AUTO LIDERANÇA

                                 ANIMA/ANIMUS: CONHECENDO OS COMPLEXOS

Arquétipos Jungianos - Anima-Animus

Em sua investigação da psique, constatou-se que não existe homem que seja só e exclusivamente masculino, isto é, que não possua em si mesmo algo de feminino. No inconsciente de cada homem há uma imagem coletiva da mulher. Esse é o arquétipo que recebeu o nome de “Anima”, que constitui a feminilidade da alma – ela compensa no homem a consciência masculina. Do mesmo modo, há o arquétipo contra sexual na mulher, com características masculinas, ao qual denomina-se “Animus. Não se trata de alma, mas do arquétipo da própria vida. Seria como uma “figura feminina” no inconsciente masculino na qual estão depositadas todas as experiências que o homem já teve da mulher. Por isso, ele projeta nela a imagem da “Anima”.

É a “Anima” que transmite as imagens do inconsciente para a consciência, assumindo um papel de ponte entre essas duas dimensões da psique; e tudo que ela toca torna-se numinoso. Cada um de nós sabe exatamente quando vive uma experiência numinosa; quando se chega à conclusão de que não se poderá mais viver como vivia antes.

Entende-se, pois que “Anima/Animus” tem vida própria por detrás da consciência e um caráter que se manifesta no sexo oposto. Exemplificando: como o que não é masculino é feminino e, assim – inconsciente -, é percebido fora de si, a “Anima” aparece geralmente projetada na mulher e o “Animus” no homem.

Eles se opõem à “Persona”, de modo que, se exteriormente um homem demonstra ser forte, interiormente ele esconde uma fraqueza feminina que o leva a fazer a projeção, incapaz de reconhecer suas próprias fragilidades porque se identificou totalmente com a “Persona”.

Assim como os demais arquétipos, “Anima/Animus” só podem ser conhecidos pela própria experiência interior, visto que cada homem e mulher experimentam a sua energia, que age de maneira autônoma promovendo a unidade, a integração dos opostos.

A mulher, com sua peculiar psicologia, é uma fonte de informação e inspiração para o homem, sobre coisas que ele sequer percebe. Ela não só o inspira, como é capaz de indicar-lhe caminhos que, sem a sua ajuda, certamente ele não descobriria.

A tomada de consciência dessa influência e dessa energia psíquica dentro de cada um de nós, certamente, será o caminho para se tornar mais inteiro. Quando o homem reprime em si essa força, ele se desvirtua de si mesmo e dos seus mais profundos anseios. Desse modo, a “Anima” consiste nos anseios inconscientes do homem. Em termos de padrão emocional, isso equivale aos estados de espirito, ansiedades, aspirações emocionais, medos e sensibilidade, capacidade de se relacionar, etc.

Historicamente, a não admissibilidade desse conteúdo em si, ou o medo da “Anima”, provocou, além de um grande sofrimento no homem, um processo grave de discriminação das mulheres e depreciação de tudo o que fosse considerado feminino.

Para corrigir o rumo da história coletiva e buscar a própria integração em seu processo evolutivo, o homem deverá primeiramente tomar consciência da atuação desse arquétipo dentro de si, recuperando assim a sua inteireza ou unidade primordial. Sabendo-se da força que o inconsciente exerce sobre o indivíduo, é preciso integrar a energia da “Anima” para poder incrementar o progresso em seu próprio ambiente cultural.

O desafio, então, é confrontar-se com a “Anima”, e desse árduo confronto pode surgir um novo indivíduo, integrado, harmonizado, porque terá passado pela maior das provas: o contato com suas feridas e, sobretudo, com o complexo materno.

Se considerarmos que o principal influxo de informações que os homens recebem a respeito de si e a respeito da vida vem da mulher, será fácil constatar que o complexo materno está presente em todos nós: a portadora do arquétipo é, em primeiro lugar, a mãe pessoal, uma vez que a criança vive inicialmente num estado de identificação inconsciente com ela. A mãe não é apenas a condição prévia física, mas também psíquica da criança.

Entende-se, então, complexo materno como a ideia de mãe com toda sua carga afetiva, anseio por carinho, vínculo afetivo e proteção. Quando a experiência inicial em nossa relação com a mãe é positiva, nós nos sentimos como pertencentes à vida, esse é o espaço onde nos sentiremos amados e protegidos; ao contrário, quando a experiência primordial do feminino é dolorosa, negativa, nós nos sentiremos perdidos, desenraizados e desligados de tudo. Se isso ocorre, constata-se um desequilíbrio na psique do indivíduo, que precisa ser cuidada, sob pena de acarretar-lhe graves problemas.

Por esse motivo, é preciso que o homem lute com vigor contra o seu complexo materno, a fim de se tornar um adulto consciente, reconhecendo que se trata de uma batalha interior. Do contrário, ele irá projeta-lo sobre as mulheres, trazendo os efeitos negativos. Seja na forma da submissão a elas ou buscando dominá-las. E, em qualquer situação, o homem que não resolve essa questão vai perpetuando o complexo na relação com os filhos. A força do complexo materno é demonstrada em ambas as situações.

Na verdade, mais que humilhado pelos homens e pelas mulheres, ele é humilhado por si mesmo. Como não suporta a ideia de se sentir frágil, ou de assim ser percebido – como um fraco, um ser vulnerável -, silencia na sua dor e, investido da “Persona”, muitas vezes ataca e faz os outros sofrerem, tentando esconder a si mesmo com um pretenso autoritarismo ou outras formas de demonstração de força e poder que, de acordo com os parâmetros coletivos, sugerem masculinidade.

Assim como o arquétipo materno está presente determinando o comportamento, como foi assinalado anteriormente, o arquétipo do pai também manifesta sua força na vida do indivíduo, de modo indelével. Se a experiência com o pai for positiva, o indivíduo experimentará desde a infância o apoio, a força, e terá um modelo positivo no mundo; ao contrário, se tal experiência for negativa, a psique da criança será esmagada.

Se da mãe a criança recebe proteção e carinho, do pai ela recebe força e poder para lutar pela vida e ingressar no mundo. Se a mãe ativa o complexo materno, que deverá ser transcendido para que o indivíduo não permaneça infantil e dependente, o arquétipo do pai deverá conduzi-lo na jornada rumo à experiência, à maturidade.

Por esse motivo é que é fundamental para os filhos saberem que são amados e aceitos pelo pai. É preciso que o pai diga isso para o filho, pois é verdade que muitos homens sentem grande dificuldade em sua jornada de individuação porque não tiveram apoio paterno. Por faltar-lhe uma referência de companheiro, de sabedoria, de inspiração, o menino terá em sua trajetória muitos percalços, sobressaltos e obstáculos para conseguir se afastar do complexo materno e vir a ser ele mesmo.

Se não houver uma tomada de consciência de que essa “Anima” reside em sua psique, o homem não se encontrará plenamente como indivíduo em sua trajetória. É por isso que esse confronto é atroz, mas vital.

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