contra o esquecimento, Amorim passou a registrar os feedbacks. Depois da conversa com o subordinado, ele tem por hábito enviar um e-mail relembrando o que foi discutido e acordado entre eles. ” Eu recomendo esse cuidado aos gestores de modo geral. É preciso lembrar que nem você nem seus colaboradores ficarão no mesmo cargo para sempre. O registro será válido quando for preciso resgatar uma determinada situação”, afirma Pelliccia, do Hay Group, concorda com a ideia dos feedbacks instantâneos. “Não adianta uma vez por ano dizer a um profissional que ele chegou atrasado nas 12 reuniões de que participou. Ele vai perguntar por que você não disse isso na segunda reunião, quando ele ainda teria dez oportunidades de fazer diferente”, afirma Pelliccia.

A necessidade de dar feedback em tempo real, no entanto, não deve deixar a ansiedade atropelar outro ponto igualmente importante, o da preparação. É preciso pensar antes de    chamar para a conversa. Foi o que aprendeu Veridiana Fernandes, diretora de recursos humanos do Renaissance São Paulo Hotel. No início de sua carreira, a ânsia por fazer tudo certo atrapalhava o processo.” Eu era muito afoita, tinha que falar com a pessoa na hora, mesmo sem me preparar para aquilo”, afirma. Hoje, com dez pessoas em sua equipe, ela aprendeu, antes de chamar uma delas para conversar, a pensar nos pontos que deseja focar, nos exemplos que vai apresentar e no melhor momento e local. “Esse preparo é essencial, mas não deve ser longo. O feedback tem que ser dado no momento em que o erro acontece ou no máximo, 48 horas depois, recomenda.

Controlar a ansiedade também ajuda o gestor a usar a sensibilidade para se colocar na pele do interlocutor e observar sua reação. Um feedback tem que ser construtivo sempre, seja para elogiar, seja para criticar. A pior coisa que pode acontecer a um profissional é receber um feedback destrutivo. em que ele se sente humilhado, alerta Puliti, da Michael Page.

 

FÓRMULA IDEAL

Segundo Rolando Pelliccia, do Hay Group, a fórmula mágica do feedback poderia ser resumida em uma sigla, FIM: fato (sobre o qual estou falando), impacto (desse fato no comportamento ou no resultado do profissional) e motivo (razão de negócios ou desenvolvimento que leva o gestor a dar esse feedback). “Se o gestor não tem resposta para esses três pontos, é melhor nem começar o diálogo”, afirma.

Por fim, vale a pena relembrar regras básicas do feedback eficiente. Primeiramente, evitar a linguagem subjetiva. É melhor substituir coisas do tipo “Eu tenho a impressão de que você está sempre atrasado” por algo como ” as últimas três reuniões, você chegou atrasado e isso atrapalhou o andamento do projeto. Como poderíamos melhorar sua pontualidade?”. “Quando você não coloca um rótulo ou um adjetivo no profissional, tem mais chances de modificar o comportamento dele”, diz Pelliccia.

É importante também que o gestor seja tão factual para criticar quanto para elogiar. A falta de objetividade no feedback de mudança ou de reforço faz com que o profissional não entenda o que deve mudar ou manter em seu comportamento.” O mais importante é ter em mente que, embora o feedback seja especialmente difícil para brasileiros, que não querem ficar mal com ninguém, ele é uma situação profissional”, afirma Veridiana, do Renaissance. “Você dá todas as chances para a pessoa saber o que você pensa dela e reverter o quadro, se for o caso”, afirma.

 

CONVERSA TRUNCADA

Conheça, os principais erros na hora de dar feedback:

  • Basear a conversa apenas em impressões. É preciso apontar fatos e exemplos de bom e mau comportamento do colaborador.
  • Perder a hora. O melhor momento de dar o feedback é quando o erro (ou o acerto) ocorre. Quem posterga demais acaba deixando o fato cair em esquecimento.
  • ir direto à conclusão. Estabelecer um diálogo é a melhor forma de envolver as pessoas.
  • Usá-lo como ferramenta de punição. Dar feedback não é só criticar. É preciso apontar caminhos para que a pessoa saiba por onde seguir para melhorar.
  • Uma conversa cheia de adjetivos tem mais chances de ser levada para o lado pessoal.
  • Não se colocar no lugar do outro. É preciso ter sensibilidade gerencial para saber se o interlocutor está preparado para receber e compreender o feedback.

 

Fonte: Fernanda Bottoni / Revista Você RH

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Deus Está Disposto — E Você?

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16).

 

Ser mal compreendido é algo que a maioria das pessoas detesta ardentemente. A pessoa tem boas intenções e, no entanto, o que faz é mal interpretado como se fosse para o mal. Ela faz algo em amor, mas é interpretado de modo oposto. Há muitas coisas no mundo que irritam as pessoas, e o serem mal compreendidas certamente é uma delas. Contudo, desejo falar-lhes acerca daquele que é o mais mal compreendido pelo mundo inteiro: o próprio Deus!

No instante em que ouvimos a palavra “Deus” imediatamente tornamo-nos infelizes e nos sentimos mal, como se acreditássemos que esse Deus fosse alguém que não tivesse nenhum pensamento bom para com os homens.

Assim, temos dois grupos de pessoas no mundo: o que já ouviu falar de Deus e crê no Senhor Jesus e o outro que ainda não crê em Deus e no Senhor Jesus. Creio ser mais do que provável que os que já creram podem testificar que antes de crerem, sentiam-se incômodos até com a menção de Deus ou de Jesus. Mas ao crer de verdade, todos eles, sem exceção, provavelmente disseram: “Como gostaria de ter crido antes!”

A vantagem de crer no Senhor Jesus excede em muito a de receber uma herança. Pois a Palavra de Deus nos diz que ao crermos no Senhor Jesus iremos para o céu e teremos a vida eterna. Eu também ouso testificar da verdade desta afirmativa. A primeira coisa que pediria de você é que não tivesse medo de ouvir falar de Deus e que também não imaginasse que o pensamento dele para com você seja para o mal.

Você pode estar-se perguntando que tipo de Deus ele é. Ele me salvará? Pode ele salvar uma pessoa como eu? Você está, pois, cheio de dúvidas. Desejo dizer-lhe que Deus não somente tem pena de você, não somente tem cuidado de você e não somente o nota, mas que também o ama! Desde o início do tempo, a coisa mais difícil para Deus era amar os homens. Entretanto, a primeira coisa que fez depois de o homem ter pecado contra ele foi amar. Seu pensamento para com os homens é bom. Como anseia ele que os homens sejam salvos! Mas você pode nutrir a ideia de que Deus é por demais feroz e cruel a deseja que você fique longe dele. O Livro de Deus, porém, declara que ele é amor! Você é pecador, contudo Deus o ama. Você está longe dele, no entanto ele o ama.

Vez após vez, Deus enviou seus servos para transmitir a mensagem de amor ao homem. Por exemplo: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:15). Quanto ele nos ama! Até mesmo exemplifica seu amor com um exemplo extremo: “Se um homem repudiar sua mulher, e ela o deixar e tomar outro marido, porventura aquele tornará a ela? Não se poluirá com isso de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas ainda assim, torna para mim, diz o Senhor” (Jeremias 3:1).

Quão desejoso Deus está de receber-nos a nós, pecadores; entretanto, não estamos dispostos a acreditar no fato de que Deus ama os homens. As pessoas continuamente indagam sobre como Deus poderia ser tão bom. Não obstante, devo dizer-lhe que Deus é, deveras, amor! Ele amou o mundo de tal maneira que finalmente concebeu um plano pelo qual ele próprio viria ao mundo como homem para que pudesse falar-nos do seu amor.

Ele nos ama, ele gosta de nós, ele deseja que estejamos perto dele, mas não compreendemos o seu coração. A Palavra de Deus informa-nos como, outrora, mediante seus servos Deus revelou à humanidade o desejo do seu coração amoroso para conosco mediante porções diversas e maneiras diferentes (ver Hebreus 1:1, 2), mas o homem falhou em compreender. Assim, ele não teve alternativa senão vir a este mundo e tornar-se homem; e este homem é quem conhecemos como Jesus Cristo. Pudesse eu ter-me tornado um pássaro, teria sido aclamado como humilde. Entretanto, é preciso que Deus seja muito mais humilde para tornar-se homem.

O Deus da glória condescende em ser homem. Que grande humildade! Aquele que está acima de tudo esvaziou-se a si mesmo tomando a forma de homem. Permitam-me dizer que a vida terrena do Senhor Jesus teve o propósito de expressar o coração amoroso de Deus para com os homens. Se você ler a biografia de Jesus, descobrirá que ele não é apenas um homem bom, mas o Deus do céu que se tornou homem. Antes compreendíamos mal a Deus, pensando que ele nos odiava; agora ele se torna homem. Como é Jesus, assim também é Deus. Em seus trinta e três anos na terra Jesus nada mais manifestou que o coração de Deus. A maneira pela qual ele tratou as pessoas na terra é o modo pelo qual Deus sempre nos trata.

Certo dia um leproso chegou-se a Jesus e adorando-o, disse: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me” (Mateus 8:2). Teria sido fácil para Jesus purificá-lo com uma simples palavra; no entanto, ele “estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo!” (v. 3). Imagine a sujeira e o mau cheiro de um leproso. Não obstante, o Senhor, estendendo a mão, o tocou, mostrando sua infinita simpatia para com o homem. É como se o Senhor dissesse: “Por que não estás disposto a vir a mim? Porém, se vieres, tocar-te-ei.”

Em outra ocasião trouxeram ao Senhor uma mulher apanhada no ato do adultério. Seus acusadores, judeus, diziam que segundo a lei de Moisés ela devia ser apedrejada até morrer. O Senhor Jesus não podia negar que ela houvesse pecado; entretanto, seu coração não permitiu que ela fosse apedrejada. Assim, ele desafiou a multidão: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire pedra” (João 8:7b). A consciência dos acusadores convenceu-os de seus próprios pecados, e um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, retiraram-se dali, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Que lhe disse Jesus? “Ninguém te condenou?” foi sua pergunta. Respondeu ela: “Ninguém, Senhor.” Então lhe diz Jesus: “Nem eu tão pouco te condeno; vai, e não peques mais” (w. 10b, 11). E digo a todos os que me ouvem: Deus não os odeia, ele os ama.

Ainda em outra ocasião, um coletor de impostos chamado Mateus convidou a Jesus e a muitos publicanos e pecadores para jantarem em sua casa. Segundo o consenso daquele tempo, os publicanos (ou coletores de imposto) eram detestados pelo povo. Durante este período, Judá, como nação, estava destruída e sob o governo romano. O cidadão do país vencido que trabalhasse para aquele que havia conquistado sua gente e tratado mal seus conterrâneos, era considerado deveras desprezível. Esses conterrâneos jamais se sentariam à mesma mesa com tal pessoa. Mas o Senhor Jesus foi à casa de Mateus e lá partiu pão com muitos publicanos. Ao ver isto os fariseus, disseram aos discípulos de Jesus: “Por que come vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” (Mateus 9:11). Começaram a discutir com eles e a criticá-los. Qual foi a resposta do Senhor Jesus a essas críticas? Ele disse: “Os sãos não precisam de médico, e, sim, os doentes… Pois não vim chamar justos, e, sim, pecadores” (w. 12, 13). Percebem aqui que Jesus abriu o coração de Deus para que os homens o vissem? Talvez você pense ser um pecador tão mau que está a se perguntar se Deus o odeia. Ou pode ser que você tenha sido ladrão, adúltero, mentiroso, ou pecador lascivo. Você indaga se Deus jamais o aceitará. Entretanto, o Senhor Jesus abriu o coração de Deus para que você o visse. Ele diz-lhe que Deus o quer e que o ama. O que Jesus quer dizer é que Deus é como o médico que não tem medo dos doentes. Logo, devem os enfermos ter receio do médico? Não, não devem. Entretanto, alguns podem dizer que daqui em diante estão decididos a ser bons, que não mais perderão o controle, e que não mais jogarão. Não obstante, em dois ou três dias voltarão aos seus antigos hábitos. Ora, alguns, portanto, poderão pensar que Deus não os ama e deseje que pereçam. Mas isso não é verdade de maneira alguma. Pelo contrário, Deus os quer, porque os ama. Ah, espero fervorosamente que você faça o seguinte: retire o véu dos olhos a fim de ver que Deus não tem má intenção contra você. Antes, ele o ama.

Os que conhecem a Palavra de Deus podem testificar que ele só está contente quando nos tem. Isto acontece porque ele não apenas tem piedade e cuidado de nós; ele também nos ama. A mãe pode amar o filho, mas Deus nos ama com amor muito mais profundo. O casal pode amar um ao outro, mas Deus nos ama com amor maior. Pode ser que vocês jamais tenham pensado na maneira de Deus tratar as pessoas. Desejo informá-los hoje de que Deus ama a cada um de vocês!

Ora, porque Deus é amor ele fez duas coisas na terra. Ele sabe muito bem que o mundo não pode amá-lo, achegar-se a ele e adorá-lo por um motivo: todos pecaram. Os pecadores, portanto, devem perecer e ir para o inferno. Consequentemente, primeiro Deus veio ao mundo na pessoa do seu Filho e morreu por nós na cruz do Calvário fora de Jerusalém. O Filho de Deus levou os nossos pecados para que não pereçamos, mas tenhamos a vida eterna.

Você, muitas vezes, ouve pregadores declararem que os homens pecaram, que devem ir para o inferno e que o Senhor Jesus levou nossos pecados ao morrer na cruz em nosso lugar. Você tem-se indagado por que o pregador lhe entrega mensagem como essa? É porque basta a pessoa cometer um único pecado, um pecado que dure apenas um segundo, para que ela vá para o inferno. Será que você não pecou em um mês, ou em um ano? É possível que você não tenha feito nada mau nem dito nada errado? Pode ser que por um minuto, ou até mesmo por um segundo, você deu guarida a um pensamento impróprio, que nem mesmo seus pais ou sua esposa conhecem. Tal pensamento é suficiente para mandá-lo para o inferno. Compreendamos que Deus odeia o pecado com grande intensidade. Nosso sentimento humano contra os pecados mais horríveis não é para se comparar com o ódio que Deus tem até mesmo pelo menor dos pecados.

O ódio que pudéssemos ter contra todos os pecados do mundo seria muito menor do que a repugnância de Deus pela menor de nossas mentiras. Ele sabe que os homens pecaram e só encontrou uma solução: ele próprio deve vir ao mundo e tornar-se homem e levar o pecado do mundo na cruz cruel. E isto ele fez, mostrando seu coração de amor. E essa foi a primeira grande coisa que Deus realizou na terra.

E mais, Deus reconhece que apesar do fato de o Senhor Jesus ter morrido por nossos pecados, ainda podemos transgredir depois de termos crido nele. Por este motivo Deus dá o Espírito Santo (seu próprio Espírito) para habitar em nós para que possamos ter o poder de não pecar. E essa foi a segunda grande coisa realizada por Deus que também mostra seu coração de amor e interesse pela humanidade., Logo, Deus oferece-nos duas grandes graças: a primeira fez com que Jesus morresse por nós para perdoar-nos os pecados; a outra faz com que o Espírito Santo habite naqueles de nós que cremos a fim de que possamos ter o poder de não pecar no futuro.

Percebem quanto é difícil vencer o pecado? Tomem a honestidade como exemplo. Fico a imaginar quantos de nós somos honestos. Muitas vezes você pode ter um pensamento mau e do qual não consegue livrar-se. Pode ser que você odeie alguém e não consiga perdoar-lhe. Pode ser que você deseje criticar alguém ou disseminar a discórdia. Você pode mentir frequentemente e agir com astúcia. Deus sabe o quanto você pecou. Entretanto, ele não somente perdoará todos os seus pecados, mas também colocará em você o seu Espírito para que você tenha o poder de vencer o pecado e ser uma pessoa pura. É esse o coração de Deus! E o que Deus deve fazer, já o fez. Ouso dizer hoje que no que se refere à salvação, não há -problema do lado de Deus. O problema hoje está do seu lado: se você vai crer ou não. Ouso dizer hoje que Deus o quer. Com referência a isto deixe-me ler algo que o próprio Senhor Jesus disse enquanto estava na terra.

“Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mateus 23:37). Deus em Cristo está desejoso, mas os homens não querem. O Senhor chorou por Jerusalém. Como ele gostaria de proteger as pessoas na cidade, pois as amava; mas elas não quiseram permitir-lhe. Se houver alguém aqui que já percebeu ser pecador, então saiba que o Senhor Jesus diz: “Eu o amo, desejo salvá-lo,” Você está disposto hoje? Não há dúvida quanto a Deus, mas está você disposto? Quem pode culpar a Deus se a pessoa ouvir o evangelho hoje e for para o inferno no futuro? Permita-me reiterar o fato de que Deus o deseja e o ama. Quantas vezes ele diz que o quer e você diz que não!

