AUTO LIDERANÇA

O INICIO DE UMA JORNADA PESSOAL, PSÍQUICO-EMOCIONAL E ESPIRITUAL.AUTO LIDERANÇA

Este artigo é a parte introdutória de um seminário de mentoreamento e liderança

cristã ministrado no ano de 2015 em 3 períodos trimestrais para líderes de ministério

e potenciais líderes em formação que enxergavam o chamado para tal

 

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. Romanos 12:2

Sabemos hoje, que a maior parte das nossas percepções, escolhas, decisões e atividades mentais é mais influenciada pelo inconsciente do que pelo ego consciente. Isto requer que nos aprofundemos na dimensão do inconsciente para melhor nos conhecermos.

Observamos que o distanciamento cada vez maior entre as crenças conscientes – nossos ideais e valores – e as crenças inconscientes, como resultado de uma hipnose coletiva ou massificação e do completo desconhecimento de si tem levado a uma enorme incoerência entre o que falamos e o que realizamos. Quando nos preocuparmos em cuidar mais de nós mesmos, isto é, em nos tornarmos melhores como seres humanos, em vez de pretender mudar aos outros e querer organizar o mundo segundo as nossas percepções, certamente nos aproximaremos do modelo ideal.

Se não nos abrirmos para a possibilidade de nos conhecer e realizar essa mudança interior, por mais que isso nos incomode e nos assuste – por isso resistimos tanto -, não evoluiremos como seres humanos, e, portanto, não haverá evolução nas demais esferas. Se não mergulharmos profundamente em nós mesmos, tomando consciência de quem somos, identificando nossos valores mais caros e as crenças que sustentam o nosso caminhar, para aplicá-los também em nossa vida profissional, viveremos cada vez mais em um agudo e crônico processo esquizofrênico, gerando inúmeros transtornos em nossos relacionamentos.

Se nos dispusermos, com disciplina e determinação a trilhar o caminho do autoconhecimento e da transformação pessoal, também conseguiremos irradiar esse propósito à equipe, nas organizações e ministérios de que participamos. Como disse Mahatma Gandhi, “nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”.

Viktor Frankl, que desenvolveu sua teoria a partir da própria experiência no campo de concentração nazista, afirmou em 2006: “Ainda que seja tirado tudo do homem – seus bens, sua família e amigos, status, etc. -, nada poderá lhe tirar a liberdade de decidir o que ele quer se tornar como humano, porque todo homem tem o poder e a liberdade de se elevar acima de si mesmo e se tornar um ser humano melhor”.

Erich Fromm (1981) afirmou ser a expansão dos poderes a grande meta da vida humana, e que o ser humano só pode afirmar as suas potencialidades quando se concretiza, transformando-se no indivíduo que ele é em potencial. Na verdade, essa é uma obrigação de cada pessoa, pelo simples fato de estar viva, como uma ação de graças por ter nascido. Pois, se o indivíduo veio ao mundo, que se realize, então, como humano. Isso significa que é preciso trabalhar, com ardor e arduamente, para construir a própria personalidade.

Aplicando à liderança o entendimento é que cada um de nós deve desenvolver, conscientemente, a própria individualidade. Os novos tempos exigem que cada um de nós encontre o seu caminho singular, que descubra a sua essência espiritual e a transforme em competência, emergindo com o desenvolvimento da sabedoria e a partir do exercício da intuição, expressa pela inovação, pela capacidade de ver além, de maneira sistêmica e transdisciplinar. Inclui comportamentos como o cuidado com o outro, o afeto e a ternura, a empatia – qualidades que foram rotuladas de “femininas”, mas que hoje, se ausentes, determinarão a não possibilidade de inspirar e liderar uma equipe. A criatividade será cada vez mais exigida e a capacidade de inspirar e dar o exemplo já está se tornando basilar; esses recursos interiores se farão não somente necessários, mas fundamentais.

Entendemos que é verdadeiramente um líder aquele que escuta, que gera credibilidade, que inspira por sua sabedoria e move o outro pela autoridade do seu exemplo, pela força do seu caráter. Somente poderá ser chamado de líder aquele que for capaz de liderar a si mesmo, isto é, de viver de maneira coerente, controlando suas emoções e seus pensamentos, centralizando-os para o bem comum. Viver com consciência é ter conhecimento do valor emocional das ideias que temos, dos motivos de nossas ações; é como ser um observador que dá conta de tudo o que acontece.

O exercício de liderança requer viver situações de pressão, tensões, conflitos e constantes desafios, que demandam paciência e decisão, além do envolvimento com as emoções e problemas dos liderados, se ele, o líder não desenvolver o autodomínio, vivendo de maneira consciente, não obterá os resultados de maneira eficaz e satisfatória para todos.

Então, muito mais que conhecimentos e habilidades técnicas, o líder precisa desenvolver competências humanas. Precisa ser “humano”. Tornar-se mais humano é condição indispensável para se tornar um verdadeiro líder.

Portanto qualquer pessoa que decidir viver assim tornar-se-á um líder e, por seu próprio exemplo, suscitará outros líderes e, por sua ação, fará com que cada um descubra em si suas potencialidades e as coloque a serviço dos demais. Nesse modelo, todos se sentem responsáveis por si mesmos – a isso se dá o nome de autonomia, e se sentem responsáveis pelos outros – Isso é solidariedade. Com uma consciência ampliada, os líderes saberão o momento de indicar os caminhos, o momento de acolher, de apreciar as metas atingidas e de corrigir os desvios; mas, sobretudo, eles serão um exemplo para seus liderados.

Em algum momento, o indivíduo vai experimentar a solidão, vai se defrontar com as questões cruciais da vida e com as próprias inseguranças e incertezas; diante delas, precisará saber responder ao chamado para evoluir ou será aniquilado por si mesmo. Para todos sempre haverá um momento – e todo momento é o tempo – de decisão, de escolha; e sempre deveremos assumir, responsavelmente, as consequências de nossas escolhas, de nossas respostas à vida.

 

Anúncios

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

Uma consideração sobre “AUTO LIDERANÇA”

Os comentários estão encerrados.