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Viktor E. Frankl – Em Busca de Sentido

Se você leu a primeira postagem intitulada Auto Liderança e quer aprofundar seus estudos no campo da Psicologia e entender o propósito deste estudo, aconselho que baixe e leia este material.

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AUTO LIDERANÇA

AUTO LIDERANÇA

Inconsciente Coletivo - Jung

PARTE 2 – INCONSCIENTE COLETIVO E ARQUÉTIPOS

A grande novidade trazida por Jung em sua psicologia, e que se tornou um dos seus principais diferenciais, é o conceito do inconsciente coletivo. Este foi definido como a camada mais profunda do inconsciente pessoal e que não foi adquirida pela experiência pessoal, mas, ao contrário, é inata ao ser humano.
Assim como cada um de nós possui uma anatomia comum, embora cada qual com as suas próprias singularidades físicas, também possuímos uma espécie de estrutura psíquica comum, não obstante às diferenças de personalidade. É desse modo que chegamos neste mundo: com uma espécie de estrutura psicológica herdada e transpessoal, não com uma psique em branco, uma tábula rasa na qual posteriormente serão registrados carácteres. À essa parte mais profunda da psicologia foi atribuída o nome de “coletiva”, porque se trata de um inconsciente universal, supra pessoal e diverso da psique individual.
Embora o inconsciente pessoal contenha os elementos que foram reprimidos e/ou esquecidos e percepções subliminares – fatos que fazem parte da experiência vivida por cada um de nós -, ele, em si, não esgota toda a natureza do inconsciente. Há uma outra esfera, vastíssima e muito mais profunda, que conhece o ser humano na sua essência, como ele sempre foi e não como é neste exato momento. Conhece-o como “mito”. Ou seja, trata-se de uma expansão do ser humano para além de si mesmo.
Essa dimensão da psique originou-se há cerca de dois milhões de anos, quando o homem surgiu na terra, e, desde então, esse velho homem nos habita e se manifesta a nós através dos sonhos, indicando o caminho que devemos trilhar como indivíduo. Cada um de nós carrega, assim, toda a história da humanidade. Então, cada ser humano que nasce já chega a este mundo com o cérebro totalmente equipado, com a mente pré-condicionada para reagir ao mundo exterior, tendo já a sua capacidade para fazer – o que, ao longo do tempo, vai se desenvolvendo.
O inconsciente coletivo é constituído por conteúdos – modos de comportamento – considerados universais, isto é, presentes em todas as culturas de todos os tempos e lugares, e que se repetem – de forma idêntica – em todas as pessoas. A esses conteúdos chamamos de arquétipos, pois se trata de imagens primordiais existentes deste os tempos mais remotos da humanidade. Foram definidos como sistemas de prontidão que reúnem, ao mesmo tempo, imagens e emoções hereditárias, como a própria estrutura cerebral; agem como o aspecto psíquico do cérebro. Assim, eles representam um conteúdo inconsciente que é reproduzido ao longo do tempo, sem que sobre ele haja uma elaboração consciente, e, portanto, podemos afirmar que existem tantos arquétipos quanto situações típicas na vida humana.
Compreende-se o arquétipo, então, como uma espécie de instinto psicológico, uma tendência inata presente na psique. Essa tendência ou esse padrão de comportamento é que nos predispõe a reagir de forma padronizada diante de determinadas situações, imagens e temas.
Há, porém, uma outra dimensão especificamente individual e mais superficial, a qual denominamos de inconsciente pessoal, cujo conteúdo está relacionado às experiências e complexos de caráter emocional. O ego é um complexo que está no centro da consciência e que inclui a personalidade empírica do indivíduo, com todos os seus atos conscientes. É um dos principais arquétipos da personalidade. Como um fator consciente, até poderia ser descrito, mas jamais encerraria a personalidade de um indivíduo, visto que a sua “porção maior”, que é o inconsciente, lhe é desconhecida. É ele que dá uma direção a nossa vida consciente e tende a buscar o equilíbrio quando a consciência se sente ameaçada. Por sua importância, chegamos a ignorar a outra metade que é o inconsciente, do qual ele emerge. Em seu conteúdo encontra-se as experiências e, memórias derivadas da história pessoal, da experiência que cada pessoa tem de si mesma, como se fosse um espelho, no qual a psique se enxerga para se tornar consciente. Portanto, não há no ego conteúdo inconsciente.
É ele, o ego, o fator determinante para distinguir um ser humano de outro. É o agente individualizante na consciência humana, o que significa a possibilidade de fazer escolhas, de se desenvolver uma conduta consciente. Considera-se que um indivíduo tem um ego forte quando é capaz de, deliberadamente, obter e movimentar os conteúdos conscientes; por outro lado, será chamado de ego fraco quando ele não for capaz dessas realizações e sucumbir facilmente aos impulsos e reações emocionais. Por não ter consciência de si, também não tem foco e consistência em suas motivações.
O inconsciente coletivo, que funciona como um grande pano de fundo sobre o qual a função consciente se instala e se destaca, também contém todos os motivos mitológicos que surgiram na história da humanidade, em todo o mundo. E, tudo isso tem uma fortíssima influência sobre nós. Os povos primitivos entendiam tais influências como fenômenos do espírito, bruxaria, que nós denominamos superstição. Entretanto, o que difere é apenas a teoria. Se eles se sentiam ameaçados pelos espíritos maus, nós também sofremos as ameaças de muitos “demônios”, como as doenças, as inseguranças, a morte; se estavam sujeitos ás bruxarias dos inimigos, somos encantados” por outras “porções” e “magias”, emanadas por acontecimentos e pessoas. Enfim, mudaram-se os nomes e passamos a acreditar que isso bastaria para modificar os fenômenos.
Quanto mais ampliamos a consciência a nosso respeito, integrando o que estava submerso no inconsciente, mais amplos se tornam nossos horizontes.