Há outra passagem que merece nosso exame: Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:14). Ele deseja que todos os homens sejam salvos. Este é o coração de Deus!

Há outro versículo bíblico que gostaria de deixar com vocês: “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40). Não é Deus quem não quer dar-nos vida; somos nós que não estamos dispostos a receber a vida. Portanto, compreenda, por favor, que se você tiver um desejo, pequeno que seja, de ser salvo, de ter a vida eterna, de ser liberto dos pecados e de ir para o céu, então compreenda claramente que você pode ter tudo isso, porque Deus está desejoso de dá-los a você. Pois qual é a vontade dele? Que todos os homens se salvem. Não tenha medo, pois: não há problema no lado de Deus; o problema é inteiramente seu.

Quantas vezes nos vem o pensamento: “Sou pecador; Deus jamais haveria de querer-me!” Mas, permita-me apresentar-lhe as boas-novas de que ele jamais trancou a porta. Portanto, não há absolutamente nenhum problema da parte de Deus; o problema todo reside em você. Se hoje o pecador dispuser-se a vir a Deus, dizendo: “Sou pecador, compreendi-te mal, mas sei que estás disposto a aceitar-me hoje”, ele será salvo.

Certo dia o Senhor Jesus contou uma parábola acerca de um filho que pediu ao pai a parte da herança que lhe pertencia e foi para um país distante; lá gastou tudo o que tinha e finalmente decidiu voltar para casa. Mas estando ainda longe o filho pródigo, o pai o viu e, movido de compaixão, correu, abraçou-o e beijou-o (veja Lucas 15:11-32). Isto também revela o coração de Deus. Declaro a todos hoje que Deus os chama de volta ao lar, pois o Senhor Jesus já morreu por você e o Espírito Santo já veio.

Ninguém precisa ir para o inferno. Pelo contrário, é preciso lembrar que Deus é amor. Você será salvo se hoje estiver disposto a dizer a ele: “Ó Deus, sou pecador, desejo vir a ti, pois quero tua salvação.” Se isto deveras acontecer, você e também ele terão grande júbilo.

Porque Deus é amor.

Extraído do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE”, de Watchmann Nee

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A FELICIDADE A QUALQUER PREÇO?

 Cultivamos o mito de que se nos amamos e permanecemos juntos tudo ficará bem. Mas em civilizações como a nossa, obcecadas com a satisfação, prevalecem também a competição e a inveja

A Flicidade a qualquer preço

Butão e Costa Rica disputam atualmente o título mundial de felicidade. Nos anos 30, o troféu coube às Ilhas Salomão, onde os antropólogos mostraram que havia liberdade com os costumes sexuais e compreensão para com a educação das crianças. Na Idade Média os paraísos medievais eram feitos de comida abundante e segurança, assim como as utopias modernas giraram em torno da liberdade e da igualdade. As variações de conteúdo sugerem uma constante: a felicidade é composta do que nos falta, mais exatamente, da relação com o que nos falta. Se entre nós e o que nos falta está o trabalho, temos uma relação com a felicidade. Se entre nós e o que nos falta está o amor, eis que a felicidade muda de figura. Se nos falta dinheiro, poder ou fama, ali estará a substância da felicidade.

A felicidade depende da teoria da transformação que carregamos conosco. Se entre nós e o que nos falta existe apenas e tão somente uma imagem, a transformação desta imagem será o processo mesmo a que chamaremos felicidade.  Se entre nós e o que nos falta existe um oceano (que nos levaria às Ilhas Salomão), então nossa felicidade tem estrutura de viagem. Se entre nós e a felicidade está a presença incômoda de pessoas indesejáveis e seus costumes perturbadores, então nossa felicidade seguirá a gramática da guerra ou da segregação.

O terceiro critério de produção da felicidade diz respeito ao outro. Por exemplo, nos faltam asas, mas em geral não nos lamentamos sobre isso. Afinal, ninguém tem asas. Nossa felicidade depende de como supomos a felicidade de nosso vizinho. Se ele aparecesse com asas biônicas, imediatamente nos tornaríamos seres infelizes, afetados por esta privação. Civilizações obcecadas com felicidade, como a nossa, são também culturas de inveja e da competição.

É porque nossa felicidade depende de nossa teoria transindividual da transformação em relação ao que nos falta que a tarefa de educar nossas crianças tornou-se um desafio contemporâneo. Queremos tanto fazê-las felizes porque isso realiza nossa felicidade, satisfação perdida. Aqui a armadilha tem sido fatal. Imaginamos que o encontro de contrariedades reais traz infelicidades, por isso tentamos poupar nossos alunos de experimentarem sua própria falta. Supomos, depois, que nossa teoria da transformação será igual à deles (afinal, vivemos mais, sabemos como é o mundo), por isso não trabalhamos para que eles construam responsabilidade ou implicação com a felicidade que lhes concerne inventar.  Além disso, sancionamos a ilusão da felicidade indiferente, baseada no conforto e na satisfação de si, custeada pelo mito de que se nós nos amamos e ficamos juntos e protegidos tudo vai terminar bem. Infelizmente, usado desta maneira o amor mata ou imbeciliza.

Praticada dessa maneira, produzimos com eles uma felicidade feita de negação de diferenças reais (que, portanto, não serão tratadas), de recusa de falsidade nas experiências de reconhecimento (que, portanto, serão odiadas) e de imperativos de sucesso que correspondem à realização, empobrecida, de nossa própria felicidade, não da deles. É assim que estamos prometendo uma felicidade venenosa e ainda queremos fazer das escolas uma extensão deste projeto mórbido. Precisamos de uma felicidade mais cara – esta está dando errado.

Fonte;

Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

Revista Mente e Cérebro, 08/2017

GESTÃO E CARREIRA

ESTRESSE OCUPACIONAL: SEUS SINTOMAS E COMO COMBATER

O estresse ocupacional vem com as exigências e o ritmo de trabalho atuais, assim como a falta de autonomia ou um ambiente profissional ruim, um dos principais problemas dos trabalhadores e empresas atualmente.

estresse no trabalho

No Brasil, segundo dados da Isma-BR (International Stress Management Association), 9 entre 10 pessoas que estão no mercado de trabalho têm sintomas de ansiedade e 47% da população sofre de depressão. Complicações cardiovasculares e transtornos do sono são algumas consequências do estresse ocupacional na saúde, assim como o isolamento social e produtividade baixa no trabalho. Este tipo de estresse é um dos desafios que a grande maioria dos trabalhadores tem de enfrentar atualmente, já que seus efeitos acontecem no local de trabalho, mas também podem repercutir no ambiente social e familiar. A Dra. Blanca Usoz, especialista em Medicina Ocupacional e Familiar da Doctoralia, relata abaixo os principais fatores que levam ao estresse em ambientes profissionais.

Quais fatores estão por trás do estresse ocupacional?

Os fatores causadores do estresse ocupacional são chamados de “riscos psicossociais”, e são: falta de controle ou autonomia sobre os processos, carga de trabalho excessiva, baixo apoio social, horário de trabalho incompatível ou pouco flexível, compensação insuficiente, entre outros.

Como o estresse ocupacional afeta a saúde?

O estresse ocupacional é um tipo de estresse crônico, por isso tende a afetar a saúde das pessoas, contribuindo para o surgimento de transtornos ou doenças cardiovasculares, doenças musculoesqueléticas, Síndrome de Burnout(esgotamento) e depressão. Também pode levar à adoção de um estilo de vida pouco saudável: má alimentação, transtornos do sono e, inclusive, maior consumo de tabaco e álcool. Estes transtornos estão relacionados de tal forma ao estresse ocupacional que alguns países chegaram a incluí-los em listas de patologias do trabalho.

O estresse ocupacional pode afetar a vida social e o trabalho?

No ambiente social, o estresse ocupacional pode provocar isolamento e negligência pelas relações sociais (família, amigos, cônjuge…). No ambiente ocupacional, essa situação pode levar falta de engajamento, diminuição de motivação e satisfação, rendimento reduzido, entre outros, afetando a produtividade e a competitividade da empresa.

Não tenho excesso de trabalho. Posso estar estressado?

Mesmo que tudo indique que o estresse ocupacional venha a ser consequência de excesso de trabalho, nem sempre é assim. Uma atividade ocupacional pouco exigente, sem conteúdo, na qual o trabalhador não possa desenvolver suas capacidades pessoais pode ser igualmente causadora de estresse.

Quais medidas podem ser adotadas para controlar e prevenir o estresse ocupacional?

As empresas e os trabalhadores têm responsabilidade sobre a prevenção e o controle do estresse ocupacional. É fundamental que as empresas percebam a importância desse assunto e adotem medidas para detectar possíveis riscos e preveni-los, tanto coletivamente dentro da organização, quanto individualmente. Entre as principais medidas, é preciso estimular a participação dos funcionários, para que todos se sintam envolvidos, ter uma boa comunicação dos objetivos da empresa e a adaptar a carga de trabalho, de acordo à aptidão de cada empregado. Por outro lado, entre as medidas de caráter individual, deve-se reforçar o estilo de vida saudável e a resiliência pessoal. Recomendo fazer pausas ou descansos no trabalho e praticar técnicas de relaxamento, pois são ações que ajudam a administrar melhor as pressões e exigências do trabalho causadoras do estresse ocupacional.

Fonte: Assessoria de Imprensa Doctoralia

PSICOLOGIA ANALÍTICA

AS DUAS FACES DO NASCISISMO

Para entender melhor esse traço, psicólogos criam “subdivisão”, com base em características de personalidade.

Narcisismo

Narcisismo é um daqueles termos bastante usados por muita gente, mas nem sempre da forma como o fazem psicólogos e psicanalistas. No senso comum, aliás, muitas vezes assume conotação pejorativa, como sinônimo de egoísmo ou orgulho. Para a psicanálise, é um aspecto fundamental para a constituição psíquica. Nos primeiros anos de vida, é importante ter a sensação de que somos amados e valorizados para um desenvolvimento emocional saudável. Aos poucos, porém, conforme vamos crescendo e nos fortalecemos, percebemos que as frustrações são inevitáveis e podemos sobreviver a elas. Fundamental para confirmar e sustentar a autoestima, o amor-próprio se traduz de maneiras variadas, que incluem desde cuidados consigo mesmo até tolerância aos próprios erros e capacidade de se expor, seja dançando ou falando em público, por exemplo. O exagero, no entanto, indica a fixação numa identificação vivida na infância – o que pode comprometer relacionamentos tanto na vida pessoal quanto profissional e causar grande insatisfação.

Atualmente, vários psicólogos consideram uma distinção entre dois aspectos marcantes do narcisismo: busca de admiração e reconhecimento de um lado; competição e tendência a desenvolver rivalidades do outro. Pesquisas recentes se dedicaram a investigar o comportamento de um tipo específico de profissional, associado à busca literal de aplausos: os atores. As observações revelam nuances interessantes de personalidades em que predominam traços narcísicos. Por exemplo, os artistas pareciam desejar a admiração muito mais fortemente do que a maioria das pessoas, no entanto tendiam a ser menos competitivos do que a média: almejavam ser o centro das atenções, mas não necessariamente tentavam impedir que os outros alcançassem esse lugar.

Esse novo jeito de compreender o narcisismo, considerando duas dimensões, aparece pela primeira vez em um artigo publicado no Journal of Personality and Social Psychology. “Teorias e medidas anteriores abordavam o traço a partir de uma construção unitária, relacionando aspectos denominados “agênticos”, como assertividade e dominância, com antagônicos, agressividade e desvalorização dos outros, por exemplo”, observa o psicólogo Mitja Back, professor da Universidade de Münster, na Alemanha, principal autor do estudo. Juntar esses dois elementos, porém, pode confundir a compreensão do comportamento narcisista.

A equipe de Back estudou centenas de indivíduos saudáveis e descobriu que as características relacionadas a esse tipo de personalidade podem ser agrupadas em duas categorias que, de qualquer forma, servem para manter a autoimagem positiva. Quem se autopromove pode aumentar as chances de conseguir elogios, enquanto aqueles que assumem uma posição defensiva, não raro, tentam humilhar outros para se defender de críticas. A busca pela admiração e a rivalidade provocam efeitos diferentes sobre a linguagem do corpo, a qualidade dos relacionamentos e a personalidade.

O artigo mais recente sobre o tema, publicado na Social Psychological and Personality Science, mostra que atores e estudantes de teatro foram considerados por si mesmos e por outros como mais preocupados com a admiração quando comparados com pessoas que não eram da área. “Embora ganhar papéis relevantes exija competir com os colegas, trabalhar em grupo requer colaboração – e esse aspecto também os atrai: os resultados mostram que atores tendem a apresentar poucos comportamentos de rivalidade”, diz o coordenador da pesquisa, psicólogo Michael Dufner, da Universidade de Leipzig, na Alemanha, que colaborou com Back nos dois artigos. “Esse resultado nos faz pensar que, embora as pessoas sejam egoístas, não vão necessariamente ‘puxar o tapete’ das outras.” Back observa ainda que aquilo que nos atrai em parceiros sociais à primeira vista não costuma ser o que nos deixa satisfeitos em relações de longo prazo. “Mas em todos os casos um fato tende a se repetir: mesmo que pessoas com traços predominantemente narcisistas apresentem um lado brilhante e encantador, quase sempre é questão de tempo antes que essa imagem se desfaça e aqueles que estão por perto se afastem”, acredita Back.

O RAPAZ QUE SE APAIXONOU PELA PRÓPRIA IMAGEM

Segundo o mito grego, Narciso era uma criança tão bela que sua mãe resolveu pedir conselhos ao sábio Tirésias sobre o futuro do garoto. O ancião lhe disse que o menino teria uma vida curta se mirasse a própria imagem. Na adolescência, Narciso era um jovem belíssimo, mas muito orgulhoso. Um dia, inclinou-se num lago para matar a sede, quando viu seu reflexo e encantou-se pela própria imagem. Deslumbrado, não comia nem dormia. Uma jovem chamada Eco, apaixonada por ele, tentava chamar sua atenção, mas Narciso só olhava para si mesmo. Realiza-se, então, a profecia de Tirésias: o rapaz mergulha no espelho e desaparece no encontro impossível, perdendo-se na própria imagem, sem perceber a possibilidade de um encontro efetivo com Eco.

Com base no mito, Freud desenvolveu um dos conceitos mais importantes de sua teoria – o narcisismo. Mencionado pela primeira vez em seus escritos em 1909, é apresentado como uma fase própria do desenvolvimento humano, quando se realiza a passagem do autoerotismo, do prazer centrado no próprio corpo, para o reconhecimento e a busca da satisfação fora de si mesmo.

GESTÃO E CARREIRA

business team standing

ROUPA DE TRABALHO: HOMENS, MULHERES E ROUPAS

A despeito das infindáveis diferenças que há entre nós, uma coisa é certa: todos, homens e mulheres (e todas as variações de gênero que têm se incorporado a este binômio), amanhã nos levantaremos e vestiremos alguma coisa antes de sair à rua, seja para ir à padaria, ao trabalho ou a uma festa.

Eleger e carregar uma roupa sobre si é inescapável e, embora eu arrisque dizer que uma grande porcentagem da população o faz de maneira automática, vez ou outra o indivíduo se verá diante do espelho fazendo escolhas — ou, diante de outras pessoas, descobrindo-se sujeito a toda sorte de leituras pelas escolhas feitas ou não.

A questão é que não estamos acostumados a pensar sobre roupas como ferramenta de comunicação e ficamos reféns de uma leitura superficial, estimulada pela mídia e pelo senso comum, que pretensamente nos ensinam a originalidade ou a adequação. A situação se agrava quando nos damos conta de que tal conteúdo é oferecido maciçamente ao público feminino, reforçando a ideia de que esse tema não interessa — e não interfere — na vida dos homens. Mas voltemos à primeira frase deste texto: amanhã, todos, homens e mulheres, nos vestiremos antes de sair de casa. E, sim, depois estaremos todos igualmente sujeitos às leituras de nosso discurso visual. Por que, então, deveriam estar os homens à margem dessa conversa?

A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA MASCULINIDADE

Historicamente, o vestuário masculino passou por inúmeras mudanças, mas sempre manteve a intenção de traduzir os atributos ligados à ideia de masculinidade — entenda-se, aqui, o homem cisgênero, heterossexual, num contexto patriarcal e economicamente favorável. Durante anos a vestimenta masculina mereceu mais atenção e elaboração do que a feminina, reforçando justamente seu grau de importância — Luís XIV, o Rei Sol, talvez seja a melhor ilustração para a suntuosidade do traje masculino e a vaidade permitida (e estimulada!) aos homens então. Esse percurso de diferenciação entre gêneros se explicita já no final do século XII com as inovações nas armaduras medievais, que tanto emulavam o corpo potente do guerreiro quanto exigiam a produção específica de trajes de baixo por um armeiro que trabalhava com linho, deixando claro que as técnicas de produção também são uma forma de conferir importância ao traje. Até o século XVIII, o vestuário masculino estava pautado pela opulência que tornava visíveis as relações de poder. Enquanto isso, o vestuário feminino pouco se alterou em relação às conservadoras formas clássicas tradicionais.

