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Persona

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ARQUÉTIPOS

Arquétipos Jungianos - Persona

PERSONA – ATORES INCONSCIENTES E INCONSEQUENTES

A palavra Persona é originária da Grécia antiga, referindo-se à máscara que o ator usava e pela qual saía o som (per sonare) da sua interpretação nos diferentes papéis do teatro. A nossa “Persona”, portanto, é a máscara que usamos, não no sentido de hipocrisia e falsidade, mas como um arquétipo de adaptação social. Representa nossos veículos, com os quais nos movemos e nos relacionamos na sociedade. Nesse sentido, ela é importante para o funcionamento das relações sociais.

Ao longo da vida, vamos aprendendo a nos comportar em cada ambiente, a suprimir em nós o que é considerado inaceitável e a vestir uma espécie de máscara psicológica para podermos participar da vida social. Essa máscara – Persona – que a sociedade nos força a usar, por causa de suas expectativas a nosso respeito, serve para expressar o nosso papel social, mas também serve para esconder quem somos.

Entretanto, quando idealiza uma imagem à qual pretende se moldar, o indivíduo acaba por anular-se, sacrificando a sua individualidade. E, assim, ao pretender caracterizar-se como indivíduo, a Persona revela que é, na verdade e, sobretudo, uma máscara da psique coletiva. Ou seja, ela aparenta uma individualidade, mas não passa de um papel representativo das expectativas da sociedade. Ela é uma aparência escondendo uma essência. E o que acontece, frequentemente, é que o indivíduo acaba por se identificar com a máscara. Essa identificação muitas vezes é de tal ordem que o indivíduo não sabe mais viver sem ela. Ele é a máscara. E o grande perigo é não ter consciência disso. A máscara inconsciente camufla o verdadeiro ser. Ela não passa de um recorte da psique coletiva, aparentando uma individualidade, procurando até mesmo convencer os outros e a si mesma da sua individualidade, quando não passa de uma representação daquilo que a psique coletiva definiu como deve ser. Ela nada possui de real; é apenas um compromisso entre indivíduo e sociedade, reduzido em seus papéis.

Desde que nascemos recebemos uma carga de expectativas dos nossos pais, que vão determinando nossos papéis. Nosso ego vai se formando inicialmente, para atender a essas expectativas e receber a aprovação dos pais e da comunidade. Mas, ao longo da vida, é necessário que se faça uma distinção entre o nosso ego e os papéis que assumimos. Embora tenhamos que levar em conta os padrões e expectativas definidos pela sociedade, não podemos confundir nossa identidade com nossos papéis. A caracterização da Persona se torna extremamente forte no mundo do trabalho, definindo de tal modo o comportamento que todos vão se igualando na massa. Assim é que ser bem-sucedido está mais relacionado à capacidade de impressionar, de fazer o “marketing pessoal”, de ser competitivo, de como se vestir, dos lugares que frequenta etc. Isso muitas vezes vale mais que o caráter, mais que ser singular.

Todos nós precisamos ter consciência de que cada um utiliza as vestes para proteção e aparência, mas sabendo também que, quando quiser, pode trocá-las por outras mais confortáveis, mais apropriadas, e até mesmo, ficar nu em outros momentos. No entanto, se as vestes – que são representacionais – grudam em nosso corpo e até teimam em substituir a nossa pele, muito provavelmente nós adoecemos.

Essa carga opressiva sobre o indivíduo também se manifesta em outra emoção negativa, que regula o comportamento das pessoas desde tempos imemoriais, definindo atitudes, estabelecendo regras, ditando procedimentos. Do nascer ao morrer, o ser humano age e reage em função do medo. A criança, desde a primeira infância, tem seus medos embasados em sua própria biologia e manifesta-os pelo choro. O sentimento evolui conforme a idade, e o indivíduo o vai relacionando com as manifestações da natureza, catástrofes e as “bruxas” que povoam o seu imaginário. Na adolescência, o temor refere-se ao ridículo, à questão dos conflitos familiares e à aceitação social. Amadurece temendo o mercado de trabalho, o fracasso em seus próprios compromissos pessoais e profissionais e, sobretudo, o medo não corresponder às expectativas, e, por fim, teme a inexorabilidade do tempo que chega, trazendo problemas para a saúde e incertezas.

Também cresce o medo do outro. O medo do contágio, o medo do relacionamento. O medo do estranho e do diferente, que passam a ser fonte de perigo. Entre tantos medos, um se destaca como patológico: o medo de si mesmo – medo de não corresponder às expectativas do coletivo e de ser humilhado por reconhecer as próprias fragilidades e medos. Para provar que não tem medo do outro e que é capaz de corresponder às expectativas do coletivo, o outro passa a ser visto como um adversário que precisa ser destruído, e não como igual, como um irmão. E sabe-se que esse medo é um campo fértil para paralisar a evolução, para o desempenho medíocre, para os baixos resultados em tudo o que intente fazer.

O homem se liberta à medida que começa a se relacionar diretamente com os seus medos; liberta-se para se tornar o homem que deseja ser, quando decide vencer seus próprios medos. Para curar-se, é preciso que ele assuma que sente esse medo e deixe de sentir vergonha desse sentimento. Porque o que não compreendemos dentro de nós, nós projetamos sobre os outros de tal modo que toda sociedade fica impregnada pela sombra que nela projetamos. E, assim, passamos a ser controlados pelo que desconhecemos em nós.

Muitos homens escondem tais emoções atrás de um modo “workaholic” de ser, trabalhando até a exaustão. Outros se refugiam nas drogas, ou tentam se esconder de si mesmos atrás da máscara truculenta do autoritarismo e em muitas outras formas patológicas de viver, até que uma força vulcânica os derrube através de inúmeras doenças e do estresse.

Como não consegue dar um significado à sua dor e nem compreender os sinais do seu corpo que lhe exigem atenção, o homem permanece preso a seu ferimento, o que não lhe possibilita crescimento, transformação e sabedoria; a dor que não tem sentido é a que mais faz sofrer e mata. Sua inconsciência a respeito dos próprios traumas, das suas feridas, faz com que mantenha sua dor, muitas vezes cultivando-a quando fere os que ama e aqueles que com ele convivem.

Para se libertar do sofrimento é preciso que o homem o acolha, tome consciência, reconheça as próprias feridas, “tome a sua cruz” e a transforme, dando-lhe um sentido que lhe traga a cura para si mesmo e também para o seu entorno, pois, uma vez curado, curará o mundo.