Um novo contexto, porém — guerras, ascensão burguesa e expansão do protestantismo — engendra outra forma de vestir para os homens. Assim como a arte e a arquitetura, o vestuário de fins do século XVIII vai buscar na Antiguidade clássica um visual de linhas mais simples que ecoa as ideias de aproximação da natureza, racionalidade e até mesmo liberdade e igualdade em voga nas principais capitais europeias, em oposição à artificialidade empoada e maneirista da nobreza decadente. A silhueta neoclássica evoca o heroísmo inato em cada homem e volta-se para as representações gregas em que a nudez do corpo masculino, perfeito, traduz também suas qualidades morais e mentais. Os alfaiates da época buscaram soluções para a construção de um traje que se aproximasse anatomicamente desse corpo e exaltasse, como ele, a nobreza, a força e a honestidade desse novo homem — está dado assim o primeiro passo para a consagração do traje moderno: sua excelência, o terno.

O HERÓI DESMASCARADO

Pois bem, chegamos assim ao ponto de convergência entre esta breve digressão histórica e a inquietação que me move a escrever para o público masculino. Dois séculos depois de uma invenção que antecipou a modernidade pela sagacidade com que estruturou tecido e desejo e consolidou a imagem de masculinidade lapidada ao longo do tempo, o terno torna-se então e, por isso mesmo, quase prisão. Tão bem materializou os anseios do papel social do homem que hoje é um dos elementos do discurso visual de significado mais fechado e, portanto, reiterador não apenas de um modo de vestir, mas principalmente de pensar.

A sociedade industrial do século XIX e início do século XX consagrou as roupas de trabalho, que explicitavam as relações hierárquicas e a organização social de classes com códigos facilmente reconhecíveis. Mas mudanças em todos os âmbitos da sociedade, inclusive na própria produção têxtil, com a popularização do prêt-à-porter, pavimentaram caminhos para outras e diferentes formas de se entender e usar a moda.

Nos últimos 60 anos, a determinação do gosto pela classe dominante deixou de ser exclusiva e vimos a ampliação dos discursos possíveis, com a apropriação de códigos específicos de determinados grupos, legitimados pelo cinema, pela música e por outros movimentos culturais e incorporados pela indústria da moda. A roupa de lazer — e própria valorização do tempo de lazer — abriu espaço para maior expressão da individualidade. A pós-modernidade autorizou voos de imaginação do vestuário que transcendem a visão austera de gêneros e papeis sociais.

Tudo isso pode ser uma incrível possibilidade de reinvenção para o homem contemporâneo. Mas esse não é um movimento fácil e, devo frisar, tampouco deve ser exclusivamente masculino. A fantasia heroica da qual é tão difícil despir-se foi legitimada por homens e mulheres durante muito tempo — e traz consigo também uma construção do que seja o feminino que merece igualmente ser analisada. Naturalizamos ideias e pré-conceitos dos quais sequer nos damos conta, mas é preciso desautomatizar. Temos que nos arriscar juntos a novas sintaxes.

Somos sujeitos do tempo presente; podemos fluir com ele ou esperar que nos arraste. Propor que revisemos nossa própria imagem é uma provocação que faço com imenso prazer: ela é o disparador para que olhemos atentamente para nós mesmos e, em seguida, à nossa volta. E sei que, se estivermos disponíveis, vamos encontrar diferentes interlocuções e muitas novidades, dentro e fora. Como Drummond, não quero — e tampouco acredito que alguém queira — ser o poeta de um mundo caduco. Então sigamos e “não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”.

Daniele Baumgartner é consultora de imagem, educadora e especialista em História da Arte.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

SAÚDE MENTAL: É HORA DE PROCURAR AJUDA?

Grande parte das pessoas enfrenta, em algum momento da vida, transtornos de saúde mental que podem ser tratados; é o caso da depressão e do estresse, mas a falta de informação e o preconceito ainda fazem com que adultos e crianças sofram sozinhos em vez de procurar um profissional qualificado.

Saude mental

Vinte e três milhões. Este é o número de brasileiros que necessitam de acompanhamento na área da saúde mental. Desse total, pelo menos 5 milhões sofrem com transtornos graves e persistentes, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse universo encontram-se crianças e adultos que sofrem de patologias como depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios de atenção e hiperatividade e dependência de álcool e drogas. Aproximadamente 80% das pessoas que sofrem com esses transtornos não recebem nenhum tipo de tratamento. Mas a situação não é prerrogativa do Brasil. Ainda de acordo com a OMS, um em cada quatro americanos passa por um transtorno psiquiátrico diagnosticável em algum momento da vida. Exageros à parte, no decorrer de nossa existência muitas vezes nos perguntamos se somos mentalmente saudáveis e se não estaria na hora de buscar ajuda profissional. A preocupação faz sentido: de fato, quase metade da população do planeta apresenta algum tipo de transtorno durante a vida. Infelizmente, porém, em cerca de dois terços dos casos os problemas comportamentais e emocionais jamais são diagnosticados e acompanhados, embora muitos deles possam ser tratados de maneira eficaz. Mais de 80% das pessoas com depressão grave, por exemplo, são capazes de se beneficiar significativamente da combinação de medicação e terapia.
O preconceito, porém, ainda é um empecilho para a busca de auxílio especializado. Não raro, ouve-se até mesmo de pessoas razoavelmente bem informadas que “psicoterapia é coisa para louco”. A postura defensiva pode se mostrar de várias maneiras, como pela desqualificação dos profissionais ou de si próprio. Para muitos prevalece, por exemplo, a ameaça de que “o psicoterapeuta saberá mais sobre mim do que eu mesmo; descobrirá segredos dos quais nem suspeito”. Pode também surgir a fantasia onipotente de que “ninguém pode me ajudar”. Ou ainda o pensamento persecutório referenciado na opinião alheia: “O que os outros vão pensar se souberem que vou a um psicólogo?”. Qualquer que seja a forma como se apresente, a resistência não aparece por acaso: em geral, é inerente à própria patologia e tem a ver com o funcionamento psíquico da pessoa. E, infelizmente, às vezes persiste por muito tempo, até que o paciente decida buscar ajuda.

O QUE É NORMAL? 

Quando trabalhei como editor-chefe da Psychology Today, com frequência os leitores me pediam que sugerisse testes de triagem para pessoas com problemas de saúde mental. Procurei por esse material no intuito de ajudar homens e mulheres a encontrar respostas às perguntas como “Será que este meu sentimento de desânimo é normal?”, “Por que eu grito com a minha mulher e meus filhos o tempo todo, mesmo não querendo fazer isso?”, “Será que perdi o controle da bebida?”. Encontrei milhares de testes “caseiros” na internet, mas nenhum havia sido validado cientificamente. Pior ainda, muitos serviam como veículos de marketing para vídeos, livros ou serviços, encaminhando o leitor que respondesse às questões direto para um setor de vendas. Não parecia existir nenhum teste amplo, confiável, favorável ao consumidor, que ajudasse alguém a refletir melhor sobre si mesmo.
Assim, desenvolvi o teste Triagem Epstein em Saúde Mental (Epstein Mental Health Inventory) (EMHI), baseado na quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), compêndio no qual médicos americanos se baseiam para fazer diagnósticos. O teste cobre 18 problemas psiquiátricos comuns nos Estados Unidos, como depressão maior, fobias, transtorno bipolar e abuso de substâncias, que selecionei usando dados preponderantes do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos Estados Unidos, entre outras fontes. Para cada distúrbio são considerados três critérios do DSM-IV, que reescrevi em linguagem para leigos.
A ferramenta, porém, não tem o papel de diagnosticar ninguém. Seu objetivo é alertar para possíveis riscos de um transtorno, estimulando a busca por ajuda psicológica. O mais importante é ajudar as pessoas a se sentir e viver melhor, pois minha experiência tem mostrado que qualquer meio legítimo de levá-las a consultar um psicoterapeuta é válido. No ano passado, Laura Muzzatti, aluna da Universidade da Califórnia em San Diego, e eu apresentamos uma avaliação da EMHI usando uma amostragem de 3.403 pessoas que fizeram o teste depois de ele ter sido colocado na internet, em 2007. Verificamos que os resultados previram sete fatores importantes relacionados à saúde mental. A avaliação incluía o grau de felicidade declarado; o quanto se sentiam ativamente responsáveis por seu sucesso pessoal e profissional; se estavam empregados; se fizeram terapia em alguma ocasião, se alguma vez já haviam sido hospitalizados por problemas comportamentais ou emocionais e se, na época do teste, estavam em terapia. A pontuação não diferia de acordo com etnia, mas variava segundo o gênero: a pontuação das mulheres foi 17% mais elevada que a dos homens, parecendo apresentar mais problemas de saúde mental, um resultado consistente com os de outros estudos. Ou, pelo menos, foram mais sinceras e analíticas ao responder o questionário.

Em busca de um diagnóstico
Muitas pessoas chegam aos consultórios de psicologia e psicanálise ansiosas para encontrar um nome que abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia. A atração que os testes exercem sobre muitos leigos (haja vista quantos questionários são respondidos nas revistas e na internet) pode ser explicada pelo desejo de quantificar e medir características pessoais e comportamentos. E em alguns casos eles têm sua função. Mas ainda que tenham validação científica e possam ser usados para ajudar a entender o quadro clínico, os testes não são definitivos, seja para medir inteligência, seja para determinar a presença de um transtorno mental. Sem dúvida, em algumas abordagens (e em determinados casos) eles são úteis na tarefa de oferecer informações que favoreçam a compreensão da situação clínica de forma mais ampla. Mas não sempre – e raramente de maneira perene. Há ocasiões em que as palavras impressas em um prontuário ou ditas por um profissional acerca de determinado quadro psíquico podem soar como uma espécie de sentença, promovendo a desastrosa rotulação do paciente. No Brasil, muitos psicólogos evitam recorrer a essa ferramenta, pelo menos no primeiro momento. Em vez de apostar em um diagnóstico único, pleno e “definitivo”, acreditam que, em muitos casos, mais importante que reduzir a situação a um único termo é ouvir o paciente, entender sua lógica e seus sintomas. Afinal, é na possibilidade de elaboração, ampliação do espaço psíquico e transformação que se embasa o ofício do psicoterapeuta. (Da redação)

Teste – Sentir, pensar e agir
Para conhecer o teste completo basta acessar o site http://DoYouNeedTherapy.com. A seguir, a versão abreviada que abrange dez transtornos. Para fazê-lo, marque todas as afirmações que se aplicam a você:

1- TRANSTORNOS DO CONTROLE DE IMPULSOS

(a) Às vezes não sou capaz de controlar a minha raiva
(b) Frequentemente ajo por impulso, o que, às vezes, traz grandes problemas
(c) Estou preocupado com as apostas, parece que tenho dificuldades em controlar meu comportamento quanto ao jogo

2- ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

(a) Durante o ano passado, tive de ingerir mais bebidas alcoólicas ou usar mais drogas para satisfazer
minhas necessidades
(b) No ano passado tentei, mas não consegui, diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas, de drogas ou de cigarros
(c) Durante o ano passado tive de ingerir quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas ou drogas para me satisfazer ou lidar com meus problemas

3- DEPRESSÃO MAIOR

(a) Nas últimas duas semanas venho tendo dificuldade em sentir qualquer prazer nas atividades diárias de que costumava gostar
(b) Há cerca de 15 dias venho pensando com frequência que quero morrer
(c) Pelo menos durante as duas últimas semanas, venho me sentindo deprimido quase todos os dias

4- FOBIAS ESPECÍFICAS

(a) Tenho medo excessivo ou irracional de algum objeto ou situação
(b) Estou com muito medo de algo, e meu medo interfere em minha capacidade de desenvolver o meu trabalho ou em conduzir a minha vida de maneira normal
(c) Tenho muito medo de um objeto ou uma situação, e quando me exponho a esse estímulo entro em pânico

5- FOBIAS SOCIAIS

(a) Sinto medo de ficar perto de outras pessoas em determinadas situações e percebo que meus medos podem ser irracionais ou excessivos
(b) Em determinadas situações sociais, sinto extrema ansiedade
(c) Sinto grande temor em uma ou mais situações em que eu precise interagir com outras pessoas

6- TRANSTORNOS DA ALIMENTAÇÃO

(a) Costumo comer muito e, em seguida, vomitar ou usar laxantes, ou outros meios radicais, para evitar ganho de peso
(b) Estou preocupado com meu peso ou com a forma do meu corpo e, consequentemente, como ou me exercito de uma forma que algumas pessoas poderiam considerar incomum
(c) Não estou disposto ou não sou capaz de comer ou digerir o alimento em quantidade suficiente para manter o peso saudável

7- TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

(a) Tenho lembranças perturbadoras relacionadas a um acontecimento traumático que experimentei no passado
(b) Costumo ter sonhos perturbadores sobre uma experiência terrível ocorrida no passado
(c) Às vezes me vejo revivendo o horror de um fato traumático que experimentei no passado

8- TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA

(a) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho sentindo preocupação e nervosismo excessivos, difíceis de controlar
(b) No mínimo nos últimos seis meses, tenho ficado extremamente ansioso e preocupado com uma série de acontecimentos e atividades diferentes
(c) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho me sentindo excepcionalmente agitado, cansado, irritado, tenso ou distraído

9- TRANSTORNO BIPOLAR

(a) Durante o ano passado tive variações súbitas de humor, sem qualquer razão aparente
(b) Meu humor muda rapidamente, de depressivo a esfuziante, sem qualquer motivo aparente
(c) Durante o ano passado o meu humor mudou mais de uma vez de deprimido para esfuziante

10- TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

(a) Repito excessivamente certos comportamentos ou pensamentos, sem conseguir parar
(b) Pensamentos frequentes me causam grande ansiedade
(c) Acredito que esses pensamentos possam ser irracionais ou exagerados. Faço ou penso repetidamente

PONTUAÇÃO

Se você deixou todos os itens em branco, parabéns! É provável que a sua saúde mental esteja muito bem. Caso contrário, lembre-se de que esta não é a versão completa do teste e, ainda que fosse, sua aplicação não tem peso diagnóstico. Mas os resultados podem ajudá-lo a pensar como tem se sentido e lidado com os problemas. Se marcou um item em uma ou mais categorias, é possível que esteja passando por situação de angústia que poderia ser mais bem compreendida (ou contornada) com a ajuda de um profissional. Se assinalou dois ou três itens em uma ou mais categorias, talvez seja mesmo uma boa hora para consultar um psicólogo e evitar sofrer sem necessidade, já que a maioria dos problemas de saúde mental podem ser tratados. Mais importante que o resultado do teste, entretanto, é voltar-se para si e perguntar-se se não seria o momento de cuidar de si mesmo. Afinal, quando temos uma dor de dente, por exemplo, não hesitamos em buscar um dentista. Se a dor é na alma, o psicoterapeuta é o profissional mais indicado para cuidar desse desconforto.

Fonte: Robert Epstein / Revista Mente e Cérebro, 10/2010

GESTÃO E CARREIRA

COM QUE ROUPA EU VOU? – COMO SE VESTIR PARA UMA ENTREVISTA

Como se vestir para uma entrevista

As expectativas da empresa e teor do profissional 

O telefone toca e você é informado de que foi um dos selecionados para a entrevista de emprego. Data, horário, orientações gerais e, antes de desligar, a voz do outro lado frisa: “e, por favor, venha mais social”. Será que ela se lembrou especialmente de você dentre tantos naquela sala, à espera da chamada para se inscrever? Teria sido tão desabonador o moletom que você vestia a ponto de a secretária gentilmente aconselhá-lo sobre o que usar? Talvez não, você pensa; pode ser um mero cacoete preventivo que é dito a todos ao telefone. Pode ser que, não apenas você, mas outros tantos candidatos precisem ser lembrados do código de vestimenta que se alinha à política da empresa. Pode ser, e provavelmente é, que tal código esteja distante da maneira como cotidianamente vestem-se os jovens profissionais disputando a vaga ali.

Deixando de lado essas divagações que, por fim, não mudam o fato de você agora ter um problema a resolver, abra o armário em busca da solução materializada na roupa “mais social”. Jeans, camisetas, os adorados pares de tênis, uma jaqueta e, lá atrás, algumas camisas olham para você sem nenhuma compaixão. A entrevista sequer começou, mas a primeira pergunta já está posta: afinal, que roupa corresponde às expectativas da empresa sobre o funcionário que querem contratar?

Esse não é um cenário incomum na trajetória de muitos profissionais começando ou fazendo mudanças em suas carreiras. A famosa “roupa de entrevista” assombra muita gente que entende a importância de se causar uma boa primeira impressão, mas normalmente não sabe com exatidão como fazê-lo. Pululam artigos, manuais e dicas de como escolher o traje adequado, mas nesse tipo de orientação genérica sobra muito pouco espaço para considerar as particularidades daquele que se candidata e também da empresa que o solicita.

Diante disso, duas situações são recorrentes: a adoção literal das sugestões dos manuais ou a opção por ignorá-los e seguir em frente apresentando-se como habitualmente, confiante de que o conteúdo tornará desimportante a roupa. Devo adiantar que nenhuma das duas é ideal; vejamos porquê.

A arquitetura começa quando você junta dois tijolos com cuidado

Concorrer a uma vaga implica em mostrar-se a opção mais interessante para ocupar tal espaço. Isso diz respeito à sua competência, à adequação do seu perfil e trajetória para aquele cargo, à sua visão de mundo, sua postura ética, sua capacidade de relacionar-se e tantas outras qualidades impalpáveis que, provavelmente, nem alguns meses de atuação sejam capazes de expressar por completo. E você terá, para isso, talvez uma hora diante de um entrevistador com a difícil tarefa de reconhecer rapidamente os atributos que a empresa procura. Ser bem articulado e contar com um bom currículo ou portfólio, quem sabe uma indicação, são recursos estratégicos. Mas antes das palavras, vem a sua figura. Espera-se, num contato breve, que ela antecipe coisas que você não terá tempo de dizer. Ou, ao menos, que ela corrobore aquilo que está sendo dito.

Seguir o manual parece ser a maneira mais segura de não errar, especialmente para quem não tem intimidade com o dress code corporativo padrão. É verdade que a cultura das empresas vem mudando em muitos aspectos, o que abre espaço para novas interpretações do que seja a roupa adequada ao ambiente de trabalho. Mas, em geral — e não apenas no mundo corporativo —, os parâmetros de leitura do discurso visual ainda são bastante conservadores.

Por isso, a ideia da roupa social como a melhor representação do indivíduo em seu modus profissional não é arbitrária: na maior parte das sociedades contemporâneas, ternos, camisas, tailleurs, gravatas, scarpins, cores sóbrias e neutras estão atreladas a qualidades como seriedade, discrição, comprometimento, foco, determinação, solidez, poder. Essa leitura quase automática de signos, mesmo para quem nunca se deteve a pensar sobre eles, tem a ver com uma longa história de construção cultural de valores e suas representações. O que significa dizer que a associação entre vestuário e comportamento é sempre resultado de uma articulação de forças (econômicas, políticas, sociais), muitas vezes anterior a nós.

Pois bem, que o saibamos. Mas como tudo isso se incorpora ao processo concreto de elaboração da imagem pessoal e profissional?

 

Somente um interior vívido possui um exterior também vívido

A chave para um discurso visual eficiente é, antes de tudo, pensar sobre ele. Tanto seguir à risca a vestimenta padrão (de um grupo, circunstância ou ambiente) como não se importar com o que veste são ações que enfraquecem sua imagem pessoal.

No primeiro caso, é preciso tomar cuidado, pois fórmulas que supostamente servem a todos tendem a nos homogeneizar — e, veja, é justamente aquilo que temos de particular o que nos torna interessantes. Entre comigo na sala de espera da entrevista e observemos: à esquerda um tailleur bege, meia-calça cor da pele, sapato fechado de salto médio marrom; mais adiante, o terno marinho, camisa branca, sapatos pretos com meias combinando; junto ao bebedouro, a calça social preta, camisa azul clara sob o suéter cinza, sapatos pretos. Os cabelos estão curtos ou presos, os rostos confiantes barbeados ou pontuados por um discreto brilho coral nos lábios. Quem tem relógios, os leva em couro ou metal, de tamanho regular para pequeno; nos braços femininos, uma corrente muito fina dourada ou nos lóbulos pequenas pérolas. Parece harmonioso e adequado, não?

De fato. Ninguém nessa sala foi traído por seu discurso visual; ainda. O que conseguimos saber sobre essas pessoas à primeira vista? Que elas se preocuparam em adequar-se, que entendem o caráter da empresa e aparentam carregar os tais adjetivos que se busca no indivíduo em modus profissional. Agora aproxime-se: o quanto podemos realmente saber sobre elas sob esta superfície?

Se você não tem o hábito de se vestir como imagina que a situação demande, juntar as peças que tem no armário, pedir emprestadas ou mesmo ir a uma loja e comprar o visual completo para emular a foto que você viu no site não garante um discurso consistente. Mais que um corpo que carrega a roupa, VOCÊ precisa estar lá. Precisa sentir-se confortável, representado, saber que sua visão de mundo está identificada com aquilo que veste. Isto dá autenticidade ao seu discurso e, naturalmente, lhe dará também confiança. Estamos falando aqui do traje social, mas vale para qualquer tentativa de vestir algo que não lhe é natural. A mesma inconsistência seria percebida se do terno predileto de todo dia se tentasse repentinamente passar ao visual do designer hipster. A roupa, mesmo que se transforme para cada diferente ocasião, não deve ser uma fantasia.

 

Deus está nos detalhes

A chave para conectar a sua essência à situação está em saber articular a linguagem: entenda verdadeiramente os pressupostos da imagem adequada àquela circunstância e trabalhe com o que você já tem e é. Expresse a sua criatividade escolhendo pôr sob o suéter uma camisa de cor vibrante e deixando aparecer o nó de uma gravata estampada; mostre a sua irreverência usando suspensórios sob o paletó; não corra para o barbeiro, use um fixador ou uma tiara discreta para domar o cabelo longo; traga jovialidade ao tailleur bege mantendo seu esmalte colorido; use pérolas sim, mas experimente trocar os brincos pequenos por um colar mais longo com um nó na ponta. Não tem um sapato social? Vale uma bota de couro (limpa e em bom estado, claro!) da cor da calça de alfaiataria. Não tem uma calça de alfaiataria? Procure os jeans mais escuros, com menos bolsos e costuras da mesma cor e combine com uma camisa e um blazer bem passados.

Acima de tudo, estude-se: saiba quais são suas características mais interessantes, pense em como elas convergem para o universo da empresa e da função e observe como a combinação de diferentes palavras-roupas criam novas sintaxes. Mies van der Rohe, o arquiteto autor das frases que subtitulam os blocos deste texto, pensava a construção como o que mais atende à função, mais bem se adequa às condições do entorno e melhor partido tira das qualidades específicas dos materiais.

E se você for um recrutador, por favor, lembre-se disso também!

 

Daniele Baumgartner é consultora de imagem, educadora e especialista em História da Arte.

EDIFICANDO A FAMÍLIA CRISTÃ

CONSTRUINDO UMA FAMÍLIA SEGUNDO OS MODELOS E PADRÕES BÍBLICOS – 11

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A PRESENÇA DE CRISTO NO LAR

 

 Um lar cristão é o lugar onde a presença de Cristo é a característica mais forte e a principal atração. Cada membro da família tem total consciência de sua presença, governo e orientação.

 

Tudo o que falamos nos capítulos anteriores são importantes para colocar em ordem a família, mas não é o suficiente. O que faz com que a família seja dinâmica, vital e espiritual é a presença de Cristo agindo em nosso interior, transformando-nos à sua semelhança.

 

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” Salmos 127.1.

 

Tal como expressa o salmista, sem a presença de Cristo no lar, todas as ações, aspirações e esperanças se frustram. Como podemos ter a presença de Deus no lar diariamente? Qual é a nossa responsabilidade para que isso ocorra?

 

 OS PAIS SÃO OS SACERDOTES DO LAR

 

Antes de Deus estabelecer uma ordem sacerdotal em Israel, os pais atuavam como sacerdotes de seu lar. Notemos alguns exemplos:

 

Noé (Gênesis 8.20-22); Abraão (Gênesis 12.7,8; 13.4,18; 15.1-8; 17.1-22; 18.20-33); Jó (Jó 1.5).

 

A função específica do sacerdote é vincular Deus com os homens. Os pais (marido e mulher) tem uma responsabilidade sacerdotal diante de seus filhos. Deus os comissionou para formá-los e criá-los, a fim de que sejam integrados na grande família de Deus. Também devem interceder por eles diante do Senhor, comunicar as instruções da parte de Deus, ser o exemplo de conduta e orientar a respeito do culto que devemos prestar ao Senhor.

 

Todo esse ministério se fundamenta na pessoa e obra de Jesus Cristo, a quem os pais se sujeitam e em nome de quem ministram (Gênesis 18.17-19; Efésios 6.4; Números 30; Lucas 2.21-38).

 

 

JESUS CRISTO: UMA REALIDADE GLORIOSA NA VIDA FAMILIAR

 

Esta realidade se alcança quando a presença de Cristo é notória na vida dos pais. Entretanto, Deus quer se revelar de uma forma pessoal e íntima a cada membro da família.

 

As crianças têm uma grande capacidade para perceber a presença de Deus, crer e confiar nele. Encontram-se nas escrituras muitos exemplos disso:

 

a) Samuel conheceu a Deus quando pequeno (1Samuel 3);

 

b) Davi foi testemunha da presença de Deus em sua infância (Salmos 22.9,10);

 

c) Timóteo foi instruído na fé e no conhecimento de Deus por sua mãe e avó desde a infância (2Timóteo 3.15);

 

d) Jesus exorta para não subestimar a fé de uma criança (Mateus 18.6).

 

O Senhor usa as orações e os testemunhos (especialmente dos pais) para conduzir outros membros da família à fé (Ver o caso da mulher samaritana – João 4.39-42). Observar alguns casos bíblicos em que a fé dos pais envolveu o resto da família:

 

Josué (Josué 24.15); Cornélio (Atos 11.12-15); Lídia (Atos 16.14,15); Carcereiro de Filipos (Atos 16.30-34).

 

Existem dois indicadores claros na vida familiar que evidenciam a presença de Cristo:

 

a) O bom uso do tempo. Dedicar-se diariamente para orar, ler e meditar na palavra, conversar com a família sobre os interesses do Senhor e o discipulado, indicam que a família reconhece a gloriosa presença de Cristo.

 

b) O bom uso do dinheiro e de todos os bens materiais da família, mostra que ela reconhece Deus como o provedor e dono de tudo.

 

A generosidade é a maior evidência disso. Todos devem ser ensinados quanto a ser generosos e a repartir com outros em suas necessidades. Os filhos imitam naturalmente a seus pais. Por isso devem eles ser o exemplo prático de tudo o que Deus espera deles.

 

 

 

 COMO APRESENTAR JESUS CRISTO A NOSSOS FILHOS

 

É imprescindível viver diante de nossos filhos em total integridade, buscando a presença e direção do Senhor em toda situação. Seja em momentos de tensão ou tranquilidade, de alegria ou dificuldade, tanto nas boas como nas más. Há certos elementos que devem ser levados em conta:

 

 Ø Nosso exemplo – Gênesis 18.17-19

 

O fundamento do sacerdócio dos pais é o amor e a devoção a Deus. Se os pais querem que seus filhos amem a Deus e o sigam, devem antes dar o exemplo. Esse amor e devoção estão expressos numa vida de oração e dependência de Deus. Sua fé será conhecida pela maneira como vive. Caso contrário, será notória a hipocrisia.

 

Ø A palavra de Deus – Deuteronômio 6.6-9; 11.1,19-21; Josué 1.8

 

Na medida em que os filhos crescem, deve-se comunicar-lhes a palavra de Deus. Eles devem amá-la, obedecê-la com reverência e apreciá-la como o maior valor que eles possuem. Para isso, deve-se usar tudo o que for possível: ler e contar histórias das sagradas escrituras para os filhos, fazer referências a ela, cantar porções da palavra, memorizar e citar textos.

 

 Ø Representações Simbólicas – Josué 4.20-24

 

Os quadros, fotos, textos, mapas, desenhos e demais expressões gráficas que adornam a casa, e especialmente o dormitório dos filhos, exercem muita influência sobre seus pensamentos e desenvolvimento espiritual.

 

Ø Música – Colossenses 3.16

 

É extraordinária a influência que a música exerce sobre o ser humano!

 

O Senhor deseja que seus filhos o louve e o adore com cânticos e hinos espirituais. Cantar a palavra é uma forma não só de louvar, mas de memorizar e proclamar as verdades do Senhor. Por isso é bom que o papai e a mamãe contem para seus filhos desde o nascimento e que essa prática sempre esteja presente na vida da família.

 

 Ø Nossa Bênção – Marcos 10.13-16

 

A imposição de mãos e a oração abençoam, protegem, liberam, acalmam e saram a nossos filhos. Em virtude da autoridade paterna (e materna) e do nome do Senhor Jesus Cristo invocado sobre eles, a família é abençoada. É uma viva e poderosa expressão de nosso sacerdócio como pais.

 

 Ø Estudo em Família

 

Longe de tornar algo mecânico e frio, o estudo em família é uma oportunidade grandiosa de poder demonstrar a presença de Jesus no lar. Dentre muitas coisas, sugere-se algumas que podem fazer parte desse ministério sacerdotal na família.

 

 a) Leitura da palavra.

 

Buscando sempre aplicar a palavra ao momento em que vive a família, quer seja de alegria ou de tristeza, de prosperidade ou de dificuldade, etc. E que seja sempre inspirativo, ou seja, aplicado com fé e ardor. Nunca como algo enfadonho. Para a crianças pequenas, sugere-se a leitura própria para a idade, com figuras e ilustrações.

 

 b) Memorização de textos bíblicos.

 

O melhor é acompanhar o que a igreja já pratica, usando a catequese das apostilas. Entretanto, textos que estejam relacionados a vida familiar também podem ser repetidos e memorizados.

 

 c) Testemunhos e transparência.

 

Este é algo bom de se fazer. Abre- se um espaço para comunhão onde todos podem se inteirar das necessidades uns dos outros e poder cooperar em conselhos e sugestões.

 

 d) Oração.

 

Este é um bom momento para ensinar pelo exemplo. Orações com objetivos específicos ajudam a ordenar a vida de oração. Que a família tenha uma lista comum de oração e que todos orem. É uma boa oportunidade para ensinar sobre ter fé e depender de Deus.

 

 

TESTEMUNHO DO LAR: UMA LUZ ENTRE OS VIZINHOS

 

A presença de Jesus Cristo na vida cotidiana da família é o melhor testemunho que se pode dar do lar. Esta característica se constitui numa grande atração para os vizinhos que, ao verem a vida que levam, desejarão conhecer o Senhor da família. A presença de Jesus na família faz a diferença entre o amor e a discórdia, entre a obediência e a rebelião, entre a ordem e a confusão, entre a disciplina e a desordem. É o mesmo que dizer: o reino de Deus é um reino de amor e poder.

Todos os membros da família devem manter sua disposição de compartilhar o amor com seus vizinhos e estar atentos às situações especiais quando se permite uma expressão maior de amor e de serviço.

Deste modo se estendeu a Igreja no começo e, da mesma maneira, deve-se estender melhor em nossos dias.

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A linguagem do amor

A LINGUAGEM DO AMOR

Casais com bom relacionamento costumam usar o mesmo tipo de palavras funcionais – preposições, pronomes, artigos e conjunções – e com frequência equivalente

Casais apaixonados ou que mantêm um relacionamento de longo prazo não raro se atribuem apelidos carinhosos ou mudam o tom de voz quando falam um com o outro. Segundo pesquisadores da Universidade do Texas em Austin, a identidade afetiva por meio das palavras não para por aí. Um estudo conduzido pelo psicólogo James Pennebaker mostra que pares “bem-sucedidos” ou com mais chances de sê-lo costumam usar o mesmo tipo de palavras funcionais – preposições, pronomes, artigos e conjunções – e com frequência equivalente. Usados em vários contextos, esses termos são, em geral, processados de forma rápida e inconsciente.

Para chegar a essa conclusão, o psicólogo reuniu 80 homens e mulheres e solicitou que cada um conversasse com alguém do sexo oposto por alguns minutos. Em seguida, questionou-os sobre a possibilidade de saírem juntos. Curiosamente, os pares que usaram tipos similares de palavras funcionais se mostraram mais inclinados a marcar outro encontro – mesmo aqueles que declararam não ter muitos pontos em comum.

Em outro estudo, Pennebaker analisou o conteúdo de mensagens de celular enviadas por 86 casais e perguntou aos voluntários quão felizes eles se sentiam com o compromisso assumido. Três meses depois, o pesquisador verificou se os pares ainda estavam juntos. Ele observou que os pares estáveis eram os que trocavam torpedos com mais palavras funcionais em comum. O curioso é que isso se aplicou também a quem declarou estar insatisfeito com o companheiro, na primeira fase da pesquisa.

Agora os pesquisadores querem entender se o vocabulário em comum provoca atração ou se na verdade as pessoas adaptam sua forma de falar, ficando parecidas com o outro. Os dois processos são possíveis, mas Pennebaker acredita que o último seja mais provável: “A linguagem prediz o sucesso dos relacionamentos porque reflete a forma como os casais ouvem um ao outro e se entendem”, reforça o psicólogo.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

GESTÃO E CARREIRA

Como reconhecer mentira

COMO RECONHECER MENTIRAS
Se você acredita que quem tenta enganar alguém sua frio e evita o olhar do interlocutor, surpreenda-se: esses estereótipos raramente são verdadeiros

Como podemos perceber se estamos sendo enganados? Existem sinais claros que indicam uma mentira, algo que possa ser comparado à tão conhecida metáfora ao nariz do Pinóquio que se tornava cada vez maior quando ele ocultava a verdade? Infelizmente não. Durante muito tempo as pessoas acreditaram que podiam identificar um mentiroso por comportamentos ou sinais corporais – como coçar a cabeça com frequência; movimentar-se de forma agitada ou ficar com as faces coradas. No entanto, um grupo de pesquisadores coordenado pela psicóloga Bella M. DePaulo, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, Estados Unidos, garante que normalmente não é isso que acontece. Em 2003 ela já havia reunido e analisado resultados de 120 estudos sobre os sintomas físicos que acompanham mentiras. Conclusão: os estereótipos raramente são verdadeiros; em geral, mentirosos não escorregam nervosos na cadeira, nem evitam o contato visual de seu interlocutor.
Na verdade, para a maioria das pessoas é realmente muito difícil discernir se uma declaração é verdadeira ou falsa. Foi a essa conclusão a que chegaram Bella e seu colega Charles F. Bond, da Universidade Cristã do Texas, em 2006, em outro estudo sobre o tema. Para tanto, os dois pesquisadores resumiram os resultados de 206 estudos sobre a cota de acertos em julgamentos sobre credibilidade. No total, apenas 54 desses julgamentos sobre a veracidade ou não de uma declaração estavam corretos, um valor estatisticamente pouco significativo – que talvez pudesse ter sido atingido também por meio de pura adivinhação. Mas convém levar em conta que, na média, os sujeitos reconheceram mais frequentemente afirmações verdadeiras do que mentiras. No entanto, há estratégias com as quais as enganações podem ser descobertas com alguma margem de segurança.
Tomando por base os estudos levantados por Bond e Bella, pesquisadores da mesma equipe compararam diversos canais sensoriais. Ao analisar os resultados dos exames, os estudiosos chegaram à conclusão de que sinais acústicos ajudam mais a reconhecer engodos que visuais: nos experimentos, os sujeitos podiam diferenciar de forma mais nítida as mentiras quando ouviam a declaração duvidosa com atenção, em vez de observar o falante, à procura de sinais reveladores.
Se os participantes assistiam a um vídeo sem som, a cota de acertos eram apenas aqueles 50%, obtidos também por adivinhação. Mas se durante a exibição das imagens eram apresentadas as vozes correspondentes, a cota de acerto de seus julgamentos aumentava para 54%. Mais uma vez, nada assombroso, mas de qualquer forma, havia uma alteração estatística. O que de fato surpreendeu os pesquisadores foi que o resultado não foi pior quando somente o som foi apresentado sem imagem. Ou seja: quem se concentra apenas no comportamento não verbal do outro reduz suas chances de desmascarar um mentiroso. Aparentemente, nossos olhos se deixam enganar mais facilmente e, no final das contas, contribuem pouco para a descoberta de afirmações falsas.
Por isso, vale a pena prestar atenção principalmente no que uma pessoa diz, ficando alerta, por exemplo, para possíveis contradições. Especialistas afirmam que os mentirosos contumazes são, em geral, pouco plausíveis e lógicos. Além disso, raramente admitem que tenham de corrigir sua descrição ou que não consigam se lembrar de algo – para “encobrir os brancos da memória” eles simplesmente inventam informações. Se a pessoa ainda parece nervosa e fala em tom mais alto do que o de costume, então devemos ter cuidado: ela tem grandes possibilidades de estar mentido. Os estudos avaliados por Bond e Bella também revelaram que vários participantes conseguiram reconhecer as declarações falsas de forma mais clara quando o mentiroso foi pego de surpresa e não teve tempo de planejar o que diria. Por isso, cobrar explicações imediatas pode desmascarar um potencial discípulo do Barão de Münchhausen.
Na opinião do psicólogo Aldert Vrij, pesquisador da Universidade Britânica de Portsmouth, uma boa estratégia é fazer a pessoa da qual desconfiamos que esteja mentindo falar o máximo possível. Nesse momento ela precisa pensar rapidamente e corre o risco de contradizer-se. E quanto mais ela falar, mais difícil será para ela controlar tanto o conteúdo do que diz quanto o próprio comportamento. Portanto, pedir para que repita trechos do que foi dito também costuma ser eficaz para detectar brechas nos discursos. “Essa técnica de interrogatório, muito conhecida de romances e filmes policiais, revela-se, de fato, sensata”, observa Vrij.
No entanto, os defensores da lei não são fundamentalmente melhores em detectar mentirosos. Juízes e psiquiatras, aos quais é comum atribuirmos, intuitivamente, uma capacidade de detecção de mentiras acima da média, tampouco obtiveram melhores cotas de acerto nos testes, segundo Bond e Bella. Da mesma forma, não há diferença entre homens
e mulheres, descobriu o psicólogo Mike Aamodt da Universidade Radford, estado da Virgínia, Estados Unidos, ao realizar outra análise, em 2006. Além disso, a idade e o grau de instrução de uma pessoa pouco influenciam sua capacidade como detector humano de mentiras.

VANTAGEM DA INSEGURANÇA
Junto com o psicólogo Patrick Müller, da Universidade de Utrecht, na Holanda, investiguei em 2008 outra hipótese, elaborada com base em pesquisas antigas: como a insegurança emocional leva as pessoas a ficar mais atentas ao outro e a prestar mais atenção ao conteúdo de suas afirmações, ela poderia ajudar a diferenciar mentiras e verdades. Com a ajuda de um questionário, inicialmente registramos o grau de insegurança emocional individual de 600 voluntários. Em seguida, cada um assistiu a um vídeo com oito relatos de pessoas que descreviam como tinha sido para elas enfrentar a prova para obtenção da habilitação como motorista. Mas havia um porém: apenas a metade dos relatos era verdadeira, as outras pessoas ainda não tinham carteira de habilitação nem vivido a experiência de passar pela prova.

Realmente, quanto mais inseguros emocionalmente os participantes se sentiam, melhor puderam reconhecer os falsos relatos. A fim de demonstrar que a insegurança era mesmo o motivo dessa capacidade, e não apenas um efeito colateral, realizamos um segundo experimento, no qual elevamos a insegurança artificialmente. Para isso, pedimos a uma parte dos sujeitos de nossa pesquisa que respondesse a duas questões: “Você é acometido de que emoções quando pensa em assistir televisão? Como você se sente fisicamente quando assiste à televisão?”. Essas perguntas não têm nenhuma relação com insegurança e, portanto, não poderiam influenciá-los. O verdadeiro grupo-teste foi objetivamente manipulado: “Você é acometido por quais emoções quando se sente inseguro? Como você se sente fisicamente quanto está inseguro?”. Um questionário aplicado em seguida aos participantes do experimento comprovava: depois de responder a essas duas perguntas – que evocavam determinadas emoções –, os sujeitos se sentiam, em geral, mais inseguros que os membros do grupo de controle.
Em seguida, todos os participantes assistiram a duas sequências de vídeo, nas quais as pessoas falavam sobre filmes que apreciavam muito ou que não gostaram nem um pouco. Os sujeitos do grupo manipulado – ou seja, os que estavam mais inseguros – diferenciaram melhor entre relatos verdadeiros e falsos: eles classificaram corretamente, em média, 58% dos depoimentos. Os integrantes do grupo de controle, por sua vez, tiveram uma cota de acerto de apenas 50% – mais uma vez idêntica à esperada ao acaso.
Portanto, convém evitar o excesso de confiança quando tentar desmascarar um mentiroso. Afinal, não é novidade que quem acredita já saber uma resposta procura apenas por indícios que a comprovem – independentemente de sua veracidade. E, por fim: se tiver de admitir que foi enganado por alguém, não fique muito chateado. Talvez seja um consolo saber que outras pessoas também passam por isso, como mostrou outro estudo publicado pelos psicólogos Bond e De Paulo em 2008. Segundo eles, os indivíduos pouco se diferenciam em sua habilidade de reconhecer invencionices – a maioria de nós é um verdadeiro fracasso como detector de mentira. Já a amplitude da capacidade individual de contar inverdades é maior, de forma inversamente proporcional. O espectro vai do perfeito enganador até o Pinóquio humano, no qual se percebe uma mentira mesmo a 10 metros de distância. Conclusão: para desmascarar alguém, dependemos menos de nossa própria capacidade – e quase exclusivamente da habilidade do outro de esconder a verdade.

Fonte: Marc-André Reinhard – Revista Mente e Cérebro

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

Jesus nos 4 evangelhos

JESUS NOS 4 EVANGELHOS

Em Mateus, escrito para os judeus – Jesus é apresentado como “Rei”, Filho de Davi, descendente direto de Israel, simbolizado pelo Leão;

Em Marcos, escrito para os romanos – Jesus é apresentado como o “Servo”, sem genealogia e sem direitos, simbolizado pelo Boi;

Em Lucas, escrito para os gregos cristãos – Jesus é apresentado como “Filho do homem”, simbolizado pelo homem;

Em João, escrito para a igreja dispersa em meio à falsas doutrinas – Jesus é apresentado como o “Filho de Deus”, simbolizado pela águia.
“E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e do lado direito todos os 4 tinham rosto de leão, e do lado esquerdo todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham rosto de águia todos os quatro” (Ezequiel 1:10).

E para você, o que ele representa? Aproveite o espírito natalino e tire alguns minutos para refletir sobre isso e encontre o verdadeiro motivo pelo qual você deve celebrar o verdadeiro natal…

Sejam abençoados em o Nome de Jesus,

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

PAULO E OS DONS ESPIRITUAIS

Paulo ensinou que o Espírito Santo distribuiu vários dons espirituais, tão essenciais à liderança, expansão e edificação da Igreja. Esses dons ou qualificações especiais são valiosos e só devem ser desejados quando servirem a fins práticos — a edificação da Igreja. Para ser eficaz, é preciso que o Espírito Santo inspire e capacite todo tipo de ministério, e esses dons são a provisão graciosa de Deus para esse fim. Visto que combatemos um inimigo sobrenatural, só as armas sobrenaturais funcionam a contento.
Duas palavras são empregadas com relação a esses dons — pneumatika, algo procedente do Espírito, e charismata, dons da graça (1 Coríntios 12:1,4). Os dons espirituais são conferidos soberanamente a indivíduos para o serviço da Igreja. Distinguem-se dos dons naturais, embora muitas vezes operem por intermédio destes. Há dons para todos os crentes (1 Coríntios 12:7), não meramente para uma elite espiritual, mas as dádivas individuais não podem ser reivindicadas como de direito (1 Coríntios 12:11). Para que sejam proveitosas, devem ser exercidas em amor (1 Coríntios 13:1,2).
Nenhum dom deve ser menosprezado, mas alguns são mais valiosos do que outros (1 Coríntios 12:31; 14:5). Paulo insta na superioridade da profecia, visto que o ministério da Palavra é o dom de maior valor. Ele nos adverte de que os dons espirituais podem atrofiar-se pela negligência (1 Timóteo 4:4) e precisam ser estimulados (2 Timóteo 1:6).
Esses dons não são concedidos para a mera alegria ou enaltecimento do crente, ou mesmo por causa de sua própria vida espiritual, mas antes de tudo para servir aos outros (1 Coríntios 14:12), e para levar os santos à maturidade espiritual (Efésios 4:11-13). É significativo que nenhum dos dons se refere diretamente ao caráter; são todos dons para serviço.
Poucos descobrem seus dons no começo da vida cristã, e amiúde esses dons permanecem dormentes até que uma ocasião propícia os revele. Muitas vezes são mais evidentes a outros do que a nós mesmos, mas podemos estar certos de que, no momento preciso, Deus manifestará o dom ou combinação de dons necessários ao cumprimento do ministério no Corpo de Cristo que ele nos atribui.
Nos capítulos 12 a 14 de 1 Coríntios, Paulo adverte os coríntios contra o uso indigno dos dons espirituais, e traça as diretrizes para seu exercício na Igreja.

GESTÃO E CARREIRA

pRECONCEITOS INVISIVEIS

PRECONCEITOS (IN)VISÍVEIS

Quando o dress code invade a esfera pessoal e reitera velhos padrões de pensamento.
Se não aconteceu com você, provavelmente alguém por perto já mencionou ter feito mudanças na aparência para o exercício de uma atividade profissional. Muitas vezes, antes mesmo que a empresa oriente algum tipo de “adequação”, nos antecipamos para atender à expectativa que se imagina terem os recrutadores ou chefes. Os conselhos recorrentes a quem vai disputar uma vaga versam sobre coisas muito parecidas, fundamentalmente apoiadas em “ter uma boa aparência”.
Aqui mesmo já falamos sobre a roupa de entrevista e sigo repetindo o quanto entender a imagem pessoal como ferramenta de comunicação e saber utilizá-la de forma inteligente em cada contexto é importante. Não há dúvida de que o seu discurso pessoal está impregnado naquilo que você veste, da mesma forma que também se espera encontrar o discurso da empresa na maneira como se apresentam os seus funcionários.
E é justamente nessa superposição de discursos que se encontram alguns nós de comunicação sobre os quais eu gostaria que pensássemos. É legítimo que o empregador estabeleça normas que permitam estruturar e organizar a empresa da maneira que lhe pareça mais coerente com seus propósitos e visão. Nesse pacote incluem-se, claro – e em especial quando se reconhece a potência do discurso visual – aspectos ligados à imagem dos funcionários. Ao mesmo tempo, é igualmente legítimo que o funcionário queira preservar a sua individualidade, que se expressa também visualmente e diz respeito à maneira como ele, para além dos papéis que exerce (que exercemos todos, cotidianamente), organiza a própria vida da maneira que lhe parece mais coerente com seus propósitos e visão. Deu para perceber onde começa o enrosco?

O indivíduo é mais que seu papel profissional
Este não é um assunto fácil e sobre o qual se tenha diretrizes claras, inclusive na esfera do direito. Muitas ações vêm tramitando na Justiça nos últimos anos em função do que se tem nomeado discriminação estética – e tanto as alegações como os resultados são bastante diversos. A grande questão é que se trata de um debate travado no delicado terreno das ideias, alicerçadas em concepções de mundo e construções culturais, sempre subjetivas.
Para ilustrar essa conversa, vejamos algumas situações. Em 2010, uma ação movida por funcionários do Bradesco, que impediu o uso de barba pelos homens, teve como resultado a condenação do banco e a proibição entendida como “conduta patronal que viola inequivocamente o direito fundamental à liberdade de dispor e construir a sua própria imagem em sua vida privada”. Um ano depois, porém, alguns juízes derrubaram a decisão anterior por entender que “uma eventual norma que proibisse o uso de barba não seria abusiva, pois não estaria fora do poder diretivo do empregador”.
Até que ponto o conjunto de prerrogativas do empregador pode interferir na esfera das escolhas individuais? Em que medida a organização interna e a comunicação visual de uma empresa permitem dispor dos corpos dos seus funcionários sem ferir os limites constitucionais que garantem a preservação da dignidade do trabalhador e a proteção contra práticas discriminatórias? Afinal, e para saltar a um aspecto ainda mais relevante do debate, como são construídas as percepções que temos, coletivamente, dos atributos físicos e construções visuais enquanto representação de atributos morais?

O perigo dos estigmas sociais
As explicações dadas pelos empregadores ou presentes nas sentenças nos permitem perceber como o problema é anterior ao próprio código de vestimenta. O Metrô do Distrito Federal, que elaborou um regulamento bastante restritivo – incluindo proibições como pintar o cabelo de cor diferente do natural ou usar brincos e relógios maiores que um determinado padrão estabelecido -, justificou-se dizendo que “não é apropriado alguém com cabelo rosa ou corte moicano prestando serviço em uma empresa que pretende passar segurança a seus passageiros. A ideia é manter um padrão normal.” Na mesma linha, a decisão dos ministros do TST, que julgaram não abusiva a proibição do uso de piercing pelos funcionários de um supermercado do grupo Carrefour, se apoia na ideia de que “se uma parte da população vê tal uso com absoluta normalidade, é de conhecimento público que outra parte não o aceita” e, portanto, o supermercado tem o poder de fixar normas para “não agredir nenhuma parcela de seu público consumidor”.
A Turkish Airlines proibiu, em 2013, o uso de esmalte ou batom de cores vivas por suas funcionárias, mas voltou atrás após várias vozes se levantarem questionando o caráter sexista e a influência religiosa do Estado Islâmico na determinação. Nos Estados Unidos, uma funcionária foi advertida por usar um lenço étnico sobre os cabelos (ainda que discreto e combinando perfeitamente com o terninho que trajava). Um agente de trânsito em Sorocaba foi demitido por se recusar a cortar o cabelo e o porteiro da biblioteca de uma universidade em Minas Gerais por não tirar o cavanhaque (mas ambos ganharam as ações movidas contra as respectivas empresas). Algumas organizações não permitem que os funcionários homens usem brincos, enquanto às mulheres é vetado o batom vermelho ou cabelos soltos. A bermuda masculina ainda é um tabu mesmo no mais infernal verão, e nos tribunais ainda subsiste desconforto por mulheres vestirem calças.

Novos consumos, antigos conceitos
Poderíamos seguir com outras tantas histórias em que elementos visuais são razão de advertências – ou de sua versão mais cínica, as chacotas. Mas o que interessa é perceber que, no fundo, o dress code das empresas é apenas reflexo – e perpetuação – de um padrão estético socialmente estabelecido. E que esse padrão passa a ser um problema se ignorarmos que ele é uma construção cultural-midiática e não uma verdade universal e imutável. O que essas normas que visam adequação, boa aparência ou uma suposta normalidade falam sobre nossos juízos morais mais arraigados? Em um mundo ainda tão refratário à diferença, como cuidar para que ideias perigosamente naturalizadas não ecoem preconceitos de gênero, raça, crença, origem, orientação sexual e outros mais?
As empresas se dizem preocupadas com o bem estar e a felicidade de seus colaboradores, mas não estão atentas às mudanças de comportamento pelas quais passam as comunidades em que elas se inserem. Mais que isso: da mesma maneira que se estimulam novos olhares e comportamentos para engendrar outras formas de consumo, por que não fazê-lo também no âmbito de nossas relações?

Fonte: T&D Gestão Corporativa

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CONSUMO E FANTASIA

shutterstock_128241929 [Convertido]

Quem observa o mundo corporativo a média distância, com alguma ciência da complexidade representada por assuntos como motivação, emoção ou liderança, percebe um grande descompasso. A exigência de controle, verificabilidade e “compliance” dos processos não é compatível com o universo errático dos palestrantes, dos livros de gerência miraculosa ou com os discursos “neuroeconômicos” sobre o capital humano. Ao mesmo tempo é preciso um discurso e uma linguagem que tornem o consumo, a realização, a expressão e a invenção de nossas fantasias. Decisões sobre campanhas de marketing e suas escolhas discursivas são tomadas em meio a palpites sustentados pela arrogância personalista dos envolvidos.
É neste cenário que os livros de Isleide Fontanelle, Cultura do consumo (FGV, 2017), e Sintoma e fantasia no capitalismo comunicacional, de Luiz Aidar (Estação das Letras e Cores, 2017), surgem como um oásis de sobriedade. Uma caravana de lucidez atravessando o deserto das opiniões. A relação econômica entre produção, a estilística identitária do consumo e os prazeres emocionais nele envolvidos são analisados de forma convergente. No primeiro caso se reconstitui um debate que remonta ao nascimento do liberalismo com Adam Smith e sua noção de interesse, retirada de Mandeville, este, médico e filósofo do século 17, que escrevia como a supressão de nossos desejos pode nos fazer adoecer. As disciplinas do consumo dividem-se, desde a origem, entre o marketing e a psicologia comportamental de um lado e as relações públicas e a psicanálise do outro. O papel de Edward Bernays, sobrinho de Freud, na criação do negócio da propaganda nos Estados Unidos do pós-guerra é recuperado, com o intrigante caso sobre como as mulheres são levadas a fumar como um “ato de libertação”. Também não se deixará de lado que John Watson, criador do behaviorismo e mentor de Skinner, deixou suas atividades acadêmicas para integrar o mundo da publicidade.
A emergência e consolidação da cultura do consumo (1945-1990), bem como suas formas contemporâneas marcadas pelo consumo de experiências, pelo prossumo (fusão do produtor com o consumidor), pelo consumo consciente, responsável, verde, sustentável, ético ou ativista, não pode ser compreendida sem o entendimento do capitalismo em sua forma imaterial, baseado na força da marca, na cultura estruturada como entretenimento, no branding e no papel identitário e expressivo do consumo, particularmente, com a vida digital.
Escritos de forma envolvente e convincente, os dois livros têm um mérito adicional para o leitor brasileiro, pois concorrem para profissionalizar a discussão sobre o consumo e os meios de comunicação, mostrando como muito além da prática há um conjunto de problemas mais ou menos recorrentes nesta matéria, para a qual economia e sociologia ou antropologia e psicologia não podem ser dispensadas. A passagem de uma sociedade da produção para uma cultura do consumo inverterá o papel do Supereu, de interditor para o de instância que nos obriga a gozar, nos levando assim à obrigação de felicidade. Como um carro que acelera e freia, como uma educação que teme o consumismo assim com a exclusão do mercado, que detesta logomarcas até transformar o próprio eu em uma delas, que quer a liberdade do consumo sem pagar por isso, sem incorporar sua substância perigosa. Assim, o circuito do consumo é, necessariamente, ambíguo, paradoxal e cínico. Sua estrutura precisa ser a da fantasia para nos fazer acreditar, mas não muito.

Fonte:
Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).
Revista Mente e Cérebro, 08/2017

EDIFICANDO A FAMÍLIA CRISTÃ

CONSTRUINDO UMA FAMÍLIA SEGUNDO OS MODELOS E PADRÕES BÍBLICOS – 10

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COMPORTAMENTO DOS FILHOS

A Bíblia tem instruções para todas as áreas da vida familiar. Instrui aos pais como devem se comportar com seus filhos, e aos filhos como obedecer aos pais. Neste capítulo vamos considerar o que Deus espera dos filhos em relação aos seus pais (Provérbios 10.1; 15.20; 17.25).
O jovem tem duas atitudes para obedecer aos pais: ou por princípio e amor, ou por necessidade.
A atitude correta nasce do conhecimento de Deus e da direção do Espírito Santo. Por outro lado, a atitude de necessidade leva o jovem a desprezar os conselhos dos pais e se rebelar contra sua autoridade. O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo acerca desse tema e disse que nos últimos dias o diabo induziria os filhos à desobediência aos pais (1Timóteo 3.2). Hoje é comum essa franca rebeldia às autoridades.
A maneira como os jovens pensam e atuam, tem muito a ver com a influência deste mundo. Mas Deus quer reverter essa situação na vida familiar de Seu povo. Os jovens devem conhecer seu papel como filho dentro do propósito de Deus para a família.

DIREITOS E PRIVILÉGIOS
Enquanto o filho estiver debaixo do cuidado paterno, ele desfrutará de benefícios e privilégios. Alguns são obrigatórios, ou seja, seus pais não podem deixar de providenciar. Outros, entretanto, são outorgados aos filhos por uma atitude de amor, carinho e graça dos pais.
Na verdade, os filhos recebem muito mais do que realmente necessitam. Entretanto, muitos filhos não sabem reconhecer a diferença que existe nisso. Os pais têm a obrigação de prover alimento, roupa, educação e residência enquanto os filhos não possam conseguir isso por si mesmos. Tudo o que vai além disso, é privilégio.
Seria muito bom que os filhos sustentados por seus pais depois dos 18 anos de idade, e ajudados a cursar universidade ou qualquer outro curso, soubessem reconhecer e agradecer-lhes pelo favor recebido. Quando isso ocorre, traz grande alegria e satisfação aos pais.
Esta é uma atitude sábia: reconhecer e valorizar os benefícios recebidos dos pais, quer sejam por direito ou por privilégio.

RESPONSABILIDADES

Obediência e submissão (Efésios 6.1; Colossenses 3.20; Levítico 19.3)
A obediência aos pais não é opcional, porque é um mandamento do Senhor. Deve haver submissão voluntária.
Submissão é um ato da própria vontade através da qual nos sujeitamos ao governo de outra pessoa. Não é humilhação nem rebaixamento. Não é uma desvalorização própria, mas sim o reconhecimento da autoridade de alguém, considerando uma maior capacidade para conduzir ou guiar sua vida. Naturalmente, a sabedoria e experiência dos pais é superior à dos filhos.
Deus declara que é justo os filhos obedecerem seus pais (Efésios 6.1) e por isso, é agradável a Ele (Colossenses 3.20). Jesus, quando jovem, foi obediente e submisso aos pais. Ele é o nosso exemplo (Lucas 2.51).
A rebeldia e insubmissão tem origem no coração de Satanás, portanto, nada de bom pode produzir. Diante de Deus, a rebeldia é uma falta grave porque conduz a uma degradação do caminho e leva o jovem a uma vida de pecado (Deuteronômio 21.18-21).

Honra e respeito (Efésios 6.2,3; Êxodo 20.12)
A vontade de Deus é que os filhos tenham uma alta estima pela sabedoria e experiência de seus pais. Devem considerar que a sabedoria não se adquire na escola, mas sim num longo aprendizado da vida. A experiência de errar e acertar, meditar e avaliar, ganhar e perder vão formando uma base para conduzir outros na vida.
Quando os filhos apreciam seus pais, é fácil respeitá-los e honrá-los. O respeito brota de uma atitude interior de reconhecimento e apreço pela função dos pais. Esse respeito se manifesta pelo trato cordial, amável, cuidadoso. O contrário, ou seja, faltar de respeito se manifesta por gestos e palavrões, prepotência, altivez e desprezo. Isto é muito comum no mundo. Ao se converter, o jovem terá que aprender como tratar seus pais. Será como que remar contra a correnteza deste mundo e não se deixar influenciar pelos exemplos negativos tão abundantes hoje em dia.
Muitos pais, quando atingem uma idade avançada, são abandonados e considerados como algo pesado. Sobretudo quando ficam enfermos e precisam de cuidados especiais. São deixados de lado, ignorados e muitos são levados aos asilos para que morram. Isso é fruto da rebelião e do menosprezo.
Honrar os pais é o primeiro mandamento com promessa. Quem o fizer, pode ter a segurança de que será próspero e terá longa vida (1Timóteo 5.4,8; Levítico 19.32).
Honrar é um ato de amor, por exemplo: dizer a eles o quanto são importantes, falar deles a outros, presenteá-los fora das datas especiais, passar tempo com eles e conversar sobre o que eles gostam, etc.

Amor e Amizade
É preciso desenvolver um relacionamento afetuoso entre pais e filhos, expressando o amor em gestos e palavras. É bom para um pai receber expressões de amor por parte de um filho. Muitas vezes os filhos deixam passar oportunidades para demonstrarem seu afeto e carinho. Uma palavra, uma flor, um beijo, um gesto, um cartãozinho, um chocolate, são meios sensíveis de transmitir amor, gratidão e apreço.
Para que se crie amizade, é necessário que os filhos se determinem a se aproximarem de seus pais. Criem situações em que possam estar juntos para desenvolver companheirismo e amizade.
O tempo do jovem em casa é muito curto. Portanto, o jovem discípulo deve aproveitar esses anos da juventude para firmar bem a sua amizade com seus pais.

OBRIGAÇÕES ESPECÍFICAS NAS TAREFAS DOMÉSTICAS
Desde pequenos, os filhos são orientados a assumirem obrigações específicas. Por isso é necessário que os filhos atentem para as orientações dos pais, e façam exatamente o que eles pedem. Com o tempo, essas obrigações devem a ser mais voluntárias.
É agradável aos pais que os filhos façam mais do que se espera deles. Não só a deixar o quarto arrumado como também ajudar no trabalho da mãe. Há muitas maneiras de fazê-lo, como por exemplo: ajudar a lavar a roupa, limpar a casa, fazer compras, e até mesmo ajudar na cozinha. Numa emergência em que ela não possa fazê-lo, os filhos não sentirão dificuldade em substituí-la.
O importante é que assumam essas obrigações com responsabilidade e atenção. Devem saber que não estão fazendo isso por favor a sua mãe ou pai, mas sim por terem a responsabilidade de compartilhar do trabalho doméstico.
Quando os filhos são pequenos, a mãe faz tudo. Mas é uma injustiça permitir que ela continue a fazer tudo. Os filhos podem e devem assumir a responsabilidade de tarefas comuns no lar.
Todo trabalho deve ser realizado com esmero, dedicação e da melhor forma possível, não razoavelmente. É nesta etapa da vida que se adquire hábitos de trabalho. Quem se acomoda com desorganização e desordem, se acostuma a este estilo de vida e depois é difícil mudar. Em tudo deve-se buscar a excelência.

Nos Estudos
O estudo é o trabalho fundamental dos filhos, portanto devem fazê-lo com esmero. Devem dedicar tempo e esforço suficientes não para concluir estágios, mas sim para aprender bem a matéria.
A linha de pensamento corrente entre a maioria dos jovens é fazer o mínimo necessário para passar de ano. Isso é mediocridade. O jovem deve se esforçar para atingir o máximo de sua capacidade e extrair tudo o que for possível do conhecimento.
É preciso que todo jovem se capacite intelectualmente e em trabalhos manuais, a fim de ser apto para desempenhar qualquer atividade diante de qualquer necessidade.

No Trabalho
Muito embora alguns jovens fiquem debaixo do cuidado dos pais até terminarem seus estudos, é necessário que os rapazes e as moças comecem a trabalhar desde cedo. Ainda que sejam algumas horas por dia e que aprendam a ganhar algum sustento. Se conseguirem suprir seus próprios gastos, será de grande ajuda aos pais e trarão um sentido de dignidade e autoestima. O trabalho traz maturidade.

A RELAÇÃO ENTRE OS IRMÃOS
A boa relação entre os irmãos é uma das maiores riquezas que a família pode ter. Fortalecem os laços familiares e desenvolve vínculos de amizade que perduram por toda a vida. Por isso é importante que os irmãos procurem conviver onde o bom trato seja a nota dominante.
Há atitudes e condutas que contribuem para isso:

O que Destrói
A indiferença e o isolamento são atitudes que dificultam o bom relacionamento. Quando alguém se fecha em si mesma, automaticamente deixa outros de fora. Fora de seus pensamentos, de seus interesses e de suas emoções. Quem se isola não pode compartilhar nem as alegrias nem as tristezas de seu semelhante. O resultado é que se torna egocêntrico e individualista.
Deus nos tem chamado para vivermos em família e com necessidades da presença, contato e afeto dos demais. O isolamento obedece às maquinações de Satanás cujo objetivo é a destruição da família. Deus quer restaurar nossa sensibilidade para com o outro. Assim, é preciso quebrar a barreira da indiferença e sair ao seu encontro.
Devemos fugir das pelejas, dos gritos e ofensas. Essas coisas provocam o ressentimento nas relações. Precisamos evitar a todo custo as divisões dentro da família (Tiago 3.2-10).

O que Edifica
O tratamento afetuoso ao expressarmos o amor que sentimos uns pelos outros. Também depende de como damos lugar ao companheirismo e a comunhão espiritual. A presença do Senhor em nosso relacionamento produzirá mudança, profundidade e enriquecimento dessa relação. Assim se cria um ambiente onde pode ser praticado o perdão e a restauração de comunhão, caso ocorra algum conflito.
Os irmãos devem ser amigos e ajudarem-se mutuamente. Devem demonstrar o genuíno interesse um pelo outro e jamais trair ou defraudar a confiança.

RELAÇÃO COM PAIS INCRÉDULOS
Dentro deste aspecto destacamos dois pontos básicos:

A Sujeição
A sujeição que o filho deve a seus pais incrédulos é a mesma daquele que tem pai convertido. A única exceção é quando o pai ou a mãe exige que seus filhos pratiquem aquilo que vá contra as orientações de Deus. Nesse caso é importante consultar seus líderes e avaliar se realmente a exigência dos pais está ou não contra a palavra de Deus.
Muitos jovens tomam essa exceção com a atitude de não serem obedientes naquilo em que devem ser. Por isso é necessário que os irmãos que o aconselham sejam maduros e responsáveis.

O Testemunho
Os pais recebem um maior impacto pela vida transformada de seus filhos do que por suas palavras. Por isso é importante que o filho viva de conformidade e obediência a cada palavra do Evangelho do Reino. Uma vida santa, sensível, comprometida e humilde é a maior pregação que um pai incrédulo pode receber.

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

OPINIÕES E CONVICÇÕES DO APÓSTOLO PAULO

O que a Bíblia me ensinou

 

Mente aberta e atitude tolerante são características elogiadíssimas nos círculos intelectuais; é justo que assim seja, desde que as condições de referências sejam corretas. Há, porém, uma abertura de mente e tolerância que não passa de falta de caráter.

Em muitos assuntos, é perfeitamente certo suspender o julgamento; por exemplo, questões moralmente neutras; ou interpretações especulativas da Bíblia sobre as quais não há ensino claro; problemas políticos ou de outra natureza sobre os quais se justificam opiniões alternativas.

Há, porém, algumas questões a respeito das quais é certo ter a mente fechada. Quando o cristão, após cuidadosa meditação e pesquisa bíblica, chega a conclusões definitivas, é correto que ele mantenha firmes essas conclusões. Mostra porventura um estudante de matemática mente aberta quanto a dois mais dois serem quatro? Tal atitude mereceria a acusação de obscurantismo. Não quer dizer, porém, que não se deve estar pronto para considerar outros fatos indiscutíveis. Mas para que o indivíduo mude de opinião é preciso haver prova incontroversa. No caminhar cristão, devemos formar convicções firmes como um ancoradouro no mar encapelado da vida.

Diz o dicionário que convicção é a “certeza adquirida por demonstração”. As opiniões nos custam apenas um fôlego, mas as convicções muitas vezes custam a própria vida. Todos nós somos férteis em opiniões, mas poucas são as que chegam a convicções fortes. Alguns confundem preconceitos com convicções. Os preconceitos, contudo, só nos fazem fanáticos. Devemos alcançar a certeza da realidade básica de nossa fé.

Como qualquer líder valoroso, Paulo nutria fortes e duráveis convicções. Ele tinha crenças inabaláveis concernentes a Deus e ao homem, à vida e à morte, a este mundo e ao vindouro. Tais crenças davam colorido e autoridade à sua liderança. As pessoas seguem de boa vontade o crente que se firma nas suas crenças.

“Não é a sabedoria do pregador, mas a sua convicção, que se comunica aos outros. A chama verdadeira acende outra chama. O homem que tem convicções falará e será ouvido… Não há quantidade de leitura ou de brilho intelectual que tome o lugar da convicção e da sinceridade.”

As convicções não são produto apenas da razão e da pesquisa. Em seus Pensa- mentos, Pascal escreveu: “O coração tem razões que a própria razão desconhece. É o coração, e não a razão que sente a Deus. Há verdades que são sentidas e verdades que são provadas, porque conhecemos a verdade não só pela razão, mas pela convicção intuitiva a que se pode chamar coração. As verdades primárias não são demonstráveis, e não obstante nosso conhecimento delas não é menos correto… A verdade pode estar acima da razão e não ser contrária a ela.”

O dirigente cristão deve estar seguro de certas convicções básicas; vamos considerá-las a seguir.

Concernentes às Escrituras

As convicções de um líder concernentes às Escrituras afetarão profundamente a natureza de sua liderança. Aquele que tem reservas mentais quanto à inspiração e autoridade absolutas da Bíblia não fará uma apresentação e aplicação positivas da verdade divina. Aqui, como em tudo o mais, Paulo estabelece o padrão.

Sua única Bíblia era o Antigo Testamento, e já antes de sua conversão ele a tratava com reverência como oráculos de Deus. Em sua preparação ele decorava longos trechos — prática inapreciável e pouquíssimo observada hoje em dia. Quando estive no Japão, há pouco tempo, um pastor japonês me disse que havia lido a Bíblia 86 vezes nos últimos sete anos! Demasiado grande é o número dos cristãos que já a leram do princípio ao fim uma única vez!

Em suas cartas, Paulo não dá a mais leve impressão de alimentar dúvidas sobre a origem e inspiração divinas das Escrituras. Ele teve de enfrentar, como seu Mestre antes dele, os mesmos problemas textuais, todos os assim chamados erros e discrepâncias do Antigo Testamento com os quais temos de contender hoje; mas não há uma centelha de evidência de que esses problemas lhe houvessem dado qualquer preocupação. Ao assumirmos a mesma posição, estamos em boa companhia.

A confiança de Paulo na autoridade e integridade das Escrituras expressa-se nestes versículos inequívocos: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16-17).

Ele compartilhava a convicção de seu Senhor de que “Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5:18).

Disse John Stott: “A Escritura é a Palavra de Deus porque é inspirada por Deus. Teve origem na mente divina, procede da boca de Deus, embora, é claro, tenha sido proferida por autores humanos sem destruir a individualidade deles e sem perder a autoridade divina no processo.”

As cartas de Paulo estão cheias de referências ao Antigo Testamento. Um diligente estudioso da Bíblia contou 74 citações em Romanos, 29 em 1 Coríntios, 20 em 2

Coríntios, 13 em Gálatas, 21 em Efésios, 6 em Filipenses, 4 em Colossenses, 7 em 1 Tessalonicenses, 9 em 2 Tessalonicenses, 2 em 1 Timóteo, 4 em 2 Timóteo, 3 em Tito — 192 ao todo.

Paulo nem sempre se dava ao cuidado de citar as palavras exatas do original, mas extraía o seu sentido, guiado pelo Espírito Santo; sempre que recorria às Escrituras, descobria princípios e verdades que se ajustavam exatamente às suas próprias necessidades e às de seus leitores.

Sua ilimitada confiança na exatidão e confiabilidade das palavras da Bíblia evidencia-se, por exemplo, quando ele constrói toda a sua argumentação sobre o uso do singular. “As promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo” (Gálatas 3:16). Em sua defesa perante Félix, ele declarou: “acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei, e nos escritos dos profetas” (Atos 24:14).

Ele cria com todas as forças que as Escrituras do Antigo Testamento eram aplicáveis à vida e experiência dos cristãos do Novo Testamento. Referindo-se às experiências de Israel no deserto e ao juízo que caiu sobre o povo por causa do pecado, Paulo escreveu: “Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado” (1 Coríntios 10:11). E de novo: “E não somente por causa dele [Abraão] está isso escrito que lhe foi levado em conta, mas também por nossa causa” (Romanos 4:23,24).

Em face do óbvio amor e reverência de Paulo pelo Antigo Testamento, e do frequente uso que dele fez, segundo escreveu R. E. Speer, “é triste pensar que é provável que ele não possuísse um exemplar do Antigo Testamento. As Escrituras do Antigo Testamento eram escritas em rolos incômodos de carregar, e eram caras demais. Em suas longas viagens, seria difícil para Paulo levá-las consigo, caso lhe tenha sido possível adquiri-las.” Quanto deveríamos nós prezar nossas Bíblias compactas, fáceis de ler e de carregar!

Concernentes às críticas desfavoráveis

Quanto mais alto um homem sobe em liderança, tanto mais fica sujeito à crítica e ao cinismo dos rivais ou dos que se opõem às suas opiniões e ações. A maneira pela qual ele reage terá efeitos de longo alcance sobre a sua obra. A busca da popularidade pode significar a perda da verdadeira liderança espiritual.

Paulo estabeleceu um valioso padrão nesta área. Embora ele desejasse que seus companheiros pensassem bem dele, ele recusava a ser popular a expensas do favor do seu Mestre. Ele expressou sua ambição em 2 Coríntios 5:9: “É por isso que também nos esforçamos… para lhe ser agradáveis”. Escrevendo aos gálatas, ele pergunta: “Porventura procuro eu agora o favor dos homens, ou o de Deus? ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gálatas 1:10).

A opinião contrária de seus companheiros não o perturbava indevidamente, em- bora ele não procurasse ser criticado. “Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por tribunal”, escreveu ele aos coríntios. “Porque de nada me argui a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor. Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que venha o Senhor” (1 Coríntios 4:3-4, 5).

Visto que Paulo sabia ser fiel aos “mistérios de Deus” que lhe foram confiados (4:1), ele podia dar-se ao luxo de não levar em conta a mera opinião humana. “A mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós. ”Tem-se salientado que se a crítica da Igreja apenas trinta anos após o Pentecoste podia ser assim ignorada pelo fiel líder, a censura da igreja morna dos nossos dias não precisa causar-nos muitos terrores.

Nem temia ele o julgamento do mundo — qualquer tribunal humano. O mundo não era seu juiz; contudo, ele tinha o cuidado de preservar certo equilíbrio. Também escreveu: “Não vos torneis causa de tropeço… assim como também eu procuro em tu- do ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos” (1 Coríntios 10:32, 33).

“Mendelssohn não teria submetido seus oratórios ao julgamento de um surdo-mudo, nem Rafael suas telas ao juízo de um cego de nascença”, escreveu D. M. Panton, “como Paulo não submeteria os mistérios de Deus a um mundo que não o conhece.”

Ele foi além, e afirmou que a posse de uma consciência perfeitamente limpa, por mais valiosa que seja, não o justificava. Embora a consciência o lisonjeasse, ele desconfiava até do seu próprio veredicto, pois conhecia a sutileza de seu próprio coração. “Nem eu tampouco julgo a mim mesmo. Porque de nada me argui a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado.”

“Quem me julga é o Senhor” — e ele conhece tudo. Ele pode pesar os motivos bem como avaliar os fatos. É ele o supremo tribunal de apelação. Seu juízo é justo e infalível — portanto devemos suspender o julgamento. “Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que venha o Senhor.” Nossos poderes são limitados demais, nosso conhecimento é insuficiente, nossas mentes demais tendenciosas para podermos chegar a um juízo correto. Podemos e devemos confiar tudo às competentes mãos divinas, e no final, “cada um receberá o seu louvor da parte de Deus”.

Resta dizer que a indiferença pela opinião humana pode ser desastrosa se não vier ligada com o temor de Deus. Mas, cumprida esta condição, certa independência das avaliações humanas pode ser um grande bem ao crente disciplinado cujo alvo é a glória divina. Para Paulo, que tinha o ouvido afinado com a voz mais alta da avaliação de Deus, a voz do homem era fraca. Ele não temia o juízo humano porque sabia encontrar-se diante de um tribunal mais elevado.

Concernentes à Igreja

A esfera da liderança de Paulo era preeminentemente a Igreja. Na verdade, olhando do ângulo humano, poder-se-ia dizer que ele é seu principal arquiteto. Sob a orientação do Espírito Santo ele foi em grande parte responsável por moldá-la no instrumento de comunhão local e de evangelização mundial que ela veio a ser posterior- mente. Ele via com clareza que a Igreja ocupava lugar central nos propósitos de Deus.

Conquanto Paulo estivesse dolorosamente cônscio da fraqueza e das falhas da Igreja, e, em certo sentido, fosse individualista, ele não a abandonou nem estabeleceu alguma organização de sua própria inventiva, “responsável só perante Deus”, como ocorre com tanta frequência em nossos dias. Ele procurou fortalecê-la de dentro. Seu ensino e exemplo em nada apoiam aqueles que costumam denegrir a Igreja.

“Portanto, o cristão individualista, cuja lealdade à Igreja é leviana, e às vezes é tentado a depreciar o ‘Cristianismo organizado’, não deve esperar a simpatia de Pau- lo.”

Na estrada de Damasco ele começou a aprender o valor que Cristo dava à sua Igreja. “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 9:4). Aquele que tocava sua Igreja tocava a Cristo! Ele aprendeu que “Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25). Era propósito de Deus que, “pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus nosso Senhor” (Efésios 3:10-11).

Esta elevada estima da Igreja levou Paulo a conservá-la no centro do seu pensamento e planejamento. É interessante notar que a maioria das figuras que Paulo emprega para retratar a Igreja são vivas. Um organismo que cresce, em vez de mera organização — o corpo místico de Cristo (Colossenses 1:24). Na Igreja ele via unidade em meio à diversidade: “Porque, assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função; assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros” (Romanos 12:4-5).

O conceito que Paulo tinha do relacionamento conjugal como um quadro da Igreja (Efésios 5:25) é desenvolvido ainda mais ao chamar a Igreja de Noiva de Cristo, com toda a riqueza de imagens que essa figura encerra (Apocalipse 19:7,9). Não se poderia imaginar relacionamento mais terno e afetuoso.

Paulo não via a Igreja como uma instituição rígida e fria, mas como uma família afetuosa e amorosa, a família de Deus com todos os relacionamentos felizes que a verdadeira vida familiar envolve. Deus, que “faz que o solitário more em família”, estabelece os cristãos em Igrejas, onde, idealmente, o povo de Deus serve uns aos outros e leva as cargas uns dos outros. Ele é o Pai, “de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra” (Efésios 3:15).

Paulo também adota a figura de um edifício, um templo que está sendo construído tendo Cristo como alicerce e principal pedra de esquina. E um templo santo, uma “habitação de Deus no Espírito” (Efésios 2:22). Cada crente é uma pedra viva coloca- da nesse edifício divino.

A Igreja é também a guardiã da verdade divina e testemunha dela, porque ela é “a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1 Timóteo 3:15). Em lugar algum Paulo representa a Igreja como perfeita e infalível — ele conhecia muito bem suas fraquezas. Quando ele falou de Cristo apresentando a sua Igreja “gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante”, sabia que esse dia estava distante no futuro (Efésios 5:27).

Embora a unidade da Igreja deva ser nosso constante objetivo e esforço, não de- vemos buscá-la a expensas da verdade. “A unidade torna-se imoral”, escreve R. E. Speer, “quando adquirida ao preço da fidelidade a Cristo ou à lei de Cristo na vida… Para Paulo só duas coisas serviam de motivo para rompimento e divisão. Uma era deslealdade e infidelidade a Cristo; a outra, o pecado impenitente.” O Cristo assunto ao céu enriqueceu a Igreja com dons espirituais apropriados para cumprir seu propósito eterno. Porém, mesmo em seus melhores dias, alguns desses dons sofreram abuso. Isto deu margem às instruções de Paulo nos capítulos 12-14 de 1 Coríntios, concernentes ao exercício correto desses dons. Ele acentuou que a finalidade desses dons era a edificação da Igreja, e não o engrandecimento de quem os possuía, e que a ausência do amor autêntico neutralizaria sua eficácia.

Assim, para ele, a Igreja era o centro focal de adoração e testemunho, de conselho e ensino, de exortação e estímulo, de treinamento para o serviço.

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE CORPORATIVA

Cresce a preocupação das empresas em promover a inclusão e a ascensão das minorias em seus postos estratégicos. As mulheres são o principal alvo.

Mistura Corporativa

Em janeiro de 2009, a executiva americana Ellen Kullman assumiu o cargo de CEO global da DuPont, gigante da indústria química. Foi a primeira mulher na empresa a alcançar esse cargo. Mas não deverá ser a última. Fruto de um longo trabalho de diversidade, ascensão de mulheres a posições e liderança vem crescendo na empresa. Em 2003, elas representavam apenas 1% dos postos estratégicos na filial brasileira. Hoje,34% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres. ” O nosso objetivo é manter o crescimento percentual da presença das mulheres em cargos de liderança de 2% ao ano, como vem acontecendo nos últimos três anos”, afirma Ana Cristina Piovan, diretora de recursos humanos da DuPont Brasil.

O movimento feito pela DuPont vem sendo, cada vez mais, acompanhado por outras companhias. Preocupadas em aumentar a diversidade de seus times, empresas de diferentes portes e setores estão empenhadas em criar estratégias de inclusão e ascensão não apenas de mulheres, mas das chamadas minorias. Segundo um levantamento feito pelo Instituto Ethos e pelo Ibope Inteligência com o apoio institucional da lnter-American Foundation(IAF), em 2007, 79% da s 500 maiores empresas do Brasil promoveram ações em favor da diversidade. Dois anos antes, apenas 52% delas se preocupavam com o tema. “Apesar desse tipo de discussão não ser brasileiro, acabou chegando também aqui”, diz a antropóloga carioca Lívia Barbosa, professora da Universidade Federal Fluminense. “O que era um assunto periférico passou a ser um tema importante.”

A discussão ganhou importância à medida que as empresas perceberam que o discurso de “ser diferente”, mais do que bonito, realmente fazia diferença nos negócios. Há dez anos, um estudo realizado pela revista americana Fortune demonstrou que as ações de 50 companhias dos Estados Unidos que estimulavam a gestão da diversidade tiveram desempenho superior à média de mercado. De lá par a cá, os olhos dos gestores começaram a se voltar para essa questão. “A diversidade não é mais uma política de RH, mas uma estratégia do negócio”, afirma Alessandro Bonorino, diretor de recursos humanos da IBM para a América Latina. “A principal vantagem é que isso permite ter o melhor time de talentos para enfrentar o mercado, também formado por diferenças.”

A IBM conta com anos de tradição na história da diversidade. Muito antes de o assunto entrar na pauta de discussão dos movimentos sociais, em 1935, a em presa já havia iniciado a política de equidade salarial entre homens e mulheres. No Brasil, as ações ganharam mais foco em 2002. Com 17.000 funcionários na subsidiária brasileira, a companhia convidou os profissionais que fazem parte dos grupos de minoria a liderar junto com os executivos as iniciativas de diversidade. Foram criadas equipes de trabalho para discutir dificuldades e construir ações. São comitivas de mulheres, portadores de deficiência, afrodescendentes e GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transexuais).  “Criamos esses grupos porque não são executivos tentando adivinhar as necessidades, mas as pessoas que vivem na pele as dificuldades encontradas no dia-a-dia”, afirma Bonorino.

Aproveitando a expertise de quem realmente entende das minorias, há oito anos a IBM criou grupos de vendas para esse público. Com eles, a empresa fatura 500 milhões de dólares por ano em todo o mundo. “Para conseguir esses resultados, a IBM precisou contratar pessoas que integravam minorias e que pudessem apoiá-la em seu processo de aproximação com esse público”, afirma Ralph Arcanjo Chelotti, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos e vice-presidente da região sul da Federação Interamericana de Associações de Gestão Humana. Ao longo desses anos investindo em minorias, a IBM provou que a diversidade traz vantagem competitiva para o negócio. “É o que faz uma empresa ser ou não inovadora”, acredita Bonorino.

 

 PRIMEIRO LÁ FORA, DEPOIS AQUI

Apesar de estar mais atento ao assunto, o Brasil ainda está abaixo da média em ações de diversidade comparado com outros países. É o que aponta o ranking Workplace Survey, baseado numa pesquisa elaborada pela empresa de recrutamento Robert Half.  A pesquisa, que ouviu 2.481 executivos de recursos humanos em empresas de 17 países, revelou que36% das companhias brasileiras afirmam ter políticas de diversidade. A média mundial é de 44%. “O tema já vem sendo desenvolvido nas empresas, mais comumente em grandes companhias e principalmente nas multinacionais, em que essa preocupação já existe há mais tempo”, afirma Fernando Mantovani, diretor da Robert Half.

A Unilever, grupo anglo-holandês de bens de consumo, reflete bem esse exemplo. Apesar de hoje a subsidiária brasileira ter uma política consistente de diversidade, a iniciativa partiu da matriz. A meta da empresa era aumentar a participação de mulheres em cargos executivos em todas as suas subsidiárias. A partir daí criou um amplo programa de diversidade. O Brasil teve liberdade para incluir dois outros públicos no programa: portadores de necessidades especiais e pessoas menos favorecidas socialmente. Para atingir o objetivo, a Unilever primeiro prestou atenção aos motivos que afastavam as mulheres do poder. Constatou que grande parte delas abria mão da carreira para dedicar mais tempo à família, especialmente aos filhos. A empresa passou a adotar algumas medidas, como horário flexível, possibilidade de trabalhar remotamente e até licença não remunerada de um ano para as que desejavam esticar o tempo de permanência com os filhos.

Os outros dois públicos escolhidos pela filial brasileira também receberam planos de ação. A empresa passou a sensibilizar outros funcionários, por meio de vídeos, cartilhas e palestras sobre a importância de ter deficientes no ambiente de trabalho. No pilar Inclusão Social, desde 2004 a Unilever passou a escolher todo ano seis candidatos entre 30 jovens de 16 a 18 anos pré-selecionados por ONGs. Além da graduação, eles fazem curso de inglês e informática.

As ações, que começaram há seis anos, já tem resultados, especialmente no pilar Mulheres. Em 2002, 30% dos cargos gerenciais eram ocupados por elas. No ano passado, eram 47 %. Na vice-presidência, em que não existiam mulheres, hoje elas já somam 20% do quadro.

 

MULHERES NA LINHA DE FRENTE

Embora o tema diversidade inclua negros, homossexuais, portadores de deficiências, etc., as mulheres parecem ser o alvo preferido das empresas. A história pode explicar esse fenómeno. Os negros e as mulheres, foram os primeiros a se fazer ouvir, como consequência de seu pioneirismo na luta por direitos iguais.” Passou de um pedido de discriminação para um pedido de reconhecimento do direito às diferenças”, afirma Lívia Barbosa.  Hoje, tornou-se parte da estratégia de muitas companhias.

O plano de retenção e promoção da população feminina vem surtindo a passos lentos, é verdade seus primeiros efeitos. Segundo o Instituto Ethos, a presença de mulheres, que formam 43,5% da população economicamente ativa, saltou de 6% para 11,5% nos últimos oito anos. ” O crescimento ainda é pequeno, mas já sentimos a evolução”, afirma Paulo Itacarambi, vice-presidente do Ethos.

Na DuPont, o primeiro passo na disseminação da diversidade também foi o trabalho de inserção nos postos de liderança. Para isso, a empresa investiu no desenvolvimento do time feminino para que, quando chegasse a hora, elas estivessem prontas para assumir as posições. Há sete anos, a empresa criou um programa chamado Network de Mulheres, pelo qual elas dividem experiências de carreira. Hoje, com os resultados já garantidos, o programa não existe mais. ” Quando uma ação funciona naturalmente, não precisa mais da intervenção da empresa”, diz Ana Cristina Piovan, da DuPont. “Deixou de ser uma atribuição e passou a ser um compromisso das mulheres que já chegaram lá de preparar outras para também alcançar posições de liderança.”

Também na IBM, que mantém seus vários grupos de minoria, o investimento em desenvolvimento para garantira ascensão de mulheres é uma das ações prioritárias. Com o treinamento denominado Tomando Palco, a empresa orienta as 100 profissionais com potencial decrescimento a se posicionar no mundo corporativo. A companhia também identificou 15 mulheres com potencial acima da média e desenhou programas específicos de desenvolvimento para elas. Um deles é o Programa Sombra, pelo qual elas acompanham outros executivos, recebem mentoring e podem mudar de cargo para adquirir experiência em outros setores. Hoje, as mulheres representam 35% do time da IBM. Nos cargos de gestão, elas já são 2%.

O horário flexível – adotado pela Unilever para segurar suas mulheres também foi abraçado pela IBM e pela DuPont. Ambas perceberam que a flexibilidade de horários permite que as mulheres encarem de outra forma o trabalho. A IBM chegou a criar até um programa que dá suporte aos filhos dos funcionários, uma preocupação bastante presente na população feminina. O site Família 24 Horas ajuda as crianças na rotina escolar e conta com professores para tirar dúvidas.

A Fersol, fabricante de defensivos agrícolas, foi além no plano de segurar suas funcionárias. Ainda quando ninguém falava no assunto, a empresa adotou a licença maternidade de seis meses, esticada com mais um mês de férias. Para o pai, a licença é de dois meses, também com direito a completar com férias de 30 dias. Os processos e produção da empresa também foram revistos. Para que elas pudessem trabalhar em posições antes apenas ocupadas pelos homens, a Fersol colocou, por exemplo, máquinas na linha de montagem para carregar as caixas dos produtos. Antes o trabalho era manual, impossibilitando que as mulheres fizessem esforço. Com as ações, as mulheres chegaram a representar 64% do quadro da empresa, que conta com 200 colaboradores. Dos 13 cargos de liderança, oito são ocupados por mulheres. A companhia chegou a ter de repensar a estratégia para manter o equilíbrio entre as populações.

A VEZ DOS HOMOSSEXUAIS

Desde 1996, a Fersol vem investindo em diversidade, passando a contratar pessoas que fazem parte de minorias. Na época, com 90% do quadro formado por homens brancos com idade entre 20 e 40 anos, a companhia começou a fazer parcerias com ONGs para selecionar mulheres, negros e portadores de deficiência. “A qualificação é fundamental, mas, quando não conseguimos um profissional que tenha todos os requisitos necessários para o cargo, criamos uma posição com menor responsabilidade para treiná-lo “, diz Michael Haradom, presidente da Fersol. “Dessa forma, conseguimos mudar a formação da

empresa.” Já em 2004, a Fersol contava com 64% de mulheres, 53% de afro-brasileiros, 26% de pessoas acima de 45anos, 3% de portador es de deficiência, 3% de homossexuais e 5% de pessoas em processo de liberdade assistida. No mesmo ano, a empresa bateu recorde em seu faturamento: 100 milhões de dólares.

Os homossexuais também foram conquistando seu respeito no ambiente corporativo. Prova disso é o crescimento de empresas que passaram a estender os benefícios do plano de saúde para parceiros do mesmo sexo. Segundo a terceira edição da pesquisa sobre benefícios de assistência à saúde da consultoria Watson Wyatt, em 2008 houve aumento de 13% na concessão da assistência pelas companhias em relação ao ano anterior, quando esse índice era de 20%.

Os especialistas fazem um alerta para esse tipo de ação. “Algumas empresas optaram por um caminho mais conservador, como oferecer benefícios”, afirma Klecius Borges, terapeuta de homossexuais. “Isso é importante para mostrar que elas se preocupam com essa questão, mas não vai eliminar a insegurança do profissional. “O mais importante, segundo ele, é tornar as políticas claras e educar os colaboradores a praticar o respeito às diferenças.

Tendo a diversidade como um dos pilares de seu negócio, a Du­Pont deixa claro, desde o início, que não tolera o trato desrespeitoso. Assim que o funcionário entra, passa por treinamentos que envolvem a questão da diversidade. O código de conduta da empresa também inclui essa questão e estabelece padrões de convivência. Além dos benefícios no plano de saúde, a IBM trabalha a conscientização para garantir um ambiente tolerante. Realiza palestras sobreo assunto, nas quais os colaboradores que já viveram discriminação contam suas experiências. No grupo de diversidade GLBT participam cerca de 20 profissionais. Uma das ações lideradas por esse grupo são os workshops com duração de três dias, voltados para as lideranças. Neles, os homossexuais se reúnem com executivos para discutir como acelerar a carreira. “É um mentoring reverso, o qual eles orientam os líderes sobre o processo de entendimento da vivência desse grupo”, explica Alessandro Bonorino.

 

ALÉM DAS COTAS

Começou como uma exigência da legislação brasileira que, a partir de 1999, determinou que, as empresas com mais de 1.000 funcionários, tivesse 5% de seu quadro composto de pessoas com deficiência. A necessidade se transformou num desafio e tanto para os profissionais de recursos humanos, exigindo ações rápidas. Segundo o Instituto Ethos, programas para inclusão de pessoas com deficiência tornaram-se os campeões entre as ações afirmativas listadas em sua pesquisa. Em 2003, apenas 32% das empresas diziam possuir algum programa específico para essa finalidade. Em 2007, 67} das organizações disseram “sim” à questão. A Unilever contratou uma assessoria especializada para recrutar os profissionais. Até 2008, a empresa passou de 0,4% para 4,3% no número de colaboradores com deficiência.

Uma alternativa encontrada pelas organizações foi a flexibilização das atividades. ” Quando um profissional desse grupo não possui todos os requisitos para a função, flexibilizamos as exigências e criamos um plano de desenvolvimento para que eles fiquem aptos”, diz Ana Cristina, da DuPont. Preparada antes mesmo do decreto federal, a multinacional atingiu dentro dos prazos a meta dos 5%. O Programa Network, que nasceu para as mulheres, agora migrou para os deficientes. Nas reuniões são trabalhados desde a formação dos profissionais até o relacionamento com os líderes. Ao todo, 200 pessoas participam do grupo no Brasil.

Desenvolver os deficientes também foi a solução encontrada pela IBM para incluí-los em sua força de trabalho. Em 2008, a empresa realizou uma parceria com o Instituto Eldorado, em Campinas, no interior de São Paulo, para formar 20 profissionais em tecnologia, para programação de sistemas em inglês. Para acelerar a capacitação dos profissionais e ter massa crítica para contratar, especialmente as pessoas com deficiência, a empresa está realizando um projeto em parceria com o Centro Paula Souza “O perfil da IBM é mais alto que o de muitas indústrias. A maioria possui curso superior”, diz Bonorino. “Nosso desafio é investir na preparação de mais pessoas desde a base.” O desafio dele e de muitas outras empresas que buscam efetivamente levar o discurso de diversidade para a prática.

 

RANKING DA DIVERSIDADE

A pesquisa Workplace Survey foi elaborada pela empresa de recrutamento Robert Half em junho de 2008. A segunda edição incluiu, pela primeira vez, o Brasil na avaliação. A pesquisa, que ouviu 2.481 executivos de recursos humanos em empresas de 17 países por todo o mundo (excluindo Estados Unidos e Canadá), resultou num ranking dos países com mais ações de diversidade nas empresas. No Brasil, foram ouvidos 202 executivos. Veja os lugares que mais praticam a diversidade no mundo:

 

Irlanda 83%

Austrália 68%

Reino Unido 59%

4º Hong Kong 49%

5º Bélgica       44%

6º Espanha     44%

7º Singapura  44%

8º França        40%

9º Brasil          36%

10º Suíça        36%

11º Alemanha 33%

12º Itália        30%

13º Japão       28%

PSICOLOGIA ANALÍTICA

presentes-criativos

PRAZER POR RECEBER PRESENTES

As modulações bioquímicas influenciam a dinâmica cerebral e o estado de espírito; satisfação está relacionada à liberação dos “hormônios da expectativa”

 

No fim do ano, as vitrines decoradas das lojas nos lembram que o Natal está chegando. E quanto mais próxima a data, maior o frenesi de consumo. Muitos são tomados pelo receio de não conseguir concluir as compras a tempo e de não serem capazes de escolher os presentes adequados para cada pessoa. Por que esse estado de espírito numa época em que deveriam coexistir o prazer de dar e o de receber? Essa angústia se deve ao fato de as festas enunciarem, de forma explícita ou não, a existência de vínculos – ou a ausência deles. A escolha de uma lembrança e a hora em que é oferecida estão inseridas em uma complexa demonstração social – com múltiplas formas de troca – que oferece pistas sobre aspectos psíquicos, relações familiares e laços sociais.
No momento em que recebemos uma lembrança que corresponde às nossas expectativas sentimos uma onda de prazer, uma ação que reside em conjuntos de neurônios específicos. Surgidos ao longo da evolução, eles cumprem uma função crucial: a manutenção da vida. Os sistemas cerebrais que mais influenciam o comportamento são os que nos levam a satisfazer as necessidades vitais (comer, beber, reproduzir-se e proteger-se). E o prazer é o meio empregado pelo processo evolutivo para que essas funções sejam asseguradas. Para favorecê-las foi desenvolvido o sistema neuronal da recompensa.
Ao longo dos séculos, o cérebro dos humanos e de outros mamíferos tornou-se diferente, principalmente em razão do desenvolvimento do córtex, o que propiciou um aumento na complexidade das conexões neurais. As estruturas mais antigas – onde estão as células neurais do sistema de recompensa no animal – permaneceram inseridas no cérebro ancestral, denominado reptiliano. Na década de 50, os fisiologistas ingleses James Olds e Peter Milner fizeram uma experiência sobre o circuito da recompensa: foram implantados eletrodos em determinada região do cérebro de ratos, o núcleo accumbens, ligados a uma alavanca que o roedor podia acionar. Durante a experiência, observou-se que o animal se apoiava sem cessar sobre a alavanca, estimulando essa região de seu cérebro, esquecendo-se até mesmo de comer e beber. Depois, os mesmos estudos foram feitos com seres humanos que haviam passado por cirurgia, e os resultados foram similares. Ou seja, o cérebro de fato anseia por gratificação.

Neurocientistas consideram também importante um componente da sensação de prazer que experimentamos ao ganhar um presente: a tensão que precede a recompensa. O neurologista Ray Dolan e outros pesquisadores do Instituto de Neurologia da Universidade de Londres mostraram que o prazer associado ao alimento, por exemplo, só é acompanhado por uma liberação de dopamina (hormônio do prazer por excelência) se o consumo já era esperado, o que corresponde à noção de desejo. A dopamina é liberada sob a influência de dois tipos µ e δ de substâncias chamadas neuropeptídeos, secretadas pelo cérebro: os peptídeos opioides endógenos (encefalinas) fixam-se sobre receptores engendrando prazer e euforia e resistência à dor, e, em caso de excesso, sedação imitando a ação da morfina.
Nos dois últimos anos, a importância do sistema opioide interno na dependência psíquica às drogas foi demonstrada em ratos desprovidos dos receptores de tipo µ. As encefalinas intervêm no comportamento ligado à dependência e são provavelmente secretadas enquanto aguardamos uma recompensa. Utilizando a técnica conhecida como microdialise, pesquisadores mediram a concentração sináptica desses peptídeos no núcleo accumbens de ratos previamente condicionados à morfina.
O dispositivo experimental era constituído por duas áreas diferenciadas pela cor das paredes e pelo revestimento do chão. A primeira etapa foi de aprendizagem ou condicionamento. A cada dois dias, os animais tomavam uma injeção de morfina e eram colocados em uma das divisões; no dia seguinte recebiam um placebo antes de trocar de área: assim aprendiam a relacionar um meio específico com os efeitos positivos da morfina. Após o período de condicionamento, os ratos eram recolocados (sem injeção da droga) em uma das divisões e depois na outra. Quando os animais retornavam ao meio associado à morfina, os pesquisadores constatavam um aumento das encefalinas: o roedor antecipava a recompensa. Ao ser colocado no compartimento associado ao placebo, notava-se uma diminuição das encefalinas.
Com base nessas pesquisas seria possível falar em neurobiologia do prazer ligado aos presentes? Sem dúvida. As modulações bioquímicas observadas durante certas situações, no período de festas, por exemplo, certamente influenciam a química cerebral – e o estado de espírito. Extrapolando esses dados, podemos dizer que o prazer experimentado quando ganhamos um presente está ligado à ativação do sistema hedônico, proporcionada por neuromediadores de prazer (dopamina e encefalinas). Se, por infelicidade, o presente não chegar, é possível que a atividade hedônica diminua, ocasionando uma baixa momentânea de encefalinas. Essa reação desencadeia uma sensação de frustração – como a decepção da criança que não ganha um presente ou recebe algo diferente do esperado.

Fonte: Helen Thompson / Florence Noble – Revista Mente e Cérebro